quarta-feira, 30 de maio de 2012

Os grandes negócios não começam com um plano

Por mais formação que possa ter, por mais livros que possa devorar, acredite que isso não chega para o sucesso de um negócio. No final do dia, tudo se resume a paixão, dedicação e outras coisas que não se conseguem pôr numa folha de Excel, por mais importante que seja.

Você quer começar um negócio. Então precisa de um plano, certo? Não. Nem por isso.

Como parte da pesquisa para um livro de que sou coautor - Heart, Smarts, Guts, and Luck, a ser lançado em Agosto pela HBR Press -, os meus colegas e eu entrevistámos e analisámos centenas de empresários bem-sucedidos no mundo inteiro para compreender melhor o que é preciso para se ser empresário e construir um negócio verdadeiramente bom. Uma das nossas conclusões mais surpreendentes foi que dos empresários participantes que tiveram um final de êxito [isto é, uma entrada em bolsa (IPO) ou venda a outra empresa], cerca de 70% NÃO começou com um plano de negócio.

Ser inexperiente pode ser uma vantagem. Saiba porquê aqui.

Em vez disso, as suas viagens de negócios tiveram origem num sítio diferente, um sítio a que chamamos Vontade. Foram desenvolvidas não com um documento mas com um sentir e pôr em prática uma autêntica visão. A clareza do objetivo e a paixão comandaram os dias com menos tempo gasto a escrever sobre uma ideia e mais tempo empregue a concretizá-la.

Não é que todo o planeamento seja mau. É que os esforços para elaborar o plano de negócios "perfeito" levam normalmente a ser precisamente incorreto em vez de aproximadamente correto. Um dos problemas é que o conteúdo em qua a maioria das pessoas se foca nos planos de negócio tem pouco a ver com a realidade que surgirá efetivamente. Muitos planos de start-ups enfatizam alguns mercados potenciais gigantes e como obter apenas a menor fatia dos mesmos os fará a elas e aos investidores ricos.

Um colega dá o exemplo hipotético de vender uma barra de sabonete todos os meses por um dólar todos a apenas 0,5% das pessoas na China. É um negócio de quase 100 milhões de dólares! Mas vai precisar de muita sorte para que isso aconteça.

No início de uma empresa, os recursos são limitados, e o melhor conteúdo para um plano de negócios é informação do mundo real baseada em testar os vários aspetos do conceito. Estas experiências não precisam de ser complexas. Você vai querer testes simples e iterativos que sejam facilmente mensuráveis e lhe permitam saber se está a vencer ou não.

E isto não é só para as start-ups. A arquitetura estratégica de qualquer negócio deve incorporar testes de factos do mundo real para permitir que se para ajustar o percurso conforme necessário. É isto que Henry Mintzberg, uma figura inovadora da teoria de estratégia competitiva , descreveu em tempos como sendo estratégia "emergente" ou "evolucionária". O meu sócio Mats Lederhausen (anteriormente diretor geral de estratégia da McDonald's assim como ex-Presidente Executivo da Chipotle) tem o seu próprio ditado para isto: pensar em grande, começar de forma modesta, e depois crescer ou fracassar rapidamente.

Por isso, não se preocupe demasiado com um plano de negócios. Mas para orientar a sua linha de raciocínio, melhorar os argumentos para os possíveis investidores, ou alinhar melhor as suas equipas, considere os pontos seguintes:

1. Identifique e articule claramente a sua Vontade e objetivo. Quer queira chamar-lhe visão, vontade, objetivo ou vocação, seja muito claro no porquê de um negócio - o maior objetivo em causa.

2. A equipa é mais importante do que qualquer ideia ou plano. As três prioridades principais devem ser as pessoas, a seguir as pessoas, e por fim as pessoas.

3. Pensar em grande, começar de forma modesta, e depois crescer ou fracassar rapidamente. Por conselho de Lederhausen, dê o primeiro passo correto de “começar de forma modesta”; pois este envolve normalmente ver a vontade que as pessoas têm em comprar ou pelo menos tentar o seu produto.

4. Foque-se num subsegmento ou nicho bem-definido do mercado. Pelo menos para começar, pense onde é que pode ser o melhor potencialmente. Esta estratégia é quase sempre mias bem-sucedida do que ser apenas mais um jogador num mercado enorme.

5. Compreenda o seu modelo de negócio. A forma como vai fazer dinheiro é mais importante do que páginas de Excel que apresentam aspetos financeiros que, de qualquer forma, são demasiado difíceis de prever nesta fase inicial. Em vez disso, compreenda a forma básica como vai fazer dinheiro – é através de transações, publicidade, subscrições, etc?

Parece existir um mercado perpétuo para aulas, livros e modelos de como fazer que promete instruções quase do mais simples que há para preencher planos de negócio. Embora alguns aspetos destas ferramentas sejam úteis para uma abordagem estruturada, estas são mais propensas a induzir em erro devido á sua ênfase em realizar o plano de um negócio antes de descobrir a sua alma e demonstrar se outros se identificam com ele.

As pessoas têm uma sensação de concretização após finalizarem o seu plano, mas o que é que o plano lhes traz verdadeiramente? Preencher folhas de Excel nunca poderá substituir a paixão e o objetivo do seu negócio. Essa vontade tem que estar lá desde o primeiro dia. O plano de negócios mais estudado terá pouco valor sem uma vontade genuína por trás da ideia e a coragem para a pôr em prática.

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