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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Construtoras espanholas reforçam internacionalização

Empresas ganharam contratos no exterior no valor de 23 mil milhões em 2012.

As construtoras espanholas conseguiram no ano passado contratos para obras no estrangeiro no valor de mais de 23 mil milhões de euros, segundo dados divulgados esta semana pelo Governo espanhol.

Os dados foram apresentados pelo secretário de Estado de Infra-estruturas, Rafael Catalá, que referiu que a internacionalização das empresas é um dos pilares da política de infra-estruturas futuras do Ministério de Fomento. Para Catalá, o dado dos projectos conseguidos pelas empresas espanholas fora de portas demonstra "a força do sector empresarial espanhol", o que tem impacto positivo tanto a nível laboral como pelo reconhecimento de que a engenharia espanhola é vista no mundo como "garantia de qualidade".

Entre outros objectivos "estratégicos" do Ministério, acrescentou, está a realização de parcerias público-privadas, que representam 16% dos investimentos previstos no plano de Infra-estruturas e Transporte para o período 2012-2024. Segundo Catalá, a colaboração com a iniciativa privada é "necessária", tendo em conta que 2.600 milhões de euros do orçamento deste ano são destinados ao pagamento da dívida.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Inovação em Portugal cai para níveis de 2010

Continua a ser um país "cigarra": incapaz de transformar a inovação em resultados concretos e com impacto na economia e na sociedade. Em 2012, Portugal recuou uma posição no Barómetro de Inovação elaborado pela Cotec em parceria com a consultora Everis, ocupando, agora, o 31.º lugar entre 52 países analisados atrás de Espanha, Malta ou Eslovénia e seis posições abaixo da média global. Pela primeira vez, ficou atrás dos resultados médios obtidos pelos países da Europa Central e Oriental, e regressa a níveis de 2010.

"Somos "cigarra" porque temos condições, recursos, gastamos dinheiro mas os resultados são muito maus. É isso que nos leva a ser vistos como "cigarras" e a Cotec assume essa visão. De qualquer maneira, em 2012 perdemos posições nas condições e recursos, mas melhorámos nos processos e resultados. Continuamos cigarras, mas menos do que em anos anteriores", disse ao PÚBLICO Daniel Bessa, director-geral da COTEC Portugal e antigo ministro da Economia.

Os impactos da crise financeira e económica sentiram-se, sobretudo, ao nível do acesso ao financiamento. O barómetro, ontem divulgado, analisa vários pilares para calcular o índice de inovação e no que toca ao acesso ao dinheiro, Portugal desceu da décima para a 31.ª posição no ranking, elaborado com base em dados estatísticos sobre inovação e questionários a um painel de líderes. O ambiente "institucional" também não é favorável num país agarrado à ajuda externa. Dentro deste indicador foi avaliada a eficiência judicial, que recebeu nota negativa em 2012.

Há, contudo, boas notícias na avaliação do "capital humano". Portugal conseguiu obter pontuações mais altas do que no ano anterior em parâmetros como a "percentagem de jovens com idade entre os 20 e os 24 anos com, pelo menos, educação secundária", ou a "participação em formação ou aprendizagem ao longo da vida por 100 habitantes entre os 25 e os 64 anos". Também se destacou na proporção de investigadores por milhão de habitantes.

Avaliado quanto aos impactos da inovação, Portugal está abaixo da média da Europa do Sul, realidade que vale para todos os indicadores analisados pela Cotec: da incorporação da tecnologia à aplicação do conhecimento, passando pelo investimento e a envolvente institucional, todos os países do Mediterrâneo conseguem obter melhores classificações no ranking.

O estudo traça o perfil das economias, classificando-as como "cigarra", abelha ou "caracol". Tal como referido, Portugal é considerado um país cigarra ou "desperdiçador" e juntou-se a um clube composto por 12 protagonistas (eram cinco o ano passado), onde se incluem Eslováquia, Espanha, Letónia, Lituânia, Polónia e Uruguai - até agora considerados "formigas" (com capacidade de trabalho e de concretização). Na linha da frente está a Suíça, o país com melhor desempenho global.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Comissário da Indústria concorda com Álvaro Pereira

Há disparidades nas normas ambientais e sociais que criaram desvantagem insustentáveis para a indústria europeia, diz António Tajani, também vice-presidente da Comissão Europeia.

