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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Troika alertou banca para perdas na construção em Julho

O receio da troika de que o impacto da crise nos sectores da construção e imobiliário nas contas da banca portuguesa seja, afinal, maior do que o estimado parece estar já a concretizar-se.

A preocupação dos credores externos sobre a ameaça que a construção possa ter na saúde financeira da banca nacional – depois do que aconteceu noutros países como a Irlanda ou Espanha, em grande escala – foi demonstrada, pela primeira vez, ao Governo de Passos Coelho no início do Verão passado, durante a quarta avaliação ao país.

A semana passada, os resultados das inspecções às carteiras de crédito feitas pelo Banco de Portugal (BdP) revelaram que os bancos portugueses terão, já este ano, de fazer provisões, inclusivamente, superiores ao previsto pelos credores externos para compensar perdas nos sectores da construção e do imobiliário.

O banco central, presidido por Carlos Costa, estima necessidades de 861 milhões de euros, quando a troika falava de 848 milhões. Dos 861 milhões em falta neste ano, os oito maiores bancos portugueses tinham já provisionado 387 milhões até Setembro, faltando, por isso, até Dezembro os restantes 474 milhões de euros. Estes valores vão pesar nas contas anuais das instituições. O BCP, o BES e a Caixa Geral de Depósitos (CGD) são as instituições mais expostas a perdas ( ver quadro).

Situação agravou-se nos últimos meses

No Verão, o chefe de missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para Portugal, Abel Selassie, mostrou estar «preocupado» com o impacto das falências na construção e imobiliário, dois dos maiores clientes da banca em Portugal, frisando que a materialização dos riscos crescentes poderiam ameaçar a estabilidade do sistema financeiro no futuro.

Para este responsável, a evolução vertiginosa da subida do crédito malparado, as centenas de falências e as vendas a desconto de imóveis tornavam claro que parte dos 70 mil milhões que as empresas de construção e imobiliário devem à banca nunca será paga na totalidade, o que poderá ameaçar os balanços das instituições financeiras.

E, desde o primeiro alerta do FMI em Julho, a situação continuou a agravar-se. De acordo com os dados mais recentes do banco central, o rácio de crédito vencido das empresas à banca atingiu os 10,6%, mais 20% do que o valor registado em Julho deste ano (9,1%), e o dobro do existente quando Portugal pediu o resgate à troika (5,1%), em Abril de 2011. Hoje, quase 30% das empresas têm créditos por pagar.

Com o prolongamento da recessão e a forte subida de impostos previstas para 2013, a venda de imóveis ou a capacidade de as empresas pagarem as suas dívidas deverá continuar em queda e obrigar a banca a fazer novas e cada vez maiores imparidades.

Banca diz estar tranquila

Faria de Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), garante, porém, que «não há a mínima razão de preocupação acerca do rigor com que os bancos estão a registar as imparidades», em declarações ao Diário Económico.

O sector da construção e do imobiliário representa 40% do total de crédito concedido a empresas pela banca, segundo o BdP. A AECOPS, a maior associação de empresas de construção, refere que, no último ano, faliram cinco mil companhias no sector, e a APEMIP, associação do sector imobiliário, adianta que 2012 será o pior ano das duas últimas décadas na venda de casas, e que há em Portugal cerca de 700 mil imóveis por vender.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Tribunais estão a declarar 50 insolvências por dia em Portugal

Após quatro meses com a nova lei, o porta-voz dos administradores judiciais diz que se "deveria ter ido mais longe". José Ribeiro Gonçalves acredita que se chegará às 17 mil insolvências este ano.

A evolução das insolvências em Portugal continua sem travão, tendo sido declaradas 50 falências por dia nos primeiros nove meses de 2012. No total, o país chegou a Setembro com 13.691 processos, o que significou uma subida de 70% face ao mesmo período do ano passado. Em relação a 2010, a escalada foi de 180%. Os particulares continuam a protagonizar os maiores aumentos, tendo dado entrada nos tribunais 8964 casos, mais 83% do que em 2011. Nas empresas, o acréscimo foi de 50% e o comércio continua a ser o sector mais afectado.

As insolvências têm vindo a crescer sucessivamente ao longo dos últimos anos, mas o fenómeno tornou-se mais intenso a partir do ano passado, muito à custa das falências de pessoas singulares. Neste momento, de acordo com dados cedidos ao PÚBLICO pelo Instituto Informador Comercial com base na publicação das falências em Diário da República, estes processos já representam 65% do total. Em 2010, representavam apenas 40%. José Ribeiro Gonçalves, presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Judiciais (APAJ) explicou ao PÚBLICO que esta tendência está ligada ao agravamento do desemprego, mas também ao facto de haver muitos empresários que foram arrastados pelas dificuldades financeiras dos negócios que criaram, por terem sido fiadores nos financiamentos (ver entrevista).

