As empresas que querem ser competitivas não podem escapar à globalização. Esta parece ser a realidade que algumas das melhores e maiores empresas portuguesas interiorizaram e que se lançaram à conquista do mundo.
Com o mercado europeu, e sobretudo o português em clima de retracção, os empresários lançaram-se para outros continentes. O objectivo parece simples: mercados cujas economias registem taxas de crescimento significativas e onde existam oportunidades de negócios. A América Latina, até há pouco um destino a evitar, aparece assim no topo das prioridades das empresas, a par da Índia e até da gigante China. Os mercados de Angola, Moçambique e África do Sul estão presentes na cabeça dos decisores empresariais, mas já estão a deixar de ser destinos exóticos como são os países do Magreb ou os Emirados Árabes Unidos.
Mais do que exportarem para estes territórios as empresas nacionais estão a conquistar um novo patamar na internacionalização. Para além de estarem atentas a novas geografias, as empresas lusas estão também receptivas a novos modelos de negócio, como sejam as parcerias ou ainda de ‘franchising' que têm a vantagem de associarem-se a empresários conhecedores desses mercados. Ou seja, também o paradigma para a internacionalização está a mudar e o que é verdadeiramente importante para os empresários é conquistar novos mercados.
A Sonae está presente nos cinco continentes. A empresa liderada por Paulo Azevedo tem-se vindo a internacionalizar em cada uma das suas áreas de negócio. Na Sonaecom, a bandeira internacional é transportada pela WeDo que está espalhada pelo mundo. No retalho alimentar, a parceria levada a cabo com Isabel dos Santos, vai abrir as portas em Angola. No não alimentar, a Sonae tem vindo a desbravar caminhos, quer seja com lojas próprias, quer seja através de parcerias em regime de ‘franchising', e está em países como Espanha, Turquia, Arábia Saudita, Egipto e Cazaquistão. Agora anunciou a entrada deste modelo para a América Latina (Venezuela, Colômbia, Rep. Dominicana, Panamá).Também a sub-holding Sonae Sierra, para além da forte presença em países como a Alemanha, Espanha, Portugal, Itália, Grécia, está também presente em regiões mais distantes como o Brasil e Colômbia.
No sector dos vinhos, a Sogrape, umas das maiores empresas do sector, é também uma das mais internacionalizadas. Em 1990, a empresa liderada por Salvador Guedes exportava para mais de 125 países e em 1997, dá um passo decisivo na conquista do Novo Mundo. A empresa entra na Argentina, mas é em 2008 que concretiza duas importantes aquisições que vieram reforçar a presença internacional: Nova Zelândia e Chile.
Também o sector cimenteiro não escapou a este movimento internacional. A Cimpor dá o seu pontapé de saída em 1992, na Galiza, Espanha. Segue-se, dois anos mais tarde, Moçambique, Marrocos, Brasil, Tunísia, Egipto. A que se seguem já na primeira década do século, África do Sul, Angola, Cabo Verde, Turquia, Peru, India, China.
No caso da Portugal Telecom, o objectivo parece ser o de maximizar o valor estratégico dos activos internacionais. A empresa pretende reforçar o enfoque no Brasil, um mercado que continua a ser prioridade, e África subsariana.
Já o grupo de António Mexia também não fugiu à onda de expansão internacional. A EDP está presente na Península Ibérica, França, Bélgica, Polónia, Roménia, Itália, Reino Unidos, Estados Unidos e Brasil. A eléctrica nacional é mesmo o terceiro maior produtor mundial de energia eólica, através da subsidiária EDP Renováveis.
Uma das empresas portuguesas mais internacional é a Efacec. A empresa está presente em destinos como Angola, Moçambique, Argélia, Espanha, Estados Unidos, Roménia, República Checa, Áustria, Brasil, Argentina, Irlanda, Índia e Singapura.
Na construção, a Mota-Engil, a área internacional já representa um volume de facturação na ordem dos 2,5 mil milhões de euros, cerca de 70% do total das receitas da empresa. A construtora está presente em países como a África do Sul, Angola, Moçambique, Malawi, S. Tomé e Príncipe, Polónia, Roménia, Eslováquia, Hungria, México, Colombia, Peru.
A corticeira Amorim é a maior empresa mundial de produtos de cortiça e uma das mais internacionais de todas as empresas portuguesas, com operações em dezenas de países, de todos os continentes. A corticeira para além de abastecer clientes de mais de cem países, tem presença directa nos países produtores de matéria prima com participadas em Portugal, Espanha, Tunísia, Marrocos. A empresa liderada por António Amorim está também presente em todos os grandes países produtores de vinho como seja França, EUA, Austrália e Itália.
As recentes apostas
- A Sonae liderada por Paulo Azevedo continua apostada na internacionalização. O gestor adiantou, durante a apresentação de contas, que a Sonae "vai continuar a trilhar o seu caminho". Novos mercados só "coisas muito cuidadosas e num modelo de capital light". Entre os novos destinos estão mercados como Venezuela, Chipre, República Dominicana e Panamá.
- A EDP, liderada por António Mexia, anunciou no âmbito do Investidor Day (Dia do Investidor) que vai reduzir a exposição ao mercado energético portugês e espanhol. Uma redução que será compensada por uma maior exposição de 21% para 32% ao negócio das energias renováveis em novos mercados como México, Turquia, Peru, Marrocos, África do Sul, Chile e Ucrânia.
As empresas mais internacionais
1. A Corticeira Amorim é a empresa portuguesa com uma maior presença internacional.
2. Cimpor deu o seu pontapé de saída para aos mercados externos em 1992.
3. Na Sonaecom, a bandeira internacional é transportada pela WeDo que está espalhada pelo mundo.
4. Em 1990, a empresa liderada por Salvador Guedes já exportava para mais de 125 países.
5. A EFACEC marca presença nos cinco continentes.
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