Mostrar mensagens com a etiqueta BCE. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta BCE. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Portugal tem "obtido resultados"

O Presidente do BCE, Mario Draghi, afirmou hoje que Portugal tem "obtido resultados".

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, afirmou hoje, em Bruxelas, que Portugal tem registado progressos, realçando a subida das exportações.

"Grécia, Portugal, Irlanda, todos os países em situação de resgate, têm obtido resultados", afirmou Mario Draghi na comissão de Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, em Bruxelas, salientando que os progressos ocorreram num ano "difícil".

Na sua intervenção, o presidente do BCE destacou o aumento das exportações e a redução dos custos laborais unitários verificada em países como Portugal, Espanha, Irlanda e Itália. "Por exemplo, as exportações de bens e serviços aumentaram 27% em Espanha desde 2009, 14% na Irlanda, 22% em Portugal e 21% em Itália", afirmou, acrescentando que "estes quatro países experimentaram também avanços nos custos laborais unitários".

Neste contexto, defendeu que as reformas são a opção correcta, motivo pelo qual os governos devem continuar os esforços na sua aplicação. "As reformas estão a ser levadas a cabo e estamos a trilhar pelo caminho certo", declarou Mario Draghi.

Em resposta ao eurodeputado português Diogo Feio (CDS-PP), o presidente do BCE reconheceu que os países sob programa enfrentam uma situação "difícil" e "dolorosa", referindo que a instituição está "ciente" deste facto.

Durante o debate, a eurodeputada socialista Elisa Ferreira confrontou Mario Draghi com as consequências dos programas de resgate, defendendo que, "quando uma economia abranda, é preciso abrandar a dose de austeridade que lhe é imposta".

Na resposta, o presidente do BCE voltou a sublinhar os "progressos significativos" registados até ao momento, argumentando que um recuo poria "em causa a credibilidade" dos programas criados e que "qualquer reprogramação traria custos mais elevados".

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

IAPMEI: Memorando da troika não acautelou o impacto nas empresas


O presidente do Instituto de Apoio às pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI) disse hoje que "o memorando da 'troika' foi negociado demasiado à pressa" e sem acautelar o impacto no tecido empresarial nacional.

"Se querem a minha opinião pessoal, penso que não foi negociado com consciência e perfeita tomada de sentido naquilo que seriam as consequências às empresas portuguesas", sustentou Luís Filipe Costa em Leiria, durante uma conferência sobre "O Financiamento e a Recapitalização das Empresas".

O presidente do IAPMEI referia-se à desalavancagem da banca imposta pelo Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional que "não pode ser sido feita em 24 meses", quando, salientou, tivemos mais de uma década a subir os níveis de crédito aos particulares e às empresas".

Luís Filipe Costa diz que esta situação "era perfeitamente previsível com as descidas de 'rating' que estavam a acontecer, que os bancos estrangeiros iriam sair das empresas públicas nacionais, nomeadamente das grandes empresas de transporte, e que esse crédito teria que ser substituído pela banca nacional".

O resultado, para o responsável, está à vista: "menos crédito disponível para as pequenas e médias empresas" e "uma situação muito grave de acesso ao crédito".

A situação grave é "ampliada" porque as empresas portuguesas "já tinham um nível de dependência da banca mais elevado que a média europeia e tinham já um nível de autonomia financeira dos mais baixos da Europa", frisou.

Luís Filipe Costa definiu a sub-capitalização das pequenas e médias empresas como "muito grave" e defendeu que a recapitalização passa, por exemplo, por factores de incentivos fiscais e de ganhos de escala empresarial.

"Ainda temos um sistema fiscal que ainda não é amigo dos donos das empresas, dos sócios das empresas, de as recapitalizarem e colocarem lá os lucros da sua actividade anual", assinalou o presidente do IAPMEI.

Luís Filipe Costa destacou ainda que mais de 60 mil pequenas e médias empresas portuguesas já beneficiaram de nove mil milhões de euros oriundos de linhas de crédito.

"Imaginemos só por um segundo o que seria se nada tivesse sido feito. (...) Estaríamos com taxas de desemprego e níveis de insolvências ainda mais elevados", concluiu.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

PME portuguesas são as que pagam juros mais altos na Europa

Os empresários portugueses estão a pagar mais pelos empréstimos. Os dados do Banco Central Europeu (BCE), divulgados recentemente, mostram que as pequenas médias empresas (PME) portuguesas pagam as taxas de juro mais elevadas da zona euro.

Em agosto, o custo de um empréstimo bancário de até um milhão de euros, com um prazo de um a cinco anos - que geralmente é o tipo de crédito mais solicitado pelas PME - voltou a subir, tendo mesmo ultrapassado a barreira dos 7%.

