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terça-feira, 19 de março de 2013

Petrobras reforça plano de investimento para 236 mil milhões de euros

A petrolífera brasileira Petrobras pretende investir de 236 mil milhões de dólares no período de 2013-2017, de acordo com o plano de negócios e gestão da empresa, aprovado pelo conselho de administração da companhia.

Segundo a empresa, o plano teve por fundamento a manutenção de metas de produção de óleo e gás. A companhia acrescentou que não serão incluídos novos projectos, excepto na área de exploração e produção de petróleo e gás natural.

A actualização, face à meta anterior, relativa a 2012-2016, é de 200 milhões de dólares (153 milhões de euros), de acordo com a Reuters.

Em comunicado, a empresa estatal brasileira afirmou que o plano incorporou resultados de programas de redução de custos e eficiência operacional.

A Petrobras elevou os investimentos em exploração e produção para 147 mil milhões de dólares (113 mil milhões de euros). Este é o seu segmento de negócios que continua a captar a maior parte dos recursos, com 62% do total a ser investido no período de 2013-2017.

A carteira de projectos em implantação corresponde a 207 mil milhões de dólares (158 mil milhões de euros), contemplando todos os projectos já contratados e todos os de exploração produção no Brasil.

A estatal pretende vender activos no Brasil e no exterior, com previsão de entrada do encaixe com estas operações ainda em 2013, segundo a Reuters.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Há 23 milhões de taiwaneses à espera de empresas portuguesas

Dos 27 Estados-membros da União Europeia, 18 já abriram centros económicos e culturais em Taipé, mas Portugal não é um deles, embora Taiwan – a 18.ª maior economia do mundo – demonstre interesse em ser "ponte para as empresas portuguesas entrarem no mercado da 'Grande China'".

"Há mais de 15 anos que os taiwaneses investem na China continental - fomos, aliás, os primeiros a entrar", diz ao PÚBLICO o representante do Centro Económico e Cultural de Taipé em Lisboa, Jiang-gueng Her. "Porque partilhamos tradições, cultura e língua [com a República Popular da China/RPC], podemos também partilhar as nossas experiências com empresas portuguesas: A melhor via é a das joint-ventures, porque oferecem mais vantagens e permitem maior eficácia do que investimentos isolados".

Esta é também a opinião que ouvimos de Jorge Pais, vice-presidente da Associação Industrial Portuguesa - Câmara de Comércio e Indústria (AIP-CCI), que espera, no primeiro trimestre de 2013, assinar um protocolo para criar o Business CouncilPortugal-Taiwan. O objectivo é "dinamizar oportunidades de negócio" entre os dois países. "Se as empresas portuguesas entrarem no mercado taiwanês agregadas, em conjunto, estarão mais apoiadas, já que muitas delas não têm dimensão internacional nem estrutura técnica ou de gestão – basta dizer que, de um total de 1,5 milhões, não chegam a 40 mil as que possuem capacidade de exportação."

"A agregação das empresas, ou os chamados clusters", precisa Jorge Pais, "agiliza o marketing, a promoção directa, diminui os custos e permite uma maior penetração nos mercados. Os taiwaneses tomaram a iniciativa de apresentar um memorando de entendimento, que já foi aprovado pela AIP. O business council deverá avançar depois da visita a Lisboa de uma missão empresarial de Taipé. O que Taiwan, um país democrático e ocidentalizado, nos pode oferecer é uma entrada na China em condições mais favoráveis, mas também noutros mercados, como o da Coreia e o de Singapura. Portugal, por seu lado, pode facilitar a entrada de Taiwan no Brasil e na América Latina, em Angola e Moçambique, além de uma consolidação na União Europeia."

Já em 1992, ano da abertura da representação da Formosa em Lisboa, o jornal Taipei Today destacava que a República da China (ROC/nome oficial de Taiwan) olhava para Portugal como "um valioso parceiro, apesar da fragilidade da sua economia, porque detém o mesmo peso nas tomadas de decisão na UE". Além disso, o objectivo de apostar na Europa, primeiro na do Norte e Ocidental e depois na do Sul, justifica-se porque, aqui, "os exportadores taiwaneses estão menos vulneráveis às flutuações do grande mercado norte-americano."

