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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Colômbia lidera grandes apostas de investimento

A América Latina está a atrair grandes grupos nacionais. Mas há mais oportunidades na mira em África e na China.

As empresas portuguesas estão a construir uma nova ponte sobre o Atlântico, empurradas pela degradação económica do país e da Europa. E, entre os novos destinos, Colômbia demarca-se em 2013 como o alvo favorito dos negócios portugueses. A desconfiança que este país transmitia foi superada e a sua economia em crescimento passou a ser encarada como um mar de oportunidades. A América Latina é hoje uma região atractiva para o investimento português. Mas não é a única: outros mercados como China, África do Sul, Médio Oriente e ainda Angola são países que continuam a captar atenções.


A Jerónimo Martins (JM) estreia-se já neste trimestre na Colômbia, mercado onde prevê abrir 30 lojas ao longo do ano. A ambição do grupo retalhista é deter até final de 2015 um parque de 150 lojas, o que implica um investimento de 400 milhões de euros. E não é só Soares dos Santos que olha para este mercado. A Sonae Sierra, que já constituiu uma empresa de prestação de serviços neste país sul-americano, também pretende investir no desenvolvimento de centros comerciais.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Isabel dos Santos e Sonae repartem controlo na fusão da Zon e Optimus


O noivado foi longo, mas parece que é desta que a Optimus e a Zon vão partir para uma fusão sobre a qual se especula desde 2007. Se o negócio se concretizar, com a necessária aprovação dos accionistas da empresa liderada por Rodrigo Costa, nascerá um novo operador com mais de cinco milhões de clientes e uma facturação superior a 1,4 mil milhões de euros.

O anúncio foi feito na sexta-feira, ao final do dia, pela Sonaecom (dona da Optimus e do PÚBLICO) e por Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola, que controla 28,8% da Zon (através da Kento e da Jadeium). O projecto será agora analisado pelos conselhos de administração das duas empresas e levado a assembleia geral, onde a empresária deverá garantir luz verde à operação.

Se assim for, Sonaecom e Isabel dos Santos vão criar um veículo financeiro, detido em partes iguais, que passará a controlar a empresa nascida da fusão entre a Optimus e a Zon. Neste veículo entrará a totalidade da participação que a empresária detém nesta última operadora e uma "parcela substancial" dos 100% que a Sonaecom tem na Optimus. O equilíbrio de forças entre as duas partes foi o culminar de vários meses de negociações e um factor decisivo para um entendimento que irá ter reflexos ao nível da gestão da empresa que vier a surgir.

O negócio que será apresentado aos restantes accionistas da operadora liderada por Rodrigo Costa pressupõe "uma relação de troca baseada numa valorização da Zon correspondente a 150% da Optimus". Os impulsionadores da fusão mostram, no entanto, disponibilidade para considerarem uma alteração destes termos, de modo a concretizar a operação.

Se tudo correr como previsto - e embora assumam uma posição de controlo na nova empresa que vier a surgir -, a Sonaecom e Isabel dos Santos irão pedir ao regulador do mercado de capitais para serem dispensados do lançamento de uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre o restante capital. Isto por se tratar de uma fusão entre duas entidades.

A união da Optimus e da Zon criará um novo operador em Portugal, com uma facturação conjunta superior a 1,4 mil milhões de euros, tendo em conta os resultados das duas empresas em 2011. Nesse ano, a operadora do grupo Sonae alcançou receitas de 574,7 milhões, enquanto a Zon gerou 854,8 milhões. Já os lucros somados das duas atingiram 162,7 milhões de euros em 2011. E, nos primeiros nove meses deste ano, acumulavam mais de cinco milhões de clientes.

Mais concorrência
A junção de forças criará sinergias que vários analistas têm calculado em cerca de 300 milhões de euros. A Optimus está mais focada no serviço de telecomunicações e ganhou este ano uma licença para a quarta geração móvel. Já a Zon opera nas áreas de televisão por subscrição e banda larga fixa. Uma complementaridade que permitirá ao novo operador competir de forma mais musculada com a PT.

De acordo com o comunicado ontem divulgado, a Sonaecom e Isabel dos Santos acreditam que haverá um "maior potencial para intensificar os níveis de concorrência entre operadores". A nova entidade irá, da mesma forma, ver reforçada a sua capacidade de investimento para novos produtos ou mercados, com especial atenção para os países emergentes.

Neste momento, a empresária já detém a maioria do capital da Zap, empresa de TV paga que opera em Angola, em parceria com a Zon. Isabel dos Santos também lidera uma joint-venture com a Sonae, que irá levar os hipermercados Continente para aquele país.

