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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

TAP é a sétima companhia mais segura do mundo

A TAP foi considerada a sétima companhia de aviação mais segura do mundo em 2012 pelo centro de investigação JACDEC, que acompanha todos os acidentes aéreos que ocorrem a nível global e que anualmente publica oranking das transportadoras que oferecem mais segurança aos viajantes.

Apesar de estar bem colocada e de ficar à frente de companhias como a Virgin Australia (9.ª) e a British Airways (10.ª), a transportadora aérea nacional (detida a 100% pelo Estado) caiu três lugares face a 2011, ano em que ocupava a quarta posição.

A TAP foi ultrapassada por duas companhias do Médio Oriente: a Emirates (4.ª) e a Ethiad Airways (5.ª). E ainda pela EVA Air (6.ª), uma transportadora com sede em Taiwan que pertence à Evergreen Marine, um dos maiores grupos internacionais de transporte marítimo.

De acordo com o estudo, a companhia nacional perdeu terreno por causa da antiguidade da sua frota, que começará agora a ser renovada até 2015. O último acidente da TAP aconteceu em 1977, na Madeira, tendo resultado na morte de 131 pessoas.

O ranking das dez companhias consideradas mais seguras pelo Jet Airliner Crash Data Evaluation Center (JACDEC), consultado pelo PÚBLICO, é liderado pela Finnair, cujo último acidente ocorreu em 1963, matando 22 passageiros e toda a tripulação que seguia a bordo do DC-3 da companhia finlandesa.

No segundo lugar surge a Air New Zeland, da Nova Zelândia, seguida pela Cathay Pacific de Hong Kong. A oitava posição pertence à Hanan Airlines. Isto num ano em que se registaram menos acidentes desde que o JACDEC começou a fazer este levantamento em 1989. Houve um total de 1983 ocorrências, com menos 500 vítimas mortais do que em 2011.

De acordo com a Lusa, as companhias europeias low cost estão bem classificadas, como a Virgin Atlantic (15.º), Easyjet (17.º) e Air Berlin (23.º), enquanto as companhias de bandeira europeias estão em lugares de fim de lista, tal como a KLM (Holanda), em 27.º lugar, a Air France (França), na 41.ª posição ou a espanhola Iberia (47.º posto). De entre os gigantes europeus, os mais bem colocados são a British Airways e a Lufthansa (11ª). 

De notar que as brasileiras TAM e Gol estão no fim da lista, classificadas em 59.º lugar e 57.ª posição, respectivamente. A TAM, que há três anos perdeu uma aeronave num acidente em que morreram 199 pessoas, o mais grave da história da companhia, deixou o último lugar para a China Airlines (Taiwan) com oito perdas de aviões desde 1983 e 755 vítimas.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Isabel dos Santos e Sonae repartem controlo na fusão da Zon e Optimus


O noivado foi longo, mas parece que é desta que a Optimus e a Zon vão partir para uma fusão sobre a qual se especula desde 2007. Se o negócio se concretizar, com a necessária aprovação dos accionistas da empresa liderada por Rodrigo Costa, nascerá um novo operador com mais de cinco milhões de clientes e uma facturação superior a 1,4 mil milhões de euros.

O anúncio foi feito na sexta-feira, ao final do dia, pela Sonaecom (dona da Optimus e do PÚBLICO) e por Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola, que controla 28,8% da Zon (através da Kento e da Jadeium). O projecto será agora analisado pelos conselhos de administração das duas empresas e levado a assembleia geral, onde a empresária deverá garantir luz verde à operação.

Se assim for, Sonaecom e Isabel dos Santos vão criar um veículo financeiro, detido em partes iguais, que passará a controlar a empresa nascida da fusão entre a Optimus e a Zon. Neste veículo entrará a totalidade da participação que a empresária detém nesta última operadora e uma "parcela substancial" dos 100% que a Sonaecom tem na Optimus. O equilíbrio de forças entre as duas partes foi o culminar de vários meses de negociações e um factor decisivo para um entendimento que irá ter reflexos ao nível da gestão da empresa que vier a surgir.

O negócio que será apresentado aos restantes accionistas da operadora liderada por Rodrigo Costa pressupõe "uma relação de troca baseada numa valorização da Zon correspondente a 150% da Optimus". Os impulsionadores da fusão mostram, no entanto, disponibilidade para considerarem uma alteração destes termos, de modo a concretizar a operação.

Se tudo correr como previsto - e embora assumam uma posição de controlo na nova empresa que vier a surgir -, a Sonaecom e Isabel dos Santos irão pedir ao regulador do mercado de capitais para serem dispensados do lançamento de uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre o restante capital. Isto por se tratar de uma fusão entre duas entidades.

