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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Empresa do Kuwait investe 200 milhões no Algarve

A United Investments Portugal, empresa com capital do Kuwait, vai investir 200 milhões de euros num projeto turístico em Loulé, no Algarve, e que estava bloqueado há dez anos, foi hoje anunciado no emirato.

Carlos Leal, diretor geral da United Investments disse à Lusa que o negócio estava bloqueado desde 2001, mas "o apoio da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal" (AICEP) fez o projeto "andar para a frente".

"Foi atribuído ao projeto o título núcleo de desenvolvimento económico tipo 3, da área do turismo, e que é o primeiro em Portugal" disse Carlos Leal, acrescentando que pode arrancar no final de 2013, início de 2014 e que vai gerar 350 postos de trabalho diretos.

"Para a United Investments, em termos de investimento, é um projeto significativo. Representa 200 milhões de euros, fica no conselho de Loulé e é um projeto em que combinamos a componente hoteleira com a componente imobiliária e agrícola. Vai ter ainda um campo de golfe 18 buracos (Gary Player) e é ainda dotado de um núcleo de desenvolvimento económico", explicou Carlos Leal.

A empresa portuguesa com capital kuwaitiano, da família Al Bahar, está em Portugal desde 1985, com investimentos hoteleiros no sul do país: Portugal Pine Cliff Resort e o Sheraton Algarve.

Para o empresário da United Investments, a crise económica é uma "condicionante geral", que afeta não só Portugal, mas também outros países europeus e, por isso, afirma "há muito trabalho a fazer, tanto pelos investidores mas também pelas entidades oficiais, em termos de tornarem o investimento mais atrativo".

Para o presidente da AICEP, Pedro Reis, este projeto - que vai gerar 350 postos de trabalho diretos - é um "exemplo concreto" em Portugal a nível económico e que "não tem nada a ver com os constrangimentos e com os planos de assistência financeira".

"Há um trabalho que pode ser feito apenas por nós portugueses para tornar o país muito mais ágil e mais amigo do investidor", disse Pedro Reis.

Referindo-se ao investimento algarvio e que envolve capitais do Kuwait, Pedro Reis defendeu ainda o papel do Estado como "facilitador" de negócios.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Laboratório Nacional de Energia ganha contrato de 30 milhões em Angola

Laboratório português vai fazer levantamento do potencial geológico do Sul de Angola.

Durante os próximos oito anos, os técnicos do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) vão andar pelo Sul de Angola, a bater cada metro quadrado de território. O objectivo, inscrito num contrato na ordem de 30 milhões de euros, é avaliar o potencial dos recursos minerais metálicos e rochas industriais. Além disso, a equipa de Teresa Ponce Leão, presidente do LNEG, terá ainda de apoiar a reestruturação e capacitação do IGEO - Instituto Geológico de Angola.

"O ‘know how' português nesta área é muito importante", realça o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, ao Diário Económico, explicando que o trabalho de "levantamento do potencial geológico do território de Angola, realizado no âmbito da parceria estratégica entre Portugal e Angola, ganha ainda maior relevo dentro da aposta comum nos recursos geológicos".

O ministro explica que o contrato ganho pelo LNEG, no âmbito de um investimento de 90 milhões de dólares (71,3 milhões de euros), foi discutido durante a última visita do governante a Angola, "porque existe uma grande sinergia dos dois governos nesta matéria". Tal como acontece em Portugal, que há pouco mais de uma semana apresentou uma estratégia para o sector geológico e mineiro, Angola pretende relançar o sector mineiro local, procurando diversificar as fontes de produção e aumentando as fontes de receita, avança fonte do Ministério da Economia.

EDP e Repsol investem 5.600 milhões no maior parque eólico marinho

















O consórcio formado pela EDP e a Repsol pediram a última permissão para instalar o maior parque eólico do mundo na Escócia, um investimento avaliado em 7.200 milhões de dólares (5.618 milhões de euros).

Trata-se do passo prévio para o investimento das empresas neste grande complexo, que vai ocupar uma área semelhante à cidade de Edimburgo e será capaz de gerar energia suficiente para abastecer até um milhão de casas.

