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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Patrões pedem a Gaspar para flexibilizar acordo da ‘troika’

Parceiros patronais reúnem com Gaspar antes da vinda da ‘troika’.


Os presidentes das confederações do comércio e da indústria vão pedir ao ministro das Finanças a redução no pagamento de juros do empréstimo de 78 mil milhões de euros contraído no âmbito da assistência financeira a Portugal. A proposta de flexibilização do resgate incide ainda nos prazos das metas do défice e será dirigida a Vítor Gaspar na próxima reunião com os parceiros patronais, antes da vinda da ‘troika' para a quinta avaliação. No encontro, serão discutidas medidas para a competitividade das empresas e relançamento da economia.

O apelo dos patrões surge depois do FMI ter deixado a porta aberta em reuniões bilaterais que realizou, em Junho, com alguns dos parceiros patronais para uma eventual poupança com juros.

"Os parceiros patronais têm reuniões programadas, ainda não agendadas, com o ministro das Finanças, antes da vinda da ‘troika' no final de Agosto. Pretendemos apresentar algumas medidas que visem facilitar o programa de ajustamento, nomeadamente o alargamento de prazos e a redução dos juros do empréstimo a Portugal", avançou ao Diário Económico António Saraiva, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP). Este responsável manifesta o desejo de consenso de todos patrões numLconjunto de medidas para estimular a competitividade e o relançamento da economia e também para a flexibilzação do acordo.

António Saraiva recusa confirmar a disponibilidade da ‘troika' para uma redução dos juros pagos pelo empréstimo, justificando que "a CIP não divulga os pormenores destas reuniões". Mas diz que esta é uma hipótese que veria "com bons olhos, pois aliviaria o esforço do Governo, permitindo uma folga ao serviço da economia e das empresas".

Também João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) é peremptório: "Em todos os contactos com o Governo, estaremos dispostos a defender condições mais aliviadas para cumprir os objectivos".

Para a CCP é altura de recuperar o atraso nas medidas viradas para o crescimento. Vieira Lopes diz mesmo que o modelo que está a ser seguido está errado. "A destruição do tecido económico não consegue ser compensada pelo aumento de exportações, que quanto muito garantirá mais 150 mil empregos", defende, reafirmando a necessidade de aliviar a carga fiscal das empresas e perda de rendimentos dos portugueses.

Já António Saraiva deixa o alerta: "Se isto é uma maratona, dêem-nos, pelo menos, algumas vitaminas para podermos chegar ao fim do caminho, sob pena de sucumbirmos". O presidente da CIP recorda que, em 2011, o Governo garantiu uma poupança de cerca de 500 milhões de euros (prevista do Rectificativo deste ano), após a redução dos juros dos empréstimos bilaterais a Portugal. "Há aqui uma estrada para ser feita, que conjugada com a redefinição dos prazos dá mais espaço para a economia e as pessoas respirarem", afirma o líder da CIP, alertando, uma vez mais, para a necessidade "urgente" de financiamento das empresas.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Troika chega amanhã ao Chipre para analisar contas públicas


Os investigadores da troika estão a chegar ao Chipre para analisar as contas públicas, depois do país ter solicitado uma ajuda financeira para recapitalizar os bancos.
O grupo é formado por 25 técnicos e começará amanhã o trabalho de revisão das contas cipriotas. Para o primeiro dia já estão marcadas reuniões com os representantes do Ministério das Finanças e do Banco Central do país para analisar as necessidades económicas do sector. O sector financeiro cipriota está bastante debilitado pela exposição à dívida grega e a títulos soberanos.
Só os principais bancos cipriotas requerem uma injeção de capital de 2300 milhões de euros, mas a agência Fitch prevê que todo o sector possa necessidade de até seis mil milhões de euros, cerca de 30% do PIB do país.
Algumas fontes, avança o Expansíon, referem que o resgate poderá chegar aos 10 mil milhões de euros, 50% do PIB do Chipre, para dar resposta não só às necessidades de recapitalização da banca como também às do Estado.
Mas nesta viagem os especialistas não se limitarão a uma análise ao sector financeiro, e irão também debruçar-se sobre a economia do país em geral, tema que irão analisar em profundidade em conjunto com uma comissão parlamentar de economia.
O Chipre tem vindo a mostrar alguma incerteza relativamente às condições macroeconómicas que poderão surgir como contrapartida para a ajuda. O país tem grandes parecenças com a Grécia, partilhando laços culturais e históricos. Tal como na Grécia o desemprego também tem vindo a crescer exponencialmente, com aumentos de 10% em quatro anos.
A viagem da troika poderá durar entre duas a três semanas, no final desse período o dinheiro poderá seguir para o país.