A união da Optimus e da Zon criará um novo operador em Portugal, com uma facturação conjunta superior a 1,4 mil milhões de euros, tendo em conta os resultados das duas empresas em 2011. Nesse ano, a operadora do grupo Sonae alcançou receitas de 574,7 milhões, enquanto a Zon gerou 854,8 milhões. Já os lucros somados das duas atingiram 162,7 milhões de euros em 2011. E, nos primeiros nove meses deste ano, acumulavam mais de cinco milhões de clientes.

Mais concorrência
A junção de forças criará sinergias que vários analistas têm calculado em cerca de 300 milhões de euros. A Optimus está mais focada no serviço de telecomunicações e ganhou este ano uma licença para a quarta geração móvel. Já a Zon opera nas áreas de televisão por subscrição e banda larga fixa. Uma complementaridade que permitirá ao novo operador competir de forma mais musculada com a PT.

De acordo com o comunicado ontem divulgado, a Sonaecom e Isabel dos Santos acreditam que haverá um "maior potencial para intensificar os níveis de concorrência entre operadores". A nova entidade irá, da mesma forma, ver reforçada a sua capacidade de investimento para novos produtos ou mercados, com especial atenção para os países emergentes.

Neste momento, a empresária já detém a maioria do capital da Zap, empresa de TV paga que opera em Angola, em parceria com a Zon. Isabel dos Santos também lidera uma joint-venture com a Sonae, que irá levar os hipermercados Continente para aquele país.

Os rumores sobre este "casamento" começaram em 2007, depois de ter falhado a OPA da Sonae sobre a PT. Apesar do fracasso da operação, a empresa liderada por Zeinal Bava teve de avançar para um processo de cisão que deu origem à empresa que viria a chamar-se Zon.

Em Setembro deste ano, a especulação voltou a ganhar fôlego, quando o presidente executivo da Optimus, Miguel Almeida, veio dizer que o negócio "fazia sentido", acrescentando que "um novo conjunto de condições está reunido e poderá ajudar a que a fusão aconteça". O gestor referia-se ao reforço de poderes de Isabel dos Santos na Zon. Desde o início deste ano, a empresária foi-se sucessivamente posicionando como maior accionista da operadora presidida por Rodrigo Costa. O primeiro reforço aconteceu em Maio, depois de os accionistas da empresa terem aprovado o fim das restrições de votos, que estavam limitados a 10% (independentemente do seu peso). Isabel dos Santos começou por comprar a posição da Telefónica (cerca de 5%).

Nos meses seguintes, acordou a aquisição das acções da Cinveste (2,82%) e depois as da Caixa Geral de Depósitos (10,96%). E, com isto, passou a deter 28,8% da Zon. Apesar desta investida, o capital da empresa continua muito disperso, o que significa que Isabel dos Santos terá de contar com o apoio de outros accionistas para concretizar o acordo com a Sonaecom.

Uma questão que, à partida, não será um problema, visto que parece haver uma predisposição para a fusão. A Visabeira, que detém 2,15% da Zon, é favorável à união com a Optimus. O presidente executivo do grupo de Viseu afirmou ao PÚBLICO que "tudo o que seja criar valor para o accionista é útil e positivo", acrescentando que a operação "será vantajosa, nomeadamente para a Zon".

Joe Berardo, que detém 5,63% do capital da empresa, disse ontem ao Dinheiro Vivo que o acordo de fusão anunciado "é uma boa notícia para o final do ano", desde que "seja ao justo valor para todos e não haja conflitos de interesses entre os accionistas". Não foi possível obter um comentário do BES, nem do BPI, dois accionistas de peso da Zon que estarão interessados em ver o negócio avançar.

Isabel dos Santos é, aliás, a segunda maior accionista do BPI, com 19%, após ter elevado a sua posição este ano, ao comprar parte das acções que os espanhóis do La Caixa adquiriram ao Itaú. Em Portugal, a empresária acompanhou ainda, ao lado da Sonangol e de Américo Amorim, o reforço da posição na Galp, detendo hoje, indirectamente, 7,75% da petrolífera portuguesa.

Também o BIC, onde detém 25% do capital, deu em 2012 um salto no sector financeiro, com a compra do BPN ao Estado português. Se em Portugal o principal concorrente da Zon é a PT, em Angola Isabel dos Santos é parceira da empresa liderada por Zeinal Bava, através da operadora Unitel.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Tribunais estão a declarar 50 insolvências por dia em Portugal

Após quatro meses com a nova lei, o porta-voz dos administradores judiciais diz que se "deveria ter ido mais longe". José Ribeiro Gonçalves acredita que se chegará às 17 mil insolvências este ano.

