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quinta-feira, 7 de março de 2013

Assunção Cristas destaca internacionalização de empresas portuguesas na África Austral


A ministra da Agricultura do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território de Portugal, Assunção Cristas, destacou nesta terça-feira a internacionalização de empresas portuguesas na África Austral, apelando à partilha de conhecimento e tecnologia com estes mercados.

Falando aos jornalistas no final de uma visita a uma fábrica de sumos de capitais portugueses, nos arredores de Maputo, Assunção Cristas apontou a Sumol Compal Moçambique como "um bom exemplo de internacionalização de uma empresa portuguesa".

"É um exemplo muito importante de uma marca portuguesa com produção em Portugal sobejamente conhecida, de qualidade de excelência, que agora aposta em Moçambique produzindo localmente os seus sumos, procurando não só vender para o mercado moçambicano mas para todo o mercado que constitui a SADC" (Comunidade de Países da África Austral).

A governante disse que a entrada da empresa portuguesa no mercado moçambicano ajudou na "criação de emprego, transferência de conhecimento e de tecnologia, e de hoje para amanhã também pode ser uma forma de puxar pela produção local de alguns frutos que podem ser incorporados nos sumos".

"E isso significa um salto relevante e um projecto que ganha Moçambique e ganha Portugal", afirmou a ministra portuguesa.

Assunção Cristas assegurou que "da parte de Portugal há todo o empenho político em ajudar a resolver qualquer problema que venha a surgir" nesta unidade fabril, que produzirá sumos Compal e GUD destinados aos mercados vizinhos a Moçambique, aproveitando a inexistência de taxas aduaneiras na organização regional SADC.

“Há todo o empenho de fazer esta visita e dar visibilidade a este projeto e sinalizar o que é um bom exemplo de internacionalização de uma empresa portuguesa para que outros também possam seguir este exemplo".

A unidade fabril, localizada em Boane, arredores de Maputo, representa um investimento de 7,8 milhões de euros, irá garantir, no início, 70 postos de trabalho, e resulta de uma parceria entre a Sumol Compal África (detida pela Sumol Compal Portugal) e os empresários de Moçambique Adolfo Correia, da Tropigália, e Daniel David, do grupo Soico, que constituíram a Sumol Compal Moçambique.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Há 23 milhões de taiwaneses à espera de empresas portuguesas

Dos 27 Estados-membros da União Europeia, 18 já abriram centros económicos e culturais em Taipé, mas Portugal não é um deles, embora Taiwan – a 18.ª maior economia do mundo – demonstre interesse em ser "ponte para as empresas portuguesas entrarem no mercado da 'Grande China'".

"Há mais de 15 anos que os taiwaneses investem na China continental - fomos, aliás, os primeiros a entrar", diz ao PÚBLICO o representante do Centro Económico e Cultural de Taipé em Lisboa, Jiang-gueng Her. "Porque partilhamos tradições, cultura e língua [com a República Popular da China/RPC], podemos também partilhar as nossas experiências com empresas portuguesas: A melhor via é a das joint-ventures, porque oferecem mais vantagens e permitem maior eficácia do que investimentos isolados".

Esta é também a opinião que ouvimos de Jorge Pais, vice-presidente da Associação Industrial Portuguesa - Câmara de Comércio e Indústria (AIP-CCI), que espera, no primeiro trimestre de 2013, assinar um protocolo para criar o Business CouncilPortugal-Taiwan. O objectivo é "dinamizar oportunidades de negócio" entre os dois países. "Se as empresas portuguesas entrarem no mercado taiwanês agregadas, em conjunto, estarão mais apoiadas, já que muitas delas não têm dimensão internacional nem estrutura técnica ou de gestão – basta dizer que, de um total de 1,5 milhões, não chegam a 40 mil as que possuem capacidade de exportação."

