Para o FMI, há uma “fadiga de ajustamento” nos países alvo de ajuda externa. Passos Coelho ainda não garantiu défice.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou ontem para o perigo de "fadiga" de austeridade nos países sob ajuda externa, considerando que a Grécia deve servir de aviso para os restantes países, Portugal incluído. A deterioração da actividade económica, diz o FMI, exige que se preste mais atenção às metas estruturais, ao invés das nominais, que serão necessariamente afectadas pela recessão. Num relatório sobre a execução orçamental, o BPI vai ao encontro das preocupações do Fundo e avisa - uma visão corroborada pelos economistas - que a adopção de medidas de austeridade adicionais pode tornar-se contraproducente.
Em véspera de publicar os documentos com as conclusões da última revisão ao programa português - serão conhecidos hoje -, o FMI veio alertar para os perigos de austeridade em excesso. "Nos três países da zona euro com programas suportados por financiamento da União Europeia e do FMI, o ajustamento está a prosseguir, mas a recente deterioração do clima político e económico na Grécia serve de aviso para a possibilidade de se estar a dar início a uma ‘fadiga do ajustamento', o que é uma ameaça à continuidade da implementação dos programas" de consolidação, pode ler-se na actualização do Fiscal Monitor do Fundo, publicado ontem.
"Esse perigo [de fadiga de austeridade] existe", reconhece João Loureiro, economista e professor da Universidade do Porto. "E o risco será ainda maior se [as eventuais medidas adicionais de austeridade] forem pelo lado da receita fiscal, nomeadamente impostos sobre o rendimento, seja de trabalho ou de capital", acrescenta.
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