Antonio Tajani, comissário da Indústria e vice-presidente da Comissão Europeia, partilha a opinião do ministro Álvaro Santos Pereira, considerando que as regras europeias no domínio ambiental terão possivelmente ido longe demais, provocado efeitos perversos, sem eventualmente benefícios para o clima à escala planetária.

“As disparidades em matéria de normas de segurança, de protecção social ou outras criaram uma desvantagem muitas vezes insustentável para a nossa indústria. Por exemplo, com um custo de energia que é o mais alto do mundo estamos a empurrar a deslocalização para países que recorrem à energia do carvão poluente e não respeitam normas sobre emissões. E não creio que esta situação ajude o nosso clima”, escreve Tajani, num artigo de opinião hoje publicado no "Diário de Notícias".

“Talvez tenhamos chegado ao momento de reflectir sobre acções mais eficazes, que estimulem a inovação e a competitividade da nossa indústria, encorajando-a a ficar na Europa e a desenvolver soluções tecnológicas que respondam aos desafios em matéria de sustentabilidade, de escassez de recursos e de segurança energética com que nos defrontamos”, sugere o comissário.

Tajani concorda com os grandes princípios descritos na carta que Álvaro Santos Pereira e outros quatro ministros da Indústria (de Espanha, Alemanha, França e Itália) publicaram na semana passada. “Pensar em sair da crise só com medidas de consolidação orçamental, num contexto de desertificação produtiva, não passa de uma ilusão perigosa, que corre o risco de ser socialmente insustentável e de criar dificuldades crescentes na partilha do projecto europeu por parte da opinião pública”, adverte.

O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, foi recentemente alvo de uma chuva de críticas, inclusive de alguns colegas de Governo, por ter defendido uma política industrial europeia mais “amiga do investimento”, menos “fundamentalista” nalgumas regras ambientais, e assente numa relação com países terceiros onde a reciprocidade deve passar a ser a palavra-chave.

“A Europa tem que flexibilizar algumas das suas regras. Muitas vezes, a Europa está mais preocupada em manter regras muito fundamentalistas, que prejudicam a nossa indústria e prejudicam o nosso emprego”, disse o ministro, apelando a que a Europa "não seja mais papista que o papa em relação a outras regiões do globo”.

O ministro considerou também que, muitas vezes, a UE, “ao impor regras extremamente difíceis às nossas empresas e incentivando a deslocalização para outras áreas do globo onde estas regras não existem, contribui, por exemplo, para o agravamento das alterações climáticas, e muitas vezes para que a protecção (social) dos trabalhadores não aconteça”.

A reciprocidade para a reindustrialização da UE significa que “nós temos que ter o mesmo tratamento que os outros nos dão, noutros países”, uma vez que “não é aceitável que, em prol da nossa política ambiental ou política comercial, a Europa tenha perdido indústria desnecessariamente para outras partes”.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Troika alertou banca para perdas na construção em Julho

O receio da troika de que o impacto da crise nos sectores da construção e imobiliário nas contas da banca portuguesa seja, afinal, maior do que o estimado parece estar já a concretizar-se.

A preocupação dos credores externos sobre a ameaça que a construção possa ter na saúde financeira da banca nacional – depois do que aconteceu noutros países como a Irlanda ou Espanha, em grande escala – foi demonstrada, pela primeira vez, ao Governo de Passos Coelho no início do Verão passado, durante a quarta avaliação ao país.

A semana passada, os resultados das inspecções às carteiras de crédito feitas pelo Banco de Portugal (BdP) revelaram que os bancos portugueses terão, já este ano, de fazer provisões, inclusivamente, superiores ao previsto pelos credores externos para compensar perdas nos sectores da construção e do imobiliário.