No referido mês, os juros pagos pelas empresas portuguesas atingiram os 7,79%. Esta taxa somente é superada pelo "pico" dos custos do financiamento bancário em Portugal que ocorreu há um ano, em Setembro de 2011, cuja taxa média cobrada pelos bancos ascendeu a 8,1%. Nessa altura, os juros da dívida soberana batiam recordes, no período que sucedeu ao pedido de ajuda externa.

Os número parecem dar razão aos empresários que se queixam de que os juros cobrados pela banca portuguesa são muito elevados, tornando-se quase insustentável para algumas empresas pedir crédito.

Já a banca defende-se dizendo que está disponível para dar financiamento, sobretudo a empresas de boa qualidade mas que, naturalmente, devido ao risco mais elevado e ao contexto económico, os custos são também mais caros.

Num mês em que a maioria dos países conseguiu reduzir os custos de financiamento para as empresas, Portugal foi dos poucos países que assistiu a um aumento da taxa de juro cobrada às empresas, tendo saltado da quarta posição, verificada no mês anterior, para o pódio com os juros mais caros.

A tendência de subida das taxas nos empréstimos até um milhão de euros foi acompanhada por Espanha , com os juros a subirem para 6,61% (6,50% em julho), superando mesmo a Grécia (6,51%).

No caso espanhol, esta não é uma situação estranha, uma vez que o país tem estado bastante pressionado com a possibilidade de vir a pedir um resgate total, depois do já anunciado pedido de ajuda à banca.

Mais do dobro da Alemanha
A desvantagem competitiva das PME portuguesas é ainda mais óbvia quando se considera que, para o mesmo empréstimo, uma empresa alemã teria que pagar uma taxa de juros de 3,81% (4,04% em julho), ou seja, menos de metade do que uma PME portuguesa.

Analisando as taxas cobradas às empresas de outros países verifica-se que, em França o custo ficou em 4,02% em agosto (4,14% no mês anterior). Mesmo a Itália, que subiu para 6,24% em julho, diminuiu para 5,83% em agosto. A média da área do euro foi de 4,15%.

A disparidade reflete uma fragmentação da zona do euro, um facto reconhecido pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, na reunião de política monetária da semana passada - na qual se manteve inalterada a taxa de juro de referência para a zona euro no mínimo de 0,75% - como "inaceitável".

Os valores são sobretudo importantes por se tratarem de empréstimos que, normalmente, são solicitados por PME.

Na Europa, as 23 milhões de PME existentes representam mais de 99% das empresas do Velho Continente e foram responsáveis, nos últimos anos, pela criação de nove em cada 10 novos postos de trabalho, explicou Calleja Crespo, o responsável da estratégia da Comissão Europeia para as PME.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Monti: "Estamos a começar a ver a luz ao fundo do túnel"

O primeiro-ministro italiano está confiante que a crise na zona euro e em Itália está perto do fim.

“Estamos a atravessar um túnel, mas estamos a começar a ver a luz. Tanto Itália como o resto da Europa estamos a aproximar-nos da saída”, disse em entrevista à radio italiana RAI, citado pelo Expansíon.

Mario Monti vai iniciar hoje uma tournée por várias cidades europeias, começando por almoçar hoje com o presidente francês, François Hollande. O líder transalpino espera que a sua reunião com Hollande acelere os movimentos que os líderes europeus estão a fazer para salvar o euro e para impulsionar as políticas de crescimento.

Na entrevista, o primeiro-ministro também sublinhou que confia plenamente na capacidade de Mariano Rajoy para fazer frente aos problemas que Espanha está a atravessar. A ronda europeia de Monti vai terminar, precisamente, na quinta-feira com um encontro em Madrid com o presidente do Governo espanhol.

A ronda diplomática de Mario Monti começa depois dos mercados financeiros terem acalmado a pressão sobre Espanha e Itália depois da garantia dada por Mario Draghi, líder do Banco Central Europeu (BCE), de que a entidade vai “fazer o que for necessário” para salvar o euro.

Depois de Draghi, seguiu-se a declaração conjunta de François Hollande e da chanceler alemã que disseram que estão “decididos a fazer tudo” o que for preciso para “proteger a zona euro”.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Zona euro pronta a acionar Fundo de Estabilização

O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, declarou que a zona euro está pronta para agir em coordenação com o Banco Central Europeu e activar o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF).

Numa entrevista concedida ao diário "Le Figaro", colocada esta tarde na página online do jornal francês, Juncker admite ter-se chegado ao momento "crucial".

"Chegámos ao ponto crucial. Mas falta ainda apurar o ritmo da medida. Vamos agir em conjunto com o BCE, sem tocar na sua independência. Quando digo 'nós', trata-se do FEEF, ou seja, 17 governos", acrescentou o líder dos ministros das Finanças dos membros da união monetária.

