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terça-feira, 19 de março de 2013

Exportações travam maior queda da actividade económica

O indicador de investimento quebrou um novo mínimo histórico em Janeiro. Ainda assim, o indicador de clima económico recuperou de forma “ténue”, assim como o indicador de actividade económica. INE explica que tal se deveu à recuperação das exportações.

Os mais recentes dados qualitativos apurados pelo Instituto nacional de Estatística (INE) com base em inquéritos levaram a uma recuperação “ténue” do indicador de clima económico em Janeiro e Fevereiro, embora não se afastando do mínimo da série, que foi atingido em Dezembro último.

O INE revela ainda que o indicador de actividade económica, disponível até Janeiro, registou reduções menos expressivas nos últimos cinco meses. Estas melhorias marginais deveram-se expectativas mais positivas em torno do comportamento das exportações, já que consumo e investimento acentuaram a trajectória de queda, tendo no último caso sido quebrado um novo mínimo histórico em Janeiro.

“O indicador de consumo privado apresentou uma diminuição homóloga ligeiramente mais intensa em Janeiro, reflectindo o contributo negativo mais significativo do consumo corrente”, refere o INE, na sua síntese económica de conjuntura. Também o indicador de investimento “diminuiu de forma mais acentuada em Janeiro, atingindo o mínimo histórico da série, em resultado da evolução negativa mais expressiva da componente de construção”.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Crise chega às exportações

O sector exportador português está a atravessar a pior fase desde o início da crise do euro em 2010. Apesar de ter resistido relativamente bem ao rebentar da crise europeia e à intervenção externa de Portugal, a realidade é que as exportações nacionais estão a começar a sofrer os efeitos da não resolução destas duas crises, que duram há mais de dois anos. E o único motor da economia que ainda funcionava ameaça assim estar a ‘gripar’.

O abrandamento nos mercados espanhol e alemão está a anular o sucesso das vendas extra-comunitárias, o crédito malparado triplicou no sector e o número de empresas exportadoras que já não pagam à banca quase duplicou desde Janeiro.

A confiança dos agentes do sector mostra ainda que 2013 poderá não ser o que o Governo espera. As empresas antecipam menos encomendas e menos negócio nos próximos meses.

Um regresso de férias difícil

O abrandamento do sector, que nos últimos dois anos ainda trazia algumas ‘boas notícias’ a Portugal, tem vindo a evidenciar-se desde o início do ano, mas após o Verão a situação degradou-se, rapidamente.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), as exportações subiram somente 1,7% no terceiro trimestre deste ano face a um ano antes. Este foi, aliás, o crescimento trimestral mais fraco desde o início de 2010, sendo também metade do verificado nos três meses anteriores (3,7%) e um quarto da média dos últimos três anos (7,6%).

Se a venda de bens para o exterior ainda se ‘aguenta’ em terreno positivo (subida de 2,4% no 3º trimestre de 2012), as exportações de serviços estão, desde Março, em terreno negativo (ver gráficos). E os serviços representam 30% das exportações totais em Portugal.

A travagem deve-se, sobretudo, à menor procura de países como a Espanha e a Alemanha, que quase anularam o ‘sucesso’ que as empresas nacionais têm tido junto dos clientes fora da Zona Euro.

Entre Janeiro e Setembro, as vendas para Angola e EUA subiram acima de 30%, enquanto as destinadas à China mais do que duplicaram (mais 147%) face ao período homólogo, adianta o INE.

O problema é que os mercados espanhol e alemão representam 35% do total de exportações portuguesas, um valor muito superior ao total do mercado extra-comunitário (peso de 28%): a China tem um peso de apenas 1,8% e Angola pouco mais de 6%.

As vendas para Espanha recuaram 4,6% e para a Alemanha 1,8%, nos primeiros nove meses do ano, eclipsando quase 700 milhões de euros em vendas, cerca de metade dos ganhos alcançados no mesmo período em Angola, EUA e China (cerca de 1,4 mil milhões), por exemplo.

Mas além da desaceleração nos principais compradores, as empresas exportadoras enfrentam, nos últimos meses, um fenómeno que costumava ser pouco relevante no sector: restrição de financiamento e dificuldades em pagar os compromissos à banca.

