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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Há 23 milhões de taiwaneses à espera de empresas portuguesas

Dos 27 Estados-membros da União Europeia, 18 já abriram centros económicos e culturais em Taipé, mas Portugal não é um deles, embora Taiwan – a 18.ª maior economia do mundo – demonstre interesse em ser "ponte para as empresas portuguesas entrarem no mercado da 'Grande China'".

"Há mais de 15 anos que os taiwaneses investem na China continental - fomos, aliás, os primeiros a entrar", diz ao PÚBLICO o representante do Centro Económico e Cultural de Taipé em Lisboa, Jiang-gueng Her. "Porque partilhamos tradições, cultura e língua [com a República Popular da China/RPC], podemos também partilhar as nossas experiências com empresas portuguesas: A melhor via é a das joint-ventures, porque oferecem mais vantagens e permitem maior eficácia do que investimentos isolados".

Esta é também a opinião que ouvimos de Jorge Pais, vice-presidente da Associação Industrial Portuguesa - Câmara de Comércio e Indústria (AIP-CCI), que espera, no primeiro trimestre de 2013, assinar um protocolo para criar o Business CouncilPortugal-Taiwan. O objectivo é "dinamizar oportunidades de negócio" entre os dois países. "Se as empresas portuguesas entrarem no mercado taiwanês agregadas, em conjunto, estarão mais apoiadas, já que muitas delas não têm dimensão internacional nem estrutura técnica ou de gestão – basta dizer que, de um total de 1,5 milhões, não chegam a 40 mil as que possuem capacidade de exportação."

"A agregação das empresas, ou os chamados clusters", precisa Jorge Pais, "agiliza o marketing, a promoção directa, diminui os custos e permite uma maior penetração nos mercados. Os taiwaneses tomaram a iniciativa de apresentar um memorando de entendimento, que já foi aprovado pela AIP. O business council deverá avançar depois da visita a Lisboa de uma missão empresarial de Taipé. O que Taiwan, um país democrático e ocidentalizado, nos pode oferecer é uma entrada na China em condições mais favoráveis, mas também noutros mercados, como o da Coreia e o de Singapura. Portugal, por seu lado, pode facilitar a entrada de Taiwan no Brasil e na América Latina, em Angola e Moçambique, além de uma consolidação na União Europeia."

Já em 1992, ano da abertura da representação da Formosa em Lisboa, o jornal Taipei Today destacava que a República da China (ROC/nome oficial de Taiwan) olhava para Portugal como "um valioso parceiro, apesar da fragilidade da sua economia, porque detém o mesmo peso nas tomadas de decisão na UE". Além disso, o objectivo de apostar na Europa, primeiro na do Norte e Ocidental e depois na do Sul, justifica-se porque, aqui, "os exportadores taiwaneses estão menos vulneráveis às flutuações do grande mercado norte-americano."

Para Jorge Pais, "não é garantido que um acordo de comércio livre entre Taiwan e a UE consagre melhores soluções para Portugal". Porque, a nível bilateral, os negócios terão de ser conduzidos sector a sector. "Taiwan, com uma escala inferior à da China continental, pode adaptar-se às empresas portuguesas, porque o seu tecido empresarial também é de pequena e média dimensão."

Nos contactos com vista ao business council, o que Jorge Pais constatou foi "um desconhecimento" dos empresários de ambos os países em relação aos mercados de cada um. Há sectores que oferecem potencialidades como o automóvel e o agro-alimentar (vinhos - sendo o do Porto "a jóia da coroa" -, azeitonas, compotas e azeites), o design e a moda, têxteis e calçado." Uma ideia a explorar, porque os taiwaneses "têm poder de compra", é a da "abertura, em locais de impacto social, de lojas que possam ter produtosgourmet, combinados com exposições de arte e de música de Portugal".

O business council poderá ajudar a equilibrar uma balança comercial que Cecilia Ruo-Fei Liou, da Oficina Economica Y Cultural de Taipei em Madrid, descreve como de "défice crónico" a desfavor de Portugal. Entre Janeiro e Agosto de 2012, e em comparação com igual período de 2011, as exportações de Portugal para Taiwan aumentaram 17%, mas ficaram-se pelos 47,3 milhões de dólares, enquanto as importações diminuíram 9%, mas totalizaram 127,3 milhões. (Ver infografia).

Ofuscar o Japão

"É certo que as relações comerciais se ressentiram da crise financeira mundial", reconheceu Jiang-gueng Her, que teria o estatuto de embaixador se Portugal reconhecesse Taiwan, "mas há um espaço enorme a preencher em termos de laços económicos, culturais e turísticos, sobretudo a nível do sector privado". No campo da educação, Her destaca as bolsas oferecidas pelo seu Governo a estudantes (meio ano para aprender mandarim, um ano para licenciatura, dois anos para mestrado e quatro para doutoramento) e professores/investigadores (um ano). A Universidade Nacional de Taiwan, por exemplo, tem um acordo de intercâmbio com a Universidade do Porto e a Universidade Nacional de Chengchi está ligada à Universidade Católica.