"Vamos decidir e colocar à consideração dos mercados nos próximos dias. Não podemos perder mais tempo", declarou ainda Jean-Claude Juncker, sublinhando o efeito que as declarações na passada quinta-feira do presidente do BCE, Mario Draghi, tiveram na redução das taxas de juro da dívida soberana espanhola.

Tudo pelo euro

"O BCE está pronto a fazer tudo o que for necessário para preservar o euro. E acreditem em mim, será suficiente", declarou Draghi em Londres. "Se os prémios de risco sobre a dívida soberana

limitam a prossecução da política monetária, a questão entra no quadro do nosso mandato", precisou na mesma ocasião o governador do BCE.

As afirmações de Juncker contrastam com as declarações do ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, que numa entrevista hoje publicada pelo semanário alemão Die Welt am Sonntag, rebateu

especulações segundo as quais o FEEF se prepara para comprar dívida pública espanhola e italiana, em acção concertada com o BCE.

"Não, estas especulações são infundadas", afirmou Wolfgang Schäuble, quando confrontado com notícias publicadas na comunicação social espanhola e francesa.

De acordo com as notícias em causa, o BCE iria comprar obrigações dos dois países nos mercados secundários, o que nunca fez até agora, numa tentativa de diminuir a pressão sobre Roma e Madrid, cujos juros da dívida atingiram níveis insustentáveis.

Atenções viram-se para reunião de quinta-feira

Na entrevista ao Die Welt am Sonntag, Schäuble afirmou que o governo espanhol "tomou todas as medidas necessárias e está a colocá-las em prática".

O ministro admitiu também que os mercados financeiros ainda não estão a considerar os esforços feitos para resolver os problemas do sistema bancário espanhol, mas essa consciência há de "chegar".

As atenções estão agora concentradas na reunião semanal do BCE na próxima quinta-feira, para se perceber se o banco avança ou não com o controverso programa de compra no mercado secundário de obrigações dos membros do euro em piores condições de acesso aos mercados.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Saída da Grécia da zona euro "é possível e já não assusta"

O ministro da Economia alemão, Phillip Rösler, disse hoje, em entrevista ao canal ARD, ser "possível" uma saída da Grécia da zona euro.

O ministro da Economia alemão, Phillip Rösler, afirmouser "possível" uma saída da Grécia da zona euro, um cenário que "deixou de ser assustador há muito tempo",

"É evidente que Atenas não tem registado progressos no cumprimento do plano de reformas acordado com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional", disse Rösler, que é também vice-chanceler e chefe do Partido Liberal.

Por isso, acrescentou o ministro germânico, "se a Grécia não cumprir as condições que negociou, não poderá receber mais pagamentos", disse ainda o chefe do Partido Liberal.
"Entretanto, muitos gregos querem voltar a ter o dracma como moeda nacional", sublinhou ainda o ministro da economia do Governo de Angela Merkel.

O semanário Der Spiegel noticiou hoje que o Fundo Monetário Internacional (FMI) tenciona cessar as ajudas financeiras à Grécia, o que poderá lançar este país da zona euro na falência já em setembro.

A intenção do FMI de não libertar mais dinheiro para o programa de ajustamento financeiro negociado com Atenas já foi comunicada à União Europeia, garantiu a revista alemã, citando fontes diplomáticas em Bruxelas.

Actualmente, a chamada 'troika' do Banco Central Europeu (BCE), Comissão Europeia e FMI está em Atenas a examinar o cumprimento do memorando de entendimento.

Numerosos especialistas já advertiram, porém, que a Grécia não conseguirá reduzir a sua dívida pública a 120 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) até 2020, objetivo central do programa traçado para reequilibrar as suas finanças públicas.

Atenas obteve até agora, desde maio de 2010, dois resgates no total de 240 mil milhões de euros, além de um perdão superior a 50% da dívida por parte da grande maioria dos credores, mas a situação económica do país continua a ser muito crítica.

Se a Grécia obtiver mais tempo para cumprir o programa de ajustamento financeiro, como o novo governo de Antonis Samaras exige, isso custará à UE e ao FMI mais 50 mil milhões de euros, segundo cálculos da 'troika' citados pelo Der Spiegel.

Porém, muitos governos da zona euro não estão dispostos a emprestar mais dinheiro a Atenas, e a Finlândia e a Holanda condicionaram futuras ajudas à participação do FMI.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

FMI reuniu com Vítor Gaspar em Lisboa

Líder da missão da troika veio preparar relatório sobre a economia portuguesa, que será realizado em conjunto com a quinta avaliação.

O líder da missão da troika para Portugal, Abebe Selassie, está em Lisboa e reuniu ontem com o ministro das Finanças e com o Banco de Portugal, avança a edição de hoje do "Diário Económico", adiantando que a visita teve como objectivo a preparação do Artigo IV sobre Portugal, que será conduzido em conjunto com a quinta avaliação ao programa português.