O banco central, presidido por Carlos Costa, estima necessidades de 861 milhões de euros, quando a troika falava de 848 milhões. Dos 861 milhões em falta neste ano, os oito maiores bancos portugueses tinham já provisionado 387 milhões até Setembro, faltando, por isso, até Dezembro os restantes 474 milhões de euros. Estes valores vão pesar nas contas anuais das instituições. O BCP, o BES e a Caixa Geral de Depósitos (CGD) são as instituições mais expostas a perdas ( ver quadro).

Situação agravou-se nos últimos meses

No Verão, o chefe de missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para Portugal, Abel Selassie, mostrou estar «preocupado» com o impacto das falências na construção e imobiliário, dois dos maiores clientes da banca em Portugal, frisando que a materialização dos riscos crescentes poderiam ameaçar a estabilidade do sistema financeiro no futuro.

Para este responsável, a evolução vertiginosa da subida do crédito malparado, as centenas de falências e as vendas a desconto de imóveis tornavam claro que parte dos 70 mil milhões que as empresas de construção e imobiliário devem à banca nunca será paga na totalidade, o que poderá ameaçar os balanços das instituições financeiras.

E, desde o primeiro alerta do FMI em Julho, a situação continuou a agravar-se. De acordo com os dados mais recentes do banco central, o rácio de crédito vencido das empresas à banca atingiu os 10,6%, mais 20% do que o valor registado em Julho deste ano (9,1%), e o dobro do existente quando Portugal pediu o resgate à troika (5,1%), em Abril de 2011. Hoje, quase 30% das empresas têm créditos por pagar.

Com o prolongamento da recessão e a forte subida de impostos previstas para 2013, a venda de imóveis ou a capacidade de as empresas pagarem as suas dívidas deverá continuar em queda e obrigar a banca a fazer novas e cada vez maiores imparidades.

Banca diz estar tranquila

Faria de Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), garante, porém, que «não há a mínima razão de preocupação acerca do rigor com que os bancos estão a registar as imparidades», em declarações ao Diário Económico.

O sector da construção e do imobiliário representa 40% do total de crédito concedido a empresas pela banca, segundo o BdP. A AECOPS, a maior associação de empresas de construção, refere que, no último ano, faliram cinco mil companhias no sector, e a APEMIP, associação do sector imobiliário, adianta que 2012 será o pior ano das duas últimas décadas na venda de casas, e que há em Portugal cerca de 700 mil imóveis por vender.

Portugal tem "obtido resultados"

O Presidente do BCE, Mario Draghi, afirmou hoje que Portugal tem "obtido resultados".

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, afirmou hoje, em Bruxelas, que Portugal tem registado progressos, realçando a subida das exportações.

"Grécia, Portugal, Irlanda, todos os países em situação de resgate, têm obtido resultados", afirmou Mario Draghi na comissão de Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, em Bruxelas, salientando que os progressos ocorreram num ano "difícil".

Na sua intervenção, o presidente do BCE destacou o aumento das exportações e a redução dos custos laborais unitários verificada em países como Portugal, Espanha, Irlanda e Itália. "Por exemplo, as exportações de bens e serviços aumentaram 27% em Espanha desde 2009, 14% na Irlanda, 22% em Portugal e 21% em Itália", afirmou, acrescentando que "estes quatro países experimentaram também avanços nos custos laborais unitários".

Neste contexto, defendeu que as reformas são a opção correcta, motivo pelo qual os governos devem continuar os esforços na sua aplicação. "As reformas estão a ser levadas a cabo e estamos a trilhar pelo caminho certo", declarou Mario Draghi.

Em resposta ao eurodeputado português Diogo Feio (CDS-PP), o presidente do BCE reconheceu que os países sob programa enfrentam uma situação "difícil" e "dolorosa", referindo que a instituição está "ciente" deste facto.

Durante o debate, a eurodeputada socialista Elisa Ferreira confrontou Mario Draghi com as consequências dos programas de resgate, defendendo que, "quando uma economia abranda, é preciso abrandar a dose de austeridade que lhe é imposta".