A aliança da EDP e Repsol vai produzir numa primeira fase 1.500 megawatts nas águas da Escócia, divididos em três parques eólicos na zona de Moray. A instalação vai cobrir uma área de 296 quilómetros quadrados.

As companhias prevêem instalar até 339 turbinas. A construção dos parques vai ser iniciada entre 2016 e 2019. Segundo as primeiras estimativas vão ser criados centenas de postos de trabalho.

Incumprimento empurra crédito malparado para novo recorde

De acordo com os dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal (BdP), as instituições financeiras portuguesas detinham em Julho 15.076 milhões de euros em crédito malparado, mais 4,7 mil milhões do que em igual período do ano passado.

O peso deste crédito de cobrança duvidosa sobre o total dos empréstimos concedidos a famílias e empresas passou, pela primeira vez, os 6% em Julho, atingindo, mais concretamente, 6,13%. É o valor mais alto desde que o BdP tem registo destes dados, ou seja, desde 1997.

O grau de incumprimento está a aumentar, sobretudo, devido às empresas. Em Julho, o peso do crédito malparado sobre o total de empréstimos concedidos ao sector corporativo atingiu os 9,3%, o valor mais alto de sempre. Há 10,1 mil milhões de euros considerados de cobrança duvidosa pelos bancos.

Já no caso das famílias, se nos últimos meses tinha havido uma tendência de diminuição do malparado, este inverteu-se em Julho. O montante de cobrança duvidosa face ao total de empréstimos concedidos bateu um novo recorde, de 3,62%, totalizando 4,9 mil milhões de euros.

O incumprimento continua a ser maior no caso dos créditos ao consumo (novo recorde, de 11,7%), o que mostra que os portugueses começam por deixar de pagar primeiro este tipo de empréstimos (compra de carros ou electrodomésticos, por exemplo) e só em última instância o crédito à habitação. Aqui, o peso do crédito malparado sobre o total de empréstimos concedidos ronda 1,9% e está, também, em máximos históricos.

Só empresas beneficiam do financiamento

Com o crédito malparado a aumentar e face às dificuldades de financiamento no mercado interbancário, os bancos nacionais têm vindo, também, a reduzir o montante de empréstimos à economia. Mas são as famílias que saem mais prejudicadas.

De acordo com os dados do Banco de Portugal, as instituições financeiras portuguesas concederam 5558 milhões de euros em novos empréstimos em Julho, mais 14,2% do que em igual período de 2011. Contudo, só as empresas é que estão a beneficiar.

Em Julho, os bancos nacionais emprestaram 585 milhões de euros às famílias, menos 32,3% do que em igual período do ano passado. A retracção do financiamento é particularmente acentuada no crédito à habitação, onde os bancos estão a conceder menos 57% de empréstimos do que há um ano. O crédito ao consumo regista diminuições na ordem dos 28%

A torneira do crédito só ainda se mantém aberta para as empresas, nomeadamente para as grandes. Em Julho, foram concedidos 4973 milhões de euros em novos empréstimos, mais 24% que em termos homólogos. Mas só as grandes empresas beneficiam. É que, enquanto as operações de financiamento acima de um milhão de euros estão a crescer 55%, as operações abaixo desse valor caíram 9%.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Zona euro pronta a acionar Fundo de Estabilização

O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, declarou que a zona euro está pronta para agir em coordenação com o Banco Central Europeu e activar o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF).

Numa entrevista concedida ao diário "Le Figaro", colocada esta tarde na página online do jornal francês, Juncker admite ter-se chegado ao momento "crucial".

"Chegámos ao ponto crucial. Mas falta ainda apurar o ritmo da medida. Vamos agir em conjunto com o BCE, sem tocar na sua independência. Quando digo 'nós', trata-se do FEEF, ou seja, 17 governos", acrescentou o líder dos ministros das Finanças dos membros da união monetária.