Ao jornal, fonte oficial do FMI confirmou que Abebe Selassie "está em Lisboa numa visita muito curta, para discutir e acordar com as autoridades os pontos principais a serem revistos durante a missão do Artigo IV, que será conduzida ao mesmo tempo da quinta revisão do programa apoiado pelo FMI, União Europeia e BCE, que terá lugar em Agosto".

O Artigo IV diz respeito a um relatório pormenorizados que o FMI elabora regularmente sobre as economias dos países membros. O jornal explica que se chama Artigo IV porque é uma análise que está prevista nos artigos que constitutem os estatutos do Fundo.

A visita de Selassie serviu assim para acordar os pontos que serão analisados na missão.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Espanha tem lições a aprender com Portugal na gestão da crise

A Reuters falou com economistas e investidores e chegou à conclusão de que o Governo espanhol deveria aprender pelo menos uma lição com Vítor Gaspar e uma outra com Passos Coelho.

A centralidade e autoridade de que Vítor Gaspar dispõe no Governo português e o “mantra neoliberal” que consistentemente é entoado pelo primeiro-ministro são ensinamentos que Espanha devia retirar do vizinho mais pequeno, que já leva um ano de intervenção externa.

A conclusão é da Reuters, que ontem divulgou um longo texto de análise intitulado “Líder de Espanha podia aprender algumas lições de Portugal”, depois de constatar que nem a promessa europeia de ajuda à banca, nem o novo pacote de austeridade, deram alento aos investidores, que continuam a cobrar prémios de risco crescentes para financiar o Estado espanhol.

“O primeiro-ministro Mariano Rajoy poderia aprender algumas lições de comunicação de Portugal numa altura em que está a batalhar para restaurar a confiança nas finanças públicas de Madrid e evitar um resgate internacional”, escreve Reuters, ao fazer o paralelo entre a actuação dos dois Governos.

Enquanto Passos Coelho e os seus ministros adoptaram “um duro mantra neo-liberal”, Rajoy ensaiou um “discurso de desafio, nacionalista”, enviando mensagens “contraditórias” sobre o que era relevante para os mercados: a situação do défice; o que ia fazer com as regiões que não cumprem os limites de despesa; e o real estado da banca, em particular das antigas cajas.

“Mariano Rajoy fez coisas certas. Quando se olha para a substância, foi até longe nas reformas, mas é verdade que a comunicações nem sempre foi um sucesso” o que “teve consequências nos mercados”, diz Gilles Moec, economista no Deutsche Bank.

Portugal favorecido pela percepção de que há um rumo e uma só linha de comando

Passos Coelho, que alinha politicamente à direita com Rajoy, ganhou a reputação de seguir com “obediência rigorosa as dolorosas receitas impostas pela Alemanha”. Conjuntamente com Vítor Gaspar e outros ministros, essa mensagem tem sido levada aos mercados, por vezes em encontros “individuais com grandes investidores na Alemanha, China e Estados Unidos”, escreve a agência noticiosa que disputa com a Bloomberg a liderança mundial na informação económica.

A Reuters cita ainda um “senior buy-side”, um gestor de activos possivelmente de um grande fundo de investimento, que esteve com os dois Governos e não tem dúvida de que Portugal tem sido mais eficiente a passar a sua mensagem. "O Governo português tem sido melhor a comunicar a sua estratégia aos investidores de forma consistente e credível”. “Os responsáveis mais seniores são articulados e convincentes e parecem estar genuinamente comprometidas com a implementação do programa de reformas”, acrescenta.

Na comparação Madrid-Lisboa, a capital portuguesa leva ainda melhor nota dos investidores pela centralidade e autoridade incontestadas que percebem no ministro das Finanças, e no inteiro apoio que lhe é fornecido pelo primeiro-ministro.

Já em Espanha, a linhas de responsabilidade são muito fragmentadas. Escreve a Reuters que os investidores não sabem a quem dar ouvidos, porque não se perceba bem onde começa e acaba o campo de actuação de Luis de Guindos, ministro das Finanças, e de Cristobal Monto, ministro do Orçamento. Ministros que ficaram com o ónus de explicar o rumo ziguezagueante de Rajoy, que começou por prometer disciplina orçamental para depois flexibilixar unilateralmente a meta do défice, enquanto pedia, em vão, ao BCE para continuar a intervir no mercado de dívida para acalmar a subida das "yields".

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Dívida do Estado cresce a um ritmo de 74 milhões por dia

Dívida directa do Estado é de 194,4 mil milhgões de euros.

A dívida directa do Estado não pára de crescer. Isto numa altura em que os particulares portugueses estão cada vez mais relutantes em investir em certificados de aforro ou do tesouro. A dívida situou-se no final de Maio em 194,4 mil milhões de euros, mais 54 mil milhões de euros que em Maio de 2010, altura em que a crise de dívida soberana começou a amedrontar a Europa com o primeiro resgate à Grécia. Foi uma subida de 38,6%, um aumento de 74 milhões de euros por dia.

