Continua a ser um país "cigarra": incapaz de transformar a inovação em resultados concretos e com impacto na economia e na sociedade. Em 2012, Portugal recuou uma posição no Barómetro de Inovação elaborado pela Cotec em parceria com a consultora Everis, ocupando, agora, o 31.º lugar entre 52 países analisados atrás de Espanha, Malta ou Eslovénia e seis posições abaixo da média global. Pela primeira vez, ficou atrás dos resultados médios obtidos pelos países da Europa Central e Oriental, e regressa a níveis de 2010.
"Somos "cigarra" porque temos condições, recursos, gastamos dinheiro mas os resultados são muito maus. É isso que nos leva a ser vistos como "cigarras" e a Cotec assume essa visão. De qualquer maneira, em 2012 perdemos posições nas condições e recursos, mas melhorámos nos processos e resultados. Continuamos cigarras, mas menos do que em anos anteriores", disse ao PÚBLICO Daniel Bessa, director-geral da COTEC Portugal e antigo ministro da Economia.
Os impactos da crise financeira e económica sentiram-se, sobretudo, ao nível do acesso ao financiamento. O barómetro, ontem divulgado, analisa vários pilares para calcular o índice de inovação e no que toca ao acesso ao dinheiro, Portugal desceu da décima para a 31.ª posição no ranking, elaborado com base em dados estatísticos sobre inovação e questionários a um painel de líderes. O ambiente "institucional" também não é favorável num país agarrado à ajuda externa. Dentro deste indicador foi avaliada a eficiência judicial, que recebeu nota negativa em 2012.
Há, contudo, boas notícias na avaliação do "capital humano". Portugal conseguiu obter pontuações mais altas do que no ano anterior em parâmetros como a "percentagem de jovens com idade entre os 20 e os 24 anos com, pelo menos, educação secundária", ou a "participação em formação ou aprendizagem ao longo da vida por 100 habitantes entre os 25 e os 64 anos". Também se destacou na proporção de investigadores por milhão de habitantes.
Avaliado quanto aos impactos da inovação, Portugal está abaixo da média da Europa do Sul, realidade que vale para todos os indicadores analisados pela Cotec: da incorporação da tecnologia à aplicação do conhecimento, passando pelo investimento e a envolvente institucional, todos os países do Mediterrâneo conseguem obter melhores classificações no ranking.
O estudo traça o perfil das economias, classificando-as como "cigarra", abelha ou "caracol". Tal como referido, Portugal é considerado um país cigarra ou "desperdiçador" e juntou-se a um clube composto por 12 protagonistas (eram cinco o ano passado), onde se incluem Eslováquia, Espanha, Letónia, Lituânia, Polónia e Uruguai - até agora considerados "formigas" (com capacidade de trabalho e de concretização). Na linha da frente está a Suíça, o país com melhor desempenho global.
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