Exportadoras endividadas

A explosão do crédito malparado é um fenómeno que, apesar de não ter ainda a dimensão de outros sectores da economia – como a construção e o mercado imobiliário –, registou nos últimos meses uma evolução preocupante.

Segundo os dados mais recentes do Banco de Portugal, a percentagem de crédito malparado no crédito total das empresas exportadoras junto da banca quase triplicou entre Janeiro e Outubro, subindo de 1,7% para 4,6%. Só entre Setembro e Outubro, este indicador subiu quase 50%. Hoje, em cada 100 exportadoras 15 já não conseguem pagar a totalidade das suas dívidas ao sector financeiro. O crédito concedido ao sector também tem estado em queda, ainda que ligeira (menos 3% entre Janeiro e Setembro).

Mas o pior ainda poderá estar para vir, na medida em que a crise do euro continua a penalizar a região para onde são escoados mais de 70% dos produtos portugueses vendidos ao exterior.

O pessimismo dos empresários é já notório. Segundo dados do INE, os indicadores avançados para o volume de negócios e para as novas encomendas das empresas exportadoras – que mostram as expectativas para os próximos seis meses – tocaram novos mínimos de três anos em Outubro, sinalizando que os empresários estão cada vez pessimistas quanto ao final deste ano e a 2013.

Governo ainda optimista

As perspectivas macroeconómicas também não ajudam. A Zona Euro estará estagnada em 2013, enquanto Espanha e Itália vão estar sob forte austeridade e debaixo de uma recessão. Só no país vizinho – e de acordo com as estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Comissão Europeia – a recessão será mais profunda que em Portugal. Alemanha e França terão uma expansão discreta com o seu Produto Interno Bruto (PIB) a subir cerca de 0,5%.

O Governo espera que as exportações cresçam 3,6% em 2013, uma performance ainda assim abaixo do estimado para este ano (4,3%) e que já denota a travagem nos mercados europeus. Ainda assim, as previsões de Lisboa são mais optimistas do que as avançadas por Bruxelas (crescimento das exportações de 2,7%) e pelo FMI (3,5%).

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Greves nos portos travam exportações

As exportações portuguesas continuam a crescer, mas foram penalizadas pelas greves que, desde Setembro, têm vindo a afectar a actividade portuária - agora reduzidas aos portos de Lisboa, Setúbal e Figueira da Foz. Por isso, em Setembro, as exportações registam uma quebra de 6,5% quando comparadas com dados de igual mês de 2011.

Mesmo assim, o Instituto Nacional de Estatística (INE) diz que as exportações de bens aumentaram 7,7% de Janeiro a Setembro, em termos homólogos. Atendendo ao impacto das greves realizadas em Setembro, no terceiro trimestre deste ano o aumento das exportações já foi inferior, com uma variação de 4,5% face ao período homólogo do ano passado. Contudo, em valor, nos meses de Julho, Agosto e Setembro, Portugal exportou mais €477 milhões do que no mesmo período do ano passado.

No acumulado dos primeiros nove meses deste ano, isto é, de Janeiro a Setembro de 2012, as exportações de bens aumentaram 7,7% face aos primeiros nove meses do ano passado, tendo as empresas portuguesas exportado mais €2.4 mil milhões de bens neste período do que em igual período de 2011.
Balança comercial melhora 

Também relativamente ao acumulado do ano, as importações registam uma tendência de quebra, verificando-se um desagravamento no saldo da balança comercial de bens no montante de €4.7 mil milhões.

Considerando o mês de Setembro de forma isolada, em que as exportações sofreram o efeito da greve dos portos, mesmo apesar das exportações terem diminuído 6,5% face a Setembro de 2011, estas aumentaram 6,5% face a Agosto deste ano, o que significa que Portugal exportou mais €217 milhões em Setembro do que em Agosto de 2012.

Com o efeito da greve nos portos, de Agosto para Setembro de 2012, apesar de um comportamento positivo no montante total exportado, regista-se uma quebra nas exportações para os mercados extra comunitários, na ordem dos 17,0%.

De acordo com o INE, "para esta quebra contribuiu a paralisação dos portos nacionais, dado que as exportações para os Países Terceiros se processam sobretudo por via marítima".
AICEP critica greves portuárias 

O presidente da AICEP, Pedro Reis diz que "é fundamental que a espinha dorsal da nossa logística exportadora que são os portos funcione em pleno para que Portugal possa prosseguir o esforço nacional de diversificação de mercados".