Os rumores sobre este "casamento" começaram em 2007, depois de ter falhado a OPA da Sonae sobre a PT. Apesar do fracasso da operação, a empresa liderada por Zeinal Bava teve de avançar para um processo de cisão que deu origem à empresa que viria a chamar-se Zon.

Em Setembro deste ano, a especulação voltou a ganhar fôlego, quando o presidente executivo da Optimus, Miguel Almeida, veio dizer que o negócio "fazia sentido", acrescentando que "um novo conjunto de condições está reunido e poderá ajudar a que a fusão aconteça". O gestor referia-se ao reforço de poderes de Isabel dos Santos na Zon. Desde o início deste ano, a empresária foi-se sucessivamente posicionando como maior accionista da operadora presidida por Rodrigo Costa. O primeiro reforço aconteceu em Maio, depois de os accionistas da empresa terem aprovado o fim das restrições de votos, que estavam limitados a 10% (independentemente do seu peso). Isabel dos Santos começou por comprar a posição da Telefónica (cerca de 5%).

Nos meses seguintes, acordou a aquisição das acções da Cinveste (2,82%) e depois as da Caixa Geral de Depósitos (10,96%). E, com isto, passou a deter 28,8% da Zon. Apesar desta investida, o capital da empresa continua muito disperso, o que significa que Isabel dos Santos terá de contar com o apoio de outros accionistas para concretizar o acordo com a Sonaecom.

Uma questão que, à partida, não será um problema, visto que parece haver uma predisposição para a fusão. A Visabeira, que detém 2,15% da Zon, é favorável à união com a Optimus. O presidente executivo do grupo de Viseu afirmou ao PÚBLICO que "tudo o que seja criar valor para o accionista é útil e positivo", acrescentando que a operação "será vantajosa, nomeadamente para a Zon".

Joe Berardo, que detém 5,63% do capital da empresa, disse ontem ao Dinheiro Vivo que o acordo de fusão anunciado "é uma boa notícia para o final do ano", desde que "seja ao justo valor para todos e não haja conflitos de interesses entre os accionistas". Não foi possível obter um comentário do BES, nem do BPI, dois accionistas de peso da Zon que estarão interessados em ver o negócio avançar.

Isabel dos Santos é, aliás, a segunda maior accionista do BPI, com 19%, após ter elevado a sua posição este ano, ao comprar parte das acções que os espanhóis do La Caixa adquiriram ao Itaú. Em Portugal, a empresária acompanhou ainda, ao lado da Sonangol e de Américo Amorim, o reforço da posição na Galp, detendo hoje, indirectamente, 7,75% da petrolífera portuguesa.

Também o BIC, onde detém 25% do capital, deu em 2012 um salto no sector financeiro, com a compra do BPN ao Estado português. Se em Portugal o principal concorrente da Zon é a PT, em Angola Isabel dos Santos é parceira da empresa liderada por Zeinal Bava, através da operadora Unitel.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Há 23 milhões de taiwaneses à espera de empresas portuguesas

Dos 27 Estados-membros da União Europeia, 18 já abriram centros económicos e culturais em Taipé, mas Portugal não é um deles, embora Taiwan – a 18.ª maior economia do mundo – demonstre interesse em ser "ponte para as empresas portuguesas entrarem no mercado da 'Grande China'".

"Há mais de 15 anos que os taiwaneses investem na China continental - fomos, aliás, os primeiros a entrar", diz ao PÚBLICO o representante do Centro Económico e Cultural de Taipé em Lisboa, Jiang-gueng Her. "Porque partilhamos tradições, cultura e língua [com a República Popular da China/RPC], podemos também partilhar as nossas experiências com empresas portuguesas: A melhor via é a das joint-ventures, porque oferecem mais vantagens e permitem maior eficácia do que investimentos isolados".

Esta é também a opinião que ouvimos de Jorge Pais, vice-presidente da Associação Industrial Portuguesa - Câmara de Comércio e Indústria (AIP-CCI), que espera, no primeiro trimestre de 2013, assinar um protocolo para criar o Business CouncilPortugal-Taiwan. O objectivo é "dinamizar oportunidades de negócio" entre os dois países. "Se as empresas portuguesas entrarem no mercado taiwanês agregadas, em conjunto, estarão mais apoiadas, já que muitas delas não têm dimensão internacional nem estrutura técnica ou de gestão – basta dizer que, de um total de 1,5 milhões, não chegam a 40 mil as que possuem capacidade de exportação."

