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terça-feira, 26 de junho de 2012

Durão Barroso: «Esta crise é maior ameaça dos últimos 60 anos»

Durão Barroso reclamou esta terça-feira um aprofundamento da integração europeia para superar a atual crise económica, que classificou como «a maior ameaça» de sempre com que a União Europeia se confrontou.

«Esta crise é a maior ameaça a tudo aquilo que alcançámos através da construção europeia ao longo dos últimos 60 anos. Confrontados com esta dura realidade, ficar parados não é uma opção. É necessário um salto em frente», afirmou, durante um conferência organizada pelo grupo de reflexão European Policy Center, em vésperas da cimeira de líderes europeus, de quinta e sexta-feira, cita a Lusa.

Segundo o presidente do executivo comunitário, esse «salto» deve começar através de uma união bancária.

«Para estabelecermos uma autêntica União Económica e Monetária, penso que necessitamos de uma união bancária, uma união orçamental e mais passos rumo a uma união política. O primeiro destes blocos que pode ser alcançado rapidamente sem mudanças nos Tratados é uma moldura financeira integrada, uma união bancária», defendeu.

De acordo com Durão Barroso, a crise expôs a falta de coordenação ao nível da supervisão, e, como resposta, a arquitetura europeia neste campo foi «significativamente melhorada», mas agora é necessário ir mais além.

Espanha paga o triplo para colocar 3.077 milhões

O Tesouro Público espanhol colocou hoje 3.077,7 milhões de euros em títulos a três e seis meses, mas foi penalizado com juros três vezes mais elevados, que ultrapassaram os 3,0% a seis meses.

Os juros pagos na operação foram, aliás, os mais elevados desde dezembro e demonstram as fortes tensões que se vivem no mercado da dívida soberana espanhola há várias semanas.

Em concreto, o Tesouro colocou 1.600,49 milhões de euros em títulos a três meses (com uma procura 2,6 vezes maior que a oferta), mas foi obrigado a subir o juro médio de 0,846 de maio para 2,362%.

Espanha colocou ainda 1.477,21 milhões de euros em bilhetes a seis meses (a procura foi 2,8 vezes maior que a oferta) com os juros médios a dispararem de 1,737 para 3,237%.

Este foi o primeiro leilão desde o pedido formal de ajuda europeia para a banca espanhola e depois de, na noite de ontem, a Moody's ter baixado o rating a 28 entidades financeiras, deixando a maioria no nível "lixo".

Lisboa: Empresas arrendam menos mas escolhem escritórios maiores

O número de operações de arrendamento de escritórios em Lisboa continua em quebra, mas a área arrendada é cada vez maior.

De acordo com um estudo da consultora imobiliária Aguirre Newman, de janeiro a maio realizaram-se 83 operações de arrendamento, menos 15 que em igual período do ano anterior, contudo, a área média contratada por transacção aumentou 50%, de 252 metros quadrados em 2011 para 378 metros quadrados em 2012.

Em consequência, entre janeiro e maio, a área arrendada aumentou 27% para 31.408 metros quadrados e só em maio, quando comparado com o ano passado, os metros quadrados arrendados duplicaram, passando dos 3.948 metros quadrados para 7.904 metros quadrados.

O estudo revela ainda que a maior parte das operações se realizou em edifícios usados (77%) e que os edifícios novos só foram escolhidos por 23% das empresas que mudaram de escritórios nos primeiros cinco meses do ano.

Alfragide e Miraflores, onde as rendas são mais baratas (cerca de 11 euros por metros quadrado) foram as zonas onde se registaram mais arrendamentos, mais precisamente 36. Já a zona da Avenida Infante Santo, 24 de Julho, Almirante Reis e Olaias foi onde ocorreram menos arrendamentos, neste caso, apenas um.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

As empresas nacionais nos cinco continentes

As empresas que querem ser competitivas não podem escapar à globalização. Esta parece ser a realidade que algumas das melhores e maiores empresas portuguesas interiorizaram e que se lançaram à conquista do mundo.

Com o mercado europeu, e sobretudo o português em clima de retracção, os empresários lançaram-se para outros continentes. O objectivo parece simples: mercados cujas economias registem taxas de crescimento significativas e onde existam oportunidades de negócios. A América Latina, até há pouco um destino a evitar, aparece assim no topo das prioridades das empresas, a par da Índia e até da gigante China. Os mercados de Angola, Moçambique e África do Sul estão presentes na cabeça dos decisores empresariais, mas já estão a deixar de ser destinos exóticos como são os países do Magreb ou os Emirados Árabes Unidos.

Mais do que exportarem para estes territórios as empresas nacionais estão a conquistar um novo patamar na internacionalização. Para além de estarem atentas a novas geografias, as empresas lusas estão também receptivas a novos modelos de negócio, como sejam as parcerias ou ainda de ‘franchising' que têm a vantagem de associarem-se a empresários conhecedores desses mercados. Ou seja, também o paradigma para a internacionalização está a mudar e o que é verdadeiramente importante para os empresários é conquistar novos mercados.

A Sonae está presente nos cinco continentes. A empresa liderada por Paulo Azevedo tem-se vindo a internacionalizar em cada uma das suas áreas de negócio. Na Sonaecom, a bandeira internacional é transportada pela WeDo que está espalhada pelo mundo. No retalho alimentar, a parceria levada a cabo com Isabel dos Santos, vai abrir as portas em Angola. No não alimentar, a Sonae tem vindo a desbravar caminhos, quer seja com lojas próprias, quer seja através de parcerias em regime de ‘franchising', e está em países como Espanha, Turquia, Arábia Saudita, Egipto e Cazaquistão. Agora anunciou a entrada deste modelo para a América Latina (Venezuela, Colômbia, Rep. Dominicana, Panamá).Também a sub-holding Sonae Sierra, para além da forte presença em países como a Alemanha, Espanha, Portugal, Itália, Grécia, está também presente em regiões mais distantes como o Brasil e Colômbia.

