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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

EDP sofre primeira perda de quota no mercado liberalizado em onze meses


O mercado livre de electricidade voltou a crescer em Janeiro e já tem quase 1,3 milhões de clientes, tendo a EDP reforçado a liderança no segmento doméstico, mas perdendo quota de mercado em todas as classes de consumo empresarial.

A EDP teve em Janeiro uma queda da sua quota no mercado liberalizado de electricidade, o que ocorreu pela primeira vez desde Março do ano passado. Segundo o último relatório da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), em Janeiro a EDP detinha 41,7% dos fornecimentos no mercado livre, abaixo dos 42,1% registados em Dezembro.

A última vez que a eléctrica presidida por António Mexia tinha sofrido uma descida da sua quota no abastecimento em mercado liberalizado foi em Fevereiro de 2012, quando a sua posição foi de 38,2%, abaixo da quota de 38,3% verificada em Janeiro. A partir daí a EDP vinha aumentando o seu peso nos fornecimentos do mercado liberalizado mês após mês.

Os dados da ERSE mostram que o mercado livre de electricidade atingiu em Janeiro um novo recorde de clientes, com quase 1,3 milhões de consumidores, cujo abastecimento representa já 62% de toda a electricidade consumida no País. Em Dezembro o mercado liberalizado tinha pouco mais de um milhão de clientes, representando cerca de 60% do consumo nacional.

A perda de quota da EDP em Janeiro foi balançada por um reforço da posição da Galp Energia, cuja quota passou de 3,6% para 4,4%. A companhia liderada por Manuel Ferreira de Oliveira conseguiu não só ganhar terreno ao grupo presidido por António Mexia, mas também às espanholas Endesa, Gas Natural Fenosa e Fortia, que tiveram ligeiros decréscimos das suas quotas de mercado. A posição da Iberdrola permaneceu inalterada face a Dezembro.

Apesar da ofensiva da Galp, a EDP conservou a liderança no abastecimento do mercado liberalizado, com a quota de 41,7%, surgindo a Endesa em segundo lugar, com 23,5%, e a Iberdrola em terceiro, com 21,2%. O quarto fornecedor é a Fortia, com 4,5%, logo seguida da Galp, com 4,4%. A Gas Natural Fenosa caiu para o quinto lugar, agora com 4,3% do volume de electricidade vendida no mercado liberalizado.

EDP perde nos segmentos empresariais

A deterioração da quota da EDP foi resultado, essencialmente, da perda de alguns consumos relevantes ao nível empresarial. No segmento de “grandes consumidores”, a posição da EDP caiu num só mês de 40,4% para 36%, espaço que terá sido preenchido sobretudo pela Iberdrola, que reforçou a sua quota nesta classe de consumo de 15,6% para 19%.

No segmento industrial, que é o que movimenta um maior volume de electricidade em Portugal, a quota da EDP também recuou, de 32,6% para 32,1%, perante os reforços conseguidos pela Endesa, de 29,1% para 29,4%, e pela Galp Energia, cuja posição subiu de 4,6% para 5,9%.

Também ao nível do fornecimento de electricidade a “pequenos negócios” a empresa liderada por Mexia sofreu um recuo semelhante, tendo a sua quota descido de 42,1% para 41,4%. A Iberdrola, a Gas Natural Fenosa e a Galp Energia melhoraram as suas posições no abastecimento a pequenas empresas.

Entre as famílias a EDP é ainda mais líder

Contrariamente à evolução nos consumos empresariais, a EDP conseguiu em Janeiro reforçar a sua posição junto dos clientes domésticos, que garantem um elevado número de consumidores, embora tenham ainda um peso minoritário na quantidade de energia consumida.

Em Janeiro a EDP detinha 83,3% dos abastecimentos às famílias no mercado liberalizado, melhorando em um ponto percentual a quota de 82,3% com que tinha encerrado o ano 2012, mostram os números da ERSE.

A Galp Energia, concorrente com uma oferta doméstica similar à da EDP Comercial, não conseguiu capitalizar a sua aposta no mercado residencial da mesma forma. A companhia liderada por Manuel Ferreira de Oliveira melhorou a sua quota no fornecimento a famílias, mas apenas em 0,1 pontos percentuais, de 4,5% para 4,6%.

A Endesa, o segundo maior fornecedor a clientes domésticos do mercado liberalizado, não evitou uma queda da sua posição, tendo a quota da empresa presidida por Nuno Ribeiro da Silva recuado de 10,6% para 9,1%. Um valor distante do peso que a eléctrica espanhola vinha construindo até ao ano passado, em que chegou a ter uma quota de 14,8% em Maio.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Portucel confirma liderança europeia no papel UWF

A Portucel fechou o 1º semestre com vendas de 742,7 milhões de euros, mais 0,4% em face do período homólogo. A empresa conseguiu colocar 68 mil toneladas de quota adicional no mercado europeu, reafirmando a liderança no segmento.