Sobre o turismo, não obstante as quase ou mais de 24 horas de distância que separam os dois países, Her lembra que a isenção de vistos de/para Taiwan-UE elevou o número de "taiwaneses com dinheiro" que viajam para a Europa - mais de 239 mil, em 2011 (os europeus que visitaram Taiwan, no mesmo ano, foram mais de 212 mil). Por isso, o representante de Taiwan em Lisboa recomenda que Espanha "possa ser usada como alternativa", se a justificação (a mais plausível, segundo Jorge Pais) para a não-abertura de um centro em Taipé seja "apenas a escassez de recursos" em tempo de crise.

O maior investimento de Taiwan em Portugal é o da Asus, quarto maior fabricante mundial de computadores, que entrou aqui como multinacional em Agosto de 2008 e, segundo o responsável pelo marketing, "lidera o mercado nacional de placas-mãe (MB) e de vídeo, media streamers,netbooks e notebooks". Esta informação é confirmada pela Gartner, consultora norte-americana de referência sobre tecnologias de informação, que adianta: a nível global, entre Julho e Setembro deste ano, os lucros da Asus aumentaram 43% face ao período homólogo de 2011, para 229,1 milhões de dólares, sobretudo, graças às vendas de portáteis (cinco milhões de unidades).

Nenhum das perguntas do PÚBLICO sobre os números do investimento da Asus em Portugal obtiveram resposta, sob pretexto de confidencialidade. Porquê o secretismo? Será mera política interna do grupo fundado em 1990 ou porque Portugal teme o castigo de Pequim e, por isso, "é mais chinês do que os chineses", como notou um antigo diplomata taiwanês em Lisboa? Jorge Pais responde: "Não se pode ignorar o peso da História e algumas visões redutoras no passado, mas Portugal não deve ter medo de desagradar à China, sobretudo porque desapareceu o sentimento de rejeição da RPC face a Taiwan. Há um potencial de desenvolvimento que não podemos ignorar: Taiwan pode vir a ofuscar o Japão nos seus laços com o Ocidente e Portugal precisa de ter uma estratégia."

A secretária económica de Taiwan em Madrid, Cecilia Liou, reafirmando que um centro de Lisboa em Taipé expandiria negócios portugueses "para toda a Ásia", aponta os sectores que classificou como estratégicos e com enorme potencial: "A inovação tecnológica, as energias renováveis, o ambiente, o turismo, a pesca, os têxteis, matérias-primas e materiais de inovação."

Actualmente, segundo a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), entre os produtos que Taiwan mais compra a Portugal estão, designadamente, máquinas e aparelhos (sobretudo os usados na fabricação de esferas/plaquetas de dispositivos de visualização de ecrã plano); e entre os que mais vende estão circuitos integrados ou impressos até triciclos e esfregões de aço.

"Quando há vontade, há sempre um caminho", enfatiza Jiang-gueng Her. E o caminho "está mais facilitado" desde que, em 2008, Ma Ying-jeou, do partido nacionalista Kuomintang, foi eleito (e reeleito em 2012) Presidente da República. Ao afastar do poder os independentistas, Ma aproximou-se de Pequim, diminuindo as tensões no estreito da Formosa.

"Já assinámos 18 acordos com a China, o mais importante dos quais foi o Acordo-Quadro de Cooperação Económica, firmado em Junho de 2010, prevendo a isenção de taxas para 539 produtos", conclui Jiang. Foi um "acordo histórico", marco na reconciliação entre dois rivais divididos por uma guerra civil há seis décadas.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Santos Pereira: sem coesão social Portugal não terá futuro brilhante

O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, sublinhou hoje que a coesão social «é fundamental» e que sem ela Portugal não terá um futuro brilhante.



«Não tenho a mínima dúvida de que a manutenção social é fundamental. Se não conseguirmos manter a coesão na diversidade, não teremos um futuro brilhante à nossa frente», disse Álvaro Santos Pereira, durante a ‘Grande Conferência 'Lançar, Fazer, Investir'" do Dinheiro Vivo/Millennium BCP.

Segundo o ministro da Economia, a coesão social «é essencial» para que Portugal continue a ser um país diferente dos outros países que estão também em crise.

No mesmo sentido, o presidente do Millennium BCP, Nuno Amado, frisou que «o consenso na diversidade é o mais importante» e considerou «impressionante» a atenção, o conhecimento e o detalhe com que investidores e accionistas internacionais seguem a situação portuguesa.

«Estivemos nas últimas duas/três semanas bastante activos a contactar potenciais investidores e accionistas nacionais e estrangeiros. A grande parte das suas preocupações não era sobre o BCP, mas sobre Portugal», frisou.

Nuno Amado salientou que a maior parte das questões incidiu sobre a evolução do país, a eventual inversão numa trajectória de «bons alunos», o aumento do risco social e político, o caminho que vai seguir, mais próximo do irlandês ou do grego, ou seja, se Portugal está a entrar numa zona de mudança e de menor consenso.