Para Jorge Pais, "não é garantido que um acordo de comércio livre entre Taiwan e a UE consagre melhores soluções para Portugal". Porque, a nível bilateral, os negócios terão de ser conduzidos sector a sector. "Taiwan, com uma escala inferior à da China continental, pode adaptar-se às empresas portuguesas, porque o seu tecido empresarial também é de pequena e média dimensão."

Nos contactos com vista ao business council, o que Jorge Pais constatou foi "um desconhecimento" dos empresários de ambos os países em relação aos mercados de cada um. Há sectores que oferecem potencialidades como o automóvel e o agro-alimentar (vinhos - sendo o do Porto "a jóia da coroa" -, azeitonas, compotas e azeites), o design e a moda, têxteis e calçado." Uma ideia a explorar, porque os taiwaneses "têm poder de compra", é a da "abertura, em locais de impacto social, de lojas que possam ter produtosgourmet, combinados com exposições de arte e de música de Portugal".

O business council poderá ajudar a equilibrar uma balança comercial que Cecilia Ruo-Fei Liou, da Oficina Economica Y Cultural de Taipei em Madrid, descreve como de "défice crónico" a desfavor de Portugal. Entre Janeiro e Agosto de 2012, e em comparação com igual período de 2011, as exportações de Portugal para Taiwan aumentaram 17%, mas ficaram-se pelos 47,3 milhões de dólares, enquanto as importações diminuíram 9%, mas totalizaram 127,3 milhões. (Ver infografia).

Ofuscar o Japão

"É certo que as relações comerciais se ressentiram da crise financeira mundial", reconheceu Jiang-gueng Her, que teria o estatuto de embaixador se Portugal reconhecesse Taiwan, "mas há um espaço enorme a preencher em termos de laços económicos, culturais e turísticos, sobretudo a nível do sector privado". No campo da educação, Her destaca as bolsas oferecidas pelo seu Governo a estudantes (meio ano para aprender mandarim, um ano para licenciatura, dois anos para mestrado e quatro para doutoramento) e professores/investigadores (um ano). A Universidade Nacional de Taiwan, por exemplo, tem um acordo de intercâmbio com a Universidade do Porto e a Universidade Nacional de Chengchi está ligada à Universidade Católica.

Sobre o turismo, não obstante as quase ou mais de 24 horas de distância que separam os dois países, Her lembra que a isenção de vistos de/para Taiwan-UE elevou o número de "taiwaneses com dinheiro" que viajam para a Europa - mais de 239 mil, em 2011 (os europeus que visitaram Taiwan, no mesmo ano, foram mais de 212 mil). Por isso, o representante de Taiwan em Lisboa recomenda que Espanha "possa ser usada como alternativa", se a justificação (a mais plausível, segundo Jorge Pais) para a não-abertura de um centro em Taipé seja "apenas a escassez de recursos" em tempo de crise.

O maior investimento de Taiwan em Portugal é o da Asus, quarto maior fabricante mundial de computadores, que entrou aqui como multinacional em Agosto de 2008 e, segundo o responsável pelo marketing, "lidera o mercado nacional de placas-mãe (MB) e de vídeo, media streamers,netbooks e notebooks". Esta informação é confirmada pela Gartner, consultora norte-americana de referência sobre tecnologias de informação, que adianta: a nível global, entre Julho e Setembro deste ano, os lucros da Asus aumentaram 43% face ao período homólogo de 2011, para 229,1 milhões de dólares, sobretudo, graças às vendas de portáteis (cinco milhões de unidades).

Nenhum das perguntas do PÚBLICO sobre os números do investimento da Asus em Portugal obtiveram resposta, sob pretexto de confidencialidade. Porquê o secretismo? Será mera política interna do grupo fundado em 1990 ou porque Portugal teme o castigo de Pequim e, por isso, "é mais chinês do que os chineses", como notou um antigo diplomata taiwanês em Lisboa? Jorge Pais responde: "Não se pode ignorar o peso da História e algumas visões redutoras no passado, mas Portugal não deve ter medo de desagradar à China, sobretudo porque desapareceu o sentimento de rejeição da RPC face a Taiwan. Há um potencial de desenvolvimento que não podemos ignorar: Taiwan pode vir a ofuscar o Japão nos seus laços com o Ocidente e Portugal precisa de ter uma estratégia."

