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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Fitch vê implementação "politicamente mais difícil" do memorando

A agência mantém como cenário base que Portugal vai precisar de um segundo resgate.

A Fitch está preocupada com a evolução do programa de ajustamento português. Apesar de reconhecer que o Governo está comprometido com a consolidação orçamental e que o défice externo está a ser corrigido mais rápido que o previsto, a agência lembra que o programa "ainda só está parcialmente cumprido".

E, nesse sentido, afirma no seu relatório sobre Portugal, hoje publicado, que o programa está "numa fase delicada", em que a coesão política e social em torno do memorando "está a ser testada pelo Orçamento do Estado para 2013", ao mesmo tempo que "constrangimentos institucionais podem limitar a margem de manobra do Governo.

Além disso, "as fracas perspectivas económicas desafiam o plano de redução do défice", frisa a agência de 'rating'. Recorde-se que, este ano, a recessão e a escalada do desemprego provocaram uma derrapagem na execução orçamental que obrigou o Governo e a 'troika' a reverem em alta a meta do défice inicialmente prevista, de 4,5 para 5% do PIB.

A Fitch avisa ainda que será necessário "um esforço considerável" para que as finanças públicas sejam sustentáveis a médio prazo, o que vai implicar que Portugal mantenha o excedente no saldo primário de cerca de 3% do PIB de 2013 para a frente. Só assim será possível estabilizar a dívida pública em 116% do PIB em 2020, garante.

Olhando para os pontos positivos e para os riscos com que Portgual se depara, a Fitch não tem dúvidas: "O financiamento após 2013 não está assegurado. A Fitch mantém como cenário base que o actual programa do país irá ser extendido", pode ler-se no relatório, que acrescenta que "ajuda oficial adicional será necessária e providenciada a médio prazo".

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Troika chega amanhã ao Chipre para analisar contas públicas


Os investigadores da troika estão a chegar ao Chipre para analisar as contas públicas, depois do país ter solicitado uma ajuda financeira para recapitalizar os bancos.
O grupo é formado por 25 técnicos e começará amanhã o trabalho de revisão das contas cipriotas. Para o primeiro dia já estão marcadas reuniões com os representantes do Ministério das Finanças e do Banco Central do país para analisar as necessidades económicas do sector. O sector financeiro cipriota está bastante debilitado pela exposição à dívida grega e a títulos soberanos.
Só os principais bancos cipriotas requerem uma injeção de capital de 2300 milhões de euros, mas a agência Fitch prevê que todo o sector possa necessidade de até seis mil milhões de euros, cerca de 30% do PIB do país.
Algumas fontes, avança o Expansíon, referem que o resgate poderá chegar aos 10 mil milhões de euros, 50% do PIB do Chipre, para dar resposta não só às necessidades de recapitalização da banca como também às do Estado.
Mas nesta viagem os especialistas não se limitarão a uma análise ao sector financeiro, e irão também debruçar-se sobre a economia do país em geral, tema que irão analisar em profundidade em conjunto com uma comissão parlamentar de economia.
O Chipre tem vindo a mostrar alguma incerteza relativamente às condições macroeconómicas que poderão surgir como contrapartida para a ajuda. O país tem grandes parecenças com a Grécia, partilhando laços culturais e históricos. Tal como na Grécia o desemprego também tem vindo a crescer exponencialmente, com aumentos de 10% em quatro anos.
A viagem da troika poderá durar entre duas a três semanas, no final desse período o dinheiro poderá seguir para o país.