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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Espanha não será "de maneira alguma" a nova Grécia

Ministro alemão das Finanças diz que resgate ao sector bancário espanhol trará "nova confiança".

Para Wolfgang Schäuble, Espanha não será "de maneira alguma" a nova Grécia por acreditar na capacidade de o país sanear a banca e regressar "rapidamente" ao crescimento económico.

Em entrevista ao diário alemão ‘Bild', o ministro alemão sublinhou a importância do resgate espanhol para a estabilização do euro e insistiu que o caso de Espanha é incomparável com o grego.

As declarações de Schäuble aparecem num dia de convulsão nos mercados europeus, com as bolsas a tombar mais de 4% e os indicadores de risco da dívida espanhola a subir até níveis insustentáveis de financiamento.

Os investidores temem que o resgate de 100 mil milhões de euros assegurado para a banca espanhola seja insuficiente e que, como tal, a economia espanhola como um todo precise de ser financiada "troikamente".

Saída da Grécia da zona euro "é possível e já não assusta"

O ministro da Economia alemão, Phillip Rösler, disse hoje, em entrevista ao canal ARD, ser "possível" uma saída da Grécia da zona euro.

O ministro da Economia alemão, Phillip Rösler, afirmouser "possível" uma saída da Grécia da zona euro, um cenário que "deixou de ser assustador há muito tempo",

"É evidente que Atenas não tem registado progressos no cumprimento do plano de reformas acordado com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional", disse Rösler, que é também vice-chanceler e chefe do Partido Liberal.

Por isso, acrescentou o ministro germânico, "se a Grécia não cumprir as condições que negociou, não poderá receber mais pagamentos", disse ainda o chefe do Partido Liberal.
"Entretanto, muitos gregos querem voltar a ter o dracma como moeda nacional", sublinhou ainda o ministro da economia do Governo de Angela Merkel.

O semanário Der Spiegel noticiou hoje que o Fundo Monetário Internacional (FMI) tenciona cessar as ajudas financeiras à Grécia, o que poderá lançar este país da zona euro na falência já em setembro.

A intenção do FMI de não libertar mais dinheiro para o programa de ajustamento financeiro negociado com Atenas já foi comunicada à União Europeia, garantiu a revista alemã, citando fontes diplomáticas em Bruxelas.

Actualmente, a chamada 'troika' do Banco Central Europeu (BCE), Comissão Europeia e FMI está em Atenas a examinar o cumprimento do memorando de entendimento.

Numerosos especialistas já advertiram, porém, que a Grécia não conseguirá reduzir a sua dívida pública a 120 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) até 2020, objetivo central do programa traçado para reequilibrar as suas finanças públicas.

Atenas obteve até agora, desde maio de 2010, dois resgates no total de 240 mil milhões de euros, além de um perdão superior a 50% da dívida por parte da grande maioria dos credores, mas a situação económica do país continua a ser muito crítica.

Se a Grécia obtiver mais tempo para cumprir o programa de ajustamento financeiro, como o novo governo de Antonis Samaras exige, isso custará à UE e ao FMI mais 50 mil milhões de euros, segundo cálculos da 'troika' citados pelo Der Spiegel.

Porém, muitos governos da zona euro não estão dispostos a emprestar mais dinheiro a Atenas, e a Finlândia e a Holanda condicionaram futuras ajudas à participação do FMI.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Dívida do Estado cresce a um ritmo de 74 milhões por dia

Dívida directa do Estado é de 194,4 mil milhgões de euros.

A dívida directa do Estado não pára de crescer. Isto numa altura em que os particulares portugueses estão cada vez mais relutantes em investir em certificados de aforro ou do tesouro. A dívida situou-se no final de Maio em 194,4 mil milhões de euros, mais 54 mil milhões de euros que em Maio de 2010, altura em que a crise de dívida soberana começou a amedrontar a Europa com o primeiro resgate à Grécia. Foi uma subida de 38,6%, um aumento de 74 milhões de euros por dia.