Na resposta, o presidente do BCE voltou a sublinhar os "progressos significativos" registados até ao momento, argumentando que um recuo poria "em causa a credibilidade" dos programas criados e que "qualquer reprogramação traria custos mais elevados".

terça-feira, 31 de julho de 2012

Monti: "Estamos a começar a ver a luz ao fundo do túnel"

O primeiro-ministro italiano está confiante que a crise na zona euro e em Itália está perto do fim.

“Estamos a atravessar um túnel, mas estamos a começar a ver a luz. Tanto Itália como o resto da Europa estamos a aproximar-nos da saída”, disse em entrevista à radio italiana RAI, citado pelo Expansíon.

Mario Monti vai iniciar hoje uma tournée por várias cidades europeias, começando por almoçar hoje com o presidente francês, François Hollande. O líder transalpino espera que a sua reunião com Hollande acelere os movimentos que os líderes europeus estão a fazer para salvar o euro e para impulsionar as políticas de crescimento.

Na entrevista, o primeiro-ministro também sublinhou que confia plenamente na capacidade de Mariano Rajoy para fazer frente aos problemas que Espanha está a atravessar. A ronda europeia de Monti vai terminar, precisamente, na quinta-feira com um encontro em Madrid com o presidente do Governo espanhol.

A ronda diplomática de Mario Monti começa depois dos mercados financeiros terem acalmado a pressão sobre Espanha e Itália depois da garantia dada por Mario Draghi, líder do Banco Central Europeu (BCE), de que a entidade vai “fazer o que for necessário” para salvar o euro.

Depois de Draghi, seguiu-se a declaração conjunta de François Hollande e da chanceler alemã que disseram que estão “decididos a fazer tudo” o que for preciso para “proteger a zona euro”.

Exportações de têxtil para Espanha crescem

As exportações de têxtil para Espanha aumentaram no último trimestre: a crise no país vizinho está a contribuir para este efeito. Os empresários espanhóis estão a perder capacidade para importar matéria-prima dos países do extremo oriente.

Só nos últimos três meses, as exportações têxteis para Espanha aumentaram 5,6%, atingindo os 525 milhões de euros.

A resposta é simples: os empresários espanhóis procuram em Portugal o que antes compravam no extremo oriente e norte de África, sobretudo matérias-primas, t-shirts e camisolas interiores.

A têxtil Fernando Valente foi das empresas que mais beneficiou com esta alteração no mercado espanhol. A instabilidade que se viveu em países como a Tunísia e o Egito e a incapacidade para grandes encomendas tornou o produto português mais atraente.

Apesar do aumento de vendas para Espanha, as exportações têxteis sofreram uma ligeira quebra até maio deste ano. Ainda assim, o volume de transações previsto para este ano deverá ser superior a 4 mil milhões de euros, o mesmo valor do ano passado.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Espanha não será "de maneira alguma" a nova Grécia

Ministro alemão das Finanças diz que resgate ao sector bancário espanhol trará "nova confiança".

Para Wolfgang Schäuble, Espanha não será "de maneira alguma" a nova Grécia por acreditar na capacidade de o país sanear a banca e regressar "rapidamente" ao crescimento económico.

Em entrevista ao diário alemão ‘Bild', o ministro alemão sublinhou a importância do resgate espanhol para a estabilização do euro e insistiu que o caso de Espanha é incomparável com o grego.

As declarações de Schäuble aparecem num dia de convulsão nos mercados europeus, com as bolsas a tombar mais de 4% e os indicadores de risco da dívida espanhola a subir até níveis insustentáveis de financiamento.

Os investidores temem que o resgate de 100 mil milhões de euros assegurado para a banca espanhola seja insuficiente e que, como tal, a economia espanhola como um todo precise de ser financiada "troikamente".

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Troika vai "facilitar" processo de ajustamento em Portugal

A próxima missão da troika chega a Portugal no dia 28 de Agosto e entre os seus objectivos está o de encontrar formas de "facilitar" a execução do programa de ajustamento em curso.

