Número de trabalhadores que saiu, por aposentação, ascendeu a 400. Não há plano de redução de pessoal para 2012
Os CTT - Correios de Portugal pediram regime de exceção nos cortes salariais ao Governo, adiantou esta terça-feira o presidente do grupo.
«Temos uma solicitação de orientação sobre a matéria», disse Pedro Coelho, precisando que ainda não obteve uma resposta.
Segundo o administrador financeiro dos CTT, Duarte Araújo, o valor dos cortes de salários no grupo em 2011 ascendeu a 2,8 milhões de euros, após impostos. «A população abrangida por estes cortes é pequena», disse o administrador, citado pela Lusa.
Segundo outro administrador, Carlos Dias Alves, os CTT recorreram da decisão do Tribunal do Trabalho que obrigava a empresa a repor os cortes efetuados nos salários, que agora está a ser analisado pelo Tribunal Constitucional.
Recorde-se que no início do ano o Tribunal do Trabalho decidiu que os CTT teriam de repor o valor do corte nos salários dos funcionários dos Correios, durante 2011.
«Os CTT recorreram dessa decisão e esse recurso foi aceite e dirigido ao Tribunal Constitucional», pelo que «não houve uma execução da sentença».
Nota ainda para o facto de o número de trabalhadores que saiu dos Correios em 2011, por aposentação, ascendeu a 400. Os Correios não têm qualquer plano de redução para pessoal este ano
Estratégia passa por comprar empresas
Os CTT admitem ainda fazer compras estratégicas caso encontrem uma oportunidade, sendo que mantêm o interesse no Banco Postal. Incluindo compras de empresas, segundo o vice-presidente dos Correios de Portugal.
Essas compras podem passar quer pelo mercado português como pelo internacional, embora internamente os CTT tenham de ter em conta a lei da concorrência. «Em princípio, o que tem estado em análise tem sido em países estrangeiros». No entanto, a aprovação de uma eventual aquisição depende sempre do acionista Estado.
Além disso, a internacionalização do grupo passa também pelo estabelecimento de parcerias em mercados de língua portuguesa.
O processo de privatização dos CTT arranca este ano e estará concluído em 2013. Recentemente foi publicada a lei sobre a liberalização do serviço postal universal. Segundo Pedro Coelho, a empresa está a preparar informação, tal como cadastros patrimoniais, entre outros dados, para se preparar para o processo de privatização.
Lucros aumentaram no ano passado
Os lucros dos CTT subiram 0,7% no ano passado, face a igual período de 2010, para 56,7 milhões de euros, foi hoje também revelado.
Os rendimentos operacionais do grupo CTT recuaram 4,2%, para 761,1 milhões de euros, reflectindo o declínio da procura postal de 6,4%.
O serviço postal e o serviço expresso - responsáveis por uma parcela bastante significativa dos rendimentos do grupo - sofreram o impacto da crise económica.
Assim, o rendimento operacional do serviço postal recuou 5%, para 594,8 milhões de euros, enquanto o serviço expresso sofreu uma quebra de 6,9%, para 133,9 milhões de euros.
Por segmento de negócios, apenas os serviços financeiros e o serviço documental registaram um crescimento em 2011, de 3,4% e 3,1%, respetivamente.
Os gastos operacionais, excluindo imparidades, provisões, depreciações e gastos não recorrentes, recuaram 6,7%, para 656 milhões de euros, e o resultado antes de impostos, juros, amortizações e depreciações (EBITDA) aumentou 15,5%, para 105 milhões de euros.
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