Com a saída dos investidores de retalho e com a falta de acesso ao mercado de dívida de médio e longo prazo, os fundos da ‘troika' foram ganhando um peso cada vez maior no total da dívida do Estado. No final de Maio, a UE e o FMI já tinham emprestado a Portugal 55,6 mil milhões de euros, valor que corresponde a quase 30% da dívida directa do Estado. A juntar a isto estão ainda as obrigações do tesouro compradas pelo BCE ao abrigo do programa de compras no mercado secundário. Frankfurt não especifica as compras por país.

Para o economista da Informação de Mercados Financeiros, Filipe Garcia, "quanto maior for o peso da dívida à ‘troika' maior a dificuldade em substituí-la por outra. Era bom que a dívida estivesse mais disseminada".

Além disso, existe a questão da senioridade, já que se os credores oficiais tiverem estatuto preferencial sobre os outros investidores torna a dívida portuguesa menos atractiva para os mercados. Isto porque se, num cenário de reestruturação, a UE, o FMI e o BCE não assumirem prejuízos, à semelhança do que aconteceu no perdão da dívida grega, quanto maior o peso destas entidades no total de ‘stock' de dívida, maior o ‘haircut' (corte no valor das obrigações) que terá de ser aplicado aos privados.

Só desde o início do ano, a dívida directa do Estado aumentou 19,5 mil milhões de euros, uma subida de 11%. Só desde o início do ano, a ‘troika' emprestou 19,7 mil milhões de euros a Portugal. Já em Obrigações do Tesouro o total de dívida em ‘stock' era de 102 mil milhões de euros em Maio, data dos últimos dados disponibilizados pelo IGCP, sendo que esse número deverá ter diminuído em Junho, já que o Estado amortizou uma linha de obrigações.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Ministro das Finanças grego demite-se mesmo antes de tomar posse

Dias depois de anunciado para ocupar a pasta das Finanças da Grécia, Vassilios Rapanos apresentou a demissão. Antonis Samaras aceitou. Problemas de saúde justificam decisão.

O ministro das Finanças da Grécia, Vassilios Rapanos, apresentou a demissão, dias depois de ser nomeado para o cargo. 

"Desejo-lhe uma rápida recuperação dos seus problemas de saúde", indicava Samaras na carta em que aceita a decisão, citado pelo "Athens News".

Rapanos não chega assim a ocupar, oficialmente, o cargo de ministro das Finanças. Enquanto os restantes membros do executivo tomaram posse na quinta-feira, o responsável das Finanças helénicas não esteve na cerimónia. Isto porque o seu antecessor do governo interino, George Zanias, tinha viajado para o Luxemburgo, onde foi representar a Grécia no encontro dos ministros das Finanças da Zona Euro, o Eurogrupo.

Rapanos deveria ter sido empossado na sexta-feira, mas os seus problemas de saúde e os de Antonis Samaras – que teve de ser operado a uma cirurgia a um descolamento de retina – impediram que a cerimónia se realizasse.

O responsável das Finanças teve de se dirigir para o hospital, devido a problemas ligados à exaustão. Rapanos terá chegado a desmaiar. Segundo a agência estatal ANA, que cita um comunicado do gabinete do primeiro-ministro, Rapanos indicou que não está em condições de assumir o cargo devido, precisamente, a problemas de saúde.

Os problemas de saúda da cúpula do executivo helénico obrigaram até a um adiamento da viagem da equipa da troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) a Atenas. Deveria ter ocorrido hoje mas, dada a necessidade de repouso de uma semana para Samaras após a cirurgia, a viagem foi adiada.

Samaras, Evangelos Venizelos, líder do socialista Pasok, e Fotis Kouvelis, do Esquerda Democrática, são os líderes partidários que dão suporte ao governo e que deverão viajar para Bruxelas para tentar renegociar o acordo de resgate.