Com a saída dos investidores de retalho e com a falta de acesso ao mercado de dívida de médio e longo prazo, os fundos da ‘troika' foram ganhando um peso cada vez maior no total da dívida do Estado. No final de Maio, a UE e o FMI já tinham emprestado a Portugal 55,6 mil milhões de euros, valor que corresponde a quase 30% da dívida directa do Estado. A juntar a isto estão ainda as obrigações do tesouro compradas pelo BCE ao abrigo do programa de compras no mercado secundário. Frankfurt não especifica as compras por país.

Para o economista da Informação de Mercados Financeiros, Filipe Garcia, "quanto maior for o peso da dívida à ‘troika' maior a dificuldade em substituí-la por outra. Era bom que a dívida estivesse mais disseminada".

Além disso, existe a questão da senioridade, já que se os credores oficiais tiverem estatuto preferencial sobre os outros investidores torna a dívida portuguesa menos atractiva para os mercados. Isto porque se, num cenário de reestruturação, a UE, o FMI e o BCE não assumirem prejuízos, à semelhança do que aconteceu no perdão da dívida grega, quanto maior o peso destas entidades no total de ‘stock' de dívida, maior o ‘haircut' (corte no valor das obrigações) que terá de ser aplicado aos privados.

Só desde o início do ano, a dívida directa do Estado aumentou 19,5 mil milhões de euros, uma subida de 11%. Só desde o início do ano, a ‘troika' emprestou 19,7 mil milhões de euros a Portugal. Já em Obrigações do Tesouro o total de dívida em ‘stock' era de 102 mil milhões de euros em Maio, data dos últimos dados disponibilizados pelo IGCP, sendo que esse número deverá ter diminuído em Junho, já que o Estado amortizou uma linha de obrigações.

Vítor Constâncio: "Programa português está no bom caminho"


Vítor Constâncio hesita em dizer se o Governo português terá de tomar novas medidas de austeridade. Em resposta a uma pergunta feita durante a conferência de imprensa do Banco Central Europeu (BCE), o vice-presidente do banco central disse que o "programa português está no bom caminho".

"As conclusões da avaliação [da troika] foram que o programa estava no bom caminho", afirmou o antigo governador do Banco de Portugal. "Temos de esperar para ver como a economia se vai comportar no curto-prazo."

Apesar de reconhecer a existência de alguns riscos, Constâncio considera que "Portugal tem sido considerado um país que está na direção certa".

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Troika chega amanhã ao Chipre para analisar contas públicas


Os investigadores da troika estão a chegar ao Chipre para analisar as contas públicas, depois do país ter solicitado uma ajuda financeira para recapitalizar os bancos.
O grupo é formado por 25 técnicos e começará amanhã o trabalho de revisão das contas cipriotas. Para o primeiro dia já estão marcadas reuniões com os representantes do Ministério das Finanças e do Banco Central do país para analisar as necessidades económicas do sector. O sector financeiro cipriota está bastante debilitado pela exposição à dívida grega e a títulos soberanos.
Só os principais bancos cipriotas requerem uma injeção de capital de 2300 milhões de euros, mas a agência Fitch prevê que todo o sector possa necessidade de até seis mil milhões de euros, cerca de 30% do PIB do país.
Algumas fontes, avança o Expansíon, referem que o resgate poderá chegar aos 10 mil milhões de euros, 50% do PIB do Chipre, para dar resposta não só às necessidades de recapitalização da banca como também às do Estado.
Mas nesta viagem os especialistas não se limitarão a uma análise ao sector financeiro, e irão também debruçar-se sobre a economia do país em geral, tema que irão analisar em profundidade em conjunto com uma comissão parlamentar de economia.
O Chipre tem vindo a mostrar alguma incerteza relativamente às condições macroeconómicas que poderão surgir como contrapartida para a ajuda. O país tem grandes parecenças com a Grécia, partilhando laços culturais e históricos. Tal como na Grécia o desemprego também tem vindo a crescer exponencialmente, com aumentos de 10% em quatro anos.
A viagem da troika poderá durar entre duas a três semanas, no final desse período o dinheiro poderá seguir para o país.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

FMI disponível para alterar condições do empréstimo à Grécia

Missão da troika regressa a Atenas no início da próxima semana e mostra abertura para discutir com o novo governo as alterações pretendidas por Samaras.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) vai retomar as negociações com a Grécia no início da próxima semana, quando aterrar em Atenas a missão da troika, composta também pela Comissão Europeia e Banco Central Europeu.

Gerry Rice, porta voz do FMI, disse hoje em Washington que se "o novo Governo tiver novas ideias em como objectivos do programa podem ser atingidos, estamos disponíveis para essas negociações".

