Mostrar mensagens com a etiqueta BES. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta BES. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Isabel dos Santos e Sonae repartem controlo na fusão da Zon e Optimus


O noivado foi longo, mas parece que é desta que a Optimus e a Zon vão partir para uma fusão sobre a qual se especula desde 2007. Se o negócio se concretizar, com a necessária aprovação dos accionistas da empresa liderada por Rodrigo Costa, nascerá um novo operador com mais de cinco milhões de clientes e uma facturação superior a 1,4 mil milhões de euros.

O anúncio foi feito na sexta-feira, ao final do dia, pela Sonaecom (dona da Optimus e do PÚBLICO) e por Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola, que controla 28,8% da Zon (através da Kento e da Jadeium). O projecto será agora analisado pelos conselhos de administração das duas empresas e levado a assembleia geral, onde a empresária deverá garantir luz verde à operação.

Se assim for, Sonaecom e Isabel dos Santos vão criar um veículo financeiro, detido em partes iguais, que passará a controlar a empresa nascida da fusão entre a Optimus e a Zon. Neste veículo entrará a totalidade da participação que a empresária detém nesta última operadora e uma "parcela substancial" dos 100% que a Sonaecom tem na Optimus. O equilíbrio de forças entre as duas partes foi o culminar de vários meses de negociações e um factor decisivo para um entendimento que irá ter reflexos ao nível da gestão da empresa que vier a surgir.

O negócio que será apresentado aos restantes accionistas da operadora liderada por Rodrigo Costa pressupõe "uma relação de troca baseada numa valorização da Zon correspondente a 150% da Optimus". Os impulsionadores da fusão mostram, no entanto, disponibilidade para considerarem uma alteração destes termos, de modo a concretizar a operação.

Se tudo correr como previsto - e embora assumam uma posição de controlo na nova empresa que vier a surgir -, a Sonaecom e Isabel dos Santos irão pedir ao regulador do mercado de capitais para serem dispensados do lançamento de uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre o restante capital. Isto por se tratar de uma fusão entre duas entidades.

A união da Optimus e da Zon criará um novo operador em Portugal, com uma facturação conjunta superior a 1,4 mil milhões de euros, tendo em conta os resultados das duas empresas em 2011. Nesse ano, a operadora do grupo Sonae alcançou receitas de 574,7 milhões, enquanto a Zon gerou 854,8 milhões. Já os lucros somados das duas atingiram 162,7 milhões de euros em 2011. E, nos primeiros nove meses deste ano, acumulavam mais de cinco milhões de clientes.

Mais concorrência
A junção de forças criará sinergias que vários analistas têm calculado em cerca de 300 milhões de euros. A Optimus está mais focada no serviço de telecomunicações e ganhou este ano uma licença para a quarta geração móvel. Já a Zon opera nas áreas de televisão por subscrição e banda larga fixa. Uma complementaridade que permitirá ao novo operador competir de forma mais musculada com a PT.

De acordo com o comunicado ontem divulgado, a Sonaecom e Isabel dos Santos acreditam que haverá um "maior potencial para intensificar os níveis de concorrência entre operadores". A nova entidade irá, da mesma forma, ver reforçada a sua capacidade de investimento para novos produtos ou mercados, com especial atenção para os países emergentes.

Neste momento, a empresária já detém a maioria do capital da Zap, empresa de TV paga que opera em Angola, em parceria com a Zon. Isabel dos Santos também lidera uma joint-venture com a Sonae, que irá levar os hipermercados Continente para aquele país.

Os rumores sobre este "casamento" começaram em 2007, depois de ter falhado a OPA da Sonae sobre a PT. Apesar do fracasso da operação, a empresa liderada por Zeinal Bava teve de avançar para um processo de cisão que deu origem à empresa que viria a chamar-se Zon.

Em Setembro deste ano, a especulação voltou a ganhar fôlego, quando o presidente executivo da Optimus, Miguel Almeida, veio dizer que o negócio "fazia sentido", acrescentando que "um novo conjunto de condições está reunido e poderá ajudar a que a fusão aconteça". O gestor referia-se ao reforço de poderes de Isabel dos Santos na Zon. Desde o início deste ano, a empresária foi-se sucessivamente posicionando como maior accionista da operadora presidida por Rodrigo Costa. O primeiro reforço aconteceu em Maio, depois de os accionistas da empresa terem aprovado o fim das restrições de votos, que estavam limitados a 10% (independentemente do seu peso). Isabel dos Santos começou por comprar a posição da Telefónica (cerca de 5%).