No sector dos vinhos, a Sogrape, umas das maiores empresas do sector, é também uma das mais internacionalizadas. Em 1990, a empresa liderada por Salvador Guedes exportava para mais de 125 países e em 1997, dá um passo decisivo na conquista do Novo Mundo. A empresa entra na Argentina, mas é em 2008 que concretiza duas importantes aquisições que vieram reforçar a presença internacional: Nova Zelândia e Chile.

Também o sector cimenteiro não escapou a este movimento internacional. A Cimpor dá o seu pontapé de saída em 1992, na Galiza, Espanha. Segue-se, dois anos mais tarde, Moçambique, Marrocos, Brasil, Tunísia, Egipto. A que se seguem já na primeira década do século, África do Sul, Angola, Cabo Verde, Turquia, Peru, India, China.

No caso da Portugal Telecom, o objectivo parece ser o de maximizar o valor estratégico dos activos internacionais. A empresa pretende reforçar o enfoque no Brasil, um mercado que continua a ser prioridade, e África subsariana.

Já o grupo de António Mexia também não fugiu à onda de expansão internacional. A EDP está presente na Península Ibérica, França, Bélgica, Polónia, Roménia, Itália, Reino Unidos, Estados Unidos e Brasil. A eléctrica nacional é mesmo o terceiro maior produtor mundial de energia eólica, através da subsidiária EDP Renováveis.

Uma das empresas portuguesas mais internacional é a Efacec. A empresa está presente em destinos como Angola, Moçambique, Argélia, Espanha, Estados Unidos, Roménia, República Checa, Áustria, Brasil, Argentina, Irlanda, Índia e Singapura.

Na construção, a Mota-Engil, a área internacional já representa um volume de facturação na ordem dos 2,5 mil milhões de euros, cerca de 70% do total das receitas da empresa. A construtora está presente em países como a África do Sul, Angola, Moçambique, Malawi, S. Tomé e Príncipe, Polónia, Roménia, Eslováquia, Hungria, México, Colombia, Peru.

A corticeira Amorim é a maior empresa mundial de produtos de cortiça e uma das mais internacionais de todas as empresas portuguesas, com operações em dezenas de países, de todos os continentes. A corticeira para além de abastecer clientes de mais de cem países, tem presença directa nos países produtores de matéria prima com participadas em Portugal, Espanha, Tunísia, Marrocos. A empresa liderada por António Amorim está também presente em todos os grandes países produtores de vinho como seja França, EUA, Austrália e Itália.

As recentes apostas

- A Sonae liderada por Paulo Azevedo continua apostada na internacionalização. O gestor adiantou, durante a apresentação de contas, que a Sonae "vai continuar a trilhar o seu caminho". Novos mercados só "coisas muito cuidadosas e num modelo de capital light". Entre os novos destinos estão mercados como Venezuela, Chipre, República Dominicana e Panamá.

- A EDP, liderada por António Mexia, anunciou no âmbito do Investidor Day (Dia do Investidor) que vai reduzir a exposição ao mercado energético portugês e espanhol. Uma redução que será compensada por uma maior exposição de 21% para 32% ao negócio das energias renováveis em novos mercados como México, Turquia, Peru, Marrocos, África do Sul, Chile e Ucrânia.

As empresas mais internacionais

1. A Corticeira Amorim é a empresa portuguesa com uma maior presença internacional.

2. Cimpor deu o seu pontapé de saída para aos mercados externos em 1992.

3. Na Sonaecom, a bandeira internacional é transportada pela WeDo que está espalhada pelo mundo.

4. Em 1990, a empresa liderada por Salvador Guedes já exportava para mais de 125 países.

5. A EFACEC marca presença nos cinco continentes.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Portugal passa no teste da 'troika' e recebe mais 4.100 milhões

O Governo português recebeu nota positiva na quarta avaliação da troika ao programa de assistência.

O ministro das Finanças, Vìtor Gaspar, anunciou hoje o "sucesso" do novo exame da troika ao país. "Cumprimos todos os critérios quantitativos e objectivos do quarto exame", afirmou Vítor Gaspar, salientando que este programa "responde às necessidades de ajustamento da economia portuguesa"

Vítor Gaspar, que fala numa conferência de imprensa em Lisboa, salientou também a rápida redução do desequilíbrio externo e os ganhos significativos das exportações em termos de quota de mercado. Sobre o desemprego, o ministro das Finanças considerou imperativo ponderar sobre o aumento do desemprego, que pressiona as contas da Segurança Social.

"É crucial garantir rigorosa execução orçamental", afirmou Gaspar, sublinhando que as previsões estão em linha com a meta do défice de 3% do PIB em 2013.

"As nossas previsões actuais estão em linha com o objetivo para o défice orçamental em 2013. A dívida pública deverá atingir um máximo de 118% do PIB em 2013, e reduzir-se-á continuadamente nos anos seguintes", disse Vítor Gaspar na apresentação das conclusões do quarto exame da 'troika' (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) à evolução do programa contratado com Portugal.

"Esta revisão de três pontos percentuais decorre da revisão do PIB nominal para 2013, da execução do programa de apoio à economia local, de revisões contabilísticas entretanto efetuadas à dívida pública no final de 2011 e de alguns outros factores de importância quantitativa menor", acrescentou Gaspar.

Os números avançados pelo ministro também incluem ligeiras revisões às projecções anteriores do Governo para 2013. Gaspar disse que o Governo agora prevê um crescimento do PIB de 0,2% no próximo ano (a previsão anterior era 0,6%) e uma taxa de desemprego de 15,9% (a previsão anterior era 14,1%).

O ministro das Finanças, Vitor Gaspar, afirmou também que a venda da TAP e da ANA deverão ser concluídas ainda este ano, tendo a venda da CP Carga sido adiada para 2013.

"Após o sucesso das privatizações da REN e da EDP, esperamos concluir a venda da TAP e da ANA ainda este ano. A venda da CP Cargo foi adiada" para o próximo ano, disse Vitor Gaspar.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Crise: CGD renegociou 32.450 empréstimos desde 2009

Em mais de metade dos 2 mil milhões de euros dos créditos à habitação foi alargado prazo para pagamento do empréstimo.