«O que se ganha em um ano de trabalho, pode perder-se num mês de más decisões», frisou, acrescentando que «Portugal estava nos jornais por seguir um caminho que era o possível e era bom não voltar aos jornais por estar a divergir desse caminho».

Nuno Amado disse ainda que espera que o consenso não esteja quebrado e elogiou o Governo pelo «bom senso e capacidade de recuar» nas alterações à Taxa Social Única (TSU).

«Espero que voltemos a uma situação de cola no sentido da trajectória de maior tranquilidade e de maior consenso», concluiu.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Espanha não será "de maneira alguma" a nova Grécia

Ministro alemão das Finanças diz que resgate ao sector bancário espanhol trará "nova confiança".

Para Wolfgang Schäuble, Espanha não será "de maneira alguma" a nova Grécia por acreditar na capacidade de o país sanear a banca e regressar "rapidamente" ao crescimento económico.

Em entrevista ao diário alemão ‘Bild', o ministro alemão sublinhou a importância do resgate espanhol para a estabilização do euro e insistiu que o caso de Espanha é incomparável com o grego.

As declarações de Schäuble aparecem num dia de convulsão nos mercados europeus, com as bolsas a tombar mais de 4% e os indicadores de risco da dívida espanhola a subir até níveis insustentáveis de financiamento.

Os investidores temem que o resgate de 100 mil milhões de euros assegurado para a banca espanhola seja insuficiente e que, como tal, a economia espanhola como um todo precise de ser financiada "troikamente".

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Bosch investe 37,6 milhões em Braga

A Bosch Car Multimedia vai investir 37,6 milhões de euros, até 2014, num projeto de desenvolvimento e industrialização de sistemas de navegação inovadores, entre os quais um dispositivo para pagamento eletrónico de portagens, foi hoje anunciado.

O Governo acaba de declarar o interesse estratégico do projeto, para efeitos de enquadramento nas tipologias de investimento suscetíveis de apoio no âmbito do Sistema de Incentivos à Inovação.

Nova família de produtos multimédia baseados em ecrãs inteligentes, novo sistema profissional para camiões, novos sensores para sistemas de estabilidade programada e novos controladores eletrónicos são outros dos sistemas que a Bosch Car Multimedia, instalada em Braga, pretende começar a produzir.

O projeto, que tem como parceiro a Universidade do Minho, prevê a constituição de duas novas equipas dedicadas ao desenvolvimento dos novos produtos e das respetivas soluções técnicas de fabrico, num total de 15 postos de trabalho «altamente qualificados».

Com este projeto, a empresa prevê alcançar um volume de vendas de 3,8 mil milhões de euros, em valores acumulados de 2011 a 2018, e um valor acrescentado bruto acumulado no mesmo período de 546 milhões de euros.

A empresa considera que as suas atuais linhas produtivas «não se adequam» às necessidades de fabrico de produtos de superior complexidade, pelo que elaborou um plano de investimentos até 2014 que visa a industrialização de soluções inovadoras de multimédia para veículos automóveis.

Os sistemas de navegação atualmente produzidos, a par dos produtos inovadores que iniciarão a sua industrialização, passarão a representar 65% da faturação da unidade em 2017.

Em contrapartida, ocorrerá um decréscimo significativo da produção de autorrádios, que, tendo representado cerca de 56% do volume de negócios em 2010, deverá baixar para 15%.

A Bosch Car Multimedia emprega atualmente 2.150 trabalhadores.

terça-feira, 13 de março de 2012

Sumol+Compal formaliza compra de fábrica em Moçambique

A Sumol+Compal formalizou hoje a compra de uma unidade industrial em Moçambique por cerca de 8 milhões de euros (10,4 milhões de dólares) que assegurará a produção local de produtos da marca.

A produção na nova fábrica da Sumol+Compal deverá arrancar no terceiro trimestre deste ano, avança a empresa em comunicado enviado hoje à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

"É a primeira unidade industrial do nosso grupo empresarial fora de Portugal e representa um importante passo no nosso processo de internacionalização", destaca a empresa.

O anúncio da compra da instalação industrial, dos equipamentos e do respectivo terreno tinha sido já anunciado no mês passado.

A operação industrial ficará integrada na subsidiária da Sumol+Compal Moçambique SA, criada para o efeito.

"A Sumol+Compal Moçambique SA terá na fase de arranque uma participação de 100 por cento da Sumol+Compal, estando prevista a venda de participações que conjuntamente representem até 25% do capital daquela sociedade a sócios locais", refere a empresa em comunicado.

O objectivo da nova empresa é garantir a produção e comercialização de produtos Sumol+Compal no mercado de Moçambique e em 12 dos restantes 13 países que também fazem parte da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC - Southern African Development Community).

A Sumol Compal está também presente em Marrocos, Senegal, Angola e África do Sul, entre outros países africanos.

As vendas para os mercados internacionais, entre 2009 e 2011, registaram um crescimento anual superior a 22%, segundo o grupo, e no ano passado as vendas para os mercados internacionais atingiram 80 milhões de euros, mais 30% do que em 2010.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Dinheiro e Projectos

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