Nos meses seguintes, acordou a aquisição das acções da Cinveste (2,82%) e depois as da Caixa Geral de Depósitos (10,96%). E, com isto, passou a deter 28,8% da Zon. Apesar desta investida, o capital da empresa continua muito disperso, o que significa que Isabel dos Santos terá de contar com o apoio de outros accionistas para concretizar o acordo com a Sonaecom.

Uma questão que, à partida, não será um problema, visto que parece haver uma predisposição para a fusão. A Visabeira, que detém 2,15% da Zon, é favorável à união com a Optimus. O presidente executivo do grupo de Viseu afirmou ao PÚBLICO que "tudo o que seja criar valor para o accionista é útil e positivo", acrescentando que a operação "será vantajosa, nomeadamente para a Zon".

Joe Berardo, que detém 5,63% do capital da empresa, disse ontem ao Dinheiro Vivo que o acordo de fusão anunciado "é uma boa notícia para o final do ano", desde que "seja ao justo valor para todos e não haja conflitos de interesses entre os accionistas". Não foi possível obter um comentário do BES, nem do BPI, dois accionistas de peso da Zon que estarão interessados em ver o negócio avançar.

Isabel dos Santos é, aliás, a segunda maior accionista do BPI, com 19%, após ter elevado a sua posição este ano, ao comprar parte das acções que os espanhóis do La Caixa adquiriram ao Itaú. Em Portugal, a empresária acompanhou ainda, ao lado da Sonangol e de Américo Amorim, o reforço da posição na Galp, detendo hoje, indirectamente, 7,75% da petrolífera portuguesa.

Também o BIC, onde detém 25% do capital, deu em 2012 um salto no sector financeiro, com a compra do BPN ao Estado português. Se em Portugal o principal concorrente da Zon é a PT, em Angola Isabel dos Santos é parceira da empresa liderada por Zeinal Bava, através da operadora Unitel.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

25 empresas pedem insolvência todos os dias

Já desapareceram 5.808 empresas desde Janeiro.

Desde o inicio do ano já desapareceram 5.808 empresas, mais 1.730 do que no mesmo período do ano passado e mais 2.172 do que no ano anterior. Feitas as contas, em média, 25 empresas por dia recorrem aos tribunais para pedir insolvência, tal é a crise no país.

De acordo com o Jornal de Notícias e Diário de Notícias, o número de empresas em dificuldade aumentou já 42,42%.

O comércio é o sector que apresenta maiores problemas, com 1.535 pedidos de insolvência até finais de novembro. Ainda assim, a construção e o imobiliário já atiraram para o desemprego uma média de 430 trabalhadores por dia, sendo que o sector já perdeu, só no último ano, 110 mil empregos.

Segundo os dados do Instituto Informador Comercial, a venda em leilão dos equipamentos do grupo FDO - que chegou a ser um dos maiores grupos de construção nacional - é a prova disso mesmo.

Esta empresa - que acumulou dívidas de 220 milhões de euros de dívidas - está entre as 1.496 construtoras e imobiliárias que pediram a insolvência até ao momento.

Mesmo assim, e apesar dos problemas, outras salvaram-se: é o caso da Edifer, da MonteAdriano e da Hagen, que acabaram por ser adquiridas pelo fundo Vallis, cujos acionistas são o BES, BCP, CGD e Banif.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Bancos apostam apenas em bons projectos empresariais

A redução de liquidez está a levar os bancos a seleccionarem as empresas com bons projectos.

Numa altura em que o acesso ao crédito bancário está dificultado devido à obrigação dos bancos nacionais atingirem, até 2014, um rácio de transformação (crédito sobre depósitos) de 120%, as pequenas e médias empresas ( PME ) são aquelas que acabam por ter mais dificuldade em encontrar fontes de financiamento para a sua actividade. Enquanto as empresas de maior dimensão podem recorrer aos accionistas ou a emissões obrigacionistas, por exemplo, as PME estão dependentes quase exclusivamente da disponibilidade da banca para se financiarem. Mas com os baixos ‘ratings' de um país intervencionado pelo FMI, os próprios bancos não conseguem financiar-se nos mercados financeiros, recorrem quase sempre ao BCE. Tudo isto faz com que o crédito à economia (uma exigência da Troika) esteja substancialmente mais caro. As PME portuguesas pagaram este ano, por crédito até 250.000 euros, em média, 7,77%. A par disto está a aversão ao risco que faz com que o escrutínio das empresas que pedem crédito seja muito maior e no fundo seja essencialmente canalizado para as PME exportadoras de bens e serviços transaccionáveis. Uma vez que a contracção do mercado interno deixa as PME que não exportam numa situação crítica.