A secretária económica de Taiwan em Madrid, Cecilia Liou, reafirmando que um centro de Lisboa em Taipé expandiria negócios portugueses "para toda a Ásia", aponta os sectores que classificou como estratégicos e com enorme potencial: "A inovação tecnológica, as energias renováveis, o ambiente, o turismo, a pesca, os têxteis, matérias-primas e materiais de inovação."

Actualmente, segundo a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), entre os produtos que Taiwan mais compra a Portugal estão, designadamente, máquinas e aparelhos (sobretudo os usados na fabricação de esferas/plaquetas de dispositivos de visualização de ecrã plano); e entre os que mais vende estão circuitos integrados ou impressos até triciclos e esfregões de aço.

"Quando há vontade, há sempre um caminho", enfatiza Jiang-gueng Her. E o caminho "está mais facilitado" desde que, em 2008, Ma Ying-jeou, do partido nacionalista Kuomintang, foi eleito (e reeleito em 2012) Presidente da República. Ao afastar do poder os independentistas, Ma aproximou-se de Pequim, diminuindo as tensões no estreito da Formosa.

"Já assinámos 18 acordos com a China, o mais importante dos quais foi o Acordo-Quadro de Cooperação Económica, firmado em Junho de 2010, prevendo a isenção de taxas para 539 produtos", conclui Jiang. Foi um "acordo histórico", marco na reconciliação entre dois rivais divididos por uma guerra civil há seis décadas.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Exportações de vinhos portugueses crescem 9,9% no primeiro semestre

As exportações de vinhos portugueses cresceram 9,9% no primeiro semestre deste ano face ao período homólogo de 2011, atingindo os 304,3 milhões de euros, disse à Lusa o presidente da ViniPortugal, Jorge Monteiro. Em termos interanuais, ou seja, os 12 meses até Junho deste ano, o crescimento das exportações de vinhos nacionais atinge os 9,4%, de acordo com o presidente da associação responsável pela promoção dos vinhos no mercado interno e externo.

“Há aqui alguns dados que não são extraordinariamente elevados, mas que são bons e que se se mantiverem por um período longo é excelente”, disse Jorge Monteiro, explicando que se o ano do sector fosse encerrado em Junho o total anual móvel somaria 679 milhões de euros em exportações, mais 22 milhões do que em 2011.

O presidente da ViniPortugal acrescentou que nos últimos 10 anos o sector assistiu a um crescimento anual de 4,5% em valor, o que “visto ano a ano é pouco, mas é muito mais do que a economia”.

Em termos externos, Jorge Monteiro salientou que em mercados como o Brasil e a Alemanha se registaram crescimentos de dois dígitos, enquanto a China está também com números “significativos”, ainda que a base de partida fosse pequena.

O responsável da ViniPortugal lembrou que é preciso estar atento a medidas proteccionistas por parte das economias emergentes, à semelhança do que aconteceu com o Brasil este ano, quando aquele país quis elevar os impostos sobre os vinhos importados. “Temos que estar muito atentos e logo que haja conhecimento de uma ameaça dessas actuar , disse Jorge Monteiro, sublinhando a importância de uma acção concertada entre vários intervenientes.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Empresas de ‘outsourcing’ querem reforçar exportações

Estudo revela que empresas como a PT ou a Cisco podem beneficiar das vantagens do País.

Portugal tem potencial para captar investimento estrangeiro e desenvolver uma indústria de exportação a nível de ‘outsourcing', devido aos recursos humanos qualificados, às infra-estruturas e ao facto de estar numa localização geográfica de baixo risco mas com ligações históricas a países emergentes como Brasil, Angola e Moçambique. São estas as principais conclusões do estudo "Portugal como Destino de Nearshore Outsourcing", que será apresentado hoje na quarta conferência internacional Portugal Outsourcing - associação criada em 2008 e que reúne as empresas do sector.

A Portugal Telecom, a Reditus, a Alcatel-Lucent, a Cisco ou a Novabase, entre outras, querem beneficiar das vantagens do País e apostar na exportação de serviços de ‘outsourcing'. A Reditus, por exemplo, inaugurou em Março, em Évora, um centro com mais de 460 colaboradores e que presta serviços às seguradoras da Caixa Geral de Depósitos. Já a PT está a construir o sexto maior centro europeu de dados, na Covilhã, e tem em perspectiva a exportação de capacidade de armazenamento na ‘cloud' (nuvem) e de serviços.