"A agregação das empresas, ou os chamados clusters", precisa Jorge Pais, "agiliza o marketing, a promoção directa, diminui os custos e permite uma maior penetração nos mercados. Os taiwaneses tomaram a iniciativa de apresentar um memorando de entendimento, que já foi aprovado pela AIP. O business council deverá avançar depois da visita a Lisboa de uma missão empresarial de Taipé. O que Taiwan, um país democrático e ocidentalizado, nos pode oferecer é uma entrada na China em condições mais favoráveis, mas também noutros mercados, como o da Coreia e o de Singapura. Portugal, por seu lado, pode facilitar a entrada de Taiwan no Brasil e na América Latina, em Angola e Moçambique, além de uma consolidação na União Europeia."

Já em 1992, ano da abertura da representação da Formosa em Lisboa, o jornal Taipei Today destacava que a República da China (ROC/nome oficial de Taiwan) olhava para Portugal como "um valioso parceiro, apesar da fragilidade da sua economia, porque detém o mesmo peso nas tomadas de decisão na UE". Além disso, o objectivo de apostar na Europa, primeiro na do Norte e Ocidental e depois na do Sul, justifica-se porque, aqui, "os exportadores taiwaneses estão menos vulneráveis às flutuações do grande mercado norte-americano."

Para Jorge Pais, "não é garantido que um acordo de comércio livre entre Taiwan e a UE consagre melhores soluções para Portugal". Porque, a nível bilateral, os negócios terão de ser conduzidos sector a sector. "Taiwan, com uma escala inferior à da China continental, pode adaptar-se às empresas portuguesas, porque o seu tecido empresarial também é de pequena e média dimensão."

Nos contactos com vista ao business council, o que Jorge Pais constatou foi "um desconhecimento" dos empresários de ambos os países em relação aos mercados de cada um. Há sectores que oferecem potencialidades como o automóvel e o agro-alimentar (vinhos - sendo o do Porto "a jóia da coroa" -, azeitonas, compotas e azeites), o design e a moda, têxteis e calçado." Uma ideia a explorar, porque os taiwaneses "têm poder de compra", é a da "abertura, em locais de impacto social, de lojas que possam ter produtosgourmet, combinados com exposições de arte e de música de Portugal".

O business council poderá ajudar a equilibrar uma balança comercial que Cecilia Ruo-Fei Liou, da Oficina Economica Y Cultural de Taipei em Madrid, descreve como de "défice crónico" a desfavor de Portugal. Entre Janeiro e Agosto de 2012, e em comparação com igual período de 2011, as exportações de Portugal para Taiwan aumentaram 17%, mas ficaram-se pelos 47,3 milhões de dólares, enquanto as importações diminuíram 9%, mas totalizaram 127,3 milhões. (Ver infografia).

Ofuscar o Japão

"É certo que as relações comerciais se ressentiram da crise financeira mundial", reconheceu Jiang-gueng Her, que teria o estatuto de embaixador se Portugal reconhecesse Taiwan, "mas há um espaço enorme a preencher em termos de laços económicos, culturais e turísticos, sobretudo a nível do sector privado". No campo da educação, Her destaca as bolsas oferecidas pelo seu Governo a estudantes (meio ano para aprender mandarim, um ano para licenciatura, dois anos para mestrado e quatro para doutoramento) e professores/investigadores (um ano). A Universidade Nacional de Taiwan, por exemplo, tem um acordo de intercâmbio com a Universidade do Porto e a Universidade Nacional de Chengchi está ligada à Universidade Católica.

Sobre o turismo, não obstante as quase ou mais de 24 horas de distância que separam os dois países, Her lembra que a isenção de vistos de/para Taiwan-UE elevou o número de "taiwaneses com dinheiro" que viajam para a Europa - mais de 239 mil, em 2011 (os europeus que visitaram Taiwan, no mesmo ano, foram mais de 212 mil). Por isso, o representante de Taiwan em Lisboa recomenda que Espanha "possa ser usada como alternativa", se a justificação (a mais plausível, segundo Jorge Pais) para a não-abertura de um centro em Taipé seja "apenas a escassez de recursos" em tempo de crise.

O maior investimento de Taiwan em Portugal é o da Asus, quarto maior fabricante mundial de computadores, que entrou aqui como multinacional em Agosto de 2008 e, segundo o responsável pelo marketing, "lidera o mercado nacional de placas-mãe (MB) e de vídeo, media streamers,netbooks e notebooks". Esta informação é confirmada pela Gartner, consultora norte-americana de referência sobre tecnologias de informação, que adianta: a nível global, entre Julho e Setembro deste ano, os lucros da Asus aumentaram 43% face ao período homólogo de 2011, para 229,1 milhões de dólares, sobretudo, graças às vendas de portáteis (cinco milhões de unidades).