"Vamos decidir e colocar à consideração dos mercados nos próximos dias. Não podemos perder mais tempo", declarou ainda Jean-Claude Juncker, sublinhando o efeito que as declarações na passada quinta-feira do presidente do BCE, Mario Draghi, tiveram na redução das taxas de juro da dívida soberana espanhola.

Tudo pelo euro

"O BCE está pronto a fazer tudo o que for necessário para preservar o euro. E acreditem em mim, será suficiente", declarou Draghi em Londres. "Se os prémios de risco sobre a dívida soberana

limitam a prossecução da política monetária, a questão entra no quadro do nosso mandato", precisou na mesma ocasião o governador do BCE.

As afirmações de Juncker contrastam com as declarações do ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, que numa entrevista hoje publicada pelo semanário alemão Die Welt am Sonntag, rebateu

especulações segundo as quais o FEEF se prepara para comprar dívida pública espanhola e italiana, em acção concertada com o BCE.

"Não, estas especulações são infundadas", afirmou Wolfgang Schäuble, quando confrontado com notícias publicadas na comunicação social espanhola e francesa.

De acordo com as notícias em causa, o BCE iria comprar obrigações dos dois países nos mercados secundários, o que nunca fez até agora, numa tentativa de diminuir a pressão sobre Roma e Madrid, cujos juros da dívida atingiram níveis insustentáveis.

Atenções viram-se para reunião de quinta-feira

Na entrevista ao Die Welt am Sonntag, Schäuble afirmou que o governo espanhol "tomou todas as medidas necessárias e está a colocá-las em prática".

O ministro admitiu também que os mercados financeiros ainda não estão a considerar os esforços feitos para resolver os problemas do sistema bancário espanhol, mas essa consciência há de "chegar".

As atenções estão agora concentradas na reunião semanal do BCE na próxima quinta-feira, para se perceber se o banco avança ou não com o controverso programa de compra no mercado secundário de obrigações dos membros do euro em piores condições de acesso aos mercados.

Angolanos e moçambicanos gastam cada vez mais em Portugal

As verbas gastas por turistas angolanos e moçambicanos subiram bastante nos últimos meses, mas continuam a ser os franceses que mais gastam em Portugal.

Os turistas estrangeiros gastaram em Portugal 475 milhões de euros entre janeiro e abril deste ano, um aumento de 15,74% face ao mesmo período no ano passado, revela um estudo hoje divulgado.

De acordo com o estudo da Visa Europe "Mediterranean Rim Tourism Monitor", os consumidores franceses destacam-se como sendo os turistas estrangeiros que mais contribuíram para o valor das despesas efetuadas no país, com quase 100 milhões de euros gastos.

Já os visitantes provenientes do Luxemburgo gastaram 9,3 milhões de euros entre janeiro e abril deste ano.

Também as despesas dos visitantes provenientes de Angola e Moçambique dispararam no início do ano e aumentaram 53,23% e 78,2%, respetivamente, de acordo com o estudo.

Entre janeiro e abril, os turistas angolanos gastaram 87,2 milhões de euros, valor que compara com os 56,9 milhões de euros gastos no mesmo período de 2011.
Quantos aos moçambicanos, estes gastaram 10,3 milhões de euros no turismo português, no período em análise. Numa comparação homóloga, o valor despendido pelos turistas moçambicanos foi de 5,7 milhões de euros.

O estudo revela igualmente que os levantamentos em dinheiro atingiram um total de 220 milhões de euros entre janeiro e abril de 2012, "tendo-se verificado um aumento considerável das despesas de visitantes estrangeiros em Portugal em praticamente todos os setores, com um incremento particularmente positivo nos serviços de utilidade e seguros".

As únicas áreas onde os consumidores efetuaram cortes significativos foram, de acordo com o estudo, nas companhias aéreas (menos 10,63% face ao mesmo período no ano passado). Em comida e bebida a queda registada foi de 2,15%.

O relatório da Visa Europe "Mediterranean Rim Tourism Monitor" tem por base todos os dados transacionais transfronteiriços registados que envolvam a utilização de cartões Visa de débito, crédito e pré-pagos nos seis países da Bacia Mediterrânica - França, Grécia, Itália, Portugal, Espanha e Turquia.

