É a primeira vez em mais de dois anos que se verifica um aumento dos novos empréstimos durante três meses consecutivos. Novos financiamentos às grandes empresas justificam em grande parte este comportamento. Mas o crédito à habitação e ao consumo também revela alguma recuperação.
A banca emprestou 4,38 mil milhões de euros à economia, em Novembro, de acordo com os dados provisórios divulgados pelo Banco de Portugal. Este valor corresponde a um aumento de 4,93% face ao mês anterior, ou seja, mais 206 milhões de euros. E também representa um acréscimo de 1,76%, ou 76 milhões, face ao mesmo período de 2011.
Novembro é assim o terceiro mês consecutivo de aumento do financiamento à economia, o que já não acontecia desde o período entre Maio e Julho de 2010.
O grande bolo dos novos empréstimos tem sido canalizado para as empresas. 88%, ou 3,85 mil milhões de euros foram, em Novembro, destinados a financiar empresas. E deste total, a maior fatia foi para grandes projectos. Assim, os créditos a empresas acima de um milhão de euros aumentaram 14,6% face a Outubro para um total de 2,24 mil milhões. Nos financiamentos abaixo de um milhão verificou-se uma queda de 4,16% para 1,61 mil milhões de euros.
Para as famílias foram destinados 526 milhões de euros, menos 1,87%, ou 10 milhões, do que no mês anterior. Uma queda que é justificada pelo segmento de outros fins, onde se inclui educação, energia e empresários por conta própria. Neste destino de financiamento, a queda foi de 13,30%, ou 29 milhões, para 189 milhões de euros.
Já no crédito à habitação registou-se um acréscimo mensal de 2,56%, ou quatro milhões, para 160 milhões de euros. E no consumo o aumento foi de 9,26%, ou 15 milhões, para 177 milhões de euros. Em ambos os casos verificam-se subidas mensais nos novos financiamento pelo segundo mês consecutivo.
Ainda assim, os novos empréstimos às famílias continuam longe dos valores verificados entre 2005 e 2008, altura em que só os particulares conseguiam captar mais de dois mil milhões ou três mil milhões de euros por mês.
Os cerca de 500 milhões de euros que são actualmente destinados para os particulares correspondem a metade, ou mesmo um terço, do que o que se chegou a emprestar às famílias nos anos de “ouro”.
A crise financeira, que estalou em 2008 e que deu origem à falência do Lehman Brothers nos EUA, ao fecho do mercado interbancário - com as instituições receosas que outros bancos pudessem falir – e posteriormente a crise de dívida e o pedido de ajuda financeira por parte de Portugal, tornou o acesso ao financiamento por parte da própria banca uma missão quase impossível. O que deu origem a uma travagem no financiamento da economia e a condições de empréstimos mais gravosas.
Um dos problemas que têm sido apontados por responsáveis nacionais e internacionais é precisamente a carência de financiamento da economia portuguesas. Sendo esta uma das missões em cima da mesa do Executivo para tentar estimular a economia.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.