Nenhum das perguntas do PÚBLICO sobre os números do investimento da Asus em Portugal obtiveram resposta, sob pretexto de confidencialidade. Porquê o secretismo? Será mera política interna do grupo fundado em 1990 ou porque Portugal teme o castigo de Pequim e, por isso, "é mais chinês do que os chineses", como notou um antigo diplomata taiwanês em Lisboa? Jorge Pais responde: "Não se pode ignorar o peso da História e algumas visões redutoras no passado, mas Portugal não deve ter medo de desagradar à China, sobretudo porque desapareceu o sentimento de rejeição da RPC face a Taiwan. Há um potencial de desenvolvimento que não podemos ignorar: Taiwan pode vir a ofuscar o Japão nos seus laços com o Ocidente e Portugal precisa de ter uma estratégia."

A secretária económica de Taiwan em Madrid, Cecilia Liou, reafirmando que um centro de Lisboa em Taipé expandiria negócios portugueses "para toda a Ásia", aponta os sectores que classificou como estratégicos e com enorme potencial: "A inovação tecnológica, as energias renováveis, o ambiente, o turismo, a pesca, os têxteis, matérias-primas e materiais de inovação."

Actualmente, segundo a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), entre os produtos que Taiwan mais compra a Portugal estão, designadamente, máquinas e aparelhos (sobretudo os usados na fabricação de esferas/plaquetas de dispositivos de visualização de ecrã plano); e entre os que mais vende estão circuitos integrados ou impressos até triciclos e esfregões de aço.

"Quando há vontade, há sempre um caminho", enfatiza Jiang-gueng Her. E o caminho "está mais facilitado" desde que, em 2008, Ma Ying-jeou, do partido nacionalista Kuomintang, foi eleito (e reeleito em 2012) Presidente da República. Ao afastar do poder os independentistas, Ma aproximou-se de Pequim, diminuindo as tensões no estreito da Formosa.

"Já assinámos 18 acordos com a China, o mais importante dos quais foi o Acordo-Quadro de Cooperação Económica, firmado em Junho de 2010, prevendo a isenção de taxas para 539 produtos", conclui Jiang. Foi um "acordo histórico", marco na reconciliação entre dois rivais divididos por uma guerra civil há seis décadas.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Vaga de seis missões empresariais chega a Moçambique até Dezembro

Grupos da construção, calçado, têxtil, agro-alimentar e engenharia procuram novos negócios.

Grupos como a Dielmar, Kyaia ou Pedreira estão de malas feitas para Moçambique. Nas próximas quatro semanas, mais de 50 empresas portuguesas preparam-se para viajar para o país da África Austral à procura de oportunidades de negócio. São empresas dos mais variados sectores de actividade, desde a construção, calçado, têxtil, engenharia ou agro-alimentar, divididas por seis missões empresariais.

O crescimento económico que Moçambique tem registado nos últimos anos, e o potencial que a descoberta de recursos naturais como o gás lhe veio conferir, tornou-o um mercado bastante atractivo. "Moçambique está entre os dez países do mundo que mais cresceram na última década [7,9%], prevendo-se que continue a ser uma das economias com maiores índices de crescimento a nível global", explica Francisco Balsemão, presidente da ANJE (Associação Nacional de Jovens Empresários), organismo que tem desde segunda-feira uma comitiva em Maputo.

Os empresários da missão da ANJE vão participar em vários "encontros institucionais com entidades locais, com o objectivo de abrir portas aos empresários portugueses e fornecer informações diversas sobre o mercado", adianta fonte da associação.

Portugal quer melhorar relações com Angola


O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros disse hoje à Lusa que Portugal fará tudo para melhorar ainda mais as relações com Angola.

Paulo Portas disse à Lusa que o “Governo português fará tudo o que está ao seu alcance para melhorar ainda mais as relações com Angola e não deixar que nada as prejudique”.

Para Paulo Portas, o relacionamento entre os dois países atingiu “níveis de excelência” que o Governo Português, diz o ministro dos Negócios Estrangeiros, “está empenhado” em preservar e desenvolver.

“Entre os exemplos deste relacionamento estão o facto de cerca de 120 mil portugueses trabalharem hoje em dia em Angola e cerca de oito mil empresas portuguesas exportarem para Angola, que se tornou no mercado não europeu para a nossa economia”, disse ainda o ministro dos Negócios Estrangeiros.