Contudo, antes dessas negociações, a troika vai primeiro apurar como estão as contas públicas do país, depois do interregno originado com as eleições gregas. O objectivo passa primeiro por “avaliar os recentes desenvolvimentos económicos e encontrar-se com as novas autoridades”, disse Rice, citado pela Bloomberg.

A troika esteve cerca de dois meses ausente, dado que as eleições de 6 de Maio foram inconclusivas e o primeiro-ministro, António Samaras, esteve ausente devido a uma operação nos primeiros dias em funções do novo executivo.

A coligação governamental, composta pela Nova Democracia, Pasok e Esquerda Democrática, fez já saber que vai pedir à troika mais dois anos para cumprir as metas inscritas no último programa de ajuda, no valor de 130 mil milhões de euros.

O FMI mostra assim abertura para, depois de apurar qual o estado do país, negociar alterações com o executivo de Samaras. O porta-voz do FMI adiantou que não existe ainda data para essas negociações da missão da troika com o governo helénico.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Espanha paga o triplo para colocar 3.077 milhões

O Tesouro Público espanhol colocou hoje 3.077,7 milhões de euros em títulos a três e seis meses, mas foi penalizado com juros três vezes mais elevados, que ultrapassaram os 3,0% a seis meses.

Os juros pagos na operação foram, aliás, os mais elevados desde dezembro e demonstram as fortes tensões que se vivem no mercado da dívida soberana espanhola há várias semanas.

Em concreto, o Tesouro colocou 1.600,49 milhões de euros em títulos a três meses (com uma procura 2,6 vezes maior que a oferta), mas foi obrigado a subir o juro médio de 0,846 de maio para 2,362%.

Espanha colocou ainda 1.477,21 milhões de euros em bilhetes a seis meses (a procura foi 2,8 vezes maior que a oferta) com os juros médios a dispararem de 1,737 para 3,237%.

Este foi o primeiro leilão desde o pedido formal de ajuda europeia para a banca espanhola e depois de, na noite de ontem, a Moody's ter baixado o rating a 28 entidades financeiras, deixando a maioria no nível "lixo".

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Acionistas do BCP aprovam ajuda do Estado ao banco

Os accionistas do BCP aprovaram hoje, em assembleia-geral extraordinária, o plano de recapitalização do banco que prevê o recurso ao Estado para um empréstimo de três mil milhões de euros e um aumento de capital de 500 milhões.

O primeiro e principal ponto da ordem de trabalhos, que prevê a plano de recapitalização com ajuda estatal foi aprovado com 99,85% do capital social representado.

Os outros dois pontos, que definem as restantes condições do plano, também foram aprovadas com mais de 99,0% dos votos a favor.

A assembleia-geral extraordinária realizada no Taguspark, em Oeiras, durou mais de duas horas, e contou com a participação do presidente executivo do banco, Nuno Amado.

No encontro, os accionistas aprovaram as operações de recapitalização necessárias para o banco cumprir as metas de capital core tier 1 (a medida mais eficaz de avaliar a solvabilidade de um banco) de 9% em Junho, de acordo com os critérios da Autoridade Bancária Europeia (EBA em inglês), e de 10% até final do ano, segundo as regras do Banco de Portugal.

Para cumprir estas exigências, o banco vai emitir obrigações de capital contingente (as chamadas CoCo bonds) a subscrever pelo Estado, no montante de três mil milhões de euros, recorrendo assim a parte dos 12 mil milhões de euros destinados pela Troika (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia) para a recapitalização do sector bancário.

As CoCo bonds são títulos de dívida emitidos pelos bancos convertidos em acções em determinadas condições. Uma vez que são aceites pela EBA na recapitalização dos bancos, o Estado português vai subscrever estes instrumentos em vez de se tornar accionista. No entanto, se o capital dos bancos ajudados descer abaixo de determinado nível de capital, estas convertem-se em acções e o Estado passa a accionista.

Ministro das Finanças grego demite-se mesmo antes de tomar posse

Dias depois de anunciado para ocupar a pasta das Finanças da Grécia, Vassilios Rapanos apresentou a demissão. Antonis Samaras aceitou. Problemas de saúde justificam decisão.

O ministro das Finanças da Grécia, Vassilios Rapanos, apresentou a demissão, dias depois de ser nomeado para o cargo. 

"Desejo-lhe uma rápida recuperação dos seus problemas de saúde", indicava Samaras na carta em que aceita a decisão, citado pelo "Athens News".

Rapanos não chega assim a ocupar, oficialmente, o cargo de ministro das Finanças. Enquanto os restantes membros do executivo tomaram posse na quinta-feira, o responsável das Finanças helénicas não esteve na cerimónia. Isto porque o seu antecessor do governo interino, George Zanias, tinha viajado para o Luxemburgo, onde foi representar a Grécia no encontro dos ministros das Finanças da Zona Euro, o Eurogrupo.