As 8964 insolvências de particulares registadas nos primeiros nove meses do ano concentraram-se sobretudo na região Norte do país. O Porto foi o distrito a que mais casos assistiu neste período, num total de 2605. Tal como já acontece desde 2010, superou Lisboa, que surge em segundo lugar, com 1627 falências declaradas pelos tribunais. As posições seguintes são ocupadas por Braga (737) e Aveiro (716). No entanto, a maior subida foi protagonizada por Beja, com 69 insolvências, o que significou um acréscimo de 263%.

No lado das empresas, houve 4727 processos entre Janeiro e Setembro, mais 50% do que no ano passado. Em relação a 2010, o aumento foi de 61%. Este tipo de falências, que hoje representam apenas 35% do total, também teve maior expressão no Porto, onde se registou 1105 processos. Já em Lisboa, houve 998 casos, seguindo-se Braga, com 628. Foi também em Beja que se verificou a maior escalada, ao registar 27 falências deste tipo (mais 145% do que em 2011).

Mais falências no retalho

Os dados do Instituto Informador Comercial mostram que o comércio continua a ser o sector mais afectado pelas insolvências de pessoas colectivas, tendo sido declaradas 662 falências judiciais de comerciantes a retalho e outras 586 de grossistas, excluindo-se nestes valores os estabelecimentos que vendem automóveis e motociclos. A promoção imobiliária mantém-se no pódio, com 642 processos registados nos primeiros nove meses de 2012. A construção e a restauração surgem nos lugares seguintes, com 313 e 266 casos, respectivamente. 

Porém, as actividades que maiores aumentos verificaram foram a da reparação, manutenção e instalação de máquinas, que sofreu uma subida de 367%, ao passar de três para 14 insolvências, e a do apoio social com alojamento, com um acréscimo de 350% para nove processos. Outros sectores tiveram um comportamento inverso, registando recuos no número de falências. Foi o caso, por exemplo, das empresas da área das telecomunicações (que passaram de cinco para zero casos).

Este ano, face à escalada das insolvências em Portugal e aos compromissos assumidos com as autoridades externas, o Governo avançou com a revisão do Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas (CIRE), que criou um novo mecanismo judicial para promover a recuperação de empresas em dificuldades: o Processo Especial de Revitalização (PER). De acordo com os dados do IIC, já foram declarados 175 processos deste tipo nos tribunais portugueses, desde que o instrumento avançou, em Maio. Mais uma vez, uma parte significativa (cerca de 100) teve origem na região Norte.

Apesar de o objectivo ser aumentar o número de casos de viabilização financeira, o presidente da APAJ disse ao PÚBLICO que o PER "está a ser utilizado por empresas que deveriam antes apresentar-se à insolvência", por já estarem numa situação muito difícil. 

Servem-se do mecanismo como "uma forma de ganhar tempo", já que as acções de execução são suspensas. José Ribeiro Gonçalves alertou ainda para o facto de a revisão do estatuto dos administradores judiciais, nas mãos do Ministério da Justiça, ainda não estar concluída, o que impede que se aumente o número de profissionais que acompanham estes processos. Neste momento, são apenas 300.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Monti: "Estamos a começar a ver a luz ao fundo do túnel"

O primeiro-ministro italiano está confiante que a crise na zona euro e em Itália está perto do fim.

“Estamos a atravessar um túnel, mas estamos a começar a ver a luz. Tanto Itália como o resto da Europa estamos a aproximar-nos da saída”, disse em entrevista à radio italiana RAI, citado pelo Expansíon.

Mario Monti vai iniciar hoje uma tournée por várias cidades europeias, começando por almoçar hoje com o presidente francês, François Hollande. O líder transalpino espera que a sua reunião com Hollande acelere os movimentos que os líderes europeus estão a fazer para salvar o euro e para impulsionar as políticas de crescimento.

Na entrevista, o primeiro-ministro também sublinhou que confia plenamente na capacidade de Mariano Rajoy para fazer frente aos problemas que Espanha está a atravessar. A ronda europeia de Monti vai terminar, precisamente, na quinta-feira com um encontro em Madrid com o presidente do Governo espanhol.

A ronda diplomática de Mario Monti começa depois dos mercados financeiros terem acalmado a pressão sobre Espanha e Itália depois da garantia dada por Mario Draghi, líder do Banco Central Europeu (BCE), de que a entidade vai “fazer o que for necessário” para salvar o euro.

Depois de Draghi, seguiu-se a declaração conjunta de François Hollande e da chanceler alemã que disseram que estão “decididos a fazer tudo” o que for preciso para “proteger a zona euro”.