"A agregação das empresas, ou os chamados clusters", precisa Jorge Pais, "agiliza o marketing, a promoção directa, diminui os custos e permite uma maior penetração nos mercados. Os taiwaneses tomaram a iniciativa de apresentar um memorando de entendimento, que já foi aprovado pela AIP. O business council deverá avançar depois da visita a Lisboa de uma missão empresarial de Taipé. O que Taiwan, um país democrático e ocidentalizado, nos pode oferecer é uma entrada na China em condições mais favoráveis, mas também noutros mercados, como o da Coreia e o de Singapura. Portugal, por seu lado, pode facilitar a entrada de Taiwan no Brasil e na América Latina, em Angola e Moçambique, além de uma consolidação na União Europeia."

Já em 1992, ano da abertura da representação da Formosa em Lisboa, o jornal Taipei Today destacava que a República da China (ROC/nome oficial de Taiwan) olhava para Portugal como "um valioso parceiro, apesar da fragilidade da sua economia, porque detém o mesmo peso nas tomadas de decisão na UE". Além disso, o objectivo de apostar na Europa, primeiro na do Norte e Ocidental e depois na do Sul, justifica-se porque, aqui, "os exportadores taiwaneses estão menos vulneráveis às flutuações do grande mercado norte-americano."

Para Jorge Pais, "não é garantido que um acordo de comércio livre entre Taiwan e a UE consagre melhores soluções para Portugal". Porque, a nível bilateral, os negócios terão de ser conduzidos sector a sector. "Taiwan, com uma escala inferior à da China continental, pode adaptar-se às empresas portuguesas, porque o seu tecido empresarial também é de pequena e média dimensão."

Nos contactos com vista ao business council, o que Jorge Pais constatou foi "um desconhecimento" dos empresários de ambos os países em relação aos mercados de cada um. Há sectores que oferecem potencialidades como o automóvel e o agro-alimentar (vinhos - sendo o do Porto "a jóia da coroa" -, azeitonas, compotas e azeites), o design e a moda, têxteis e calçado." Uma ideia a explorar, porque os taiwaneses "têm poder de compra", é a da "abertura, em locais de impacto social, de lojas que possam ter produtosgourmet, combinados com exposições de arte e de música de Portugal".

O business council poderá ajudar a equilibrar uma balança comercial que Cecilia Ruo-Fei Liou, da Oficina Economica Y Cultural de Taipei em Madrid, descreve como de "défice crónico" a desfavor de Portugal. Entre Janeiro e Agosto de 2012, e em comparação com igual período de 2011, as exportações de Portugal para Taiwan aumentaram 17%, mas ficaram-se pelos 47,3 milhões de dólares, enquanto as importações diminuíram 9%, mas totalizaram 127,3 milhões. (Ver infografia).

Ofuscar o Japão

"É certo que as relações comerciais se ressentiram da crise financeira mundial", reconheceu Jiang-gueng Her, que teria o estatuto de embaixador se Portugal reconhecesse Taiwan, "mas há um espaço enorme a preencher em termos de laços económicos, culturais e turísticos, sobretudo a nível do sector privado". No campo da educação, Her destaca as bolsas oferecidas pelo seu Governo a estudantes (meio ano para aprender mandarim, um ano para licenciatura, dois anos para mestrado e quatro para doutoramento) e professores/investigadores (um ano). A Universidade Nacional de Taiwan, por exemplo, tem um acordo de intercâmbio com a Universidade do Porto e a Universidade Nacional de Chengchi está ligada à Universidade Católica.

Sobre o turismo, não obstante as quase ou mais de 24 horas de distância que separam os dois países, Her lembra que a isenção de vistos de/para Taiwan-UE elevou o número de "taiwaneses com dinheiro" que viajam para a Europa - mais de 239 mil, em 2011 (os europeus que visitaram Taiwan, no mesmo ano, foram mais de 212 mil). Por isso, o representante de Taiwan em Lisboa recomenda que Espanha "possa ser usada como alternativa", se a justificação (a mais plausível, segundo Jorge Pais) para a não-abertura de um centro em Taipé seja "apenas a escassez de recursos" em tempo de crise.

