A redução de liquidez está a levar os bancos a seleccionarem as empresas com bons projectos.
Numa altura em que o acesso ao crédito bancário está dificultado devido à obrigação dos bancos nacionais atingirem, até 2014, um rácio de transformação (crédito sobre depósitos) de 120%, as pequenas e médias empresas ( PME ) são aquelas que acabam por ter mais dificuldade em encontrar fontes de financiamento para a sua actividade. Enquanto as empresas de maior dimensão podem recorrer aos accionistas ou a emissões obrigacionistas, por exemplo, as PME estão dependentes quase exclusivamente da disponibilidade da banca para se financiarem. Mas com os baixos ‘ratings' de um país intervencionado pelo FMI, os próprios bancos não conseguem financiar-se nos mercados financeiros, recorrem quase sempre ao BCE. Tudo isto faz com que o crédito à economia (uma exigência da Troika) esteja substancialmente mais caro. As PME portuguesas pagaram este ano, por crédito até 250.000 euros, em média, 7,77%. A par disto está a aversão ao risco que faz com que o escrutínio das empresas que pedem crédito seja muito maior e no fundo seja essencialmente canalizado para as PME exportadoras de bens e serviços transaccionáveis. Uma vez que a contracção do mercado interno deixa as PME que não exportam numa situação crítica.
Isto é, o crédito a PME só para quem tem saúde financeira. Quase se poderia dizer que se encaixa à medida na máxima de Mark Taiwn: "um banqueiro é um homem que empresta o chapéu de chuva quando faz sol e que o tira quando começa a chover."
Têm sido vários bancos a anunciar linhas de crédito específicas para pequenas e médias, em particular para apoio à exportação. Muitas vezes são linhas relacionadas com os programas de apoio do Governo a este segmento como é o caso das linhas PME Investe e PME Crescimento, ou como é o caso mais recente dos Fundos de Capital de Risco do Compete (Revitalizar) vocacionados para revitalizar as PME de norte a sul do país. Mas os bancos estão também focados no apoio às PME rentáveis.
Bancos como o BPI, o Santander Totta, o BCP, o BES ou a CGD (mas não só) têm anunciado várias linhas de apoio a PME. O Santander Totta no início do ano anunciou que tinha 1,5 mil milhões de euros disponíveis para financiar as pequenas e médias empresas, isto "desde que haja empresas solventes e com bons riscos", um discurso também largamente repetido pelo presidente do BPI, Fernando Ulrich que não pára de anunciar que o banco tem muito crédito para dar, desde que surjam empresas com projectos rentáveis. O que se passa é que com a crise e a recessão a procura de crédito também diminuiu.
O Santander Totta parece levar a dianteira no apoio às PME. Para além de disponibilizar linhas de crédito para a internacionalização e exportação, a que chamou Solução Exportação, ainda pratica spreads médios na ordem dos 4,5% a 5% para PME. E disponibiliza a rede internacional do Santander para que as empresas se financiem localmente nos mercados onde investem, tendo para isso criado o Internacional Desk, que é um passaporte para circular nos mercados Santander.
No BCP as empresas exportadoras podem ter acesso a pré-financiamento à exportação, antecipação de receitas, descontos sobre o estrangeiro, garantias bancárias, factoring internacional, entre outros. O BCP disponibiliza igualmente crédito ao importador com recurso a seguros de crédito, sempre que o risco do país de destino ou da contraparte o aconselhem. Para além de aconselhamento sobre selecção de mercados de destino e selecção de instrumentos financeiros adequados, fazendo a montagem de soluções de apoio financeiro.
O BPI lançou em Março deste ano uma linha de 500 milhões de euros para empresas . Este banco disponibiliza através da Linha BPI PME Garantia Mútua, o acesso a uma solução de crédito desenhada para responder às necessidades das Micro, Pequenas e Médias Empresas.
Já a CGD anunciou a disponibilização, proveniente da linha PME crescimento, de 1,55 mil milhões para apoiar a capitalização de PME.
O BES tem a ‘BES Express Bill', solução de gestão de pagamentos e recebimentos de tesouraria. A aposta no apoio à internacionalização das empresas nacionais e ao sector exportador assenta também numa importante rede de plataformas bancárias do Grupo BES de mais de 2.200 bancos correspondente.
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