Exportações de têxtil para Espanha crescem

As exportações de têxtil para Espanha aumentaram no último trimestre: a crise no país vizinho está a contribuir para este efeito. Os empresários espanhóis estão a perder capacidade para importar matéria-prima dos países do extremo oriente.

Só nos últimos três meses, as exportações têxteis para Espanha aumentaram 5,6%, atingindo os 525 milhões de euros.

A resposta é simples: os empresários espanhóis procuram em Portugal o que antes compravam no extremo oriente e norte de África, sobretudo matérias-primas, t-shirts e camisolas interiores.

A têxtil Fernando Valente foi das empresas que mais beneficiou com esta alteração no mercado espanhol. A instabilidade que se viveu em países como a Tunísia e o Egito e a incapacidade para grandes encomendas tornou o produto português mais atraente.

Apesar do aumento de vendas para Espanha, as exportações têxteis sofreram uma ligeira quebra até maio deste ano. Ainda assim, o volume de transações previsto para este ano deverá ser superior a 4 mil milhões de euros, o mesmo valor do ano passado.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

"Constipações em Espanha" provocam pneumonia em Portugal

O presidente da CIP manifestou hoje a sua preocupação com os riscos para Portugal das consequências de um aprofundamento da crise em Espanha.

"Tudo o que de mau ou de bom que aconteça em Espanha tem reflexos na economia portuguesa", disse o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) à saída da reunião de Concertação Social, que contou hoje com a presença do primeiro-ministro Passos Coelho, na véspera do arranque do Conselho Europeu.

António Saraiva disse assim estar "muito apreensivo" em relação à envolvente, tendo em conta que um terço dos 75 por cento de bens exportados para a União Europeia terem como destino Espanha.

"Dificilmente Portugal voltará aos mercados nas datas previstas", avisou.

Segundo o responsável, em resposta às inquietações dos empresários, o primeiro-ministro apenas manteve que o programa é para cumprir" e que "não haverá ajustamento nem de montantes nem de prazos".

Em relação a novas medidas de austeridade, Pedro Passos Coelho não se pronunciou, acrescentou.

O presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes, confirmou aos jornalistas a ausência do tema de novas medidas de austeridade na reunião entre os parceiros, referindo que Passos Coelho se limitou a fazer uma "apresentação genérica" sobre os temas do Conselho Europeu.

Vieira Lopes reconheceu, no entanto, que "parece começar a haver [no discurso do Governo] uma preocupação com o financiamento das empresas".

Os dirigentes das estruturas sindicais da função pública também participaram na reunião de concertação social de hoje porque foram convidados pela CGTP e pela UGT, dado terem estado em discussão as alterações legislativas do setor.

Foi também feito um balanço da aplicação das medidas do Compromisso para o Crescimento, Competitividade e Emprego relacionadas com a Administração Pública.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Durão Barroso: «Esta crise é maior ameaça dos últimos 60 anos»

Durão Barroso reclamou esta terça-feira um aprofundamento da integração europeia para superar a atual crise económica, que classificou como «a maior ameaça» de sempre com que a União Europeia se confrontou.

«Esta crise é a maior ameaça a tudo aquilo que alcançámos através da construção europeia ao longo dos últimos 60 anos. Confrontados com esta dura realidade, ficar parados não é uma opção. É necessário um salto em frente», afirmou, durante um conferência organizada pelo grupo de reflexão European Policy Center, em vésperas da cimeira de líderes europeus, de quinta e sexta-feira, cita a Lusa.

Segundo o presidente do executivo comunitário, esse «salto» deve começar através de uma união bancária.

«Para estabelecermos uma autêntica União Económica e Monetária, penso que necessitamos de uma união bancária, uma união orçamental e mais passos rumo a uma união política. O primeiro destes blocos que pode ser alcançado rapidamente sem mudanças nos Tratados é uma moldura financeira integrada, uma união bancária», defendeu.

De acordo com Durão Barroso, a crise expôs a falta de coordenação ao nível da supervisão, e, como resposta, a arquitetura europeia neste campo foi «significativamente melhorada», mas agora é necessário ir mais além.

terça-feira, 12 de junho de 2012

EDP identificou 30 mil contadores com falhas, mas não informou clientes

A EDP reconhece a existência de falhas nos contadores de 30 mil clientes. Em entrevista à Renascença, o director João Torres refere que os problemas foram detectados em Novembro do ano passado. A empresa não informou os consumidores do problema, nem do processo de substituição dos equipamentos defeituosos.

“Não, porque começámos a substituição sem perceber exactamente a dimensão da questão. Mas sabemos quem são e serão informados no momento adequado sobre a avaria que afectava o seu equipamento de medida e [haverá] a compensação devida”, garante João Torres.