“Ao mesmo tempo”, acrescentou Paulo Portas, “inúmeros interesses e investimentos angolanos fizeram o seu caminho e ganharam um espaço muito relevante em Portugal. Como é evidente, tudo isto é tão importante para os dois países que o Governo português fará tudo o que está ao seu alcance para melhorar ainda mais as relações com Angola e não deixar que nada as prejudique”.

Para o ministro, as relações entre Angola e Portugal são, e vão continuar a ser, uma “prioridade da máxima importância da política externa portuguesa” e sublinhou que o “Governo constituído depois das recentes eleições” é, para Portugal, “uma garantia de amizade entre os dois estados e de cooperação entre os dois povos”.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Empresas de ‘outsourcing’ querem reforçar exportações

Estudo revela que empresas como a PT ou a Cisco podem beneficiar das vantagens do País.

Portugal tem potencial para captar investimento estrangeiro e desenvolver uma indústria de exportação a nível de ‘outsourcing', devido aos recursos humanos qualificados, às infra-estruturas e ao facto de estar numa localização geográfica de baixo risco mas com ligações históricas a países emergentes como Brasil, Angola e Moçambique. São estas as principais conclusões do estudo "Portugal como Destino de Nearshore Outsourcing", que será apresentado hoje na quarta conferência internacional Portugal Outsourcing - associação criada em 2008 e que reúne as empresas do sector.

A Portugal Telecom, a Reditus, a Alcatel-Lucent, a Cisco ou a Novabase, entre outras, querem beneficiar das vantagens do País e apostar na exportação de serviços de ‘outsourcing'. A Reditus, por exemplo, inaugurou em Março, em Évora, um centro com mais de 460 colaboradores e que presta serviços às seguradoras da Caixa Geral de Depósitos. Já a PT está a construir o sexto maior centro europeu de dados, na Covilhã, e tem em perspectiva a exportação de capacidade de armazenamento na ‘cloud' (nuvem) e de serviços.

"As principais conclusões do estudo têm um impacto de grande relevo no posicionamento do nosso país no radar internacional", explica o secretário-geral da Associação Portugal Outsourcing, Guilherme Ramos Pereira, que aponta como exemplo a qualidade das infraestruturas e os progressos na flexibilização das leis do trabalho, que "impacta positivamente o desenvolvimento da actividade em Portugal e o potencial para captação de investimento estrangeiro."

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Investimento de empresas recua 20 anos

O terceiro ano consecutivo de recessão e de intervenção da troika vai colocar a economia portuguesa e o consumo privado a níveis de 2005 e fazer o investimento recuar quase 20 anos. Estas são algumas das consequências do maior plano de austeridade aplicado na história da democracia portuguesa, inscrito no Orçamento do Estado de 2013 (OE-2013).

Mesmo com uma contenção orçamental de 5,3 mil milhões de euros, financiada em 80% através de impostos que irão diminuir significativamente o orçamento das famílias, o Governo decidiu manter as previsões macro-económicas para 2013.

Segundo o OE-2013, o Produto Interno Bruto (PIB) deverá contrair-se 1% no próximo ano, ou seja, um terço do verificado em 2012. Isto apesar de o consumo privado cair 2,2%, o desemprego atingir um máximo de 16,4% e as exportações subirem 3,4% – um ritmo, recorde-se, 30% inferior ao verificado em 2012.

Só entre 2011 e 2013, o PIB português terá contraído 6%, o consumo das famílias 12% e o investimento das empresas 30%. Esta fuga de recursos da economia deverá fazer Portugal regressar, no próximo ano, a níveis de 2005 e o investimento para valores de 1995. Em relação ao período pré-crise do euro, a economia viu eclipsar-se 15 mil milhões de euros em consumo e nove mil milhões de euros em investimento empresarial.

A inexistência de investimento sinaliza que as empresas não deverão fazer contratações, agravando o desemprego, e que a diminuição das importações está a ser feita por menos consumo e não por substituição – ou seja, por as empresas em Portugal produzirem produtos que antes o país importava.

Mas as estimativas do Governo poderão ser demasiado optimistas.

Troika pede mais cortes na despesa

O problema reside nas suas duas ‘estrelas’ para 2013: as exportações e as receitas de IRS. O abrandamento das vendas ao exterior está confirmado, mas poderá ser superior. Espanha, França e Itália (responsáveis por 40% das exportações) estão sob ameaça de resgate (Espanha) ou vão avançar com forte austeridade em 2013, o que reduzirá a procura de produtos portugueses.

A boa performance dos mercados extra-comunitários (Angola por exemplo) deverá manter-se, mas o seu peso continua marginal nas trocas comerciais: os cinco maiores mercados de Portugal fora do espaço europeu (Angola, Brasil, EUA, China e Marrocos) representam apenas 15% das exportações totais.

