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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Fecharam 29 empresas de construção por dia até Junho

Governo cria regime excepcional para cauções no sector da construção.

A situação de colapso em que o sector da construção se encontra não dá sinais de melhoria. Ontem, no dia em que o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, foi à comissão parlamentar de Obras Públicas para falar sobre a crise nesta actividade, o presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), Reis Campos, revelava ao Diário Económico que, no primeiro semestre, "o sector perdeu 29 empresas por dia e 430 trabalhadores diários".

Perante este desempenho, Reis Campos salienta que "o primeiro semestre foi o pior dos últimos 30 anos", por isso garante que o sector nunca viveu uma situação tão deprimente como a actual.

O mesmo responsável, que assistiu à audição de Álvaro Santos Pereira, foi peremptório em reclamar "uma atitude do Governo no sentido de estancar esta degradação do tecido empresarial", sobretudo numa altura em que se regista menos 44% de encomendas oriundas do segmento de obras públicas. Reis Campos defende que o mercado privado tarda em recuperar "devido ao adiamento da lei do arrendamento e ao facto de a reabilitação urbana não tem sido a prioridade que o Governo tinha apontado".

Santos Pereira: "Este governo não tem medo de ir contra lobbys"

O ministro da Economia sublinhou hoje na comissão parlamentar de Economia e Obras Públicas, relativamente à renegociação das PPP, que "este Governo não tem medo de ir contra interesses instalados, não tem medo de ir contra lobbys", sublinhando que o Executivo "está fortemente empenhado em salvaguardar interesse nacional"

Álvaro Santos Pereira disse que o objectivo de conseguir com as renegociações dos contratos cortes de 30% "mantém-se". E que as renegociações que estão a decorrer continuam, explicando que em assuntos como este as negociações "fazem-se nos bastidores".

"É um trabalho intenso", afirmou Álvaro Santos Pereira, acrescentando que "assim que estivermos em condições para anunciar o pacote global este será anunciado".

Recordando a intervenção do Executivo relativamente às rendas da energia, Santos Pereira afirmou que "temos a mesma determinação em relação às PPP ".

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Sector automóvel pede apoio de 800 milhões para evitar falências

ACAP pede ao Governo uma linha de de apoio específica para o sector, cuja quebra de mais de 40% das vendas ameaça postos de trabalho.

Perante a quebra de perto de 50% de vendas de carros novos, a Associação Automóvel de Portugal (ACAP) vai propor ao Governo a criação de uma linha PME Crescimento Automóvel de apoio ao sector, com um montante disponível de 800 milhões de euros. A proposta será apresentada amanhã (5 de Julho) pelo secretário-geral da associação, Hélder Pedro, à Comissão Parlamentar de Economia e Obras Públicas.

A ACAP defende a constituição de uma linha específica, dentro dos actuais programas de apoio já existentes, mas tendo em conta as características das empresas do sector. "Não podemos ter os mesmos critérios para todas as empresas. Um concessionário não tem o mesmo volume de negócios que uma PME de outro sector. A venda de um carro representa um encaixe muito superior à venda de outro produto", salienta Hélder Pedro.

O universo de empresas do comércio, reparação, produção, fabrico, comércio de peças e acessórios para automóveis representava, no ano passado, cerca de 121 mil postos de trabalho e 25.700 empresas, segundo as estimativas da ACAP. "Acreditamos, que no final de 2012, este total deverá situar-se nos 100 mil postos de trabalho, ou seja menos 21 mil colaboradores. E que haja uma redução de cerca de 2.700 empresas", estima Hélder Pedro.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

"Se as portagens desaparecerem e os comboios andarem, os pastéis de nata chegam quentes a Espanha"

O secretário-geral do Eixo Atlântico, Xoan Mao, lamentou hoje que o ministro da Economia português não tenha tido "a cortesia" de marcar uma reunião para discutir portagens e ligações ferroviárias, a exemplo do que fez a homóloga espanhola.

"Eu gostaria de dizer ao ministro que, se as portagens desaparecerem e os comboios andarem, os pastéis de nata portugueses, que nós adoramos, chegam quentes, e terão melhor mercado em Espanha", afirmou Xoan Mao, lembrando a referência que Álvaro Santos Pereira fez ao potencial exportador daquele produto.

O secretário-geral da associação de municípios do Norte de Portugal e Galiza tem marcada para sexta-feira uma reunião com a ministra espanhola das Obras Públicas, Ana Pastor, para falar de portagens e da linha do Minho, mas não tem qualquer encontro agendado com o ministro português.

Xoan Mao, que falou na Corunha à margem da 1.ª Conferência sobre a Cooperação Inteligente, tem, no entanto, a informação de que as soluções preconizadas na última cimeira ibérica para tentar resolver os problemas levantados pela cobrança aos espanhóis nas ex-SCUT "estão a ser implementadas".

De qualquer forma, isso não lhe afasta os receios que "de que se vão registar maus números este Verão" no setor hoteleiro português, nomeadamente na zona fronteiriça, pois, "para muitos espanhóis, instalou-se a perceção que ir a Portugal se assemelha a viajar até à União Soviética no tempo da Cortina de Ferro".

Viana do Castelo já registou uma quebra de 40 por cento no turismo.

O outro dossier em aberto na euro-região Norte de Portugal-Galiza é o da linha Porto-Vigo, que Xoan Mao acredita será renovada com verbas do próximo quadro comunitário de apoio.

"Sabemos de Bruxelas que, se os dois governos apresentarem um projeto, ele vai ter apoio comunitário e as informações que nos chegam do governo espanhol e de alguns setores do Governo português - e, neste caso, informalmente - é de que efetivamente vão apostar nesta linha", afirmou.

O secretário-geral do Eixo Atlântico salientou ainda que esta será "também uma linha para mercadorias que faça um contínuo portuário da fachada atlântica da Península Ibérica, capaz de competir pelas mercadorias que virão do sudoeste asiático, uma vez ampliado o Canal do Panamá".

"Temos de trabalhar todos juntos, porque o nosso adversário são os portos do Mediterrâneo que se estão a organizar e têm em andamento o projeto do eixo do Mediterrâneo, que liga por comboio, quer de mercadorias quer de passageiros, Algeciras a Barcelona", lembrou Xoan Mao.

A cooperação transfronteiriça, que se discutiu no congresso organizado pela Conferência de Redes Europeias Transfronteiriças e Inter-regionais de Cidades, deverá receber, no caso da fronteira entre Espanha e Portugal, cerca de 800 a 1.000 milhões de euros no quadro comunitário de apoio que vigorará entre 2014 e 2020.

Esta é, pelo menos, a expectativa do secretário-geral do Eixo Atlântico, que espera beneficiar do aumento geral de 30 por cento nos apoios defendido pela Comissão Europeia. O Norte e a Galiza, recorda, costumam usufruir de cerca de 50 por cento dos fundos transfronteiriços, "ou seja, a euro-região poderá receber cerca de 400 milhões de euros".