Oprojecto ‘Matchpoint’, coordenado pela AICEP, identifica mercados com elevado potencial exportador.
A Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) está a desenvolver um estudo com o nome de código ‘Matchpoint' sobre oportunidades de negócio para as empresas portuguesas em 31 mercados. Um projecto que estará concluído no primeiro trimestre do próximo ano.
Para a instituição liderada por Pedro Reis trata-se de informação estratégica com o objectivo de apoiar uma abordagem comercial futura às companhias nacionais, esclareceu ao Diário Económico. O responsável pela dinamização do comércio externo e pelo investimento realça que o documento acolhe "intelligence nacional". E explica que o grande desafio será "como divulgar esta estratégia, mantendo a base da matriz de informação reservada aos olhos do mundo".
Pedro Reis não deixa, aliás, de enfatizar a importância do documento, considerando-o como inédito e nevrálgico. É "inédito, reforça, porque nunca se foi tão longe em Portugal no alinhamento entre esfera pública e sector privado, com vista a definir e implementar uma matriz estratégica da nossa internacionalização". E é nevrálgico devido ao facto de "permitir alinhar esforços, focar recursos e concertar estratégias" para o posicionamento externo da economia portuguesa nos próximos anos.
Augusto Mateus, ex-ministro da Economia de António Guterres, confrontado com este novo instrumento da agência pública para a internacionalização das empresas, salienta que a lógica na internacionalização deve estar em casar a oferta à procura. Apesar de não conhecer o documento, destaca que a "abordagem deve ser continuada e orientada para a resposta à procura e não de curto prazo e orientada para a resposta à oferta".
João Miranda, presidente executivo da Frulact, empresa que marca presença em vários mercados internacionais - dos quais o último foi a África do Sul -, realça também o desenvolvimento do "intelligence" sectorial. Para o empresário, a "identificação da "oferta" nacional associada a cada sector é fundamental".
Questões que a AICEP pretende solucionar com o arranque do ‘Matchpoint'. Segundo a agência, o estudo visa precisamente "sinalizar oportunidades de negócio concretas para as empresas onde a AICEP identificou uma procura real e uma oferta capacitada, mas que não está ainda materializada em negócios". Aliás, a instituição faz questão de sublinhar que o documento não define mercados prioritários, mas sim identifica mercados onde há potencial de negócio.
Associações vão participar na definição do documento.
Os 31 mercados já foram identificados e serão dados a conhecer às associações e corporações no âmbito do Conselho Estratégico de Internacionalização da Economia (CEIE) para possíveis correcções e validação das opções inscritas no documento, permitindo que esteja concluído no início do próximo ano. Agora a AICEP quer que ao longo de 2013 surja do CEIE um quadro claro da matriz de internacionalização da economia e do respectivo plano de acções.
Sobre esses mercados, Pedro Reis levanta um pouco o véu, identificando, a par de países europeus, mercados como o chinês e o brasileiro. "A aproximação à China terá efeitos multiplicadores a curto e médio prazo. E, quanto ao Brasil, referiu estar "convencido que haverá nos próximos anos uma segunda vaga de empresas a investir em Portugal e não será por causa das privatizações. Quando os empresários olham para a Europa aparece-lhes Portugal pela porta", salienta.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.