Rapanos deveria ter sido empossado na sexta-feira, mas os seus problemas de saúde e os de Antonis Samaras – que teve de ser operado a uma cirurgia a um descolamento de retina – impediram que a cerimónia se realizasse.

O responsável das Finanças teve de se dirigir para o hospital, devido a problemas ligados à exaustão. Rapanos terá chegado a desmaiar. Segundo a agência estatal ANA, que cita um comunicado do gabinete do primeiro-ministro, Rapanos indicou que não está em condições de assumir o cargo devido, precisamente, a problemas de saúde.

Os problemas de saúda da cúpula do executivo helénico obrigaram até a um adiamento da viagem da equipa da troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) a Atenas. Deveria ter ocorrido hoje mas, dada a necessidade de repouso de uma semana para Samaras após a cirurgia, a viagem foi adiada.

Samaras, Evangelos Venizelos, líder do socialista Pasok, e Fotis Kouvelis, do Esquerda Democrática, são os líderes partidários que dão suporte ao governo e que deverão viajar para Bruxelas para tentar renegociar o acordo de resgate.

Tal viagem deverá decorrer só na próxima semana, após a cimeira de 28 e 29 de Junho, pelo que o pacote de ajuda à Grécia não deve ser um tema nesse encontro que junta os líderes europeus.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Portugal passa no teste da 'troika' e recebe mais 4.100 milhões

O Governo português recebeu nota positiva na quarta avaliação da troika ao programa de assistência.

O ministro das Finanças, Vìtor Gaspar, anunciou hoje o "sucesso" do novo exame da troika ao país. "Cumprimos todos os critérios quantitativos e objectivos do quarto exame", afirmou Vítor Gaspar, salientando que este programa "responde às necessidades de ajustamento da economia portuguesa"

Vítor Gaspar, que fala numa conferência de imprensa em Lisboa, salientou também a rápida redução do desequilíbrio externo e os ganhos significativos das exportações em termos de quota de mercado. Sobre o desemprego, o ministro das Finanças considerou imperativo ponderar sobre o aumento do desemprego, que pressiona as contas da Segurança Social.

"É crucial garantir rigorosa execução orçamental", afirmou Gaspar, sublinhando que as previsões estão em linha com a meta do défice de 3% do PIB em 2013.

"As nossas previsões actuais estão em linha com o objetivo para o défice orçamental em 2013. A dívida pública deverá atingir um máximo de 118% do PIB em 2013, e reduzir-se-á continuadamente nos anos seguintes", disse Vítor Gaspar na apresentação das conclusões do quarto exame da 'troika' (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) à evolução do programa contratado com Portugal.

"Esta revisão de três pontos percentuais decorre da revisão do PIB nominal para 2013, da execução do programa de apoio à economia local, de revisões contabilísticas entretanto efetuadas à dívida pública no final de 2011 e de alguns outros factores de importância quantitativa menor", acrescentou Gaspar.

Os números avançados pelo ministro também incluem ligeiras revisões às projecções anteriores do Governo para 2013. Gaspar disse que o Governo agora prevê um crescimento do PIB de 0,2% no próximo ano (a previsão anterior era 0,6%) e uma taxa de desemprego de 15,9% (a previsão anterior era 14,1%).

O ministro das Finanças, Vitor Gaspar, afirmou também que a venda da TAP e da ANA deverão ser concluídas ainda este ano, tendo a venda da CP Carga sido adiada para 2013.

"Após o sucesso das privatizações da REN e da EDP, esperamos concluir a venda da TAP e da ANA ainda este ano. A venda da CP Cargo foi adiada" para o próximo ano, disse Vitor Gaspar.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Irlanda aprova Tratado da austeridade com maioria de 60%

Os irlandeses aprovaram o Tratado orçamental com uma margem folgada de 60,3% no referendo realizado ontem.

No final, 955.091 eleitores aprovaram o documento, o equivalente a 60%, enquanto 629.088 irlandeses se opuseram.

Os dados acabam de ser divulgados em Dublim. O país junta-se agora à Grécia, Portugal, Eslovénia, Polónia, Roménia e Dinamarca, no campo dos que já ratificaram o Tratado, que entrará em vigor assim que 12 estados do euro o tenham adoptado.

A campanha na Irlanda ficou marcada pelo debate entre a relutância em reforçar a política de austeridade e o risco de não aceder a um novo resgate em 2013 se o país não for capaz de regressar aos mercados.

O novo fundo que entra em vigor em Julho só abre os cordões a países que tenham ratificado o Tratado Orçamental, que foi subscrito em Março por 25 líderes de estados membros. A República Checa e Reino Unido optaram por não fazer parte do clube, tornando o texto num tratado internacional e não europeu.