Estas conclusões são referentes ao período de janeiro a abril de 2012.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Governo cativa 300 milhões na despesa para travar défice

Executivo deverá avançar, ainda esta semana, com nova retenção dos gastos do Estado para cumprir meta de 4,5% do défice.

O Governo prepara-se para avançar esta semana com uma cativação adicional na despesa do Estado, no valor de cerca de 300 milhões de euros. Esta é uma das soluções encontradas pelo Ministério das Finanças para evitar uma derrapagem do défice deste ano face à meta de 4,5%.

O Diário Económico sabe que a intenção de avançar com este reforço nas cativações dos gastos do Estado foi apresentada pelo ministro das Finanças, Vítor Gaspar, na última reunião do Conselho de Ministros, devendo ser aprovada, como resolução, no encontro que se realiza esta semana.

Gaspar está agora a estudar as áreas onde existe a possibilidade de reter despesa. Em cima da mesa está a possibilidade de fazer cativações diferenciadas. Ou seja, os ministérios onde ainda é possível cortar, contribuirão mais para a cativação. Já aqueles onde o orçamento está mais apertado vão dar uma ajuda menor. Esta cativação impede os ministros de fazer despesas que estavam orçamentadas, determinando assim uma contenção do défice deste ano que está ameaçado.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

"Se as portagens desaparecerem e os comboios andarem, os pastéis de nata chegam quentes a Espanha"

O secretário-geral do Eixo Atlântico, Xoan Mao, lamentou hoje que o ministro da Economia português não tenha tido "a cortesia" de marcar uma reunião para discutir portagens e ligações ferroviárias, a exemplo do que fez a homóloga espanhola.

"Eu gostaria de dizer ao ministro que, se as portagens desaparecerem e os comboios andarem, os pastéis de nata portugueses, que nós adoramos, chegam quentes, e terão melhor mercado em Espanha", afirmou Xoan Mao, lembrando a referência que Álvaro Santos Pereira fez ao potencial exportador daquele produto.

O secretário-geral da associação de municípios do Norte de Portugal e Galiza tem marcada para sexta-feira uma reunião com a ministra espanhola das Obras Públicas, Ana Pastor, para falar de portagens e da linha do Minho, mas não tem qualquer encontro agendado com o ministro português.

Xoan Mao, que falou na Corunha à margem da 1.ª Conferência sobre a Cooperação Inteligente, tem, no entanto, a informação de que as soluções preconizadas na última cimeira ibérica para tentar resolver os problemas levantados pela cobrança aos espanhóis nas ex-SCUT "estão a ser implementadas".

De qualquer forma, isso não lhe afasta os receios que "de que se vão registar maus números este Verão" no setor hoteleiro português, nomeadamente na zona fronteiriça, pois, "para muitos espanhóis, instalou-se a perceção que ir a Portugal se assemelha a viajar até à União Soviética no tempo da Cortina de Ferro".

Viana do Castelo já registou uma quebra de 40 por cento no turismo.

O outro dossier em aberto na euro-região Norte de Portugal-Galiza é o da linha Porto-Vigo, que Xoan Mao acredita será renovada com verbas do próximo quadro comunitário de apoio.

"Sabemos de Bruxelas que, se os dois governos apresentarem um projeto, ele vai ter apoio comunitário e as informações que nos chegam do governo espanhol e de alguns setores do Governo português - e, neste caso, informalmente - é de que efetivamente vão apostar nesta linha", afirmou.

O secretário-geral do Eixo Atlântico salientou ainda que esta será "também uma linha para mercadorias que faça um contínuo portuário da fachada atlântica da Península Ibérica, capaz de competir pelas mercadorias que virão do sudoeste asiático, uma vez ampliado o Canal do Panamá".

"Temos de trabalhar todos juntos, porque o nosso adversário são os portos do Mediterrâneo que se estão a organizar e têm em andamento o projeto do eixo do Mediterrâneo, que liga por comboio, quer de mercadorias quer de passageiros, Algeciras a Barcelona", lembrou Xoan Mao.