Pedro Reis refere que "o abrandamento das nossas exportações para os mercados comunitários terá que ser compensado pelo crescimento das exportações para os mercados extra comunitários, e essa agenda tem que ser uma prioridade verdadeiramente nacional, o que exige um compromisso sério e empenhado por parte de todos os operadores económicos, sem excepção, pois só assim as nossas empresas podem continuar a exportar, como é vital para Portugal".

Apesar deste decréscimo no comércio extra comunitário no mês de Setembro, verifica-se no acumulado do ano um aumento de 23,3% nas trocas comerciais de Portugal com os países fora da União Europeia.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Crise e lentidão da Justiça são os principais obstáculos à actividade nas empresas

A crise e a lentidão do sistema judicial português são os dois principais obstáculos à actividade económica identificados pelas empresas.

Segundo o Instituto Nacional de estatística (INE), 14% das empresas têm pendentes acções judiciais contra si e 8% têm pendentes acções intentadas por si, sendo que em ambos os casos "a demora nas resoluções é o principal motivo de preocupação".

"O sistema judicial português é visto pela globalidade das empresas como tendo baixa qualidade no tocante à previsibilidade e coerência das decisões judiciais, cuja rapidez é genericamente avaliada como bastante baixa", refere o INE no primeiro Inquérito à Justiça Económica.

No entanto, acrescenta, "quando consideradas apenas as empresas efectivamente envolvidas em decisões judiciais, a avaliação é menos negativa, sobretudo no que se refere à qualidade das decisões".

A cobrança de dívidas motiva o maior número de acções judiciais contra terceiros, representando 52% do total de tipos de acções judiciais pendentes.

De acordo com o INE, "a resolução alternativa de litígios [através de processos de arbitragem, mediação e julgados de paz] é avaliada mais positivamente do que as decisões judiciais: igual qualidade menores custos e maior rapidez".

No entanto, de acordo com o inquérito, apenas 5% do total de empresas estiveram envolvidas num processo de resolução alternativa de litígios nos últimos três anos, sendo que, se considerado somente o segmento das grandes empresas, esta percentagem aumenta para 23%.

O desfecho da maioria dos processos de resolução alternativa de litígios foi favorável para 69% das empresas.

O Inquérito à Justiça Económica é realizado no âmbito de um protocolo de colaboração celebrado entre o INE e a Fundação Francisco Manuel dos Santos (FMS), tendo como base um inquérito oficial a cerca de 3.000 empresas portuguesas sobre a forma como a justiça económica influencia a sua actividade.

A Associação Comercial de Lisboa (ACL) e a FMS irão apresentar em Dezembro um estudo sobre a "Justiça Económica em Portugal", com base na informação hoje divulgada pelo INE.

De acordo com um comunicado enviado pelas duas entidades, o projecto, iniciado no ano passado resulta "da vontade em aprofundar o conhecimento da realidade judicial que envolve as actividades económicas com o objectivo de apurar os custos económicos e os problemas empresariais gerados ou amplificados por uma justiça económica ineficaz e, acima de tudo, apresentar alternativas concretas."

Em termos qualitativos, o estudo - da autoria de Nuno Garoupa, Mariana França Oliveira e Pedro Magalhães (com direcção executiva de Jorge Morais Carvalho) -- envolverá entrevistas realizadas a empresas, advogados, juízes e organismos representativos das classes profissionais.

Incluirá ainda o resultado de visitas a tribunais estrangeiros para uma verificação, na pratica e in loco, da adopção de praticas distintas daquelas que vigoram no sistema português, referem a ACL e a FMS.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

OCDE: Perspectivas para a economia portuguesa melhoram pelo quinto mês

Indicador avançado da OCDE aponta para nova melhoria na economia portuguesa e está no nível mais elevado desde Outubro de 2011.

A recessão da economia portuguesa estará a perder intensidade, de acordo com os indicadores avançados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) de Agosto.

O indicador subiu 0,24% em Agosto, naquela que foi a quinta subida mensal consecutiva. Acresce que a recuperação de Agosto foi a mais intensa destes cinco meses. O indicador atingiu 98,81 em Agosto, depois de ter subido 0,23% em Julho, 0,22% em Junho, 0,17% em Maio e 0,08% em Abril.