Mas um dos principais avisos de que as estimativas macro-económicas para 2013 são optimistas vem da própria troika. Nos relatórios da quinta avaliação a Portugal, lê-se que a mudança de direcção na política de ajustamento orçamental, com um foco quase exclusivo nos impostos, poderá resultar numa receita fiscal abaixo do esperado (prevê-se que a receita de IRS aumente 30%). E acrescenta-se: «O impacto adverso da política fiscal no crescimento poderá ser superior ao estimado». Os credores externos pedem assim ‘um plano B’ para evitar «surpresas negativas», como sucedeu com o IVA este ano. O plano deverá incluir várias medidas, «sobretudo do lado da despesa» para compensar eventuais derrapagens.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Laboratório Nacional de Energia ganha contrato de 30 milhões em Angola

Laboratório português vai fazer levantamento do potencial geológico do Sul de Angola.

Durante os próximos oito anos, os técnicos do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) vão andar pelo Sul de Angola, a bater cada metro quadrado de território. O objectivo, inscrito num contrato na ordem de 30 milhões de euros, é avaliar o potencial dos recursos minerais metálicos e rochas industriais. Além disso, a equipa de Teresa Ponce Leão, presidente do LNEG, terá ainda de apoiar a reestruturação e capacitação do IGEO - Instituto Geológico de Angola.

"O ‘know how' português nesta área é muito importante", realça o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, ao Diário Económico, explicando que o trabalho de "levantamento do potencial geológico do território de Angola, realizado no âmbito da parceria estratégica entre Portugal e Angola, ganha ainda maior relevo dentro da aposta comum nos recursos geológicos".

O ministro explica que o contrato ganho pelo LNEG, no âmbito de um investimento de 90 milhões de dólares (71,3 milhões de euros), foi discutido durante a última visita do governante a Angola, "porque existe uma grande sinergia dos dois governos nesta matéria". Tal como acontece em Portugal, que há pouco mais de uma semana apresentou uma estratégia para o sector geológico e mineiro, Angola pretende relançar o sector mineiro local, procurando diversificar as fontes de produção e aumentando as fontes de receita, avança fonte do Ministério da Economia.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Investimentos em Angola ultrapassam os 814 milhões no semestre

Os investimentos privados em Angola ultrapassaram os 1000 milhões de dólares (814 milhões de euros) no primeiro semestre, segundo informou Maria Luísa Abrantes, presidente da Agência Nacional de Investimentos Privados (Anip), avança a agência angolana Angop.

A responsável disse no final de uma sessão de assinatura de cinco contratos de investimentos privados, que a Anip registou investimentos provenientes da, China, Espanha, Alemanha e Portugal. A maioria dos investimentos foi para o setor industrial, área de construção civil.
A presidente da Anip avançou que os investimentos chineses tiveram um peso considerável em relação aos restantes países.
A responsável apontou que o valor mínimo para se investir em Angola é de um milhão de dólares.
A Anip assinou cinco contratos nomeadamente com as empresas Movicel Telecomunicações, Roman Consultoria, FloatNumbers Angola, Trivision Investment, e a Politérmica, todas sediadas na província de Luanda.

Angolanos e moçambicanos gastam cada vez mais em Portugal

As verbas gastas por turistas angolanos e moçambicanos subiram bastante nos últimos meses, mas continuam a ser os franceses que mais gastam em Portugal.

Os turistas estrangeiros gastaram em Portugal 475 milhões de euros entre janeiro e abril deste ano, um aumento de 15,74% face ao mesmo período no ano passado, revela um estudo hoje divulgado.

De acordo com o estudo da Visa Europe "Mediterranean Rim Tourism Monitor", os consumidores franceses destacam-se como sendo os turistas estrangeiros que mais contribuíram para o valor das despesas efetuadas no país, com quase 100 milhões de euros gastos.

Já os visitantes provenientes do Luxemburgo gastaram 9,3 milhões de euros entre janeiro e abril deste ano.

Também as despesas dos visitantes provenientes de Angola e Moçambique dispararam no início do ano e aumentaram 53,23% e 78,2%, respetivamente, de acordo com o estudo.

Entre janeiro e abril, os turistas angolanos gastaram 87,2 milhões de euros, valor que compara com os 56,9 milhões de euros gastos no mesmo período de 2011.
Quantos aos moçambicanos, estes gastaram 10,3 milhões de euros no turismo português, no período em análise. Numa comparação homóloga, o valor despendido pelos turistas moçambicanos foi de 5,7 milhões de euros.