"As principais conclusões do estudo têm um impacto de grande relevo no posicionamento do nosso país no radar internacional", explica o secretário-geral da Associação Portugal Outsourcing, Guilherme Ramos Pereira, que aponta como exemplo a qualidade das infraestruturas e os progressos na flexibilização das leis do trabalho, que "impacta positivamente o desenvolvimento da actividade em Portugal e o potencial para captação de investimento estrangeiro."

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Investimento de empresas recua 20 anos

O terceiro ano consecutivo de recessão e de intervenção da troika vai colocar a economia portuguesa e o consumo privado a níveis de 2005 e fazer o investimento recuar quase 20 anos. Estas são algumas das consequências do maior plano de austeridade aplicado na história da democracia portuguesa, inscrito no Orçamento do Estado de 2013 (OE-2013).

Mesmo com uma contenção orçamental de 5,3 mil milhões de euros, financiada em 80% através de impostos que irão diminuir significativamente o orçamento das famílias, o Governo decidiu manter as previsões macro-económicas para 2013.

Segundo o OE-2013, o Produto Interno Bruto (PIB) deverá contrair-se 1% no próximo ano, ou seja, um terço do verificado em 2012. Isto apesar de o consumo privado cair 2,2%, o desemprego atingir um máximo de 16,4% e as exportações subirem 3,4% – um ritmo, recorde-se, 30% inferior ao verificado em 2012.

Só entre 2011 e 2013, o PIB português terá contraído 6%, o consumo das famílias 12% e o investimento das empresas 30%. Esta fuga de recursos da economia deverá fazer Portugal regressar, no próximo ano, a níveis de 2005 e o investimento para valores de 1995. Em relação ao período pré-crise do euro, a economia viu eclipsar-se 15 mil milhões de euros em consumo e nove mil milhões de euros em investimento empresarial.

A inexistência de investimento sinaliza que as empresas não deverão fazer contratações, agravando o desemprego, e que a diminuição das importações está a ser feita por menos consumo e não por substituição – ou seja, por as empresas em Portugal produzirem produtos que antes o país importava.

Mas as estimativas do Governo poderão ser demasiado optimistas.

Troika pede mais cortes na despesa

O problema reside nas suas duas ‘estrelas’ para 2013: as exportações e as receitas de IRS. O abrandamento das vendas ao exterior está confirmado, mas poderá ser superior. Espanha, França e Itália (responsáveis por 40% das exportações) estão sob ameaça de resgate (Espanha) ou vão avançar com forte austeridade em 2013, o que reduzirá a procura de produtos portugueses.

A boa performance dos mercados extra-comunitários (Angola por exemplo) deverá manter-se, mas o seu peso continua marginal nas trocas comerciais: os cinco maiores mercados de Portugal fora do espaço europeu (Angola, Brasil, EUA, China e Marrocos) representam apenas 15% das exportações totais.

Mas um dos principais avisos de que as estimativas macro-económicas para 2013 são optimistas vem da própria troika. Nos relatórios da quinta avaliação a Portugal, lê-se que a mudança de direcção na política de ajustamento orçamental, com um foco quase exclusivo nos impostos, poderá resultar numa receita fiscal abaixo do esperado (prevê-se que a receita de IRS aumente 30%). E acrescenta-se: «O impacto adverso da política fiscal no crescimento poderá ser superior ao estimado». Os credores externos pedem assim ‘um plano B’ para evitar «surpresas negativas», como sucedeu com o IVA este ano. O plano deverá incluir várias medidas, «sobretudo do lado da despesa» para compensar eventuais derrapagens.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Portas: Compra da EDP por chinesa provou que empresas não europeias podem entrar em Portugal

O ministro dos Negócios Estrangeiros português afirmou na quinta-feira, no Brasil, que a compra da EDP por uma empresa chinesa provou que companhias não europeias têm as mesmas possibilidades de ganhar um processo de privatização em Portugal.