A leitura atingida em Agosto é a mais elevada desde Outubro de 2011, sugerindo que a recessão da economia portuguesa vai ficar menos acentuada. Este indicador avançado da OCDE permite antecipar o andamento da economia nos próximos seis meses, sugerindo deste modo que no arranque de 2013 a economia estará com uma recessão menos profunda.

O indicador permanece, porém, bem abaixo da média de longo prazo (100), e num valor 0,27% abaixo do verificado em Agosto de 2011, altura em que a economia já estava em contracção.

Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística apontam para que o produto interno bruto baixou 3,3% em termos homólogos no segundo trimestre, recuando 1,2% na variação em cadeia. O que representa uma degradação da actividade económica, já que no primeiro trimestre o PIB tinha recuado 2,3% em termos homólogos e 0,1% em cadeia. As previsões do Governo apontam uma quebra do PIB este ano de 3%. Este indicador não terá ainda em conta os efeitos na economia derivados das novas medidas de austeridade anunciadas pelo Governo português para incluir no Orçamento do Estado para 2013.

Piores perspectivas para a Zona Euro

Se para Portugal o indicador avançado da OCDE dá sinais menos negativos, para o resto do mundo as perspectivas são piores.

De acordo com a OCDE, o indicador avançado aponta para um enfraquecimento do crescimento nas maiores economias, que deverão continuar a abrandar nos próximos trimestres.

Os indicadores para os Estados Unidos e Japão continuam a dar sinais de “crescimento moderado” nestas economias. Pior está a Alemanha, França, Itália e Zona Euro como um todo, onde o crescimento económico deverá continuar a “enfraquecer”.

O indicador avançado para a Zona Euro recuou de 99,5 em Julho para 99,4 em Agosto. Nos últimos 12 meses este indicador tem apresentado sempre variações mensais negativas e em termos homólogos registou uma quebra de 1,18% em Agosto.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Exportações crescem 6,8% em Julho

As exportações portuguesas de bens cresceram 6,8% em Julho relativamente ao mesmo mês do ano anterior.

Já as importações caíram 6,2%, segundo dados hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

No caso das importações, trata-se do sexto mês consecutivo em que as importações de mercadorias caem. Aliás, no último ano, só em dois meses é que as importações tiveram variações homólogas positivas.

Os dados sobre o comércio internacional do INE revelam ainda que, no trimestre terminado em Julho, as exportações cresceram 8,5%, enquanto as importações diminuíram 6,5%.

Estas variações dos dois fluxos significam que a taxa de cobertura 
(percentagem das importações "paga" pelas exportações) subiu para 85,7% no trimestre de Maio a Julho deste ano - bem acima dos 74% que se verificavam no mesmo trimestre de 2011.

A taxa de cobertura é idêntica tanto para o comércio comunitário como extracomunitário. No entanto, considerando a balança comercial com o resto do mundo excluindo produtos energéticos, Portugal regista mesmo um excedente significativo: a taxa de cobertura sem contar com combustíveis chega aos 158,4%.

Estes números hoje divulgados pelo INE são nominais (isto é, não estão corrigidos da inflação ou de efeitos cambiais). Estes valores também dizem respeito apenas às exportações de bens, e não incluem serviços.

As exportações totais e em volume cresceram 4,3% no segundo trimestre de 2012, segundo dados divulgados pelo INE na semana passada.

O contributo do comércio internacional é considerado vital pelo
Governo para o crescimento da economia nos próximos anos. Para 2012, o Executivo espera que as exportações portuguesas de bens e serviços cresçam 3,4% (em volume, não em termos nominais).

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Erro da Autoeuropa valorizou exportações durante quatro meses

Erro na prestação de contas da Autoeuropa sobre as vendas ao exterior obrigou INE a rever em baixa as exportações entre Outubro e Janeiro deste ano.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) foi obrigado a rever em baixa os dados das exportações nacionais entre Outubro do ano passado e Janeiro deste ano. Tudo porque um erro da Autoeuropa na prestação de contas das suas vendas ao exterior valorizou as exportações durante quatro meses, num total de quase 100 milhões de euros. Em causa esteve uma duplicação de dados que só foi corrigida no último destaque do comércio internacional, relativo a Maio.