A Caixa Geral de Depósitos já efetuou, desde 2009, cerca de 32.450 revisões das condições de créditos, em contratos de crédito a habitação, num total de dois mil milhões de euros.

O banco público, conhecido de muitos portugueses pelo banco de crédito a habitação, devido à sua elevada quota de mercado nesta área, tem por política mostrar-se disponível para renegociar os créditos com clientes que se deparam com finanças débeis, disse esta quinta-feira o presidente executivo da CGD, José de Matos, citado pela Lusa, em conferência de imprensa.

Em mais de metade dos 2 mil milhões de euros dos créditos à habitação referidos, o que a CGD fez foi alargar o prazo para pagamento do empréstimo, adiantou depois o administrador Nuno Palma, que tem o pelouro do imobiliário.

O responsável disse que a CGD criou recentemente a regra de alargar em cinco anos o prazo de amortização do empréstimo para todos os clientes com três prestações em atraso, reduzindo a prestação mensal, e «sem alterações de spread», isto é, a margem de lucro do banco.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

UE: Bruxelas quer apertar controlo das ajudas estatais

A Comissão Europeia adoptou hoje uma comunicação sobre a «modernização das ajudas de Estado», propondo uma reforma que contempla um reforço do seu controlo, para assegurar que os apoios públicos são bem dirigidos e promovem efetivamente o crescimento.

«As previsões económicas indicam que o crescimento na União Europeia deve manter-se lento nos próximos tempos. Neste contexto, a Europa deve explorar o potencial de um mercado interno competitivo e, à luz da consolidação orçamental, os governos devem focar as suas despesas em prioridades que promovam o crescimento», declarou o comissário europeu responsável pela Concorrência, Joaquin Almunia.

A comunicação hoje adoptada pelo executivo comunitário identifica três grandes objetivos, o primeiro dos quais um reforço dos controlos das ajudas estatais, o que poderá passar pela sua inclusão nas recomendações do chamado «semestre europeu» para os Estados-membros.

O objectivo, aponta a Comissão Barroso, é garantir que as ajudas de Estado apoiam o crescimento sustentável e contribuem para melhorar a qualidade da despesa pública, desencorajando as ajudas que não trazem de facto mais-valias e distorcem a concorrência.

Bruxelas pretende designadamente assegurar que os investimentos públicos corrigem falhas no mercado e são do interesse comum europeu.

Os outros dois grandes objectivos da reforma que a Comissão quer ver posta em prática no final de 2013 são os de garantir que as ajudas de Estado se foquem nos casos com maior impacto no mercado interno, o que também implica «um maior escrutínio» dos apoios estatais, e que os processos são mais claros e céleres.

O comissário Almunia, que falava numa conferência de imprensa, prometeu regressar com propostas mais concretas dentro de alguns meses, depois de uma série de consultas junto dos Estados-membros, instituições europeias e outras partes interessadas.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Cavaco convoca gestores topo para promover Portugal

Presidente reúne com 24 gestores de elite na sexta-feira, com o financiamento e promoção do país na agenda.

As palavras de Cavaco Silva no discurso de celebração do 25 de Abril deram o primeiro sinal do que pretende fazer: "Os portugueses são de novo chamados a explicar Portugal ao mundo e a valorizar o que temos de bom", disse há exactamente uma semana. Uma missão que levou o Presidente da República a convocar "todos os portugueses", mas para a qual conta, em especial, com o envolvimento de um grupo restrito de portugueses que ocupam lugares de topo em algumas das maiores empresas e organizações do mundo.

Esse grupo irá agora reunir-se com Cavaco Silva na próxima sexta-feira, 4 de Maio, no Conselho para a Globalização, num encontro à porta fechada na Cidadela de Cascais, para debater ideias à volta da promoção de Portugal no estrangeiro. A iniciativa, promovida pela COTEC Portugal e patrocinada pelo Presidente da República, contará com a presença de portugueses sediados em diferentes países - é o caso de António Horta Osório, do Lloyd's, Viana Baptista, do Credit Suisse de Portugal e Espanha, Carlos Tavares, do grupo Renault, José Duarte, da SAP, Henrique de Castro, da Google, ou Ricardo Monteiro, da Euro RSCG Worldwide, entre outros executivos da banca, telecomunicações, tecnologias, automóvel, bens de consumo, energia, química ou indústria.

Além dos portugueses, o grupo de 24 líderes inclui ainda gestores brasileiros e moçambicanos com fortes ligações empresariais a Portugal: José Édison, do grupo Camargo, Otávio Azevedo, presidente da Oi, Frederico Curado, da Embraer, ou Mário Machungo, do Millennium bim. A este grupo de reflexão irão juntar-se convidados especiais, como o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso (que já participou nos anteriores Conselhos para a Globalização), o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas.

As dez empresas que mais vendem para o estrangeiro

Ausência de financiamento está a dificultar o crescimento das exportações portuguesas.

No ano passado, as empresas portuguesas venderam para os mercados externos mais de 42,3 mil milhões de euros, o que representou um crescimento de 15,1% em relação ao ano anterior e dos quais 31,3 mil milhões foram no espaço comunitário e os restantes com o resto do mundo, onde se destacam os países emergentes. Aliás, constata-se que os empresários portugueses estão à procura de outros mercados, nomeadamente naqueles em que se perspectiva um forte crescimento económico, como Brasil, Índia, China, México, África do Sul, com um volume de negócios que já ultrapassa em larga medida os mil milhões de euros. Pouco ainda, mas essencial para abrir as portas para muitas mais empresas. Ou seja, é inquestionável o impacto dinamizador do mercado extracomunitário que parece ser agora o suporte para a evolução registada das contas externas nacionais.