Isto é, o crédito a PME só para quem tem saúde financeira. Quase se poderia dizer que se encaixa à medida na máxima de Mark Taiwn: "um banqueiro é um homem que empresta o chapéu de chuva quando faz sol e que o tira quando começa a chover."

Têm sido vários bancos a anunciar linhas de crédito específicas para pequenas e médias, em particular para apoio à exportação. Muitas vezes são linhas relacionadas com os programas de apoio do Governo a este segmento como é o caso das linhas PME Investe e PME Crescimento, ou como é o caso mais recente dos Fundos de Capital de Risco do Compete (Revitalizar) vocacionados para revitalizar as PME de norte a sul do país. Mas os bancos estão também focados no apoio às PME rentáveis.

Bancos como o BPI, o Santander Totta, o BCP, o BES ou a CGD (mas não só) têm anunciado várias linhas de apoio a PME. O Santander Totta no início do ano anunciou que tinha 1,5 mil milhões de euros disponíveis para financiar as pequenas e médias empresas, isto "desde que haja empresas solventes e com bons riscos", um discurso também largamente repetido pelo presidente do BPI, Fernando Ulrich que não pára de anunciar que o banco tem muito crédito para dar, desde que surjam empresas com projectos rentáveis. O que se passa é que com a crise e a recessão a procura de crédito também diminuiu.

O Santander Totta parece levar a dianteira no apoio às PME. Para além de disponibilizar linhas de crédito para a internacionalização e exportação, a que chamou Solução Exportação, ainda pratica spreads médios na ordem dos 4,5% a 5% para PME. E disponibiliza a rede internacional do Santander para que as empresas se financiem localmente nos mercados onde investem, tendo para isso criado o Internacional Desk, que é um passaporte para circular nos mercados Santander.

No BCP as empresas exportadoras podem ter acesso a pré-financiamento à exportação, antecipação de receitas, descontos sobre o estrangeiro, garantias bancárias, factoring internacional, entre outros. O BCP disponibiliza igualmente crédito ao importador com recurso a seguros de crédito, sempre que o risco do país de destino ou da contraparte o aconselhem. Para além de aconselhamento sobre selecção de mercados de destino e selecção de instrumentos financeiros adequados, fazendo a montagem de soluções de apoio financeiro.

O BPI lançou em Março deste ano uma linha de 500 milhões de euros para empresas . Este banco disponibiliza através da Linha BPI PME Garantia Mútua, o acesso a uma solução de crédito desenhada para responder às necessidades das Micro, Pequenas e Médias Empresas.

Já a CGD anunciou a disponibilização, proveniente da linha PME crescimento, de 1,55 mil milhões para apoiar a capitalização de PME.

O BES tem a ‘BES Express Bill', solução de gestão de pagamentos e recebimentos de tesouraria. A aposta no apoio à internacionalização das empresas nacionais e ao sector exportador assenta também numa importante rede de plataformas bancárias do Grupo BES de mais de 2.200 bancos correspondente.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Privatização da ANA: Governo estuda três cenários

O Governo tem em cima da mesa três modelos alternativos para definir o objeto da concessão da ANA - Aeroportos no âmbito do processo de privatização, que deverá ser lançado no início de setembro, disse o secretário de Estado dos Transportes.

«Temos três modelos para decidir: ou a totalidade dos aeroportos é concessionada; ou temos a concessão de aeroportos comerciais, por um lado e aeroportos de serviço público ou não viáveis comercialmente, por outro; ou até um modelo misto, em que há a obrigação de gerir os aeroportos como um todo num primeiro momento e, num segundo momento, a obrigatoriedade de alienação de alguns aeroportos», explicou Sérgio Monteiro, citado pela Lusa.

O secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações disse que a «expetativa» do Governo aponta para que «o lançamento formal da operação [de privatização da ANA] seja feito no início de setembro».

Antes, será conhecido o objeto da concessão e o que será proposto aos eventuais operadores privados que ficarem com a gestão da concessão que neste momento está atribuída a ANA - Aeroportos de Portugal.