Esta leitura foi feita por Vítor Gaspar no final da reunião o Eurogrupo que terminou na madrugada desta terça-feira: "o que está aqui em causa é olhar para o processo de ajustamento português e procurar facilitar esse processo de ajustamento".

Na mesma reunião em que deram mais um ano a Espanha para reduzir o seu défice até 2014 e em que confirmaram que se irá "melhorar a sustentabilidade" do programa de ajustamento da Irlanda, os ministros das finanças da zona euro aprovaram uma declaração com uma referência a Portugal: "o Eurogrupo pediu à troika que trabalhe em conjunto com as autoridades portuguesas durante o quinto exame regular do programa que começa a 28 de Agosto para garantir que o processo de ajustamento continua a decorrer de forma bem sucedida".

Depois de ler a referida passagem, o ministro das finanças foi mais longe na respectiva interpretação e afirmou que no que se refere a Portugal "fala-se de favorecer o processo de ajustamento": "é a forma de palavras que é usada. Melhorar e favorecer parecem-me de facto termos que podemos usar", acrescentou. Instado a explicar o significado dessa formulação, Vítor Gaspar respondeu: "quer dizer que pode fazer-se progresso adicional, o que é claro uma vez que o (...) processo de ajustamento não está completo. Na verdade, o que está aqui em causa é olhar para o processo de ajustamento português e procurar facilitar esse processo de ajustamento".

O ministro das finanças reconheceu ainda que o cumprimento do défice este ano é um objectivo "claramente muito difícil" e escusou-se a repetir se mantém a meta de 4,5% do PIB: "esse assunto não foi especificamente discutido neste Eurogrupo".

Jean-Claude Juncker, o presidente do Eurogrupo, 'ilibou' o governo de responsabilidades nesta situação ao afirmar que Portugal efectuou "todos os esforços possíveis" e se está a comportar de uma forma "assinalável". E sem entrar em detalhes garantiu que Lisboa pode por isso contar com a solidariedade europeia: "todos os esforços que possamos fazer para ajudar Portugal a corrigir a situação, serão envidados".

quarta-feira, 27 de junho de 2012

"Constipações em Espanha" provocam pneumonia em Portugal

O presidente da CIP manifestou hoje a sua preocupação com os riscos para Portugal das consequências de um aprofundamento da crise em Espanha.

"Tudo o que de mau ou de bom que aconteça em Espanha tem reflexos na economia portuguesa", disse o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) à saída da reunião de Concertação Social, que contou hoje com a presença do primeiro-ministro Passos Coelho, na véspera do arranque do Conselho Europeu.

António Saraiva disse assim estar "muito apreensivo" em relação à envolvente, tendo em conta que um terço dos 75 por cento de bens exportados para a União Europeia terem como destino Espanha.

"Dificilmente Portugal voltará aos mercados nas datas previstas", avisou.

Segundo o responsável, em resposta às inquietações dos empresários, o primeiro-ministro apenas manteve que o programa é para cumprir" e que "não haverá ajustamento nem de montantes nem de prazos".

Em relação a novas medidas de austeridade, Pedro Passos Coelho não se pronunciou, acrescentou.

O presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes, confirmou aos jornalistas a ausência do tema de novas medidas de austeridade na reunião entre os parceiros, referindo que Passos Coelho se limitou a fazer uma "apresentação genérica" sobre os temas do Conselho Europeu.

Vieira Lopes reconheceu, no entanto, que "parece começar a haver [no discurso do Governo] uma preocupação com o financiamento das empresas".

Os dirigentes das estruturas sindicais da função pública também participaram na reunião de concertação social de hoje porque foram convidados pela CGTP e pela UGT, dado terem estado em discussão as alterações legislativas do setor.

Foi também feito um balanço da aplicação das medidas do Compromisso para o Crescimento, Competitividade e Emprego relacionadas com a Administração Pública.