Os números dizem que o crescimento, registado no ano passado das exportações, contem um incremento de apenas 5,9% para as exportações destinadas à União Europeia e um aumento de 37,9% das exportações destinadas ao resto do mundo. Um esforço dos empresários que permitiu um "forte contributo positivo para a variação do PIB" em 2011 - isto é, a recessão teria sido ainda mais grave se não fosse pelo comportamento do comércio internacional. E não só. Pela primeira vez as exportações foram superiores às importações feitas pelos portugueses.

Mas se as empresas sabem o que querem, cabe agora ao Governo implementar políticas económicas que estejam em sintonia por forma facilitarem precisamente o processo de internacionalização. Ainda esta semana, António Saraiva, presidente da CIP, avisava quanto à urgência para que o "Governo encontre mecanismos disponibilizando financiamento às empresas". António Saraiva referiu que sem financiamento as empresas vão continuar a fechar e a provocar uma maior destruição de emprego, numa altura em que o desemprego conhece níveis históricos - a taxa de desemprego atingiu os 15%, segundo dados do Eurostat.

Mas o caderno de encargos das empresas, junto do ministério liderado por Álvaro Santos Pereira, não se fica por aqui. Os custos energéticos, seguros de crédito, questões alfandegárias e apoios à internacionalização são alguns dos temas que estão permanentemente em cima da mesa. Vejamos então por partes. Os empresários argumentaram contra o elevado custo da energia que lhes retira competitividade em relação aos seus congéneres, nomeadamente europeus. Um aumento de 14% no custo de energia eléctrica de 2010 para 2011 e estimam um novo aumento de 11% no custo de energia para 2012.

Mas entre os pontos mais discutidos está a dificuldade das empresas em conseguir custos mais equilibrados no acesso ao crédito. Uma questão transversal ao tecido empresarial, mas que está a afectar, sobretudo, empresas cujo ciclo produtivo é temporalmente alargado. Acresce, segundo os empresários, que a banca está a praticar preços e a impor comissões sobre os serviços bancários a valores elevados. E estão neste momento a diminuir ‘plafonds' em linhas de financiamento que são absolutamente vitais para o normal desenvolvimento da actividade das empresas.

Por fim, consideram essencial lançar linhas de crédito bonificado para medidas concretas de internacionalização que permitir às empresas, principalmente na conjuntura actual, aumentar a sua capacidade de internacionalização, assim como facilitar a criação de redes de distribuição, aspecto indispensável para a sua sobrevivência a médio prazo.

Conheça agora os números de exportações e os países que mais compram a estas empresas.

Repsol Polímeros exporta 85% do que produz

Sem revelar valores, António Martins Victor, chefe de relações externas da Repsol Portuguesa, assume que a Repsol Polímeros, liderada por José Font, registou um volume de negócios em 2011 "superior ao de 2010, sobretudo porque os preços do petróleo foram superiores e isso tem muito impacto nesta actividade", explica. Victor adianta ainda que "as exportações continuam a representar cerca de 85% da nossa produção", sendo que dessas, quase metade vão para o mercado espanhol e a outra parte para outros países. No que toca a perspectivas para 2012, António Martins Victor, admite que "a situação não se irá alterar significativamente" e que "os preços do petróleo continuam a ser uma incógnita".

VW Autoeuropa é o segundo maior exportador nacional

A VW Autoeuropa é a maior fábrica de automóveis do País e a segunda maior exportadora nacional. Em 2011, a VW Autoeuropa produziu 133.100 unidades, naquele que foi considerado por António de Melo Pires, director-geral da VW Autoeuropa, como "o melhor ano da última década". As vendas da Autoeuropa cresceram 36% face a 2010, atingindo um montante de 2.246 milhões de euros. Já a força de trabalho aumentou 21%, com a empresa a empregar 3.603 pessoas. Cerca de 98,9% da produção teve como destino as exportações. Alemanha, China e Reino Unido são os principais mercados de exportação. António de Melo Pires admitiu, na conferência de apresentação de resultados, estar atento à recessão económica que poderá afectar os principais mercados de exportação da Autoeuropa em 2012.

Lactogal, um grupo com dimensão ibérica

A Lactogal, detida pela Agros, a Pro-leite e a Lacticoop, é dona de marcas como a Mimosa ou Vigor. Segundo dados da Fenalac, estes três accionistas recolhem 820 milhões de litros de leite em Portugal, o que corresponde a 46% do total nacional. As vendas da empresa ascendem a mais de 682 milhões de euros em 2010 e os últimos dados que a empresa revelou sobre a exportação eram referentes a 2008, em que as vendas no mercado externo, através de Espanha, representavam cerca de 14% do total da facturação. O grupo liderado por Casimiro de Almeida definiu como objectivo conquistar quota e dimensão ibérica no sector dos lacticínios. A Lactogal pretende voltar a comprar a Renoldy, que produz e comercializa leite UHT apenas com as marcas da distribuição e que foi alienada por imposição do regulador no processo de concentração com a Leche Celta em 2007.

Polopique exporta 99,8% dos 71,5 milhões de vendas

A Polopique está entre as três maiores exportadoras do sector têxtil português. A empresa, especializada em vestuário em malha para senhora, registou vendas de 71,5 milhões de euros em 2011, um crescimento de 6% face ao ano anterior. Segundo Teresa Portilha, directora da Polopique, 99,8% da facturação é proveniente das exportações, sendo Espanha o principal mercado e o grupo Inditex (detém a Zara) um dos mais relevantes clientes. A têxtil emprega 150 pessoas e é responsável de forma indirecta por mais de dois mil postos de trabalho, dado que a produção é assegurada em regime de subcontratação. Como frisa Teresa Portilha, a Polopique insere-se dentro de um grupo empresarial que "actua na cadeia têxtil desde a plantação de algodão à tinturaria e acabamento, passando pelo desenho, fiação e tecelagem".

Nestlé Portugal exportou mais 27% em 2011

A produção das quatro fábricas que a Nestlé detém em Portugal já tem como destino os mercados internacionais. O destaque vai para fábrica que produz cereais em Avanca, Aveiro, em que 51% da produção é destinada à exportação sobretudo para Espanha, França, Angola - entre outros PALOP -, Itália, Bélgica, Roménia e Bulgária. De acordo com o director-geral da Nestlé Portugal, António Reffóios, o grupo alimentar exportou 80 milhões de euros em 2011, mais 27,3% face ao ano anterior. Deste valor "80% vão para sociedades afiliadas do grupo" Nestlé, explicou António Reffóios. Este desempenho positivo das exportações contribuiu para o crescimento das vendas em 3,6% da Nestlé Portugal.