Tal viagem deverá decorrer só na próxima semana, após a cimeira de 28 e 29 de Junho, pelo que o pacote de ajuda à Grécia não deve ser um tema nesse encontro que junta os líderes europeus.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Cadeia de distribuição Carrefour decide sair do país

A cadeia de distribuição Carrefour anunciou hoje que vai deixar de operar directamente na Grécia, país onde está presente através de uma empresa de capital misto com o grupo grego Marinopoulos, vendendo a sua participação no consórcio.


"Os dois grupos, Carrefour e Marinopoulos, chegaram a um acordo quanto às medidas que permitirão que a 'joint venture' [empresa de capital misto'] possa enfrentar os desafios da envolvente económica grega", avançou o grupo francês em comunicado.

Nesse sentido, o seu actual sócio irá converter-se em "franchisado exclusivo" do grupo de distribuição francês para a Grécia, Bulgária, Albânia e outros países bálticos.

Como resultado desta operação, que se prevê estar concluída "nas próximas semanas", o grupo Carrefour deverá registar perdas da ordem dos 220 milhões de euros.

No entanto, reafirma a sua confiança na família Marinopoulos, com a qual tem operado directamente na Grécia através da empresa de distribuição Carrefour Marinopoulos. 

O grupo Carrefour considera ainda que a família Marinopoulos está "firmemente comprometida" em prosseguir com o negócio e que esta é "a melhor maneira possível" de garantir a gestão da empresa no actual contexto.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Agência chinesa pede à Grécia que se mantenha no euro

Xinhua diz que é altura de líderes políticos do país se unirem e mostrarem heroísmo.

A agência noticiosa oficial chinesa, a Xinhua, exorta esta sexta-feira, num artigo intitulado «Nações endividadas da zona euro têm de mostrar coragem e sabedoria para acabar com a crise», os políticos gregos a manterem o país no euro.

Descrevendo a austeridade como «o pequeno preço a pagar para pôr as finanças em ordem e restaurar o crescimento económico», a Xinhua avisa que «a saída da Grécia da zona euro poderá impulsionar a saída de outros países europeus afetados pela crise da dívida e conduzir à desintegração final da zona euro».

Um cenário que, alerta, «traria perdas inestimáveis para a região e para todo o mundo». acrescenta.

«Se o Governo e o povo gregos não cumprirem as exigências de austeridade decorrentes do resgate de 169 mil milhões de dólares, o segundo do género, e saírem da zona euro, as consequências serão seguramente terríveis», pode ler-se no comentário da agência chinesa, citada pela Lusa.

Lembrando que a China «é um parceiro comercial chave da Grécia e da Europa» e «tem alto interesse na estabilidade e saúde das economias grega e europeia», a Xinhua diz que «chegou a altura de os líderes gregos se unirem e mostrarem algum heroísmo».

«Eles devem mostrar ao seu povo, ao resto da região e à comunidade internacional que têm a coragem coletiva e a sabedoria para manter esta antiga civilização na zona euro, ajudar a acabar com a crise e fazer renascer a economia interna - tudo ao mesmo tempo», remata o comentário chinês.

A União Europeia é o maior parceiro comercial da China e cerca de 10 a 20% das reservas cambiais chinesas - as maiores do mundo, estimadas em 3,3 biliões de dólares - são em euros.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Álvaro Santos Pereira "Estamos a mostrar ao mundo que somos diferentes porque em momentos de crise sabemos unir-nos"

O ministro da Economia escusou-se a comentar o que está Portugal a fazer para se precaver de uma possível saída da Grécia da Zona Euro. Ao invés realçou o que o País tem feito e destacou a união dos vários intervenientes para superar este período de crise.

"O Governo está a trabalhar num plano de contingência para salvar a economia portuguesa já há muitos meses”, salientou Álvaro Santos Pereira durante a conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Conselho de Ministros.

"Sabíamos que só através da implementação de todas as medidas que estão no memorando é que conseguiríamos ganhar novamente a credibilidade que tínhamos perdido" e "quando falamos com os nossos parceiros vê-se concretamente que no caso português há uma crescente credibilidade".

"Em Portugal estamos a mostrar ao mundo que somos diferentes, porque em momentos de crise sabemos unir-nos", sublinhou.