quarta-feira, 30 de maio de 2012

O que Portugal produz e que o mundo quer

A frase com que o Financial Times inicia um longo artigo sobre Portugal é a mesma que muitos portugueses colocam todos os dias. "O que pode Portugal produzir que o resto do mundo queira comprar?"

A resposta que, todavia, por cá parece difícil de delinear, é para o FT clara: papel higiénico preto e sapatos reais. As escolhas, pouco óbvias para o comum dos portugueses, é para o diário britânico algo incontornável para o resto do mundo.

Portugal inventou um papel higiénico com cor e o mundo das estrelas adora-o. O jornal dá o exemplo da estrela de televisão Simon Cowell, que não consegue viver sem este produto patenteado pela marca Renova. "O Renova Black, papel higiénico de designer ganhou status de culto, e é apenas um exemplo de inovação e diferenciação". E cita o director de marketing da empresa para dizer que "os produtos low-cost já não são uma opção para Portugal, especialmente porque irá haver sempre alguém, em alguma parte, que os fará ainda mais baratos".

Outro exemplo de fazer bem em português, diz o FT, é no ramo do calçado. O jornal pega na marca Helsar para dizer que em Portugal se fazem sapatos dignos de reis e rainhas. E são mesmo. A Helsar calçou a mãe e a irmã de Kate Middleton no dia do seu casamento com o príncipe William.

Jorge Correia, fundador da Helsar, confessou mesmo ao jornal que "muitos clientes nos dizem para rotularmos os sapatos com "Made in Italy" mas nunca o permitiria". A empresa originária do Porto gosta de fazer em português e, diz o jornalista Peter Wise, a marca está a conquistar o mundo e a ganhar a confiança de clientes internacionais.

Wise lembra que Portugal começou a dar maior valor às exportações a partir do ano passado como forma de reduzir a dependência externa e cortar no défice comercial. O resgate internacional poderá ter sido também o abrir de olhos que Portugal necessitava.

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