“O problema hoje levantado não é novo. Deve-se a um defeito de fabrico dos contadores de uma série limitada. Desde que fomos alertados para o problema, iniciámos uma verificação exaustiva e tratámos de substituir os equipamentos com esse defeito. Os nossos números apontam para que tenham sido identificados 30 mil contadores com defeito e, portanto, passíveis de gerar prejuízo para os clientes”, admite o director da EDP.

O defeito em causa foi detectado nos contadores com tarifa bi-horária. Um atraso no relógio fez com que o consumo de electricidade nem sempre correspondesse às horas de vazio, que são mais baratas.

“Havendo um pequeno atraso, há um período – na nossa estimativa de cerca de uma hora, nalguns casos duas – em que se aplicou uma tarifa superior àquela que é ajustada àquele período e é dessa compensação que estamos a falar”, explica o director da EDP.

As explicações da empresa surgem depois da denúncia da Deco, que esta terça-feira de manhã revelou em comunicado haver clientes que estão a pagar mais do que deviam.

A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) já reagiu, também em comunicado, e garante que o assunto está a ser avaliado pelo conselho tarifário. Diz a ERSE que as anomalias detectadas justificam uma compensação financeira que salvaguarde os interesses dos consumidores.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Espanha: "A solução chama-se euro e União Europeia"

O Executivo espanhol diz que não está só, que tem um projecto por detrás, que é a União Europeia. E que a solução para sair da crise passa precisamente por aí.

"Estamos a proceder a reformas, estamos a sanear o sector bancário e público, e isso fará, de par com outras reformas estruturais, crescer, criar emprego e sair da crise, com uma Europa integrada", declarou o ministro espanhol do Orçamento, Cristóbal Montoro, citado pelo "El País".

Segundo o ministro, "a União Europeia responderá como sempre respondeu" e "há que fortalecer e reforçar o euro". "A solução chama-se euro e União Europeia", sublinhou.

Montoro referiu também que o governo nunca disse que ia aumentar o IVA e negou que Espanha esteja a pressionar o Executivo de Mariano Rajoy para o fazer. "Europa não exigiu que Espanha subisse o IVA. O documento de avaliação da Comissão Europeia diz outras coisas mais interessantes, que são as que vamos estudar".

"Entre os nossos objectivos não está a flexibilização do défice nem a subida do IVA. São possibilidades que estão no ar. Trabalho com contas. Tudo o demais eu respeito, mas não existe enquanto não estiver escrito nos documentos", adiantou, citado pelo "Expansión".

Sobre se Espanha poderá ser intervencionada, à semelhança do que já aconteceu com a Irlanda, Grécia e Portugal, Montoro asseverou que não. "Temos a certeza que Espanha não será alvo de intervenção, porque somos um país grande, internacionalizado, com fortes intersecções económicas. O problema é a dívida que acumulámos. Mas quem são os detentores dessa dívida? É aí que quero chegar. Eles querem garantir o reembolso da totalidade da dívida e são os principais interessados em que saiamos da crise".

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Reserva Federal norte-americana exige "ação rápida da Europa" para evitar propagação da crise

O presidente da Reserva Federal de Saint Louis, James Bullard, veio hoje apelar a que os líderes europeus estabeleçam uma visão para a crise e efectuem uma acção rápida para evitar que esta se propague pelo mundo.

Para o responsável a crise da zona euro "é uma situação verdadeiramente grave" que começa a afectar as bolsas norte-americana e japonesa e lembra que a crise da zona euro provocou uma fuga dos investimentos o que gerou uma redução para "mínimos históricos" nos juros praticados tanto no Japão como Estados Unidos da América.

Uma ruptura financeira da zona euro teria um "impacto significativo" no resto do mundo, defendeu Bullard hoje no Japão, que apontou a quebra nas exportações chinesas como a prova de que o impacto da crise europeia é bem mais profundo do que se pensava anteriormente.

Por estas razões o presidente da Fed de St. Louis apela a decisões firmes na Europa e apelou aos responsáveis políticos europeus para que apresentem um programa detalhado de como irão resolver os seus problemas fiscais. E lembrou que as injecções de capital praticadas pelo BCE apenas podem provocar algum alívio na zona euro, não conseguindo ter consequências definitivas.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Exportações: Alemanha mostra-se disponível para ajudar Portugal

O ministro federal da economia da Alemanha, Philipp Rosler, afirmou hoje que a Alemanha "está pronta para ajudar Portugal ao nível das exportações".

"Sabemos que a Espanha, que está agora em dificuldades, é o principal importador de produtos e serviços portugueses. Por isso, enquanto segunda economia importadora de Portugal estamos prontos para ajudar", disse o governante após um encontro com o homólogo português, Álvaro Santos Pereira, no ministério da Economia, em Lisboa.