"Quando da privatização da EDP, verificando-se que a proposta chinesa era melhor, ganhou a chinesa. Isso provou que pode ser uma empresa não europeia e, apresentando a melhor proposta, ganhar uma privatização em Portugal", defendeu Paulo Portas, quando questionado sobre uma possível participação de empresas brasileiras na venda da companhia aérea TAP.

Duas empresas aéreas brasileiras, TAM e Gol, demonstraram interesse em participar no concurso da TAP.

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português reforçou ainda que a intenção do Governo é garantir a maior transparência possível durante todo o processo.

"Quanto está lançado um processo de privatizações, o responsável governamental tem de ser muito formal e muito respeitador daquilo que são as regras dos concursos", enfatizou Portas, em conferência de imprensa, em Brasília.

O ministro português encontrou-se hoje com o homólogo brasileiro, António Patriota, com quem conversou sobre temas das relações bilaterais e sobre as negociações para um acordo birregional entre União Europeia e o Mercosul.

De acordo com António Patriota, uma nova reunião negociadora deverá ocorrer este semestre, quando o Brasil ocupa a presidência rotativa do Mercosul.

O ministro brasileiro destacou, no entanto, que algumas mudanças no cenário mundial exigirão uma nova consulta ao sector privado brasileiro, antes de uma nova rodada de negociações.

"Há a necessidade de nova consulta ao sector privado brasileiro porque há circunstâncias novas, inclusive a possibilidade de o Brasil perder o benefício do SGP [Sistema Geral de Preferências] europeu, e a própria crise internacional, que tem o seu epicentro nos países desenvolvidos, mas também nos afecta", realçou.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Portucel confirma liderança europeia no papel UWF

A Portucel fechou o 1º semestre com vendas de 742,7 milhões de euros, mais 0,4% em face do período homólogo. A empresa conseguiu colocar 68 mil toneladas de quota adicional no mercado europeu, reafirmando a liderança no segmento.

O resultado líquido no semestre cresceu 8,3%, para os 105,7 milhões de euros, enquanto o cash-flow caiu 11,6%, para os 151, 6 milhões de euros. A companhia é uma das maiores exportadoras nacionais, representando 3% das exportações de bens do país. Do total das vendas, que atingiram um novo recorde no 2º trimestre do ano, 618 milhões de euros resultam de exportação.

A empresa realça que estes resultados foram obtidos "num contexto económico adverso, marcado por uma quebra estimada de 3,5% no consumo aparente de papel fino para impressão escrita não revestido, tanto na Europa, como nos EUA". Adianta que "os bons resultados atingidos são fruto de um modelo de negócio bem sucedido e resiliente, traduzido numa elevada perceção de qualidade da sua proposta de valor e da forte penetração e notoriedade das marcas próprias, que representam 60% do volume total de vendas de papel".

O aumento de vendas foi potenciado pela nova fábrica e ainda pelo crescimento da área de energia, que foi superior em 4% em termos homólogos.

Ainda a nível de indicadores, a empresa apresentou um rácio de dívida líquida sobre EBITDA de 1,3, enquanto a dívida líquida remunerada caiu 59,8 milhões de euros entre semestres, situando-se nos 488,4 milhões de euros.

Exterior e perspetivas

A nível internacional o grupo afirma que continua a desenvolver o plano de investimento para Moçambique, estando a melhorar a rede de ensaios para plantações, a par dos estudos das alternativas logísticas para entrada e saída de produtos para a produção de pasta para papel e energia.

Em termos de expetativas para o final do ano, a gestão da empresa refere que "o mercado de papel cut-size na Europa tem-se mostrado bastante resiliente, com uma redução da procura muito moderada tendo em conta a presente situação económica e comparativamente ao comportamento da procura de bens de consumo em geral". O mercado de pasta BEKP mantém-se "sustentado por uma forte procura dos mercados asiáticos, nomeadamente da China". Este comportamento positivo da China tem "compensado um ambiente mais recessivo na Europa e nos EUA, pelo que as expetativas são de manutenção de um certo equilíbrio no mercado durante 2012".

A Portucel salienta que o aumento da oferta que se verificará partir deste final do ano, caso das capacidades no Brasil e Uruguai, "poderá perturbar o equilíbrio entre a oferta e a procura nos anos subsequentes".