A grande novidade do Tratado é a inclusão de uma regra de ouro, o equilíbrio orçamental, do qual os países apenas se podem desviar em circunstâncias limitadas em défice e em tempo, sob pena de incorrer em sanções imediatas. A regra terá um valor paraconstitucional e serão criados mecanismos vinculativos para corrigir qualquer desequilíbrio.

Herman Van Rompuy, presidente da União Europeia já reagiu a este resultado, considerando que o apoio irlandês ao Tratado Orçamental é um "passo importante" rumo à estabilidade.

"Congratulo-me com o desfecho positivo no referendo na Irlanda", disse Van Rompuy, acrescentando que "com esta votação, o povo irlandês deu o seu apoio e compromisso quanto à integração europeia. Este resultado é um passo importante rumo à recuperação e estabilidade", disse.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Reserva Federal norte-americana exige "ação rápida da Europa" para evitar propagação da crise

O presidente da Reserva Federal de Saint Louis, James Bullard, veio hoje apelar a que os líderes europeus estabeleçam uma visão para a crise e efectuem uma acção rápida para evitar que esta se propague pelo mundo.

Para o responsável a crise da zona euro "é uma situação verdadeiramente grave" que começa a afectar as bolsas norte-americana e japonesa e lembra que a crise da zona euro provocou uma fuga dos investimentos o que gerou uma redução para "mínimos históricos" nos juros praticados tanto no Japão como Estados Unidos da América.

Uma ruptura financeira da zona euro teria um "impacto significativo" no resto do mundo, defendeu Bullard hoje no Japão, que apontou a quebra nas exportações chinesas como a prova de que o impacto da crise europeia é bem mais profundo do que se pensava anteriormente.

Por estas razões o presidente da Fed de St. Louis apela a decisões firmes na Europa e apelou aos responsáveis políticos europeus para que apresentem um programa detalhado de como irão resolver os seus problemas fiscais. E lembrou que as injecções de capital praticadas pelo BCE apenas podem provocar algum alívio na zona euro, não conseguindo ter consequências definitivas.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Merkel “Quero que a Grécia se mantenha no Euro”

A chanceler alemã referiu hoje que a manutenção da Grécia na zona euro será tão boa para a Grécia como para todos os Estados-membros.

Em entrevista à cadeia televisiva norte-americana CNBC, Angela Merkel, referiu esta manhã que "tal como Jean-Claude Juncker, eu quero que a Grécia se mantenha no Euro."

A chanceler alemã considera que a manutenção da Grécia no Eurogrupo "será tanto bom para a Grécia como para todos nós".

Recorde-se que recentemente o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, referiu que a zona euro conseguiria suportar a saída da Grécia do espaço da moeda única, gerando uma onda de especulação sobre essa possibilidade.

No entanto, hoje, Merkel optou por uma posição mais moderada e bem mais cooperante, chegando a anunciar que "se a Grécia acredita que podemos encontrar mais estímulos na Europa, além do memorando [pacote de ajuda financeiro da troika], então temos que falar sobre isso".

Questionada sobre a perda de orientação dos líderes quanto ao projecto europeu, Merkel revelou que não acredita nesse cenário e que "o caminho que se tem de percorrer terá de levar a Europa para uma maior integração".

terça-feira, 8 de maio de 2012

Draghi apela à continuidade de políticas de integração europeias

O presidente do Banco Central Europeu (BCE) apelou hoje à continuidade de políticas de integração ao nível europeu.

Mario Draghi lembrou ao mesmo tempo que a convergência dos mercados financeiros deve ser apoiada pela integração das infra-estruturas existentes.

"É durante os tempos de crise que não devemos permitir que os nossos compromissos para com a causa de maior integração de mercado desvaneçam. É durante tempos difíceis que devemos lembrar a importância da cooperação e da coordenação", disse Mario Draghi durante a cerimónia de assinatura do acordo Target2-Securities (T2S), um "novo serviço do Eurossistema para a liquidação de títulos em moeda de banco central", que envolve nove entidades da União Europeia.

As novas iniciativas do mercado europeu têm por objectivo a criação de um equilíbrio que remova barreiras à competição, facilite negócios transfronteiriços e, em última instância, reforce a integração financeira, acrescentou Draghi.

"Porém, não nos devemos esquecer que a integração dos mercados financeiros precisa de ser complementada e apoiada pela integração da infra-estrutura existente. A contribuição mais fundamental do Eurossistema para a integração neste campo é a criação do T2S", declarou o italiano à frente do BCE.

Segundo uma orientação do BCE publicada há dois anos, "o projecto T2S visa facilitar a integração pós-negociação mediante a oferta de um processo de base, neutro e sem fronteiras de liquidação pan-europeia de numerário e de títulos em moeda de banco central, possibilitando às [Centrais de Valores Mobiliários] a prestação aos seus clientes de serviços de entrega contra pagamento harmonizados e uniformes, num ambiente técnico integrado com capacidade para efectuar operações transfronteiriças".