O maior investimento de Taiwan em Portugal é o da Asus, quarto maior fabricante mundial de computadores, que entrou aqui como multinacional em Agosto de 2008 e, segundo o responsável pelo marketing, "lidera o mercado nacional de placas-mãe (MB) e de vídeo, media streamers,netbooks e notebooks". Esta informação é confirmada pela Gartner, consultora norte-americana de referência sobre tecnologias de informação, que adianta: a nível global, entre Julho e Setembro deste ano, os lucros da Asus aumentaram 43% face ao período homólogo de 2011, para 229,1 milhões de dólares, sobretudo, graças às vendas de portáteis (cinco milhões de unidades).

Nenhum das perguntas do PÚBLICO sobre os números do investimento da Asus em Portugal obtiveram resposta, sob pretexto de confidencialidade. Porquê o secretismo? Será mera política interna do grupo fundado em 1990 ou porque Portugal teme o castigo de Pequim e, por isso, "é mais chinês do que os chineses", como notou um antigo diplomata taiwanês em Lisboa? Jorge Pais responde: "Não se pode ignorar o peso da História e algumas visões redutoras no passado, mas Portugal não deve ter medo de desagradar à China, sobretudo porque desapareceu o sentimento de rejeição da RPC face a Taiwan. Há um potencial de desenvolvimento que não podemos ignorar: Taiwan pode vir a ofuscar o Japão nos seus laços com o Ocidente e Portugal precisa de ter uma estratégia."

A secretária económica de Taiwan em Madrid, Cecilia Liou, reafirmando que um centro de Lisboa em Taipé expandiria negócios portugueses "para toda a Ásia", aponta os sectores que classificou como estratégicos e com enorme potencial: "A inovação tecnológica, as energias renováveis, o ambiente, o turismo, a pesca, os têxteis, matérias-primas e materiais de inovação."

Actualmente, segundo a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), entre os produtos que Taiwan mais compra a Portugal estão, designadamente, máquinas e aparelhos (sobretudo os usados na fabricação de esferas/plaquetas de dispositivos de visualização de ecrã plano); e entre os que mais vende estão circuitos integrados ou impressos até triciclos e esfregões de aço.

"Quando há vontade, há sempre um caminho", enfatiza Jiang-gueng Her. E o caminho "está mais facilitado" desde que, em 2008, Ma Ying-jeou, do partido nacionalista Kuomintang, foi eleito (e reeleito em 2012) Presidente da República. Ao afastar do poder os independentistas, Ma aproximou-se de Pequim, diminuindo as tensões no estreito da Formosa.

"Já assinámos 18 acordos com a China, o mais importante dos quais foi o Acordo-Quadro de Cooperação Económica, firmado em Junho de 2010, prevendo a isenção de taxas para 539 produtos", conclui Jiang. Foi um "acordo histórico", marco na reconciliação entre dois rivais divididos por uma guerra civil há seis décadas.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Vaga de seis missões empresariais chega a Moçambique até Dezembro

Grupos da construção, calçado, têxtil, agro-alimentar e engenharia procuram novos negócios.

Grupos como a Dielmar, Kyaia ou Pedreira estão de malas feitas para Moçambique. Nas próximas quatro semanas, mais de 50 empresas portuguesas preparam-se para viajar para o país da África Austral à procura de oportunidades de negócio. São empresas dos mais variados sectores de actividade, desde a construção, calçado, têxtil, engenharia ou agro-alimentar, divididas por seis missões empresariais.

O crescimento económico que Moçambique tem registado nos últimos anos, e o potencial que a descoberta de recursos naturais como o gás lhe veio conferir, tornou-o um mercado bastante atractivo. "Moçambique está entre os dez países do mundo que mais cresceram na última década [7,9%], prevendo-se que continue a ser uma das economias com maiores índices de crescimento a nível global", explica Francisco Balsemão, presidente da ANJE (Associação Nacional de Jovens Empresários), organismo que tem desde segunda-feira uma comitiva em Maputo.

Os empresários da missão da ANJE vão participar em vários "encontros institucionais com entidades locais, com o objectivo de abrir portas aos empresários portugueses e fornecer informações diversas sobre o mercado", adianta fonte da associação.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Empresas de ‘outsourcing’ querem reforçar exportações

Estudo revela que empresas como a PT ou a Cisco podem beneficiar das vantagens do País.

