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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

"Erro foi ter-se subestimado o efeito da austeridade"

A presidente do Conselho de Finanças Públicas diz que ajustamento tem sido "adiado há demasiado tempo" com medidas temporárias.

"Os mercados financeiros sabem que o défice parece uma coisa, mas é outra. Nessa perspectiva é muito difícil aliviar a austeridade. O erro foi no início ter-se subestimado o efeito das medidas de austeridade. O programa foi feito admitindo que o efeito da austeridade seria menor do que foi", declarou hoje Teodora Cardoso no programa Comissão Executiva, do ETV, em colaboração com a Ordem dos Economistas.

A economista criticou a aplicação de medidas temporárias que tem provocado um adiamento do processo de ajustamento. "Os objectivos não tem sido completamente atingidos. Arranjam medidas temporárias. Andamos a adiar ao ajustamento há bastante tempo", considerou.

Teodora Cardoso notou que o governo e a troika deveriam ter aplicado "um programa mais exigente a nível de medidas estruturais", que "exigem uma adaptação ao próprio país".

"Troika não é aquele papão que as pessoas imaginam"

A presidente do Conselho de Finanças Públicas explicou ainda que "a lógica da ‘troika' era de um ajustamento de curto-prazo", ao contrário dos problemas de Portugal. "O nosso problema não era de curto prazo, dramatizou-se por causa dos mercados, mas não era de curto prazo", sublinhou a economista.

No entanto, Teodora Cardoso retira responsabilidades aos parceiros internacionais pela actual situação do País, afirmando que a "troika não é aquele papão que as pessoas imaginam".


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Neves Corvo: AICEP negoceia um investimento de 130 milhões

A Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) vai negociar um investimento de 130 milhões de euros para as minas de Neves Corvo. A informação foi dada por Paulo Portas quando confrontado com a desistência do investimento da empresa Rio Tinto nas minas.

«Amanhã, nas minas de Neves Corvo, a Aicep estará a negociar, como é seu mandato e dever, um investimento de 130 milhões euros que vai criar e manter postos de trabalho que a Somincor quer fazer», anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros, no Parlamento, quando questionado por Basílio Horta, deputado do PS, sobre o anúncio da desistência da Rio Tinto pelas minas de Moncorvo.

Portas considera 'excelente' aumento de remessas de emigrante

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros considerou hoje, no parlamento, “um excelente sinal” o aumento das remessas dos emigrantes nos primeiros meses do ano, mas o Bloco de Esquerda afirma ser preciso não “embandeirar em arco”.

“Eu acho um excelente sinal que as remessas dos emigrantes tenham aumentado. Os emigrantes estão a enviar mais remessas para o país, num momento que é especialmente difícil”, disse Paulo Portas na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, que decorre na Assembleia da República.

O chefe da diplomacia portuguesa afirmou que se trata de “uma grande lição de humildade para os que fazem críticas”, frisando: “Significa que somos dez milhões a lutar contra esta crise e mais cinco milhões, que estão emigrados”.

O deputado Pedro Filipe Soares, do Bloco de Esquerda, elogiou a atitude dos emigrantes portugueses, mas sublinhou que não se pode “embandeirar em arco”, porque o envio de remessas corresponde às necessidades cada vez mais “graves” do país.

Apesar das questões sobre o conflito na Síria, “Primaveras Árabes” e Guiné-Bissau terem sido abordadas, os assuntos económicos e europeus relacionados com a crise estão a marcar a comissão de Negócios Estrangeiros, com críticas da oposição às medidas de austeridade defendidas pelo Governo.

Os comunistas criticaram a falta de medidas para o crescimento económico, sem as quais consideram que não é possível equilibrar as contas públicas. “O salário médio de Portugal diminuiu sete por cento”, disse Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP.

“Não acredito na política de salários baixos”, respondeu Paulo Portas, salientando que são necessárias “leis laborais mais flexíveis” e que é importante haver “leis que tornem mais fácil contratar e não tornem impossível despedir”.

Passos Coelho: "Hoje estamos em melhores condições para poder melhorar o nosso programa"

Portugal está "hoje em melhores condições para poder melhorar" o programa de ajustamento, disse esta tarde o primeiro-ministro, no debate do Estado da Nação, que decorre no Parlamento.

Passos Coelho admite que há margem para mexer em algumas medidas que aliviem o esforço de ajustamento, mas nunca revelou explicitamente vontade em negociar com a troika.

Em resposta a dúvidas levantadas pelo deputado do CDS, Nuno Magalhães, que questionou sobre impactos negativos de novas medidas de austeridade (como o aumento de impostos) , Pedro Passos referiu que "nunca ninguém me ouviu dizer que isto eram favas contadas, que o processo de ajustamento era indolor e se poderia fazer sem consequências sociais".

"Muitas vezes me acusaram de portador de más notícias. Mas quero hoje dizer ao país que há todos os motivos para ter esperança. Nós não estamos hoje em piores condições de avaliar a execução do nosso programa se tivéssemos tido quatro avaliações negativas no passado", recordou Passos.

"A razão porque hoje estamos em melhores condições para poder melhorar o nosso programa, para poder melhorar a nossa execução e cumprir os nossos objetivos, foi justamente porque desde o início a nossa predisposição foi a de gerar confiança e dizer que íamos cumprir. E dentro do limite das nossas possibilidades é isso que continuaremos a fazer porque é isso que os portugueses merecem", concluiu.