quarta-feira, 27 de junho de 2012

"Constipações em Espanha" provocam pneumonia em Portugal

O presidente da CIP manifestou hoje a sua preocupação com os riscos para Portugal das consequências de um aprofundamento da crise em Espanha.

"Tudo o que de mau ou de bom que aconteça em Espanha tem reflexos na economia portuguesa", disse o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) à saída da reunião de Concertação Social, que contou hoje com a presença do primeiro-ministro Passos Coelho, na véspera do arranque do Conselho Europeu.

António Saraiva disse assim estar "muito apreensivo" em relação à envolvente, tendo em conta que um terço dos 75 por cento de bens exportados para a União Europeia terem como destino Espanha.

"Dificilmente Portugal voltará aos mercados nas datas previstas", avisou.

Segundo o responsável, em resposta às inquietações dos empresários, o primeiro-ministro apenas manteve que o programa é para cumprir" e que "não haverá ajustamento nem de montantes nem de prazos".

Em relação a novas medidas de austeridade, Pedro Passos Coelho não se pronunciou, acrescentou.

O presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes, confirmou aos jornalistas a ausência do tema de novas medidas de austeridade na reunião entre os parceiros, referindo que Passos Coelho se limitou a fazer uma "apresentação genérica" sobre os temas do Conselho Europeu.

Vieira Lopes reconheceu, no entanto, que "parece começar a haver [no discurso do Governo] uma preocupação com o financiamento das empresas".

Os dirigentes das estruturas sindicais da função pública também participaram na reunião de concertação social de hoje porque foram convidados pela CGTP e pela UGT, dado terem estado em discussão as alterações legislativas do setor.

Foi também feito um balanço da aplicação das medidas do Compromisso para o Crescimento, Competitividade e Emprego relacionadas com a Administração Pública.

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