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Pedra portuguesa quer "conquistar" mercados internacionais

Objectivo do sector é crescer na ordem dos 5% até 2015.


O congresso Global Stone arranca, esta segunda-feira, em Borba e conta com a presença de quase duas dezenas de países. Numa altura em que as exportações são o motor da economia, este sector aposta na internacionalização.

A pedra natural portuguesa tem características únicas e o sector é responsável por 1,5% das exportações do país. Portugal está bem colocado no panorama mundial, mas é preciso ir ainda mais longe, defende Filipe Palma, presidente do congresso Global Stone.

“Apesar da crise mundial, apesar do nosso mercado europeu ter diminuído, estamos a crescer em termos de exportação para mercados como a China, os Estados Unidos ou o Brasil. Este é outro caminho, é um projecto âncora, ou seja, a internacionalização através da modernização, da inovação e da melhoria da competitividade”, revelou àRenascença.

O sector, que se distingue nos mercados internacionais pela qualidade, mas também pelo avanço tecnológico das empresas, ambiciona um crescimento nos próximos anos. “Queremos, mesmo com as dificuldades existentes e que não se ultrapassam de um dia para o outro, que ao nível das exportações o peso da pedra natural possa ser cerca de 5%, até 2015”, disse Filipe Palma.

Neste congresso internacional, que decorre no Alentejo, participam 16 países. Está prevista a presença do primeiro-ministro na abertura do evento.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Firmo aposta no Brasil e Norte de África

A empresa portuguesa Firmo, famosa pelos cadernos pretos e pelas sebentas, tem o Brasil no "radar da sua estratégia de internacionalização" e já recebeu "fortes manifestações de interesse" de distribuidores para Marrocos, Argélia e Tunísia.

"No Brasil, país em radar, temos contactos para a realização de parcerias e estamos a estudar a melhor abordagem a este mercado e no caso do Norte de África temos já fortes manifestações de interesse por parte de distribuidores para Marrocos, Argélia e Tunísia", disse à agência Lusa o administrador da empresa Rui Carvalho.

Fundada em 1951 por Firmino dos Santos Carvalho, tio-avô dos proprietários, a empresa portuense de material de papelaria e escritório procura atualmente expandir a sua atividade nos mercados internacionais, tendo faturado um total de 22 milhões de euros em 2011, dos quais cerca de 15% em vendas no estrangeiro.

"Ainda é cedo para antecipar valores para o volume de negócios em 2012, uma vez que vai decorrer a importante campanha de Regresso às Aulas [que vai de julho a setembro]. Mas, atendendo à conjuntura que se vive em Portugal, se mantivermos os valores de 2011 consideraremos já muito positivo", avançou Rui Carvalho.

Até agora, as exportações da Firmo "levam um incremento de aproximadamente 10% face ao ano anterior", sublinhou.

Questionado sobre o que motiva o desempenho da empresa, Rui Carvalho referiu que o segredo reside no facto de "ser melhor do que os outros na oferta de valor".

"A Firmo está a apostar na inovação de processos e produtos. Temos inovado nos processos de fabrico, comercialização, no design - o novo bloco de notas "trendy" Caderno Azul é disso exemplo - marketing e no serviço ao cliente", exemplificou.

Quanto ao processo de internacionalização, garantiu à Lusa que "está a decorrer de acordo com os planos estabelecidos".

O objetivo da Firmo é crescer 20% ao ano na área internacional, estando atualmente com negócios de exportação na Espanha, Irlanda, Inglaterra, França, Bélgica e na Holanda. "Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Guiné já são [também] mercados [onde trabalhamos]", adiantou.

Em relação a Portugal e à Europa, o gestor referiu que se vivem "tempos de guerra económica", com "fortes condicionalismos" oriundos de várias frentes.

"A redução do consumo privado e as restrições no acesso a financiamento para investimento são dois exemplos importantes destas limitações", explicou à Lusa, lembrando que "é necessária uma grande perseverança e capacidade para se manter competitivo neste momento no país".

A administração da Firmo está "plenamente convencida de que, passando estes tempos de dificuldades, as empresas ficarão mais fortes e aptas para o futuro", rematou.

Actualmente, a Firmo emprega cerca de 200 trabalhadores.