Portugal tem potencial para captar investimento estrangeiro e desenvolver uma indústria de exportação a nível de ‘outsourcing', devido aos recursos humanos qualificados, às infra-estruturas e ao facto de estar numa localização geográfica de baixo risco mas com ligações históricas a países emergentes como Brasil, Angola e Moçambique. São estas as principais conclusões do estudo "Portugal como Destino de Nearshore Outsourcing", que será apresentado hoje na quarta conferência internacional Portugal Outsourcing - associação criada em 2008 e que reúne as empresas do sector.

A Portugal Telecom, a Reditus, a Alcatel-Lucent, a Cisco ou a Novabase, entre outras, querem beneficiar das vantagens do País e apostar na exportação de serviços de ‘outsourcing'. A Reditus, por exemplo, inaugurou em Março, em Évora, um centro com mais de 460 colaboradores e que presta serviços às seguradoras da Caixa Geral de Depósitos. Já a PT está a construir o sexto maior centro europeu de dados, na Covilhã, e tem em perspectiva a exportação de capacidade de armazenamento na ‘cloud' (nuvem) e de serviços.

"As principais conclusões do estudo têm um impacto de grande relevo no posicionamento do nosso país no radar internacional", explica o secretário-geral da Associação Portugal Outsourcing, Guilherme Ramos Pereira, que aponta como exemplo a qualidade das infraestruturas e os progressos na flexibilização das leis do trabalho, que "impacta positivamente o desenvolvimento da actividade em Portugal e o potencial para captação de investimento estrangeiro."

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Angolanos e moçambicanos gastam cada vez mais em Portugal

As verbas gastas por turistas angolanos e moçambicanos subiram bastante nos últimos meses, mas continuam a ser os franceses que mais gastam em Portugal.

Os turistas estrangeiros gastaram em Portugal 475 milhões de euros entre janeiro e abril deste ano, um aumento de 15,74% face ao mesmo período no ano passado, revela um estudo hoje divulgado.

De acordo com o estudo da Visa Europe "Mediterranean Rim Tourism Monitor", os consumidores franceses destacam-se como sendo os turistas estrangeiros que mais contribuíram para o valor das despesas efetuadas no país, com quase 100 milhões de euros gastos.

Já os visitantes provenientes do Luxemburgo gastaram 9,3 milhões de euros entre janeiro e abril deste ano.

Também as despesas dos visitantes provenientes de Angola e Moçambique dispararam no início do ano e aumentaram 53,23% e 78,2%, respetivamente, de acordo com o estudo.

Entre janeiro e abril, os turistas angolanos gastaram 87,2 milhões de euros, valor que compara com os 56,9 milhões de euros gastos no mesmo período de 2011.
Quantos aos moçambicanos, estes gastaram 10,3 milhões de euros no turismo português, no período em análise. Numa comparação homóloga, o valor despendido pelos turistas moçambicanos foi de 5,7 milhões de euros.

O estudo revela igualmente que os levantamentos em dinheiro atingiram um total de 220 milhões de euros entre janeiro e abril de 2012, "tendo-se verificado um aumento considerável das despesas de visitantes estrangeiros em Portugal em praticamente todos os setores, com um incremento particularmente positivo nos serviços de utilidade e seguros".

As únicas áreas onde os consumidores efetuaram cortes significativos foram, de acordo com o estudo, nas companhias aéreas (menos 10,63% face ao mesmo período no ano passado). Em comida e bebida a queda registada foi de 2,15%.

O relatório da Visa Europe "Mediterranean Rim Tourism Monitor" tem por base todos os dados transacionais transfronteiriços registados que envolvam a utilização de cartões Visa de débito, crédito e pré-pagos nos seis países da Bacia Mediterrânica - França, Grécia, Itália, Portugal, Espanha e Turquia.

Estas conclusões são referentes ao período de janeiro a abril de 2012.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Paulo Portas em Luanda para visita de trabalho

O ministro Adjunto e dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas, chegou hoje de manhã a Luanda para uma visita de trabalho de pouco mais de 24 horas.