Com a próxima visita do ministro da Economia português a Berlim, em setembro, "veremos até que ponto poderemos incrementar e fortalecer as exportações para a Alemanha", salientou Rosler.

"Os alemães não estarão tão interessados em comprar empresas portuguesas, mas sim em adquirir produtos semiacabados", concluiu.

O ministro alemão vai de seguida reunir-se com o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, e posteriormente participará no fórum empresarial luso-alemão que decorrerá no IAPMEI - Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento, em Lisboa. Rosler visita hoje Portugal fazendo-se acompanhar de uma comitiva de empresários alemães.

O que Portugal produz e que o mundo quer

A frase com que o Financial Times inicia um longo artigo sobre Portugal é a mesma que muitos portugueses colocam todos os dias. "O que pode Portugal produzir que o resto do mundo queira comprar?"

A resposta que, todavia, por cá parece difícil de delinear, é para o FT clara: papel higiénico preto e sapatos reais. As escolhas, pouco óbvias para o comum dos portugueses, é para o diário britânico algo incontornável para o resto do mundo.

Portugal inventou um papel higiénico com cor e o mundo das estrelas adora-o. O jornal dá o exemplo da estrela de televisão Simon Cowell, que não consegue viver sem este produto patenteado pela marca Renova. "O Renova Black, papel higiénico de designer ganhou status de culto, e é apenas um exemplo de inovação e diferenciação". E cita o director de marketing da empresa para dizer que "os produtos low-cost já não são uma opção para Portugal, especialmente porque irá haver sempre alguém, em alguma parte, que os fará ainda mais baratos".

Outro exemplo de fazer bem em português, diz o FT, é no ramo do calçado. O jornal pega na marca Helsar para dizer que em Portugal se fazem sapatos dignos de reis e rainhas. E são mesmo. A Helsar calçou a mãe e a irmã de Kate Middleton no dia do seu casamento com o príncipe William.

Jorge Correia, fundador da Helsar, confessou mesmo ao jornal que "muitos clientes nos dizem para rotularmos os sapatos com "Made in Italy" mas nunca o permitiria". A empresa originária do Porto gosta de fazer em português e, diz o jornalista Peter Wise, a marca está a conquistar o mundo e a ganhar a confiança de clientes internacionais.

Wise lembra que Portugal começou a dar maior valor às exportações a partir do ano passado como forma de reduzir a dependência externa e cortar no défice comercial. O resgate internacional poderá ter sido também o abrir de olhos que Portugal necessitava.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Governo português é o mais optimista do euro

Programas de estabilidade de 16 países do euro revelam que o Governo português é o mais confiante na retoma do seu país. A oposição não pensa assim e o DEO ameaça afastar o PS do PSD.

O "Jornal de Negócios" escreve que a comparação dos programas de estabilidade e crescimento revela que o Governo português é, entre 16 países do euro, o que espera a maior recuperação da taxa de crescimento da economia entre 2011 e 2015.

Até ao final da legislatura, Portugal terá um dos maiores excedentes externos e um dos menores défices orçamentais da Zona Euro, resultado do maior ajustamento registado entre os 16 países do euro analisados (Grécia não tem dados). Daqui até lá, registará também a recuperação mais vigorosa - passando da recessão mais cavada (Grécia à parte) para a sexta economia mais dinâmica -, um feito que conseguirá devido a um dos desempenhos exportadores mais notáveis de toda a região que partilha a moeda. O desemprego e a dívida pública permanecerão elevados, mas controlados.

Este é o Portugal dos próximos anos visto por Vítor Gaspar e traduzido em números no Documento de Estratégia Orçamental (DEO) - o principal documento de política económica plurianual do Executivo - que hoje estará sob escrutínio no Parlamento e arrisca a criar uma divisão inédita entre PS e PSD.

Espanha reclama solução de emergência à União Europeia

Foi um dos protagonistas do jantar de ontem em Bruxelas. Mariano Rajoy pediu uma resposta imediata à crise.

Espanha surgia ontem como o tema urgente de uma reunião preparada para discutir tudo e decidir nada. Mariano Rajoy, o primeiro ministro espanhol, entrou ontem na reunião de líderes europeus determinado a obter uma resposta imediata para a falta de liquidez na sua economia, reclamando aos seus parceiros um sinal para que o Banco Central Europeu ou o fundo de resgate intervenha, ou então se assegure um trajecto mais lento de consolidação. Portugal é um dos países mais expectantes com o que resultar nesta frente.

"A Europa precisa de dar uma resposta porque não podemos viver assim muito tempo. Não podemos continuar a viver com estas diferenças nas taxas de juro", disse Rajoy antes da cimeira. O apelo em tom desesperado bate certo com a lista enorme de opções que estavam em cima da mesa.