A evolução das insolvências em Portugal continua sem travão, tendo sido declaradas 50 falências por dia nos primeiros nove meses de 2012. No total, o país chegou a Setembro com 13.691 processos, o que significou uma subida de 70% face ao mesmo período do ano passado. Em relação a 2010, a escalada foi de 180%. Os particulares continuam a protagonizar os maiores aumentos, tendo dado entrada nos tribunais 8964 casos, mais 83% do que em 2011. Nas empresas, o acréscimo foi de 50% e o comércio continua a ser o sector mais afectado.

As insolvências têm vindo a crescer sucessivamente ao longo dos últimos anos, mas o fenómeno tornou-se mais intenso a partir do ano passado, muito à custa das falências de pessoas singulares. Neste momento, de acordo com dados cedidos ao PÚBLICO pelo Instituto Informador Comercial com base na publicação das falências em Diário da República, estes processos já representam 65% do total. Em 2010, representavam apenas 40%. José Ribeiro Gonçalves, presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Judiciais (APAJ) explicou ao PÚBLICO que esta tendência está ligada ao agravamento do desemprego, mas também ao facto de haver muitos empresários que foram arrastados pelas dificuldades financeiras dos negócios que criaram, por terem sido fiadores nos financiamentos (ver entrevista).

As 8964 insolvências de particulares registadas nos primeiros nove meses do ano concentraram-se sobretudo na região Norte do país. O Porto foi o distrito a que mais casos assistiu neste período, num total de 2605. Tal como já acontece desde 2010, superou Lisboa, que surge em segundo lugar, com 1627 falências declaradas pelos tribunais. As posições seguintes são ocupadas por Braga (737) e Aveiro (716). No entanto, a maior subida foi protagonizada por Beja, com 69 insolvências, o que significou um acréscimo de 263%.

No lado das empresas, houve 4727 processos entre Janeiro e Setembro, mais 50% do que no ano passado. Em relação a 2010, o aumento foi de 61%. Este tipo de falências, que hoje representam apenas 35% do total, também teve maior expressão no Porto, onde se registou 1105 processos. Já em Lisboa, houve 998 casos, seguindo-se Braga, com 628. Foi também em Beja que se verificou a maior escalada, ao registar 27 falências deste tipo (mais 145% do que em 2011).

Mais falências no retalho

Os dados do Instituto Informador Comercial mostram que o comércio continua a ser o sector mais afectado pelas insolvências de pessoas colectivas, tendo sido declaradas 662 falências judiciais de comerciantes a retalho e outras 586 de grossistas, excluindo-se nestes valores os estabelecimentos que vendem automóveis e motociclos. A promoção imobiliária mantém-se no pódio, com 642 processos registados nos primeiros nove meses de 2012. A construção e a restauração surgem nos lugares seguintes, com 313 e 266 casos, respectivamente. 

Porém, as actividades que maiores aumentos verificaram foram a da reparação, manutenção e instalação de máquinas, que sofreu uma subida de 367%, ao passar de três para 14 insolvências, e a do apoio social com alojamento, com um acréscimo de 350% para nove processos. Outros sectores tiveram um comportamento inverso, registando recuos no número de falências. Foi o caso, por exemplo, das empresas da área das telecomunicações (que passaram de cinco para zero casos).

Este ano, face à escalada das insolvências em Portugal e aos compromissos assumidos com as autoridades externas, o Governo avançou com a revisão do Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas (CIRE), que criou um novo mecanismo judicial para promover a recuperação de empresas em dificuldades: o Processo Especial de Revitalização (PER). De acordo com os dados do IIC, já foram declarados 175 processos deste tipo nos tribunais portugueses, desde que o instrumento avançou, em Maio. Mais uma vez, uma parte significativa (cerca de 100) teve origem na região Norte.

Apesar de o objectivo ser aumentar o número de casos de viabilização financeira, o presidente da APAJ disse ao PÚBLICO que o PER "está a ser utilizado por empresas que deveriam antes apresentar-se à insolvência", por já estarem numa situação muito difícil. 

Servem-se do mecanismo como "uma forma de ganhar tempo", já que as acções de execução são suspensas. José Ribeiro Gonçalves alertou ainda para o facto de a revisão do estatuto dos administradores judiciais, nas mãos do Ministério da Justiça, ainda não estar concluída, o que impede que se aumente o número de profissionais que acompanham estes processos. Neste momento, são apenas 300.