O mercado livre de electricidade voltou a crescer em Janeiro e já tem quase 1,3 milhões de clientes, tendo a EDP reforçado a liderança no segmento doméstico, mas perdendo quota de mercado em todas as classes de consumo empresarial.
A EDP teve em Janeiro uma queda da sua quota no mercado liberalizado de electricidade, o que ocorreu pela primeira vez desde Março do ano passado. Segundo o último relatório da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), em Janeiro a EDP detinha 41,7% dos fornecimentos no mercado livre, abaixo dos 42,1% registados em Dezembro.
A última vez que a eléctrica presidida por António Mexia tinha sofrido uma descida da sua quota no abastecimento em mercado liberalizado foi em Fevereiro de 2012, quando a sua posição foi de 38,2%, abaixo da quota de 38,3% verificada em Janeiro. A partir daí a EDP vinha aumentando o seu peso nos fornecimentos do mercado liberalizado mês após mês.
Os dados da ERSE mostram que o mercado livre de electricidade atingiu em Janeiro um novo recorde de clientes, com quase 1,3 milhões de consumidores, cujo abastecimento representa já 62% de toda a electricidade consumida no País. Em Dezembro o mercado liberalizado tinha pouco mais de um milhão de clientes, representando cerca de 60% do consumo nacional.
A perda de quota da EDP em Janeiro foi balançada por um reforço da posição da Galp Energia, cuja quota passou de 3,6% para 4,4%. A companhia liderada por Manuel Ferreira de Oliveira conseguiu não só ganhar terreno ao grupo presidido por António Mexia, mas também às espanholas Endesa, Gas Natural Fenosa e Fortia, que tiveram ligeiros decréscimos das suas quotas de mercado. A posição da Iberdrola permaneceu inalterada face a Dezembro.
Apesar da ofensiva da Galp, a EDP conservou a liderança no abastecimento do mercado liberalizado, com a quota de 41,7%, surgindo a Endesa em segundo lugar, com 23,5%, e a Iberdrola em terceiro, com 21,2%. O quarto fornecedor é a Fortia, com 4,5%, logo seguida da Galp, com 4,4%. A Gas Natural Fenosa caiu para o quinto lugar, agora com 4,3% do volume de electricidade vendida no mercado liberalizado.
EDP perde nos segmentos empresariais
A deterioração da quota da EDP foi resultado, essencialmente, da perda de alguns consumos relevantes ao nível empresarial. No segmento de “grandes consumidores”, a posição da EDP caiu num só mês de 40,4% para 36%, espaço que terá sido preenchido sobretudo pela Iberdrola, que reforçou a sua quota nesta classe de consumo de 15,6% para 19%.
No segmento industrial, que é o que movimenta um maior volume de electricidade em Portugal, a quota da EDP também recuou, de 32,6% para 32,1%, perante os reforços conseguidos pela Endesa, de 29,1% para 29,4%, e pela Galp Energia, cuja posição subiu de 4,6% para 5,9%.
Também ao nível do fornecimento de electricidade a “pequenos negócios” a empresa liderada por Mexia sofreu um recuo semelhante, tendo a sua quota descido de 42,1% para 41,4%. A Iberdrola, a Gas Natural Fenosa e a Galp Energia melhoraram as suas posições no abastecimento a pequenas empresas.
Entre as famílias a EDP é ainda mais líder
Contrariamente à evolução nos consumos empresariais, a EDP conseguiu em Janeiro reforçar a sua posição junto dos clientes domésticos, que garantem um elevado número de consumidores, embora tenham ainda um peso minoritário na quantidade de energia consumida.
Em Janeiro a EDP detinha 83,3% dos abastecimentos às famílias no mercado liberalizado, melhorando em um ponto percentual a quota de 82,3% com que tinha encerrado o ano 2012, mostram os números da ERSE.
A Galp Energia, concorrente com uma oferta doméstica similar à da EDP Comercial, não conseguiu capitalizar a sua aposta no mercado residencial da mesma forma. A companhia liderada por Manuel Ferreira de Oliveira melhorou a sua quota no fornecimento a famílias, mas apenas em 0,1 pontos percentuais, de 4,5% para 4,6%.
A Endesa, o segundo maior fornecedor a clientes domésticos do mercado liberalizado, não evitou uma queda da sua posição, tendo a quota da empresa presidida por Nuno Ribeiro da Silva recuado de 10,6% para 9,1%. Um valor distante do peso que a eléctrica espanhola vinha construindo até ao ano passado, em que chegou a ter uma quota de 14,8% em Maio.

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