O BCE poderá intervir a qualquer momento, embora nem Berlim nem Frankfurt o desejem. Um trajecto mais lento para a redução do défice poderá ser proposto pela Comissão ainda este mês, mas uma decisão sobre o fundo de resgate recapitalizar a banca espanhola directamente só na cimeira de Junho poderia ser formalizado.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Agência chinesa pede à Grécia que se mantenha no euro

Xinhua diz que é altura de líderes políticos do país se unirem e mostrarem heroísmo.

A agência noticiosa oficial chinesa, a Xinhua, exorta esta sexta-feira, num artigo intitulado «Nações endividadas da zona euro têm de mostrar coragem e sabedoria para acabar com a crise», os políticos gregos a manterem o país no euro.

Descrevendo a austeridade como «o pequeno preço a pagar para pôr as finanças em ordem e restaurar o crescimento económico», a Xinhua avisa que «a saída da Grécia da zona euro poderá impulsionar a saída de outros países europeus afetados pela crise da dívida e conduzir à desintegração final da zona euro».

Um cenário que, alerta, «traria perdas inestimáveis para a região e para todo o mundo». acrescenta.

«Se o Governo e o povo gregos não cumprirem as exigências de austeridade decorrentes do resgate de 169 mil milhões de dólares, o segundo do género, e saírem da zona euro, as consequências serão seguramente terríveis», pode ler-se no comentário da agência chinesa, citada pela Lusa.

Lembrando que a China «é um parceiro comercial chave da Grécia e da Europa» e «tem alto interesse na estabilidade e saúde das economias grega e europeia», a Xinhua diz que «chegou a altura de os líderes gregos se unirem e mostrarem algum heroísmo».

«Eles devem mostrar ao seu povo, ao resto da região e à comunidade internacional que têm a coragem coletiva e a sabedoria para manter esta antiga civilização na zona euro, ajudar a acabar com a crise e fazer renascer a economia interna - tudo ao mesmo tempo», remata o comentário chinês.

A União Europeia é o maior parceiro comercial da China e cerca de 10 a 20% das reservas cambiais chinesas - as maiores do mundo, estimadas em 3,3 biliões de dólares - são em euros.

FMI acredita que Portugal vai voltar aos mercados no próximo ano

O FMI diz que Portugal ainda têm muitas barreiras pela frente, mas garante que até agora o programa tem corrido como planeado.

O FMI continua a acreditar que Portugal vai conseguir regressar aos mercados no próximo ano tal como programado. “A reentrada pode ser difícil, mas pode acontecer no próximo ano”, afirmou responsável do FMI pelo resgate português, em resposta a uma pergunta dos jornalistas, de acordo com a Bloomberg.

Albert Jaeger acrescentou que “a recuperação da economia portuguesa está a decorrer como planeado embora o país ainda tenha pela frente barreiras importantes”.

“Estamos bastante satisfeitos porque o programa está a decorrer como planeado, mas ainda persistem desafios. Não existe nenhuma dúvida sobre isso”, acrescentou Albert Jaeger.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

CIP: Cabe à UE apoiar Portugal para ultrapassar desemprego

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, afirmou hoje que cabe à União Europeia "dinamizar novas formas de investimento" para que se possa ultrapassar o problema do desemprego e do crescimento do país.

"Portugal, pela fragilidade das suas contas públicas - embora o Governo tenha feito um trabalho meritório no seu reequilíbrio -, só ultrapassará esta situação com a União Europeia", disse o responsável numa reunião com o secretário-geral do PS, António José Seguro em Lisboa.

O encontro, em que participaram a CIP, a CAP (Confederação dos Agricultores de Portugal) e a CCP (Confederação do Comércio e Serviços de Portugal) serviu para trocar impressões com o líder socialista em temas que continuam a preocupar o patronato, como o desemprego e "o combate eficaz que lhe deve ser movido", o crescimento e a competitividade.

António Saraiva lembrou que este encontro com o maior partido da oposição tem a ver com a necessidade de existir "alguma sintonia de posições, porque os problemas do país não são da equipa A ou B. É cada vez mais um jogo de seleção e esta selecção nacional tem que vencer este desafio".

O líder da CIP lamentou também o atraso que tem havido ao nível da aplicação de reformas estruturais e medidas que aliviem os custos de contexto para as empresas.

"Estamos todos de acordo mas, lamentavelmente o tempo vai passado e esses obstáculos não vão sendo removidos", declarou aos jornalistas.

Álvaro Santos Pereira "Estamos a mostrar ao mundo que somos diferentes porque em momentos de crise sabemos unir-nos"

O ministro da Economia escusou-se a comentar o que está Portugal a fazer para se precaver de uma possível saída da Grécia da Zona Euro. Ao invés realçou o que o País tem feito e destacou a união dos vários intervenientes para superar este período de crise.