O estudo revela igualmente que os levantamentos em dinheiro atingiram um total de 220 milhões de euros entre janeiro e abril de 2012, "tendo-se verificado um aumento considerável das despesas de visitantes estrangeiros em Portugal em praticamente todos os setores, com um incremento particularmente positivo nos serviços de utilidade e seguros".

As únicas áreas onde os consumidores efetuaram cortes significativos foram, de acordo com o estudo, nas companhias aéreas (menos 10,63% face ao mesmo período no ano passado). Em comida e bebida a queda registada foi de 2,15%.

O relatório da Visa Europe "Mediterranean Rim Tourism Monitor" tem por base todos os dados transacionais transfronteiriços registados que envolvam a utilização de cartões Visa de débito, crédito e pré-pagos nos seis países da Bacia Mediterrânica - França, Grécia, Itália, Portugal, Espanha e Turquia.

Estas conclusões são referentes ao período de janeiro a abril de 2012.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Paulo Portas em Luanda para visita de trabalho

O ministro Adjunto e dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas, chegou hoje de manhã a Luanda para uma visita de trabalho de pouco mais de 24 horas.


Paulo Portas, que não fez declarações à chegada, tem agendado para hoje encontros com o chefe da Casa Civil da Presidência da República de Angola, Carlos Feijó, da parte da manhã, e com o ministro de Estado e da Cooperação Económica, Manuel Vicente, ao fim da tarde.

Durante a sua curta estada em Luanda, o chefe da diplomacia portuguesa participa na cerimónia de inauguração da 29 edição da Feira Inter-nacional de Luanda (FILDA), onde Portugal volta de novo a ter o maior pavilhão de entre os 23 países estrangeiros presentes no certame.

O ministro deixa Luanda quarta-feira de manhã, com destino a Maputo, Moçambique, para participar no Conselho de Ministros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Compta avança para internacionalização na América Latina

Depois de se ter lançado em Angola e Cabo Verde, a Compta está a estudar a entrada no México e no Brasil, revelou ao Dinheiro Vivo o presidente da empresa, Armindo Monteiro. A tecnológica portuguesa pretende abrir uma subsidiária no México que sirva como pólo de expansão na América Latina, algo que deverá acontecer a partir de 2013.

A empresa, que se viu envolvida em 2004 no escândalo do processo de colocação de professores, vai apostar no mercado exterior para contornar a recessão profunda do mercado português, onde não vai conseguir crescer este ano.

Em entrevista ao Dinheiro Vivo, Armindo Monteiro explica que a intenção da Compta é duplicar as receitas em 2014, chegando aos 60 milhões de euros. "Percebemos que não é possível estarmos apenas cá dentro", diz o empresário, que em 2005 adquiriu a empresa com Francisco Maria Balsemão.

Neste momento, as operações internacionais – que passam pela presença direta com subsidiárias em Angola e Cabo Verde e negócios no Qatar, Brasil, México, Peru e Moçambique – pesam apenas 12% do total de receitas. Dentro de dois anos, com a incursão na América Latina, esse peso vai mais que duplicar para 25%.

O que a administração de Armindo Monteiro fez na Compta desde o início do mandato é notável. Quando o processo de colocação de professores correu horrivelmente mal em 2004, o governo de Santana Lopes responsabilizou a Compta, a quem tinha encomendado o software.

As receitas da empresa caíram a pique, de 45 para 11 milhões de euros, e as ações deram um tombo gigante em bolsa. Armindo Monteiro e Francisco Maria Balsemão olharam para a oportunidade e compraram a empresa. Desde então, operaram uma total transformação na sua oferta – reduzindo o número de empresas de 15 para quatro e remodelando o tipo de serviços. Apenas 45% dos quadros permaneceu na empresa, que tem 220 colaboradores.

A marca Compta foi totalmente reabilitada e assume-se hoje como a mais antiga tecnológica portuguesa, no ano em que assinala o 40º aniversário. A empresa foi responsável, por exemplo, pela primeira linha interbancária do país. "Antes quando ia ao banco alguém tinha de pegar no telefone e ligar para a sua agência bancária", conta o presidente. A Compta fez com que o processamento de um cheque fosse automático.

Uma das áreas em que há hoje maior diferença é a da inovação: a Compta tem "uma equipa que está só a ver tendências. Se lhes perguntar o que se está a fazer na fibra óptica, ficará surpreendida." A empresa aderiu ao programa de estágios da Carnegie Mellon Portugal e está a tentar estreitar as relações com a academia. "Nas tecnologias, seis meses é uma eternidade", sublinha o empresário. O problema é que o mercado português está de rastos, e embora o Estado represente apenas 10% a 15% dos negócios da empresa, há um efeito de arrastamento nos privados.