Turismo português é o terceiro que mais pesa nas exportações

Portugal é dos países da Zona Euro que mais depende do turismo para alavancar o crescimento. Recebe 3,6% do PIB com receitas deste género e é o terceiro país com um rácio turismo/exportações mais elevado.
Portugal é uma das economias da Zona Euro que mais ganha com o sector do turismo. Os dividendos da vinda de visitantes do exterior são colhidos sobretudo no Verão: o PIB (quase sempre) cresce, o desemprego melhora relativamente à estação anterior e as exportações disparam.

Em 2010, o último ano para o qual já há dados comparáveis, Portugal conseguiu exportar cerca de seis mil milhões de euros de turismo, o que corresponde a cerca de 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB).

Aqui contam-se não apenas as compras feitas pelos turistas estrangeiros em solo nacional – desde os postais de recordação até serviços de restauração – mas também as viagens pagas a transportadoras nacionais. Na prática, e em termos contabilísticos, estas trocas representam exportações – não de bens, mas de serviços.

Estes 3,6% são suficientes para colocar Portugal como a sexta economia da Zona Euro que mais exporta turismo em percentagem do PIB. À frente, só Áustria, Eslovénia, Estónia, Luxemburgo e Chipre. Países que têm em comum o facto de serem, na sua maioria, pequenas economias em que um pequeno influxo de turistas pode ter um grande impacto relativo.

Mas se levarmos em conta o tamanho do sector exportador, então o sector turístico nacional ganha ainda mais importância. É que mais de um décimo das exportações portuguesas vêm do turismo (ver gráfico), ficando Portugal classificado no terceiro lugar deste "ranking". Chipre e Espanha ficam à frente – esta segunda porque, apesar de exportar menos turismo, tem rácio exportações PIB/menor do que o português.

De salientar que nestas contas não entra um país que também poderia ficar nos lugares cimeiros. A Grécia, que exporta uma boa parte dos seus serviços através do turismo, mas cujos dados ainda não foram disponibilizados na base de dados europeia do Eurostat.

Espanhóis dão maior contributo

Os números acerca dos turistas não abundam. O retrato traçado todos os anos pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) baseia-se num inquérito feito aos residentes, pelo que é mais fácil conhecer o perfil turístico dos portugueses do que os comportamentos dos turistas estrangeiros.

Ainda assim, é possível saber que a maior parte dos turistas vem de Espanha (cerca de 10%), seguida imediatamente pelo Reino Unido e Alemanha (ver infografia). As dormidas começam a aumentarem Fevereiro e atingem um pico em Agosto.

O tema do turismo até deu azo a uma pequena polémica entre o presidente da República, Cavaco Silva, e o então ministro da Economia, Vieira da Silva. No Verão de 2010, o presidente da República apelou aos portugueses para que fizessem turismo dentro do país, contribuindo assim para o crescimento económico e reduzindo o volume de importações.

Mas Vieira da Silva não gostou e respondeu que, caso os outros países seguissem uma estratégia semelhante, Portugal acabaria por ser prejudicado, já que exporta mais turismo do que importa. "Só espero que os presidentes de outros países não façam o mesmo apelo, caso contrário perdemos uma fonte de receitas importante para o país. Há muitos turistas estrangeiros que vão a Portugal", disse o socialista.


"Se as portagens desaparecerem e os comboios andarem, os pastéis de nata chegam quentes a Espanha"

O secretário-geral do Eixo Atlântico, Xoan Mao, lamentou hoje que o ministro da Economia português não tenha tido "a cortesia" de marcar uma reunião para discutir portagens e ligações ferroviárias, a exemplo do que fez a homóloga espanhola.

"Eu gostaria de dizer ao ministro que, se as portagens desaparecerem e os comboios andarem, os pastéis de nata portugueses, que nós adoramos, chegam quentes, e terão melhor mercado em Espanha", afirmou Xoan Mao, lembrando a referência que Álvaro Santos Pereira fez ao potencial exportador daquele produto.

O secretário-geral da associação de municípios do Norte de Portugal e Galiza tem marcada para sexta-feira uma reunião com a ministra espanhola das Obras Públicas, Ana Pastor, para falar de portagens e da linha do Minho, mas não tem qualquer encontro agendado com o ministro português.