O resultado líquido no semestre cresceu 8,3%, para os 105,7 milhões de euros, enquanto o cash-flow caiu 11,6%, para os 151, 6 milhões de euros. A companhia é uma das maiores exportadoras nacionais, representando 3% das exportações de bens do país. Do total das vendas, que atingiram um novo recorde no 2º trimestre do ano, 618 milhões de euros resultam de exportação.

A empresa realça que estes resultados foram obtidos "num contexto económico adverso, marcado por uma quebra estimada de 3,5% no consumo aparente de papel fino para impressão escrita não revestido, tanto na Europa, como nos EUA". Adianta que "os bons resultados atingidos são fruto de um modelo de negócio bem sucedido e resiliente, traduzido numa elevada perceção de qualidade da sua proposta de valor e da forte penetração e notoriedade das marcas próprias, que representam 60% do volume total de vendas de papel".

O aumento de vendas foi potenciado pela nova fábrica e ainda pelo crescimento da área de energia, que foi superior em 4% em termos homólogos.

Ainda a nível de indicadores, a empresa apresentou um rácio de dívida líquida sobre EBITDA de 1,3, enquanto a dívida líquida remunerada caiu 59,8 milhões de euros entre semestres, situando-se nos 488,4 milhões de euros.

Exterior e perspetivas

A nível internacional o grupo afirma que continua a desenvolver o plano de investimento para Moçambique, estando a melhorar a rede de ensaios para plantações, a par dos estudos das alternativas logísticas para entrada e saída de produtos para a produção de pasta para papel e energia.

Em termos de expetativas para o final do ano, a gestão da empresa refere que "o mercado de papel cut-size na Europa tem-se mostrado bastante resiliente, com uma redução da procura muito moderada tendo em conta a presente situação económica e comparativamente ao comportamento da procura de bens de consumo em geral". O mercado de pasta BEKP mantém-se "sustentado por uma forte procura dos mercados asiáticos, nomeadamente da China". Este comportamento positivo da China tem "compensado um ambiente mais recessivo na Europa e nos EUA, pelo que as expetativas são de manutenção de um certo equilíbrio no mercado durante 2012".

A Portucel salienta que o aumento da oferta que se verificará partir deste final do ano, caso das capacidades no Brasil e Uruguai, "poderá perturbar o equilíbrio entre a oferta e a procura nos anos subsequentes".

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Peniche vai ter produção de energia das ondas

A empresa finlandesa AW Energy deverá instalar até final de junho tecnologia no fundo do mar da praia da Almagreira, Peniche, para produção de energia a partir das ondas, disse esta quinta-feira o presidente da câmara.

António José Correia afirmou à agência Lusa que, após três anos a trabalhar nos estaleiros navais de Peniche, a empresa já concluiu a construção de uma plataforma metálica de 40 metros que vai ser instalada no fundo do mar.

Nesta plataforma vão ser instaladas pás verticais que, ao movimentar-se, vão produzir energia.

«Duas pás já estão concluídas e estão a produzir a terceira. Há boias no mar a sinalizar o local», acrescentou o autarca, adiantando que a empresa «prevê até final de junho implantar a estrutura no mar da Almagreira».

Desde 2009 que os parceiros tecnológicos têm vindo a trabalhar no projeto-piloto, correspondente à fase pré-comercial de produção de energia, para o qual estão envolvidos cinco milhões de euros, três dos quais financiados pela Comissão Europeia, após a aprovação de uma candidatura ao sétimo Programa Quadro de Investigação e Desenvolvimento.

A tecnologia Wave Roller vai produzir resultados que, caso sejam favoráveis, vão permitir avançar para uma fase comercial de produção de energia.

Trata-se de um equipamento pioneiro, com pás que oscilam debaixo de água com o movimento das ondas e que foi testado pela primeira vez a nível mundial na praia da Almagreira em 2007.

Mais tarde, a única máquina Wave Roller, instalada a 20 metros de profundidade e a 500 milhas da praia, foi retirada da água por problemas técnicos, atrasando a concretização do projeto em cerca de três anos.

A inovação foi criada em 2007 pela AW Energy para ser comercializada e testada em Portugal pela empresa Eneólica, do Grupo Lena, durante a primeira fase de demonstração do projeto-piloto.

Através de pás flutuantes que acompanham o movimento das águas, a tecnologia é capaz de captar energia para depois ser transformada em eletricidade, como demonstrou o protótipo com uma potência de 15 quilowatts (KW).

O objetivo dos promotores passa por criar na praia da Almagreira um grande parque mundial de energia das ondas e entrar numa fase de exploração comercial do projeto com uma potência instalada entre os 50 e os 100 megawatts (MW).

A avançar para a fase comercial, o investimento ascenderá a 100 milhões de euros e colocará Portugal na linha da frente no segmento da produção mundial de energia a partir do movimento das ondas.