quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Comissário da Indústria concorda com Álvaro Pereira

Há disparidades nas normas ambientais e sociais que criaram desvantagem insustentáveis para a indústria europeia, diz António Tajani, também vice-presidente da Comissão Europeia.

Antonio Tajani, comissário da Indústria e vice-presidente da Comissão Europeia, partilha a opinião do ministro Álvaro Santos Pereira, considerando que as regras europeias no domínio ambiental terão possivelmente ido longe demais, provocado efeitos perversos, sem eventualmente benefícios para o clima à escala planetária.

“As disparidades em matéria de normas de segurança, de protecção social ou outras criaram uma desvantagem muitas vezes insustentável para a nossa indústria. Por exemplo, com um custo de energia que é o mais alto do mundo estamos a empurrar a deslocalização para países que recorrem à energia do carvão poluente e não respeitam normas sobre emissões. E não creio que esta situação ajude o nosso clima”, escreve Tajani, num artigo de opinião hoje publicado no "Diário de Notícias".

“Talvez tenhamos chegado ao momento de reflectir sobre acções mais eficazes, que estimulem a inovação e a competitividade da nossa indústria, encorajando-a a ficar na Europa e a desenvolver soluções tecnológicas que respondam aos desafios em matéria de sustentabilidade, de escassez de recursos e de segurança energética com que nos defrontamos”, sugere o comissário.

Tajani concorda com os grandes princípios descritos na carta que Álvaro Santos Pereira e outros quatro ministros da Indústria (de Espanha, Alemanha, França e Itália) publicaram na semana passada. “Pensar em sair da crise só com medidas de consolidação orçamental, num contexto de desertificação produtiva, não passa de uma ilusão perigosa, que corre o risco de ser socialmente insustentável e de criar dificuldades crescentes na partilha do projecto europeu por parte da opinião pública”, adverte.

O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, foi recentemente alvo de uma chuva de críticas, inclusive de alguns colegas de Governo, por ter defendido uma política industrial europeia mais “amiga do investimento”, menos “fundamentalista” nalgumas regras ambientais, e assente numa relação com países terceiros onde a reciprocidade deve passar a ser a palavra-chave.

“A Europa tem que flexibilizar algumas das suas regras. Muitas vezes, a Europa está mais preocupada em manter regras muito fundamentalistas, que prejudicam a nossa indústria e prejudicam o nosso emprego”, disse o ministro, apelando a que a Europa "não seja mais papista que o papa em relação a outras regiões do globo”.

O ministro considerou também que, muitas vezes, a UE, “ao impor regras extremamente difíceis às nossas empresas e incentivando a deslocalização para outras áreas do globo onde estas regras não existem, contribui, por exemplo, para o agravamento das alterações climáticas, e muitas vezes para que a protecção (social) dos trabalhadores não aconteça”.

A reciprocidade para a reindustrialização da UE significa que “nós temos que ter o mesmo tratamento que os outros nos dão, noutros países”, uma vez que “não é aceitável que, em prol da nossa política ambiental ou política comercial, a Europa tenha perdido indústria desnecessariamente para outras partes”.

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