Xoan Mao, que falou na Corunha à margem da 1.ª Conferência sobre a Cooperação Inteligente, tem, no entanto, a informação de que as soluções preconizadas na última cimeira ibérica para tentar resolver os problemas levantados pela cobrança aos espanhóis nas ex-SCUT "estão a ser implementadas".

De qualquer forma, isso não lhe afasta os receios que "de que se vão registar maus números este Verão" no setor hoteleiro português, nomeadamente na zona fronteiriça, pois, "para muitos espanhóis, instalou-se a perceção que ir a Portugal se assemelha a viajar até à União Soviética no tempo da Cortina de Ferro".

Viana do Castelo já registou uma quebra de 40 por cento no turismo.

O outro dossier em aberto na euro-região Norte de Portugal-Galiza é o da linha Porto-Vigo, que Xoan Mao acredita será renovada com verbas do próximo quadro comunitário de apoio.

"Sabemos de Bruxelas que, se os dois governos apresentarem um projeto, ele vai ter apoio comunitário e as informações que nos chegam do governo espanhol e de alguns setores do Governo português - e, neste caso, informalmente - é de que efetivamente vão apostar nesta linha", afirmou.

O secretário-geral do Eixo Atlântico salientou ainda que esta será "também uma linha para mercadorias que faça um contínuo portuário da fachada atlântica da Península Ibérica, capaz de competir pelas mercadorias que virão do sudoeste asiático, uma vez ampliado o Canal do Panamá".

"Temos de trabalhar todos juntos, porque o nosso adversário são os portos do Mediterrâneo que se estão a organizar e têm em andamento o projeto do eixo do Mediterrâneo, que liga por comboio, quer de mercadorias quer de passageiros, Algeciras a Barcelona", lembrou Xoan Mao.

A cooperação transfronteiriça, que se discutiu no congresso organizado pela Conferência de Redes Europeias Transfronteiriças e Inter-regionais de Cidades, deverá receber, no caso da fronteira entre Espanha e Portugal, cerca de 800 a 1.000 milhões de euros no quadro comunitário de apoio que vigorará entre 2014 e 2020.

Esta é, pelo menos, a expectativa do secretário-geral do Eixo Atlântico, que espera beneficiar do aumento geral de 30 por cento nos apoios defendido pela Comissão Europeia. O Norte e a Galiza, recorda, costumam usufruir de cerca de 50 por cento dos fundos transfronteiriços, "ou seja, a euro-região poderá receber cerca de 400 milhões de euros".

terça-feira, 26 de junho de 2012

Espanha paga o triplo para colocar 3.077 milhões

O Tesouro Público espanhol colocou hoje 3.077,7 milhões de euros em títulos a três e seis meses, mas foi penalizado com juros três vezes mais elevados, que ultrapassaram os 3,0% a seis meses.

Os juros pagos na operação foram, aliás, os mais elevados desde dezembro e demonstram as fortes tensões que se vivem no mercado da dívida soberana espanhola há várias semanas.

Em concreto, o Tesouro colocou 1.600,49 milhões de euros em títulos a três meses (com uma procura 2,6 vezes maior que a oferta), mas foi obrigado a subir o juro médio de 0,846 de maio para 2,362%.

Espanha colocou ainda 1.477,21 milhões de euros em bilhetes a seis meses (a procura foi 2,8 vezes maior que a oferta) com os juros médios a dispararem de 1,737 para 3,237%.

Este foi o primeiro leilão desde o pedido formal de ajuda europeia para a banca espanhola e depois de, na noite de ontem, a Moody's ter baixado o rating a 28 entidades financeiras, deixando a maioria no nível "lixo".

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Chipre vai pedir resgate à Rússia e à zona euro

O Chipre vai pedir esta semana à Rússia um empréstimo entre os 3.000 e os 5.000 milhões de euros, e depois pedirá ajuda adicional à zona euro, disseram hoje diplomatas cipriotas à agência France Presse.

"Primeiro vamos tentar obter um empréstimo bilateral da Rússia", disse um diplomata, que pediu anonimato. O pedido de ajuda à Rússia deverá ser feito ainda esta semana.