Paulo Portas, que não fez declarações à chegada, tem agendado para hoje encontros com o chefe da Casa Civil da Presidência da República de Angola, Carlos Feijó, da parte da manhã, e com o ministro de Estado e da Cooperação Económica, Manuel Vicente, ao fim da tarde.

Durante a sua curta estada em Luanda, o chefe da diplomacia portuguesa participa na cerimónia de inauguração da 29 edição da Feira Inter-nacional de Luanda (FILDA), onde Portugal volta de novo a ter o maior pavilhão de entre os 23 países estrangeiros presentes no certame.

O ministro deixa Luanda quarta-feira de manhã, com destino a Maputo, Moçambique, para participar no Conselho de Ministros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

quarta-feira, 11 de julho de 2012

"AS PME estão cada vez mais em Moçambique"

Depois de a PLMJ ter entrado no mercado moçambicano, a sociedade decidiu criar o Gabinete Legal de Moçambique, uma plataforma comum que é hoje utilizado por advogados moçambicanos em áreas como o ‘corporate’ e investimento estrangeiro. Tomas Timbane é um dos rostos deste projecto.

Nos últimos dois anos, Moçambique, como Angola, tornou-se um mercado prioritário para o investimento português.

Sim, tradicionalmente, Portugal é um dos maiores investidores em Moçambique, mas por causa da crise na Europa, está a perder o lugar que tinha. A África do Sul é outro investidor internacional em Moçambique, mas também muito investimento chinês e brasileiro. Em muitas áreas: energia, construção, infra-estruturas, recursos naturais. Na área mineira temos descobertas muito interessantes. Mas a Índia e Austrália também estão entre os maiores investidores.

Qual é o modelo normal para o investimento externo? Em termos jurídicos?

Qualquer pessoa que queira pode investir em Moçambique. Aliás, há uma lei que incentiva o investimento e dá benefícios fiscais. Depois há o CPI, que é a primeira instituição que articula investimento e selecciona os projectos. E há, também, zonas de desenvolvimento acelerado em que há mais incentivos. Em áreas estratégicas – recursos naturais, energia – o Estado reserva uma parte da participação neste investimento, reservando um conjunto de direitos. Tudo isso é feito, claro, a priori, ainda antes do projecto está a ser aprovado. Regra geral, o Estado é parceiro minoritário, 10%, 15%.

Angola, por exemplo, assumiu um modelo onde o Estado lidera o investimento. Onde as empresas, sobretudo as que exploram recursos, são predominantemente estatais.Há pontos parecidos?

Em Moçambique não vejo isso a acontecer. O Estado só reserva alguns direitos, não é maioritário. Se não se deixa aos investidores terem maioria, corremos o risco de ninguém investir. Temos de criar algum conforto. Estes projectos também são concessões, em regra de 25 anos, mas depende das áreas. Para um projecto de petróleo e gás, 25 anos não é muito. Esta é uma forma que o Estado encontrou para incentivar o investimento ganhando alguma coisa.

Em termos de ‘legal framework’, de enquadramento jurídico, ainda há muito por fazer, não?

Evidentemente que sim. São áreas que tradicionalmente não têm arquitectura jurídica. Em muitos dos investimentos, quando foram contratados, nem havia lei para eles. A advocacia moçambicana é muito jovem e, às vezes, sentimos necessidade de mão-de-obra especializada.

Também em termos de regulação.

Sim, também aí há um caminho muito grande a percorrer.

Que novo investimento tem entrado nos últimos meses?

Esta crise europeia é uma oportunidade para as empresas portuguesas, mas estamos a notar um fenómeno novo, que são as PME e profissionais que se deslocam a Moçambique à procura de oportunidades-. Há três anos foi criado o Banco Público de Investimento e há um incentivo grande ao novo investimento.

Acredita, como acontece com os capitais angolanos, que o investimento moçambicano possa chegar a Portugal?

