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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Portas considera 'excelente' aumento de remessas de emigrante

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros considerou hoje, no parlamento, “um excelente sinal” o aumento das remessas dos emigrantes nos primeiros meses do ano, mas o Bloco de Esquerda afirma ser preciso não “embandeirar em arco”.

“Eu acho um excelente sinal que as remessas dos emigrantes tenham aumentado. Os emigrantes estão a enviar mais remessas para o país, num momento que é especialmente difícil”, disse Paulo Portas na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, que decorre na Assembleia da República.

O chefe da diplomacia portuguesa afirmou que se trata de “uma grande lição de humildade para os que fazem críticas”, frisando: “Significa que somos dez milhões a lutar contra esta crise e mais cinco milhões, que estão emigrados”.

O deputado Pedro Filipe Soares, do Bloco de Esquerda, elogiou a atitude dos emigrantes portugueses, mas sublinhou que não se pode “embandeirar em arco”, porque o envio de remessas corresponde às necessidades cada vez mais “graves” do país.

Apesar das questões sobre o conflito na Síria, “Primaveras Árabes” e Guiné-Bissau terem sido abordadas, os assuntos económicos e europeus relacionados com a crise estão a marcar a comissão de Negócios Estrangeiros, com críticas da oposição às medidas de austeridade defendidas pelo Governo.

Os comunistas criticaram a falta de medidas para o crescimento económico, sem as quais consideram que não é possível equilibrar as contas públicas. “O salário médio de Portugal diminuiu sete por cento”, disse Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP.

“Não acredito na política de salários baixos”, respondeu Paulo Portas, salientando que são necessárias “leis laborais mais flexíveis” e que é importante haver “leis que tornem mais fácil contratar e não tornem impossível despedir”.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Irlanda aprova Tratado da austeridade com maioria de 60%

Os irlandeses aprovaram o Tratado orçamental com uma margem folgada de 60,3% no referendo realizado ontem.

No final, 955.091 eleitores aprovaram o documento, o equivalente a 60%, enquanto 629.088 irlandeses se opuseram.

Os dados acabam de ser divulgados em Dublim. O país junta-se agora à Grécia, Portugal, Eslovénia, Polónia, Roménia e Dinamarca, no campo dos que já ratificaram o Tratado, que entrará em vigor assim que 12 estados do euro o tenham adoptado.

A campanha na Irlanda ficou marcada pelo debate entre a relutância em reforçar a política de austeridade e o risco de não aceder a um novo resgate em 2013 se o país não for capaz de regressar aos mercados.

O novo fundo que entra em vigor em Julho só abre os cordões a países que tenham ratificado o Tratado Orçamental, que foi subscrito em Março por 25 líderes de estados membros. A República Checa e Reino Unido optaram por não fazer parte do clube, tornando o texto num tratado internacional e não europeu.

A grande novidade do Tratado é a inclusão de uma regra de ouro, o equilíbrio orçamental, do qual os países apenas se podem desviar em circunstâncias limitadas em défice e em tempo, sob pena de incorrer em sanções imediatas. A regra terá um valor paraconstitucional e serão criados mecanismos vinculativos para corrigir qualquer desequilíbrio.

Herman Van Rompuy, presidente da União Europeia já reagiu a este resultado, considerando que o apoio irlandês ao Tratado Orçamental é um "passo importante" rumo à estabilidade.

"Congratulo-me com o desfecho positivo no referendo na Irlanda", disse Van Rompuy, acrescentando que "com esta votação, o povo irlandês deu o seu apoio e compromisso quanto à integração europeia. Este resultado é um passo importante rumo à recuperação e estabilidade", disse.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Agência chinesa pede à Grécia que se mantenha no euro

Xinhua diz que é altura de líderes políticos do país se unirem e mostrarem heroísmo.

A agência noticiosa oficial chinesa, a Xinhua, exorta esta sexta-feira, num artigo intitulado «Nações endividadas da zona euro têm de mostrar coragem e sabedoria para acabar com a crise», os políticos gregos a manterem o país no euro.

Descrevendo a austeridade como «o pequeno preço a pagar para pôr as finanças em ordem e restaurar o crescimento económico», a Xinhua avisa que «a saída da Grécia da zona euro poderá impulsionar a saída de outros países europeus afetados pela crise da dívida e conduzir à desintegração final da zona euro».

Um cenário que, alerta, «traria perdas inestimáveis para a região e para todo o mundo». acrescenta.

«Se o Governo e o povo gregos não cumprirem as exigências de austeridade decorrentes do resgate de 169 mil milhões de dólares, o segundo do género, e saírem da zona euro, as consequências serão seguramente terríveis», pode ler-se no comentário da agência chinesa, citada pela Lusa.

Lembrando que a China «é um parceiro comercial chave da Grécia e da Europa» e «tem alto interesse na estabilidade e saúde das economias grega e europeia», a Xinhua diz que «chegou a altura de os líderes gregos se unirem e mostrarem algum heroísmo».

«Eles devem mostrar ao seu povo, ao resto da região e à comunidade internacional que têm a coragem coletiva e a sabedoria para manter esta antiga civilização na zona euro, ajudar a acabar com a crise e fazer renascer a economia interna - tudo ao mesmo tempo», remata o comentário chinês.

A União Europeia é o maior parceiro comercial da China e cerca de 10 a 20% das reservas cambiais chinesas - as maiores do mundo, estimadas em 3,3 biliões de dólares - são em euros.