quinta-feira, 27 de setembro de 2012

S&P: Asfixia de crédito em Portugal vai levar a mais recessão

O sector privado português terá ainda muito que penar no que respeita ao acesso ao crédito, avisa a agência de rating Standard & Poor's. É um indicador de que vêm aí mais recessão económica.

No novo relatório sobre a recessão da zona euro, que deverá continuar em 2013, a empresa que avalia a qualidade da dívida soberana desvaloriza a nova capacidade do Banco Central Europeu (BCE) em comprar dívida dos países e, desse modo, facilitar os fluxos de crédito dos bancos para as empresas e famílias.

E diz mais: a quebra brutal nos empréstimos verificada em países como Portugal, Espanha e França deverá continuar.

"O ajustamento de balanços, desta vez por parte do sector financeiro, conduziu a uma contracção particularmente acentuada nos empréstimos em Espanha e Portugal - e, mais recentemente, a um abrandamento significativo em Itália e França".

A S&P avisa que "a taxa de crescimento dos empréstimos ao sector privado é um indicador avançado confiável do crescimento do produto". "O abrandamento recente em França deverá levar-nos a esperar um crescimento nulo ou negativo nos próximos seis a nove meses", exemplifica.

À luz desta análise, a S&P analisou um grupo de cinco países e concluiu que Portugal é, de todos, a economia com maior asfixia de crédito, estando a cair cerca de 6% no final de julho. Espanha segue de perto com uma quebra de 5%; em França começou agora o problema. Todos estes países já estão em recessão ou deverão cair numa situação deste tipo.

A agência refere que o recente avanço do BCE em novos instrumentos de compra ilimitada de dívida "deverão aliviar parte das preocupações" com o mercado de crédito e com a unidade da zona euro, mas que isso não chega.

"A falta de transmissão da política monetária à economia real deve-se aos ajustamentos estruturais no sector financeiro e à introdução de novas regulações". "É difícil esperar um volte face rápido" neste quadro, avisa.

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