"A deteção de um erro nos dados declarados por uma importante empresa originou, pela sua magnitude, uma revisão extraordinária dos dados de 2011 e janeiro de 2012", avançou o INE, no último reporte sobre os dados do comércio internacional, divulgado a 10 de Julho.

Em causa estiveram vendas de automóveis da Autoeuropa para a China, sabe o Diário Económico. Isto porque os veículos saíram de Portugal directamente para a China, mas foram contabilizados como se saíssem com destino à Alemanha. Ou seja, uma falha de entendimento da Autoeuropa e da empresa que lhe faz a alfandegagem levou a que as vendas fossem contabilizadas com destino à Alemanha, e depois com destino à China, o que originou uma duplicação dos dados.

O erro levou a que as exportações fossem valorizadas durante quatro meses, entre Outubro de 2011 e Janeiro de 2012. O INE explicou ainda que só deu conta do erro quando os valores atingiram uma dimensão considerável, já que em termos mensais os números passaram despercebidos, dada a sua reduzida dimensão face ao total das exportações nacionais.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Novas encomendas à indústria acentuam queda em Maio

As novas encomendas à indústria acentuaram a diminuição em Maio face ao período homólogo.

O índice de novas encomendas recebidas pela indústria portuguesa observou uma variação negativa de 3,4% em Maio face ao mesmo mês do ano anterior.

Em Abril a queda foi de 2% face ao período homólogo, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

A diminuição mais acentuada do índice total foi determinada pela desaceleração do índice relativo ao mercado externo, o qual evoluiu de uma taxa de variação de 5,4% em Abril para 2,6% em Maio.

Quanto à taxa de variação homóloga do índice de novas encomendas com origem no mercado nacional, a mesma manteve a variação negativa em Maio, a descer 11,3% no quinto mês do ano face ao período homólogo, de acordo com o relatório do INE.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Turismo português é o terceiro que mais pesa nas exportações

Portugal é dos países da Zona Euro que mais depende do turismo para alavancar o crescimento. Recebe 3,6% do PIB com receitas deste género e é o terceiro país com um rácio turismo/exportações mais elevado.
Portugal é uma das economias da Zona Euro que mais ganha com o sector do turismo. Os dividendos da vinda de visitantes do exterior são colhidos sobretudo no Verão: o PIB (quase sempre) cresce, o desemprego melhora relativamente à estação anterior e as exportações disparam.

Em 2010, o último ano para o qual já há dados comparáveis, Portugal conseguiu exportar cerca de seis mil milhões de euros de turismo, o que corresponde a cerca de 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB).

Aqui contam-se não apenas as compras feitas pelos turistas estrangeiros em solo nacional – desde os postais de recordação até serviços de restauração – mas também as viagens pagas a transportadoras nacionais. Na prática, e em termos contabilísticos, estas trocas representam exportações – não de bens, mas de serviços.

Estes 3,6% são suficientes para colocar Portugal como a sexta economia da Zona Euro que mais exporta turismo em percentagem do PIB. À frente, só Áustria, Eslovénia, Estónia, Luxemburgo e Chipre. Países que têm em comum o facto de serem, na sua maioria, pequenas economias em que um pequeno influxo de turistas pode ter um grande impacto relativo.

Mas se levarmos em conta o tamanho do sector exportador, então o sector turístico nacional ganha ainda mais importância. É que mais de um décimo das exportações portuguesas vêm do turismo (ver gráfico), ficando Portugal classificado no terceiro lugar deste "ranking". Chipre e Espanha ficam à frente – esta segunda porque, apesar de exportar menos turismo, tem rácio exportações PIB/menor do que o português.

De salientar que nestas contas não entra um país que também poderia ficar nos lugares cimeiros. A Grécia, que exporta uma boa parte dos seus serviços através do turismo, mas cujos dados ainda não foram disponibilizados na base de dados europeia do Eurostat.

Espanhóis dão maior contributo

Os números acerca dos turistas não abundam. O retrato traçado todos os anos pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) baseia-se num inquérito feito aos residentes, pelo que é mais fácil conhecer o perfil turístico dos portugueses do que os comportamentos dos turistas estrangeiros.