Sovena já se assume como uma multinacional

A Sovena exporta cerca de 75% da sua produção para mais de 70 países a nível mundial. De acordo com o vice-presidente da Sovena, Jorge de Melo, apesar de ser um grupo 100% português em termos de capital "é já uma multinacional em termos de abrangência. O exterior representa, aproximadamente, 75% da facturação". Além de Portugal, está presente em Espanha, EUA, Marrocos, Tunísia, Angola e Brasil com fábricas e escritórios. Jorge de Melo explicou que a expansão geográfica tem assumido uma relevância cada vez maior para a marca Oliveira da Serra, com a exportação a registar crescimentos acima dos 30%. No início a marca estava mais orientada para o "mercado da saudade" e PALOP, mas nos últimos anos tem apostado "em mercados distantes como a Rússia, índia e China".

Galp factura 2,4 mil milhões no exterior

A petrolífera posicionou-se, em 2011, como a maior empresa exportadora, atingindo um volume de 2,4 mil milhões de euros. Este valor significa um crescimento de 27% face a igual período do ano anterior. Liderada por Ferreira de Oliveira, a Galp estima aumentar as exportações de produtos petrolíferos, na sequência dos investimentos realizados na reconversão das suas refinarias [Sines e Matosinhos] para níveis próximos dos quatro mil milhões de euros. A petrolífera canaliza os seus produtos para 30 destinos diferentes, compensando assim a quebra de consumo registada no mercado ibérico. Em Portugal, as vendas de gasolina e gasóleo caíram, durante o último ano, 11% e 8% respectivamente. Em Espanha a quebra do mercado foi de 4% na gasolina e 7% no gasóleo.

Faurecia é o décimo maior exportador

A fabricante de componentes automóveis francesa entrou no ‘ranking' dos maiores exportadores portugueses no ano passado. As vendas da unidade de Bragança, da Faurecia, atingiram os 314.667 milhões de euros, em 2011. "Praticamente a totalidade da produção destina-se à exportação", refere fonte oficial do grupo Faurecia. Esta fábrica produz sistemas de escape completos e emprega 355 colaboradores. Paulo Rebelo é, actualmente, o director-geral da fábrica. Em Portugal, o grupo conta com sete fábricas. Em 2010, o grupo Faurecia - que tem como principal cliente nacional a VW Autoeuropa - teve um volume de vendas de 603 milhões de euros, em 2010. Este valor representou um aumento de 37% face a 2009. No final de 2010, a Faurecia empregava três mil pessoas nas fábricas de Bragança, Nelas, Palmela, São João da Madeira (três).

Riopele garante no exterior 97% do volume de negócios

A Riopele, indústria especializada na produção de tecidos de moda, é uma das maiores exportadoras têxteis nacionais. A empresa liderada por José Alexandre de Oliveira foi responsável por um volume de negócios de 56 milhões de euros no ano passado, com as exportações a valer 97%. A Europa tem um grande peso nas vendas para o exterior, mas os tecidos da Riopele têm também uma forte presença nos EUA e Japão e chegam a mercados emergentes como a Rússia, China e Brasil. Com um vasto leque de clientes internacionais, a Riopele pode orgulhar-se de vender os seus tecidos a marcas ‘premium' como a Emporio Armani, Prada ou Tara Jarmon. A empresa de Famalicão emprega 800 pessoas.

Fisipe factura mais de 127 milhões de euros

As exportações representam mais de 96% das vendas da Fisipe, empresa que em 2011, conseguiu "entrar em novos clientes com produtos de maior valor acrescentado", diz Tiago Gonçalves, director comercial da empresa. Como consequência, o volume de negócios atingido foi de 127 milhões de euros, mais cerca de 15% face a 2010. Para 2012, o responsável diz esperar que seja "um ano semelhante a 2011 no volume de negócios e no peso das exportações". Actualmente, a empresa exporta para 43 países, sendo que "os principais clientes estão no continente americano, Europa e China". Este ano, a Fisipe, liderada por João Manuel Dotti, vai iniciar exportações para a Rússia.

Peugeot Citroën exporta 97% da produção total

A fábrica da Peugeot Citroën (PSA), situada em Mangualde, produziu, no ano passado, 50.290 veículos dos modelos Citroën Berlingo e Peugeot Partner. No ano passado, a PSA registou um volume de negócios de 400 milhões de euros, sendo que 94,4% da produção (47.459 veículos) destinou-se à exportação. "O ano de 2011 foi globalmente bom em termos de produção, emprego e facturação", refere Elísio Oliveira, director financeiro da PSA. A fábrica terminou o ano com 1.250 colaboradores, mas devido à quebra de encomendas dos principais destinos da produção de Mangualde, foi obrigada a cortar o terceiro turno, ficando com 900 pessoas. Actualmente, a produção diária da PSA é de 186 veículos. Para este ano, a fábrica liderada por João Mattosinho prevê produzir entre 40 mil e 45 mil veículos.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

CMVM desenvolve plataforma para facilitar acesso das PME à bolsa

A CMVM lançou hoje o Fórum PME, entidade que visa identificar medidas que facilitem o acesso das PME ao mercado de capitais.

A CMVM lançou o Fórum PME para o mercado de capitais, que conta com a participação de 26 membros da área académica, empresarial e financeira, entidade que visa identificar medidas que facilitem o acesso das PME ao mercado de capitais.

