Os bancos portugueses voltaram a apertar «ligeiramente» os critérios de concessão de crédito no primeiro trimestre do ano, revela o inquérito realizado pelo Banco de Porqugal a cinco grandes grupos bancários.
Segundo o relatório do inquérito, publicado esta quinta-feira, as dificuldades acrescidas aplicaram-se tanto a empresas como a particulares.
Na origem da maior restritividade esteve «uma perceção menos favorável dos riscos, bem como o aumento dos seus custos de financiamento e restrições de balanço».
Maiores exigências na hora de dar crédito «que se traduziram num aumento dos spreads aplicados (com especial ênfase nos empréstimos de maior risco), mas também na aplicação de outras condições contratuais ligeiramente mais restritivas».
No caso das empresas, o Banco de Portugal sublinha a redução das maturidades dos empréstimos, condições contratuais não pecuniárias (covenants) mais restritivas e o reforço das garantias exigidas. Por sua vez, no caso específico dos empréstimos a particulares para a aquisição de habitação, é digna de nota a maior exigência quanto ao rácio entre o valor do empréstimo e o valor da garantia.
Portugueses recorrem mais a poupanças
A procura de crédito por parte das empresas estabilizou e, no caso dos particulares, até diminuiu, sobretudo no crédito à habitação.
No plano empresarial, há «menores necessidades de financiamento para efeitos de investimento ou fusões/aquisições e reestruturação empresarial», mas ao mesmo tempo «as crescentes necessidades de financiamento de existências e de fundo de maneio, bem como de financiamento para a reestruturação da dívida, efeitos que se anularam entre si.
No caso dos particulares, «a diminuição da confiança dos consumidores, a deterioração
das perspetivas para o mercado da habitação, a retração nas despesas de consumo de bens duradouros e o crescente recurso a poupanças terão estado entre os fatores que mais contribuíram para a redução da procura de crédito».
Bancos queixam-se do efeito da crise da dívida
Para o segundo trimestre, a generalidade dos bancos não perspetiva critérios mais restritivos na concessão de empréstimos ou linhas de crédito a empresas. Também no que toca aos empréstimos a particulares, deverão manter-se os critérios na aprovação de crédito à habitação, mas pode haver um ligeiro agravamento da política de concessão de crédito ao consumo e outros fins.
Os bancos esperam um ligeiro aumento da procura de empréstimos por parte das pequenas e médias empresas (PME) e de empréstimos de curto prazo. No caso dos particulares, a maioria dos bancos perspetiva uma redução da procura de empréstimos para habitação, consumo e outros fins.
Os bancos reportaram ainda ao Banco de Portugal um «agravamento quer das suas condições de financiamento, quer dos critérios que aplicam na concessão de crédito» e salientaram, entre outros efeitos, «o impacto da redução do valor dos ativos de garantia de dívida soberana disponíveis para operações no mercado por grosso».
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