Ainda assim, é possível saber que a maior parte dos turistas vem de Espanha (cerca de 10%), seguida imediatamente pelo Reino Unido e Alemanha (ver infografia). As dormidas começam a aumentarem Fevereiro e atingem um pico em Agosto.

O tema do turismo até deu azo a uma pequena polémica entre o presidente da República, Cavaco Silva, e o então ministro da Economia, Vieira da Silva. No Verão de 2010, o presidente da República apelou aos portugueses para que fizessem turismo dentro do país, contribuindo assim para o crescimento económico e reduzindo o volume de importações.

Mas Vieira da Silva não gostou e respondeu que, caso os outros países seguissem uma estratégia semelhante, Portugal acabaria por ser prejudicado, já que exporta mais turismo do que importa. "Só espero que os presidentes de outros países não façam o mesmo apelo, caso contrário perdemos uma fonte de receitas importante para o país. Há muitos turistas estrangeiros que vão a Portugal", disse o socialista.


segunda-feira, 18 de junho de 2012

Todos os dias 5 construtoras pedem a insolvência

É a derrocada da construção e imobiliário, que se debate, já desde 2002, com a mais longa e profunda crise de que há memória - só desde o início do ano, já pediram a insolvência 811 empresas, um aumento de 64%. São quase cinco empresas por dia.

Os números "são altamente preocupantes", diz Reis Campos, presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário, e atestam o desagregar do tecido empresarial com que a fileira se debate. "Vamos chegar ao final do ano com mais 14 mil empresas desaparecidas no sector da construção e do imobiliário", explica, lembrando que as insolvências "são uma ínfima parte" da realidade. "Muitos são os empresários que, simplesmente, encerram o negócio."

O reverso da moeda é o disparar dos números do desemprego. A construção e o imobiliário são o maior empregador nacional, mas perderam, na última década, mais de 320 mil postos de trabalho. "Estão a desaparecer, diariamente, 23 empresas e a deixar no desemprego 426 pessoas", refere o presidente da CPCI. "Só no primeiro trimestre do ano foram 38 mil os postos de trabalho eliminados, o equivalente a metade do emprego total destruído na economia."

Números 'negros' que tornam ainda mais incompreensível que o Governo tenha criado um programa de apoio ao emprego jovem e às PME, mas deixe de fora a construção e o imobiliário, defende. "É incompreensível que o sector, que tem contribuído com 49% a 50% dos desempregados em Portugal, seja excluído do único programa de incentivo ao crescimento e ao emprego que se conhece", protesta Reis Campos. Até porque os indicadores mais recentes "mostram um cenário devastador no que à construção e ao imobiliário diz respeito". De acordo com os mais recentes números do INE, o valor acrescentado bruto (VAB) do sector caiu 10,5%, enquanto o investimento em construção registou uma quebra de 12,5% em termos homólogos.

Os empresários recusam-se a baixar os braços. E exigem um conjunto de medidas que permitam inverter rapidamente o "estado de emergência" do sector - pagamento dos 1,4 mil milhões de euros de dívidas do Estado em atraso; incentivos à reabilitação urbana e ao arrendamento; reprogramação das verbas comunitárias do QREN para investimentos em áreas estratégicas; maior regulação do mercado imobiliário, impedindo a comercialização dos imóveis pela banca em condições de crédito incomparavelmente mais vantajosas; acesso equilibrado ao crédito e à liquidez necessária ao funcionamento das empresas; apoios á internacionalização, que já representa 15% da faturação das empresas nacionais; e, ainda, medidas fiscais, como a adoção de um regime de IVA de caixa para as PME, conferindo-lhes a possibilidade de entregarem o IVA ao Estado só depois de o terem recebido ou o estabelecimento de um regime excecional de extensão de prazos das licenças municipais.

"Em causa estão, no futuro imediato, 140 mil postos de trabalho diretos e cerca de 13 mil empresas, cujo impacto direto nas contas públicas resultante dos subsídio de desemprego e da perda de receitas fiscais será de 1,7 mil milhões de euros", salienta Reis Campos. O "colapso da construção" terá um "custo insustentável para o país", na medida em põe em risco a "sustentabilidade económica" nacional e os sacrifícios feitos pelos portugueses, pondo a nu a eventual necessidade de um novo pacote de resgate, alerta Reis Campos.