Na próxima semana, e segundo as mesmas fontes, Chipre deverá pedir ajuda para o seu sistema financeiro à zona euro, em moldes semelhantes aos do resgate concedido à Espanha.

Na semana passada, o vice-ministro dos Assuntos Europeus cipriota, Andreas Mavroyiannis, admitiu a possibilidade de o Chipre recorrer a empréstimos bilaterais de países exteriores à União Europeia.

O Chipre é membro da zona euro desde 2008, e será o quinto país da "eurolândia" a recorrer a resgates financeiros desde o início da crise das dívidas soberanas.

Um resgate de cinco mil milhões de euros para o Chipre seria de proporções semelhantes ao negociado entre Portugal e a 'troika', tendo em conta a dimensão das duas economias. Portugal pediu à 'troika' 78 mil milhões de euros, dos quais 12 mil milhões destinados à recapitalização do sector bancário.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Espanha: "A solução chama-se euro e União Europeia"

O Executivo espanhol diz que não está só, que tem um projecto por detrás, que é a União Europeia. E que a solução para sair da crise passa precisamente por aí.

"Estamos a proceder a reformas, estamos a sanear o sector bancário e público, e isso fará, de par com outras reformas estruturais, crescer, criar emprego e sair da crise, com uma Europa integrada", declarou o ministro espanhol do Orçamento, Cristóbal Montoro, citado pelo "El País".

Segundo o ministro, "a União Europeia responderá como sempre respondeu" e "há que fortalecer e reforçar o euro". "A solução chama-se euro e União Europeia", sublinhou.

Montoro referiu também que o governo nunca disse que ia aumentar o IVA e negou que Espanha esteja a pressionar o Executivo de Mariano Rajoy para o fazer. "Europa não exigiu que Espanha subisse o IVA. O documento de avaliação da Comissão Europeia diz outras coisas mais interessantes, que são as que vamos estudar".

"Entre os nossos objectivos não está a flexibilização do défice nem a subida do IVA. São possibilidades que estão no ar. Trabalho com contas. Tudo o demais eu respeito, mas não existe enquanto não estiver escrito nos documentos", adiantou, citado pelo "Expansión".

Sobre se Espanha poderá ser intervencionada, à semelhança do que já aconteceu com a Irlanda, Grécia e Portugal, Montoro asseverou que não. "Temos a certeza que Espanha não será alvo de intervenção, porque somos um país grande, internacionalizado, com fortes intersecções económicas. O problema é a dívida que acumulámos. Mas quem são os detentores dessa dívida? É aí que quero chegar. Eles querem garantir o reembolso da totalidade da dívida e são os principais interessados em que saiamos da crise".

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Espanha reclama solução de emergência à União Europeia

Foi um dos protagonistas do jantar de ontem em Bruxelas. Mariano Rajoy pediu uma resposta imediata à crise.

Espanha surgia ontem como o tema urgente de uma reunião preparada para discutir tudo e decidir nada. Mariano Rajoy, o primeiro ministro espanhol, entrou ontem na reunião de líderes europeus determinado a obter uma resposta imediata para a falta de liquidez na sua economia, reclamando aos seus parceiros um sinal para que o Banco Central Europeu ou o fundo de resgate intervenha, ou então se assegure um trajecto mais lento de consolidação. Portugal é um dos países mais expectantes com o que resultar nesta frente.

"A Europa precisa de dar uma resposta porque não podemos viver assim muito tempo. Não podemos continuar a viver com estas diferenças nas taxas de juro", disse Rajoy antes da cimeira. O apelo em tom desesperado bate certo com a lista enorme de opções que estavam em cima da mesa.

O BCE poderá intervir a qualquer momento, embora nem Berlim nem Frankfurt o desejem. Um trajecto mais lento para a redução do défice poderá ser proposto pela Comissão ainda este mês, mas uma decisão sobre o fundo de resgate recapitalizar a banca espanhola directamente só na cimeira de Junho poderia ser formalizado.