"Estamos a ter dificuldades", admite, embora garanta que há espaço para ganhar quota de mercado nalgumas áreas específicas – em especial nas empresas que estão a investir e têm visão. "Algumas empresas estão à espera que a crise passe. Há outras que já perceberam que não passa. Há empresas que vão sobreviver e crescer e outras não, porque basearam-se em modelos tradicionais."

Armindo Monteiro defende que o motivo de algum provincianismo na gestão (por exemplo, querer software estrangeiro porque "o que vem de fora é melhor") é a idade da democracia. "Somos empresários há apenas 30 anos. Nunca fomos formados para ser empresários", lembra.

"A internacionalização só foi feita à custa da presença hegemónica nas ex-colónias", sendo que "durante muito tempo tivemos as fronteiras protegidas." Confiante de que a especialização que tem vindo a fazer irá permitir sustentar a empresa durante a recessão, Armindo Monteira garante: "a crise dá-nos a oportunidade do ano zero."

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Angola estuda seguros de crédito para investimentos com Portugal

Angola admite a criação de um seguro de crédito para facilitar as relações de investimento entre os dois países.

Hoje, Marcio Gurgel, ministro da Economia angolano, confirmou que o Governo de José Eduardo dos Santos "está empenhado na desburocratização dos processos de registo e de assessoria aos investidores. "Recentemente, foram aprovadas linhas de crédito para as PME e há um novo instrumento que podemos estudar, que pode ser o seguro de crédito, seja para empresas portuguesas em Angola, seja para empresas angolanas em Portugal", disse o ministro em Luanda durante uma conferência organizada pela Ordem dos Engenheiros.

Marcio Gurgel adiantou ainda que, da parte dos investidores angolanos e além da banca, existem reservas a explorar no sector financeiro. A Sonangol e o grupo de Isabel dos Santos detém já participações relevantes no BCP e no BPI, dois dos maiores bancos portugueses.

Também Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia, defendeu as vantagens para ambos os países de parcerias entre empresas portuguesas e angolanas.

"Temos que proporcionar que as oportunidades se desenvolvam. Fala-se muito da crise, mas a melhor maneira de ultrapassar as dificuldades passa por uma agenda de reindustrialização", disse o ministro durante o mesmo seminário. Segundo acrescentou, Portugal deve voltar a fazer o mesmo que fez durante muito tempo, "abrir-se ao mundo e aos países irmãos".

Na opinião do ministro, o mercado angolano, para o qual as exportações portuguesas estão a crescer 29,3% em termos homólogos, entre janeiro e abril, reveste-se de condições únicas. "Há que apostar na diversificação económica para Angola, pois temos a certeza de que as empresas portuguesas são empresasde excelência", frisou Álvaro Santos Pereira.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Crescimento dos PALOP acelera em 2012

A economia dos países africanos de língua portuguesa (PALOP) vai continuar a registar um ritmo de crescimento robusto este ano e em 2013, mas a crise na zona euro ameaça o desempenho futuro destes países, revelou ontem o Banco Africano para o Desenvolvimento (BAD).

Segundo as previsões económicas para África ontem divulgadas pelo BAD, e elaboradas em conjunto com a OCDE, a totalidade do continente africano deverá conseguir em 2012 uma expansão económica de 4,5%, melhor do que os 3,4% conseguidos em 2011, ano em que as convulsões políticas causadas pela Primavera Árabe reduziram a expansão do PIB dos países do Norte de África para apenas 0,5%. A Sul do Sahara, Angola deverá ser um dos países mais beneficiados, com o PIB a crescer 8,2% este ano, contra os 3,5% do ano anterior, seguida por Moçambique, que irá crescer 7,5%, mais do que os 7,2% de 2011. A Guiné-Bissau é o único país lusófono que deverá abrandar, ao crescer apenas 4,6% este ano, contra os 5,1% de 2011, devido ao golpe de Estado que este ano derrubou o governo do PAIGC.

Ao falar durante a apresentação das previsões, o presidente do BAD, Donald Kaberuka, avisou que "a crise na zona euro vai ter implicações no crescimento do continente", ao reduzir a procura dos produtos da região. Entre os países mais afectados estará Angola, cuja economia deverá abrandar no ano que vem para os 7,1%. O desemprego jovem, na casa dos 25% na maior parte dos países, é ainda uma grande preocupação para o BAD, mas ainda assim este valor é bastante inferior ao registado no Sul da zona euro, já que em Grécia e Espanha os jovens sem emprego superam os 50% e em Portugal os 30%.