Sérgio Monteiro disse ainda que, no âmbito do processo de privatização da gestora aeroportuária, serão «tidas em consideração todas as preocupações», mas a decisão «tem de salvaguardar o interesse nacional e a importância desta privatização não só no desenvolvimento das infraestruturas aeroportuárias, mas também da consolidação das contas públicas».

Já o lançamento formal do processo de privatização da TAP deverá ocorrer antes do início de setembro.

«Deve-se esperar que o lançamento formal do processo de privatização da TAP ocorra antes do início de setembro para se dar cumprimento a esta expetativa de que o investidor da companhia aérea seja conhecido antes do investidor da ANA», disse o secretário de Estado.

O Barclays Capital, o Banco Espírito Santo de Investimento, o Citi Bank e o Crédit Suisse serão os assessores financeiros nos processos de privatização da TAP e ANA.

terça-feira, 26 de junho de 2012

"Temos de aumentar a dimensão das empresas portuguesas"

Exportadoras têm alcançado resultados assinaláveis, mas ainda não suficientes para a economia nacional.
António Souto | O administrador do BES referiu que é urgente que as exportações portuguesas passem a valer mais de 40% do PIB.

O destino dos países raramente se joga na dialéctica do tudo ou nada, no entanto há momentos mais decisivos do que outros. Foi precisamente isso que os organizadores dos prémios internacionalização e exportação frisaram na cerimónia que distingiu as empresas vencedoras. As portas de saída para a exportação e internacionalização têm de se escancarar, para por aí passarem o maior número de empresas.

O administrador do BES, António Souto, começou por referir que o "crescimento depende da capacidade das nossas empresas de se internacionalizem e de internacionalizarem os seus produtos".

O gestor elogiou o caminho percorrido até ao momento, mas sublinhou que o mesmo não é suficiente. As exportações portuguesas continuam a crescer, e nos últimos dados conhecidos subiram 9,7% face ao período homólogo do ano anterior. No entanto, no primeiro trimestre, não valeram mais de 37,4% do PIB. Há mais dois pontos a rever: primeiro, o parco número de empresas que exporta, apenas 5,6% do total, e em seguida, o excessivo peso de poucas empresas nas vendas para o exterior, 80% do valor exportado concentra-se num pequeno grupo de empresas

"Portugal tem de conseguir que as exportações ultrapassem os 40% do PIB, brevemente, e aumentar o número de empresas que exportam", formulou o administrador do BES. Aliás, para António Souto é absolutamente imperioso que "as empresas portuguesas aumentem a sua dimensão", recorrendo à capitalização, neste momento mais complicada, ou através do criação de parcerias.

O responsável do banco referiu ainda que, actualmente, "o PIB potencial é diminuto em Portugal". "Precisamos de maior investimento das empresas, e maior produtividade", rematou.

Para Portugal não se adiar.
Já para o administrador da Cofina Media, Luís Santana, a afirmação da economia nacional "passa pelo incremento das exportações e da capacidade de internacionalização". "Para que Portugal não seja um projecto irremediavelmente adiado, este é um momento único para criar, ousar, exportar e para acreditar nas capacidades das empresas e empresários nacionais", acrescentou Santana.

O administrador do grupo que detém o Negócios aproveitou ainda para tecer elogios aos empresários que participaram neste prémio, e que "servem de modelo e inspiração para outros ". Luís Santana reforçou o peso do presente. " ´É o momento em que se joga o futuro das próximas gerações", rematou.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Banco de Portugal prepara novo exame às carteiras dos bancos

O Banco de Portugal comunicou às instituições financeiras que terão de voltar a ser avaliadas, com base nos balanços e nas suas carteiras de crédito do final deste mês, segundo escreve hoje o “Diário Económico”.

Trata-se, de acordo com a mesma fonte, de uma exigência da entidade liderada por Carlos Costa, que entende ser necessário tornar a avaliação das carteiras de crédito uma prática sistemática, o que deverá ocorrer pelo menos duas vezes por ano.

O trabalho do regulador na sua próxima análise decorrerá essencialmente entre Julho e Setembro, mas a esta análise seguir-se-ão regularmente novas inspecções, segundo o mesmo jornal.

Entre os elementos a observar pelo Banco de Portugal estarão a evolução dos empréstimos já analisados nas inspecções de 2011 feitas pela Troika, o surgimento de novos empréstimos e a forma como os bancos ajustaram as fragilidades das suas carteiras de crédito.

As instituições alvo deste acompanhamento mais próximo do Banco de Portugal serão a CGD, BCP, BES, SantanderTotta, BPI, Montepio, Banif e Crédito Agrícola.