"O Fórum PME para o Mercado de Capitais terá como objectivo identificar medidas que facilitem o acesso das pequenas e médias empresas (PME) ao mercado de capitais e a outras fontes de financiamento alternativas ao crédito bancário", explicou hoje em comunicado a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O presidente do supervisor do mercado português, Carlos Tavares, e a directora da Católica - Lisbon School of Business and Economics, Fátima Barros, co-presidem ao Fórum PME, que engloba ainda representantes de pequenas e médias empresas, associações empresariais e profissionais, intermediários financeiros, universidades, entidades gestoras de mercado e empresas cujo crescimento esteve ligado ao mercado de capitais.

A plataforma, que visa identificar medidas legislativas e regulatórias que facilitem o acesso das PME ao mercado de capitais e a outras fontes de financiamento, reunirá três vezes por ano, em encontros para os quais serão convidados a participar representantes dos Ministérios das Finanças e da Economia.

A identificação de faxtores de bloqueio do acesso das PME aos mercados financeiros e o estudo de formas de os remover, a divulgação junto das PME dos instrumentos de financiamento disponíveis, a sensibilização das PME para a importância de adoptar estruturas e formas de financiamento adequadas às suas características e às conjunturas económicas, e a sensibilização dos intermediários financeiros para a necessidade de assegurar suporte financeiro estrutural às PME ao longo de todo o seu ciclo de vida.

António Nogueira Leite, vice-presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Carlos Rodrigues, presidente do Banco de Investimento Global (BIG), Carlos Moreira da Silva, presidente da BA Vidros, Daniel Bessa, director-geral da COTEC, João Talone, líder da Magnum Industrial Partners, José Félix Morgado, presidente da Inapa, Luís Laginha de Sousa, presidente da NYSE Euronext Lisbon, Paulo Nunes de Almeida, vice-presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP) e Pedro Rebelo de Sousa, presidente do Instituto Português de Corporate Governance (IPGC), foram alguns dos responsáveis que participaram na primeira reunião, que decorreu a 27 de Março.

"Nesta reunião foram referidos diversos indicadores relativos ao financiamento das PME e identificados factores que constituem entraves ao investimento e ao crescimento sustentado. O processo de desalavancagem em curso foi referido como fonte adicional de dificuldades para as PME mas também como uma oportunidade para mudar a sua estrutura tradicional de financiamento. O apoio de intermediários financeiros no acesso a fontes mais diversificadas de financiamento foi considerado essencial", lê-se no comunicado hoje divulgado.

O próximo encontro do Fórum terá lugar em Junho, numa reunião em que será também apresentado e discutido um estudo sobre constrangimentos à entrada e permanência das empresas em bolsa que está a ser promovido pela Associação de Empresas Emitentes de Valores Cotados no Mercado (AEM).

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Bosch investe 37,6 milhões em Braga

A Bosch Car Multimedia vai investir 37,6 milhões de euros, até 2014, num projeto de desenvolvimento e industrialização de sistemas de navegação inovadores, entre os quais um dispositivo para pagamento eletrónico de portagens, foi hoje anunciado.

O Governo acaba de declarar o interesse estratégico do projeto, para efeitos de enquadramento nas tipologias de investimento suscetíveis de apoio no âmbito do Sistema de Incentivos à Inovação.

Nova família de produtos multimédia baseados em ecrãs inteligentes, novo sistema profissional para camiões, novos sensores para sistemas de estabilidade programada e novos controladores eletrónicos são outros dos sistemas que a Bosch Car Multimedia, instalada em Braga, pretende começar a produzir.

O projeto, que tem como parceiro a Universidade do Minho, prevê a constituição de duas novas equipas dedicadas ao desenvolvimento dos novos produtos e das respetivas soluções técnicas de fabrico, num total de 15 postos de trabalho «altamente qualificados».

Com este projeto, a empresa prevê alcançar um volume de vendas de 3,8 mil milhões de euros, em valores acumulados de 2011 a 2018, e um valor acrescentado bruto acumulado no mesmo período de 546 milhões de euros.

A empresa considera que as suas atuais linhas produtivas «não se adequam» às necessidades de fabrico de produtos de superior complexidade, pelo que elaborou um plano de investimentos até 2014 que visa a industrialização de soluções inovadoras de multimédia para veículos automóveis.

Os sistemas de navegação atualmente produzidos, a par dos produtos inovadores que iniciarão a sua industrialização, passarão a representar 65% da faturação da unidade em 2017.

Em contrapartida, ocorrerá um decréscimo significativo da produção de autorrádios, que, tendo representado cerca de 56% do volume de negócios em 2010, deverá baixar para 15%.

A Bosch Car Multimedia emprega atualmente 2.150 trabalhadores.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Tem uma empresa? Saiba como crescer!

Russ Cobb, vice presidente da SAS, empresa líder em software analítico, está em Portugal para o Fórum SAS 2012 e explica como pode uma Empresa vencer em tempos de maiores dificuldades.

O responsável diz que os meios sociais distorceram a forma como o mercado se relaciona e como tal explica quais são as ferramentas necessárias e como as usar para vencer. Saiba como crescer num mercado cada vez mais lotado:

Saiba partilhar para crescer
Temos de nos adaptar a um novo mundo, em que o fim da soberania empresarial domina: hoje um produto completo relaciona inúmeras empresas.

Por exemplo a Apple ou a Google, fazem-nos em todos os produtos que apresentam. Antes tínhamos uma industria que controlava tudo, agora temos várias que partilham tarefas.

As empresas criam equipamentos que nos entusiasmam. Eu gosto mais da BlackBerry, posso escrever mais depressa, mas sou um fã da Apple. Gostamos mesmo dos produtos deles. Eles criam expectativas para o próximo lançamento e são felizes quando o distribuem no mercado.

O mundo é complexo. Não precisa de entender como funciona, basta aderir
Entre dez e doze anos tudo mudou e agora há um gene tecnológico que todos querem conhecer. Em 2020 a Internet estará em todo o lado, até pode estar nos nossos frigoríficos, e nós poderemos fazer coisas que nunca fizemos antes, ligarmo-nos onde nunca nos ligámos antes.

Temos de abraçar a complexidade. As coisas tornaram-se complexas porque há muito que não entendemos, mas que devemos usar, para crescer. Cada vez a complexidade será maior.