Creio que isso ainda vai demorar a acontecer. A economia moçambicana, ao contrário da angolana, ainda não é assim tão forte. Moçambique tem muitos recursos minerais, mas acredito que os investidores moçambicanos prefiram investir no país. Em segundo lugar, nós temos uma relação muito especial com a África do Sul e há uma troca de sinergias, de investimento.

Quais são as maiores preocupações das empresas que vos procuram quando querem investir?

Em primeiro lugar, a contratação de trabalhadores estrangeiros. Desde 2007 que foi aprovada a nova lei do trabalho, que esta permite a contratação de expatriados desde que as empresas tenham trabalhadores moçambicanos. O outro aspecto tem a ver com a pol´tiica de vistos para efeitos de trabalho, onde a regulamentação não está uniformizada., Mesmo que uma empresa queira contratar alguém dentro da sua quota, o processo ainda não está suficientemente articulado, mas é um processos que está a ser melhorado. Não há problemas de vistos de entrada. Hoje em dia já muito melhorou em termos de burocracia, licenciamento, contas bancárias. Em muito pouco tempo se pode ter uma empresa a funcionar. Não leva uma semana.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Crescimento dos PALOP acelera em 2012

A economia dos países africanos de língua portuguesa (PALOP) vai continuar a registar um ritmo de crescimento robusto este ano e em 2013, mas a crise na zona euro ameaça o desempenho futuro destes países, revelou ontem o Banco Africano para o Desenvolvimento (BAD).

Segundo as previsões económicas para África ontem divulgadas pelo BAD, e elaboradas em conjunto com a OCDE, a totalidade do continente africano deverá conseguir em 2012 uma expansão económica de 4,5%, melhor do que os 3,4% conseguidos em 2011, ano em que as convulsões políticas causadas pela Primavera Árabe reduziram a expansão do PIB dos países do Norte de África para apenas 0,5%. A Sul do Sahara, Angola deverá ser um dos países mais beneficiados, com o PIB a crescer 8,2% este ano, contra os 3,5% do ano anterior, seguida por Moçambique, que irá crescer 7,5%, mais do que os 7,2% de 2011. A Guiné-Bissau é o único país lusófono que deverá abrandar, ao crescer apenas 4,6% este ano, contra os 5,1% de 2011, devido ao golpe de Estado que este ano derrubou o governo do PAIGC.

Ao falar durante a apresentação das previsões, o presidente do BAD, Donald Kaberuka, avisou que "a crise na zona euro vai ter implicações no crescimento do continente", ao reduzir a procura dos produtos da região. Entre os países mais afectados estará Angola, cuja economia deverá abrandar no ano que vem para os 7,1%. O desemprego jovem, na casa dos 25% na maior parte dos países, é ainda uma grande preocupação para o BAD, mas ainda assim este valor é bastante inferior ao registado no Sul da zona euro, já que em Grécia e Espanha os jovens sem emprego superam os 50% e em Portugal os 30%.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Exportações: Moçambique já é o 20º mercado de Portugal

Com o aumento de 95,4% nas exportações de Portugal para Moçambique registado no primeiro trimestre deste ano.

Com o aumento de 95,4% nas exportações de Portugal para Moçambique registado no primeiro trimestre deste ano, o país africano do Índico tornou-se no vigésimo mercado para as vendas nacionais, disseram à Lusa fontes oficiais.

Anteriormente, Moçambique ocupava a 27ª posição nos destinos das vendas portuguesas. Nos primeiros três meses de 2012, Portugal vendeu produtos a Moçambique no valor de 77 milhões de euros, num crescimento de 95,4%, e importou bens avaliados em 4,5 milhões de euros, numa subida de 42%, e que coloca este país em 74º lugar (anterior 81º) na lista dos fornecedores nacionais.

Entre os produtos mais exportados por Portugal estão máquinas e aparelhos, metais, veículos, produtos alimentares, pastas e papel. Falando, hoje, em Maputo, o embaixador de Portugal em Moçambique,

Mário Godinho de Matos, destacou a alteração que se tem verificado na qualidade das exportações portuguesas para Moçambique, referindo que em 2011 "cerca de 50% do total das vendas" nacionais ao país "tinham alta e média alta intensidade tecnológica".