Presidente da Câmara de Comércio Luso-Espanhola diz que entrada de empresas espanholas em Portugal é passado. A aposta são os novos mercados.
A entrada de empresas com capital espanhol em Portugal já era. O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola assegura que o difícil acesso ao crédito e a grave crise na Europa fizeram com que o auge de 1800 empresas espanholas em Portugal não tenha aumentado nos últimos anos.
Ao Dinheiro Vivo, Enrique Santos assegura que a situação de Espanha é "preocupante". "Os dados do desemprego são preocupantes, temos que ter em conta a taxa de 25% em Espanha. A questão é que, se Portugal teve o problema da dívida da Madeira, Espanha tem 17 problemas iguais. Dezassete “Madeiras”, 17 regiões autónomas com problemas tão ou mais graves do que aquela região autónoma portuguesa.", explica.
Perante as declarações de Mariano Rajoy que acredita que Espanha está livre do recurso a um resgate financeiro, Enrique Santos acredita que as "medidas radicais" tomadas pelo Governo espanhol podem ajudar à recuperação económica.
"O que mais me preocupa em relação ao tema ibérico não é Portugal, é Espanha. Se acontecer alguma coisa em Espanha, se a economia não recuperar, Portugal é o primeiro país a sofrer. Portugal é “hispanodependente”: economia, turismo, investimentos. Todos os setores são muito dependentes das empresas e dos consumidores espanhóis.", acrescenta.
Quando às declarações de Felipe Gonzalez, ex-chefe do Governo espanhol, Enrique Santos não tem dúvidas. Se Espanha recorrer a um resgate, a Europa segue-lhe os passos. "Virá logo a seguir a Itália, a Inglaterra – não tenho dúvidas nenhumas – e outros países. Com certeza. A situação é difícil, sentimo-la no dia a dia. O problema não é só de Portugal e d Espanha, o problema é global."
As empresas devem, por isso, alargar o número de mercados e tentar responder à enorme dependência ibérica em todos os setores. "Portugal terá que descentralizar a sua ação, dirigir-se a países não tradicionais – incluo Angola, Moçambique, África do Sul, Brasil, Índia, naturalmente. As empresas estão descapitalizadas, os bancos não favorecem a situação porque não fazem créditos às empresas. E, aquele fluxo de empresas que nos últimos anos chegou ao auge de 1800 empresas com capital espanhol em Portugal estagnou, parou. Essa situação já não existe."
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