A cooperação transfronteiriça, que se discutiu no congresso organizado pela Conferência de Redes Europeias Transfronteiriças e Inter-regionais de Cidades, deverá receber, no caso da fronteira entre Espanha e Portugal, cerca de 800 a 1.000 milhões de euros no quadro comunitário de apoio que vigorará entre 2014 e 2020.

Esta é, pelo menos, a expectativa do secretário-geral do Eixo Atlântico, que espera beneficiar do aumento geral de 30 por cento nos apoios defendido pela Comissão Europeia. O Norte e a Galiza, recorda, costumam usufruir de cerca de 50 por cento dos fundos transfronteiriços, "ou seja, a euro-região poderá receber cerca de 400 milhões de euros".

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Todos os dias 5 construtoras pedem a insolvência

É a derrocada da construção e imobiliário, que se debate, já desde 2002, com a mais longa e profunda crise de que há memória - só desde o início do ano, já pediram a insolvência 811 empresas, um aumento de 64%. São quase cinco empresas por dia.

Os números "são altamente preocupantes", diz Reis Campos, presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário, e atestam o desagregar do tecido empresarial com que a fileira se debate. "Vamos chegar ao final do ano com mais 14 mil empresas desaparecidas no sector da construção e do imobiliário", explica, lembrando que as insolvências "são uma ínfima parte" da realidade. "Muitos são os empresários que, simplesmente, encerram o negócio."

O reverso da moeda é o disparar dos números do desemprego. A construção e o imobiliário são o maior empregador nacional, mas perderam, na última década, mais de 320 mil postos de trabalho. "Estão a desaparecer, diariamente, 23 empresas e a deixar no desemprego 426 pessoas", refere o presidente da CPCI. "Só no primeiro trimestre do ano foram 38 mil os postos de trabalho eliminados, o equivalente a metade do emprego total destruído na economia."

Números 'negros' que tornam ainda mais incompreensível que o Governo tenha criado um programa de apoio ao emprego jovem e às PME, mas deixe de fora a construção e o imobiliário, defende. "É incompreensível que o sector, que tem contribuído com 49% a 50% dos desempregados em Portugal, seja excluído do único programa de incentivo ao crescimento e ao emprego que se conhece", protesta Reis Campos. Até porque os indicadores mais recentes "mostram um cenário devastador no que à construção e ao imobiliário diz respeito". De acordo com os mais recentes números do INE, o valor acrescentado bruto (VAB) do sector caiu 10,5%, enquanto o investimento em construção registou uma quebra de 12,5% em termos homólogos.

Os empresários recusam-se a baixar os braços. E exigem um conjunto de medidas que permitam inverter rapidamente o "estado de emergência" do sector - pagamento dos 1,4 mil milhões de euros de dívidas do Estado em atraso; incentivos à reabilitação urbana e ao arrendamento; reprogramação das verbas comunitárias do QREN para investimentos em áreas estratégicas; maior regulação do mercado imobiliário, impedindo a comercialização dos imóveis pela banca em condições de crédito incomparavelmente mais vantajosas; acesso equilibrado ao crédito e à liquidez necessária ao funcionamento das empresas; apoios á internacionalização, que já representa 15% da faturação das empresas nacionais; e, ainda, medidas fiscais, como a adoção de um regime de IVA de caixa para as PME, conferindo-lhes a possibilidade de entregarem o IVA ao Estado só depois de o terem recebido ou o estabelecimento de um regime excecional de extensão de prazos das licenças municipais.

"Em causa estão, no futuro imediato, 140 mil postos de trabalho diretos e cerca de 13 mil empresas, cujo impacto direto nas contas públicas resultante dos subsídio de desemprego e da perda de receitas fiscais será de 1,7 mil milhões de euros", salienta Reis Campos. O "colapso da construção" terá um "custo insustentável para o país", na medida em põe em risco a "sustentabilidade económica" nacional e os sacrifícios feitos pelos portugueses, pondo a nu a eventual necessidade de um novo pacote de resgate, alerta Reis Campos.