"O Governo está a trabalhar num plano de contingência para salvar a economia portuguesa já há muitos meses”, salientou Álvaro Santos Pereira durante a conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Conselho de Ministros.

"Sabíamos que só através da implementação de todas as medidas que estão no memorando é que conseguiríamos ganhar novamente a credibilidade que tínhamos perdido" e "quando falamos com os nossos parceiros vê-se concretamente que no caso português há uma crescente credibilidade".

"Em Portugal estamos a mostrar ao mundo que somos diferentes, porque em momentos de crise sabemos unir-nos", sublinhou.

Suspensão de financiamento do BCE a bancos gregos penaliza praças europeias

As principais praças europeias seguem a perder terreno pelo quarto dia consecutivo, com a Grécia a manter-se no centro das preocupações dos investidores.

Esta é mais uma sessão de perdas para os mercados accionistas do Velho Continente. E é novamente a Grécia a principal responsável pelo pessimismo dos investidores. A falta de acordo entre as forças políticas do país para a constituição de um novo governo levou à convocação de novas eleições, que estão agendadas para 17 de Junho.

O impasse gerado nas últimas semanas tem aumentado a especulação de que a Grécia venha a abandonar a Zona Euro, o que motiva as quedas das principais bolsas europeias. Hoje, o pessimismo é justificado pelo anúncio do Banco Central Europeu(BCE) de que suspendeu as operações de financiamento a alguns bancos gregos.

As bolsas europeias desvalorizam hoje pelo quarto dia consecutivo, numa sessão também marcada pelo leilão de dívida espanhola. O Tesouro espanhol vendeu 2,49 mil milhões de euros de obrigações, o que ficou ligeiramente abaixo do montante máximo de 2,5 mil milhões de euros, mas os custos dispararam.

O índice de referência da região, o Stoxx 600, cede 0,87% para os 242,27 pontos. O sector financeiro é um dos principais responsáveis por este desempenho, com o espanhol Bankia a depreciar 28,28% para os 1,187 euros, pressionado pela notícia do "El Mundo" de que, desde 9 de Maio, quando foi anunciada a entrada do espanhol, foram já retirados mil milhões de euros em depósitos da instituição.

O espanhol IBEX desce 2% para os 6.479,00 pontos. Também neste mercado é a banca o sector que mais penaliza a negociação. O BBVA desvaloriza 3,41% para os 4,737 euros, o Banco Popular deprecia 7,31% para os 1,851 euros e o CaixaBank cai 3,69% para os 2,19 euros.

Em Londres, o Footsie recua 1,16% para os 5.342,78 pontos. A Vodafone e o HSBC são as cotadas que mais pesam nesta tendência, ao descer 2,03% para as 164,50 libras e 1,80% para as 524,60 libras, respectivamente.

O CAC cede 0,74% para os 3.026,11 pontos, com o BNP Paribas a desvalorizar 3,51% para os 25,60 euros e a Total a cair 0,92% para os 34,60 euros.

O alemão DAX desvaloriza 0,68% para os 6.340,79 pontos, com 23 das suas 30 cotadas a transaccionarem no vermelho. Entre as principais responsáveis por este “saldo” negativo estão a Deutsche Boerse, que cai 10,03% para os 41,55 euros, e a Thyssenkrupp, que desvaloriza 2,64% para os 15,12 euros.

Em Amesterdão, o AEX recua 1,37% para os 290,95 pontos, pressionado pelo ING, que deprecia 5,07% para os 4,588 euros, e pela Royal Dutch Shell, que desvaloriza 1,28% para os 24,775 euros.

Algumas bolsas europeias arrancaram a negociação em terreno positivo, contagiadas pelos ganhos das pares asiáticas, que foram impulsionadas pelas minutas da Reserva Federal que demonstraram que a autoridade monetária pode anunciar novas medidas de estímulo, caso a economia perca dinâmica de crescimento.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Desemprego real próximo dos 20% no primeiro trimestre

A taxa de desemprego real em Portugal rondou os 20% no primeiro trimestre, o que corresponde a mais de um milhão de desempregados, quando se faz as contas incluindo a população que não procurou emprego nas últimas semanas antes de ser inquirida pelo INE. 

A diferença é enorme face aos valores oficiais divulgados para a taxa de desemprego, que são de 14,9% para o primeiro trimestre deste ano 14,0% para os últimos três meses do ano passado, e também face ao número de desempregados oficiais, que se situa em respectivamente 819,3 mil e 771 mil.