Por exemplo: Em 2014, 30% das aplicações terão sistemas proactivos e capacidades de previsão; em 2014, 30% das organizações terão sistemas sociais com ligações entre si.

Há três pontos que não se podem esquecer:
1 - É necessário ter uma estratégia de gestão
2 - Informação de governance
3 - Ferramentas de gestão adequadas

Ser eficaz nas Redes Sociais
Mais uma vez a chave está na informação. Há por todo o lado muita informação mas temos de simplificar para que o cliente olhe para o ponto onde queremos que chegue.

Para actuar nas redes sociais é preciso 3 técnicas base:
1 - Sentido de oportunidade
2 - Previsão do impacto que algo vai gerar
3 - Agir no momento certo

Se estes três pontos forem bem executados haverá impacto e a empresa poderá melhorar as relações que mantém com a audiência. Há também que descobrir quem são os bons clientes e de que forma se pode potenciar a relação que se mantém com eles.

Hoje tudo é mais complexo que há um ano atrás, e por isso a análise sistemática torna-se essencial. As empresas de gestão analítica são, desta forma, imprescindíveis.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Entre a austeridade e o crescimento económico. Sonho ao alcance ou miragem?

Entrevista a:
Filipe Castro Soeiro, Professor convidado da NOVA School of Business & Economics e membro do Board of Directors da APBA – Associação Portuguesa de Business Angels & Economics.

1. Recuperar a confiança dos mercados, a saúde das contas públicas e uma nova cultura de responsabilidade.

A consolidação orçamental no âmbito do programa acordado com a Troika é essencial para diminuir o nível de endividamento (do Estado, de 55% há 15 anos e de 230% em 2010, com o sector privado a contribuir com 80% do total) para recuperar a confiança dos mercados externos e reaver a saúde financeira perdida das contas públicas, administração e empresas incluídas.

Fazê-lo responsavelmente é ganhar a oportunidade de recentrar os nossos valores e deveres colectivos de exigência em torno da recuperação económica, social e cultural.

Além do equilíbrio das contas públicas, significa ganhar autoridade moral e capacidade para vir a (re)negociar com a Troika futuras metas e evolução de reformas (na justiça, educação, saúde e leis laborais), pois a austeridade também tem o efeito de contrair a actividade económica.

2. Relançar o financiamento da economia e desalavancagem da banca.
Num contexto de corte no crédito, de activos sem liquidez e de redução de garantias bancárias, para passar rácios de empréstimos sobre depósitos de 160% para 110% (são mais de 35 mil milhões de euros, ou seja 15% a 20% do PIB, superior à poupança líquida) é necessário estruturar uma política de recapitalização para promover acesso ao capital por parte do tecido empresarial e das "start-up".

O que é gerado pela poupança líquida (cerca de 11 ou 12 mil milhões de euros) é insuficiente. Não está em causa a confiança no sistema bancário, mas são necessárias melhores condições para o processo de desalavancagem (desendividamento) dos bancos portugueses e para o acesso ao capital por parte das empresas e "start-up".

3. Em paralelo, avançar com uma visão estratégica sobre o lançamento de um programa estruturado de crescimento económico, de competitividade e emprego à escala europeia - articulado com as fases anteriores.

Os programas actuais são necessários, mas não são suficientes. São necessários novos modelos económicos e sociais que conduzam a novas oportunidades de aumento da produtividade e de eficiência do investimento à escala europeia, e também a sistemas de criação e de partilha de valor que aumentem a solidariedade e a responsabilidade social. A crise na União Europeia, além da inversão de valores essenciais, colocou também a descoberto problemas ao nível da liderança, da tomada de decisão, da representatividade e dos modelos de "governance". O institucional  reflectiu-se no empresarial. O económico e financeiro no social. Ora, o lançamento de um programa deste nível é urgente. Com a crise, a Europa está a desacelerar para cerca de 1,5% em 2012.

Reavaliar pressupostos técnicos das medidas da Troika e lançar, em paralelo, outro programa de apoio ao crescimento económico à escala europeia, com articulação e coordenação entre os dois programas, trazendo para as negociações a OCDE e o BEI. As prioridades passam por alterar o modelo actual de desenvolvimento e de valorização de recursos e de talento. O actual está falido. Foca-se na exclusiva redução do custo, em detrimento do aumento do valor. A consequência leva ao "dumping social" e ao desequilíbrio de acesso e de gestão de recursos dos territórios e regiões.

Para além da consolidação fiscal com incentivo ao crescimento económico, deve-se potenciar os processos de transferência de inovação e de tecnologia das universidades e centros tecnológicos para o mercado e dinamizar o lançamento e aceleração de projectos inovadores em rede, que envolvam combinações de recursos e capacidades de "clusters" em sectores multi-diferenciados, tradicionalmente considerados de forma verticalizada.

A implementação de um plano estruturado em torno de um novo modelo de desenvolvimento de "clusters", compostos por grandes, PME e "start-up", com alcance internacional, a par da mobilidade de recursos é fundamental para a nossa economia.

quarta-feira, 14 de março de 2012

WBP - World Business Partners, presente no Seminário promovido pela AIP



« Seminário | Incentivos QREN – Novos Concursos»

Mais uma vez a WBP – World Business Partners esteve presente num Evento da AIP, Associação Industrial Portuguesa, o qual versou um tema actual e pertinente “Novos Incentivos no âmbito do QREN”.

De destacar as ideias-chave, defendidas pelo Presidente da AIP, Eng.º José Eduardo Carvalho, no que concerne ao apoio às PME´s, através da sua recapitalização, bem como ao incentivar à Internacionalização das Empresas produtoras de bens transaccionáveis.

Ainda de referenciar a presença do IAPMEI e AICEP, que reforçam a necessidade das Empresas, ganharem massa critica, seja por Parcerias ou Fusões e de se reestruturarem, pensando no futuro e nos Mercados Externos. A WBP tem vindo a apoiar as Empresas, nestas áreas, nomeadamente na sua restruturação e internacionalização, no sentido de as recuperar e alavancar a Economia de Portugal.


