quarta-feira, 21 de novembro de 2012

“Financiamento das empresas é o calcanhar de Aquiles do memorando”

Líder da AIP defende mais estímulos à economia e um acesso mais fácil às fontes de crédito.

Potenciar e alargar o número de empresas exportadoras é um dos objectivos que tem levado a Associação Industrial Portuguesa (AIP) a desdobrar-se em acções e missões. Para o seu presidente, José Eduardo Carvalho, o financiamento continua a ser o grande entrave à expansão das empresas portuguesas. As recentes medidas de apoio propostas pelo Governo, contudo, podem ser uma ajuda valiosa para desbloquear essa dificuldade.

Tendo em conta o actual clima económico do País, acredita que as exportações estão a suportar o crescimento, ou mesmo a sobrevivência, das empresas portuguesas?


É um facto que as exportações têm representado a solução para um número crescente de empresas com produção transaccionável e com capacidade competitiva. Estes bons resultados devem-se ao enorme esforço que este tipo de empresas estão a aplicar em estratégias que lhes têm permitido ter acesso aos mercados internacionais. Infelizmente, as empresas exportadoras ainda estão longe de constituir a maior parte da estrutura empresarial portuguesa. Para as empresas incluídas no sector não transaccionável a quebra acentuada da procura interna tem provocado fortíssimas dificuldades de ajustamento.

Qual o apoio e envolvimento que a associação tem prestado às empresas para estimular essa vocação exportadora?


O universo da AIP tem um leque de actividades muito diversificado de acções de estímulo às exportações, desde a realização de feiras nacionais até à organização de missões e participação em certames internacionais. A iniciativa Portugal Exportador é outro exemplo de grande notoriedade que tem em vista alargar o número de empresas exportadoras. Em idêntico sentido contribuirá o projecto da AIP-CCI "Exportar, a 1ª vez" que pretende fazer ingressar neste grupo de empresas exportadoras novas micro e pequenas unidades.

Defende que o memorando assinado com a ‘troika' seja revisto de forma a contemplar mais medidas de apoio e incentivo às empresas e ao crescimento económico?


O financiamento das empresas e muito em particular das PME constitui o ‘calcanhar de Aquiles' do memorando. Muito pouco ou nada foi inicialmente previsto para as empresas. O financiamento continua a ser o ponto crítico para as empresas e para qualquer estratégia de crescimento económico, pelo que deve ser objecto de acção imediata.

E que medidas propõem?


As medidas já estão há muito identificadas, desenhadas e propostas pela AIP. Incluem-se medidas de financiamento bancário e de novos instrumentos financeiros que promovam a capitalização das empresas.

Acredita que a criação de um banco de fomento em Portugal é fundamental para a economia e as empresas portuguesas?
Reconhece-se que tem existido da parte de alguns bancos portugueses atenção e empenho na procura de soluções para o financiamento das empresas. Entende-se fazer falta uma solução com uma percepção diferente de risco mais assente em projectos com retorno numa visão mais estrutural e temporalmente mais alargada. De qualquer forma, sustentar esta iniciativa apenas no financiamento de fundos estruturais parece-nos insuficiente.

Que avaliação faz das recentes medidas de apoio e incentivo fiscal às empresas propostas pela Economia?


Qualquer medida de apoio às empresas, sobretudo se orientada para a exportação e para o investimento do sector transaccionável, merece o apoio da AIP. Ainda não conhecemos os detalhes das propostas e, nalguns casos, a sua própria viabilidade no contexto comunitário. Mas parecem-nos que podem dar corpo a uma verdadeira estratégia de crescimento que não poderá deixar de ter como sustentáculo a competitividade das empresas.

A recente proposta de reduzir o IRC a 10% para as empresas é vital para estimular a economia? E é suficiente para atrair mais investimento estrangeiro?


Qualquer redução da pressão fiscal nas empresas deverá ser apoiada. Parece que ela é apresentada como forma e instrumento de captação e atracção de IDE [Investimento Directo Estrangeiro]. Sabemos que o País tem dificuldades de atractividade de IDE enquanto estiver sob o programa de ajuda financeira externa. As medidas, por isso, terão de ser ousadas. Contudo, esta medida terá de ser acompanhada de outras que evitem que grandes grupos portugueses procurem no estrangeiro enquadramentos fiscais que não encontram em Portugal. Porque esse enquadramento poderá também condicionar e comprometer o IDE que se pretende atrair.

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