O INE, bem como as autoridades estatísticas europeias, não consideram como desempregadas as pessoas que declaram que pretendem trabalhar, mas que nas últimas três semanas antes de responderem ao Inquérito ao Emprego não fizeram diligências para encontrar trabalho. No entanto, contabiliza-as, o que permite calcular uma taxa de desemprego mais próxima da realidade.

Assim, adicionando os 202,1 mil inactivos disponíveis e os 90,8 inactivos desencorajados no primeiro trimestre do ano quer aos desempregados quer à população activa, e subtraindo o número de sobreposições de indivíduos que cabem nos dois conceitos (88,2 mil), obteve-se uma taxa de 18%, que tem subjacente 1,024 milhões de desempregados e 5,686 milhões de activos.

O desfasamento da realidade será mais por defeito do que por excesso, pois não entra em conta com o subemprego visível. Considerando que nesta categoria – que corresponde a pessoas sem horário completo e que gostariam de trabalhar mais horas – se encontram também muitas pessoas que trabalham um número de horas de tal modo reduzido que estão numa situação próxima do desemprego, então a taxa real aproxima-se de 20%.

O INE considera inactivos disponíveis as pessoas com 15 ou mais anos que pretendiam trabalhar mas que nas últimas três semanas antes de serem inquiridas não procuraram trabalho, e considera inactivos desencorajados os que estavam também naquela situação mas não procuraram trabalho porque acharam que não valia a pena, por razões como não terem idade apropriada, não terem instrução suficiente, não saberem como procurar ou acharem que não havia empregos disponíveis.

Além disso, calcula também o subemprego visível, que corresponde ao número de pessoas com empregos sem horário completo e que gostariam de trabalhar mais horas. No primeiro trimestre do ano, foram 203 mil.

Parte destas pessoas não poderão ser consideradas propriamente desempregadas, porque terão horários de trabalho que se aproximam do horário completo, mas haverá também casos em que trabalham poucas horas por semana, o que pode corresponder a biscates e cair numa definição mais abrangente de desemprego.

No entanto, o INE não apresenta um quadro de subemprego visível por número de horas trabalhadas, pelo que se optou por não incluir o seu valor na taxa de desemprego real calculada pelo PÚBLICO.

Notícia corrigida às 17h40, com novo valor da taxa de desemprego real, que passou de 19,3% para 18%. O novo valor resulta de se ter passado a descontar a sobreposição de valores de inactivos disponíveis com inactivos desencorajados.

CIP: «Palavras bonitas não chegam, têm de haver condições»

Confederação Empresarial de Portugal defende ambiente mais favorável ao investimento e à internacionalização.

O presidente da CIP, António Saraiva, defendeu esta terça-feira a necessidade de políticas que promovam o investimento público, a par de um ambiente institucional favorável ao investimento privado.

«Muitos objetivos, projetos e palavras bonitas não chegam: temos de ter um ambiente institucional favorável e amigo do investimento privado, mas também políticas que promovam o investimento público. Sem investimento não teremos crescimento e para termos investimento temos de ter uma envolvente que nos seja mais favorável», disse Saraiva, que falava na conferência «Internacionalizar para crescer» realizada nas Caves Aliança, Sangalhos, promovida conjuntamente com a Associação Industrial do Distrito de Aveiro (AIDA), que marcou o arranque do Programa de Apoio à Decisão Empresarial (PADECip), adianta a Lusa.

O dirigente empresarial considerou que o desafio que o nosso país enfrenta agora é o de saber desenhar políticas de crescimento, que anulem ou minimizem o «enorme drama social que é o elevado desemprego».

António Saraiva sublinhou a necessidade de aliar um quadro de estabilidade social à estabilidade política, o que reconheceu ser difícil «atendendo à indignação, ao descontentamento e à falta de esperança da população».

A CIP deu já o seu contributo, ao subscrever em janeiro o compromisso para o crescimento, competitividade e emprego, em sede de concertação social, conforme António Saraiva fez questão de lembrar, mas alertou que não chega apenas o desejo e determinação dos empresários, sendo necessário alterar o modelo de desenvolvimento e dar às empresas condições.

«Por favor minorem-nos as dificuldades, removam-nos alguns obstáculos, promovam corajosas reformas, não olhem para os atos eleitorais, mas para esta empresa chamada Portugal e desenhem-na daqui para daqui a 15 ou 20 anos, assumindo corajosamente os riscos», disse em jeito de recado ao poder político, que estava representado na conferência pelo secretário de Estado adjunto da economia e desenvolvimento regional, Almeida Henriques.

Os custos da energia, o custo fiscal e parafiscal e a sua imprevisibilidade, as taxas municipais, o funcionamento da Justiça, o desrespeito pelos prazos de pagamento, são alguns dos entraves que as empresas enfrentam e referidos pelo presidente da CIP.