Ideias Chave:
          · Aposta na Qualificação da Mão-de-obra
          · Sofisticação de Valor Acrescentado
          · Soluções com Qualidade 
          · Soluções mais Criativas



terça-feira, 13 de março de 2012

AIP quer dinheiro da ‘troika’ para financiar as Empresas

Associação propõe que seis mil milhões de euros do fundo de recapitalização da banca sejam canalizados para a capitalização e o financiamento das Empresas.

Os montantes não utilizados do fundo de doze milhões de euros da ‘troika' para recapitalizar a banca, deverão ser aplicados na recapitalização das empresas e no seu financiamento, defendeu o presidente da Associação Industrial Portuguesa (AIP), José Eduardo Carvalho, na sessão de abertura do "Seminário Incentivos QREN - Novos Concursos", promovido pela associação, que se realizou ontem em Lisboa.

A AIP defende a criação de um fundo de emergência para o financiamento de empresas de 1,5 milhões euros, financiados pelo empréstimo da ‘troika' à República Portuguesa, no valor remanescente não utilizado pelos bancos.

José Eduardo Carvalho defendeu ainda a constituição de um fundo de liquidação de dívidas das autarquias a pequenas e médias empresas (PME), também no valor de 1,5 milhões de euros. O presidente da Associação preconizou ainda a criação de uma linha de crédito para co-financiamento de projectos de investimento aprovados pelo QREN, cobrindo a parte do investimento das empresas. A linha deverá ter um valor global de 1,2 milhões de euros, dos quais 900 milhões financiados pelo Banco Europeu de Investimento (BEI) e o restante por fundos da responsabilidade da banca nacional.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Siga seis estratégias para conseguir o destaque que o seu produto merece


Tom Szaky é o exemplo perfeito de alguém que inventou um produto original e fez de tudo para conseguir dá-lo a conhecer. Skazy pensou em grande e procurou uma parceria forte que lhe conferisse crescimento.

A garrafa reciclada com fertilizante, o TerraCycle, foi diretamente para o Wal-Mart, a maior empresa comercial dos Estados Unidos, com 8.500 lojas, em 15 países diferentes. E o sucesso seguiu-se.
A receita é dada pelo responsável: "Se queres ser grande, rapidamente, a melhor forma é trabalhar com grandes companhias". O objectivo é um só: subir rapidamente com recurso a bons parceiros.
Siga seis estratégias para conquistar o mercado:

1 - Seja único
Garanta que o seu negócio está cuidadosamente pensado e que pode acrescentar valor ao potencial parceiro. Deve ter algo que seja valioso para uma grande marca para que o novo parceiro não tenha de perder tempo, nem dinheiro, a desenvolver um sistema ou produto idêntico. É uma ajuda mútua que o vai ajudar também a si.
Por exemplo, Robin Thurstin, desenvolveu o MapMyFITNESS.com, um programa de localização para todos os que procuram ferramentas de Fitness. A Cadbury Accelorade, de bebidas desportivas, aproveitou o sistema, de forma a potenciar o produto que já tinha.
Hoje Thurstin já desenvolve aplicações para smartphone com um sistema idêntico para o canal televisivo NBC Sports ou Skechers.
2 - Seja Persistente
Embora Szaky tenha conseguido colocar a garrafa reciclada com fertilizante no Wal-Mart, o processo demorou. O empresário chegou a telefonar dez vezes ao dia durante três semanas, unicamente para marcar uma reunião de apresentação do produto. É este o senão das grandes empresas, exigem muito. Por isso insista e não desista.

3 - Pense em grande
Tem de pensar como se fosse uma grande marca para conseguir associar-se a uma. Voltando ao MapMyFITNESS, pensar em grande significa produzir em larga escala. "Uma grande marca não quer falar sobre um projecto de 10 mil euros...querem falar de milhões", explicou o responsável pela marca, ao Entrepreneur.

4 - Planeie um crescimento rápido
Se vai crescer rapidamente para satisfazer a procura, vai perder dinheiro. Skazy, do fertilizante, aprendeu esta lição pela experiência. "Quanto mais crescemos mais perdemos", afirmou.
Enquanto as vendas do TerraCycle atingiram os 6.6 milhões de dólares em 2008, o responsável acumulou perdas de 4.5 milhões. No ano seguinte estabeleceu parceiras de produção com outras empresas. Hoje 40 empresas fazem e vendem o TerraCycle e o responável atingiu um lucro de cerca de 100 mil dólares no ano passado.
5 - Prepare-se para o escrutínio
Garanta que não tem as Finanças nem a Justiça à perna. Não basta ter um bom produto, é preciso ter a vida organizada e transparente. Ter uma parceria com uma grande empresa torna-o conhecido e, por isso público.
6 - Consolide parcerias 
Não tenha pressa em arranjar novos parceiros sem consolidar o que já tem. Muitas vezes vão também surgir propostas, mas não se esqueça que não quer apenas publicidade mas uma instalação viável do seu produto no mercado.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Pequenos mas Competitivos

O tecido empresarial português é maioritariamente composto por PME's. Sendo que 51% delas têm só até 4 trabalhadores e pese embora a sua dimensão, têm como única opção serem competitivas, caso contrario irão rapidamente desaparecer do mercado.
Sabendo-se que uma empresa tem três áreas chave, a saber Produtiva, Comercial e Financeira e estando naturalmente o empresário mais ligado à Produção e à Comercialização, poderá a WBP, através da sua Equipa, levar um "apport" à área Financeira, de modo a tranquilizar a Empresa e a prepará-la para enfrentar o Futuro com solidez financeira, podendo competir com as outras, que embora sendo maiores, não saibam fazer gestão.
Hoje em dia a diferença não é entre grandes e pequenas, mas sim entre quem tem VISÃO, SABE ANTECIPAR NECESSIDADES DO MERCADO E TEM COMPETÊNCIAS DE GESTÃO.

A WBP tem como missão apoiar as PME's nas área financeiras e fiscal.