Depois de uma forte aposta no vento, a EDP Renováveis (EDPR) está, tal como previsto no plano de negócios 2012-2015, a começar a virar-se para outro tipo de energias, neste caso o sol. E apesar de Portugal ser um dos países da Europa com maior exposição solar, foi a Roménia o local escolhido para arrancar com este novo negócio.
Segundo explicou ao DN/Dinheiro Vivo, o administrador financeiro da empresa, Rui Teixeira, a empresa está já a construir quatro parques, com um total de 39 MW. Um “primeiro investimento que demonstra a capacidade da EDPR em antecipar o plano de negócios, iniciando em 2012 a execução de um objectivo que propusemos para 2014/15”, acrescentou Rui Teixeira.
Os parques, que ficam no sudoeste da Roménia, uma das regiões com maior exposição solar do país, deverão atingir “um factor de utilização de 15% ou de 1.200 horas de utilização anuais” e produzir, por isso, 51 GWh, disse ainda Rui Teixeira.
Este investimento, que a EDPR não divulga de quanto será, resulta de uma parceria com a empresa local Renovatio e as obras deverão estar concluídas em 2013. Ontem, um jornal romeno estimava que o investimento fosse de 120 milhões, mas o DN/Dinheiro Vivo apurou que o valor deverá ser inferior, porque as contas do jornal romeno referiam 66 MW e não 39 MW.
Porquê a Roménia e o sol?
O mercado romeno de energia solar é considerado um dos mais relevantes para a EDPR, porque tem um dos melhores quadros remuneratórios. Todos os Projectos de energia solar recebem seis Certificados Verdes (CV) por cada MWh gerado nos primeiros 15 anos de operação. Estes são depois negociados num mercado regulado que define um preço mínimo e máximo, que oscilam entre 28 e 56 euros.
A isto é ainda preciso somar o preço de venda de energia em mercado livre, repara Rui Teixeira, acrescentando que é em função da evolução destes dois mercados que evolui o remuneração realizada.
Além disso, “com apenas 2 MW instalados, o mercado solar romeno está numa fase inicial e de acordo com o plano para as renováveis da Roménia, é expectável que a capacidade solar alcance 260 MW em 2020”.
Acresce a isto que, no geral, “a energia solar teve um declínio muito grande dos preços e dos custos de investimento”, disse o CEO da Renováveis, João Manso Neto, em maio deste ano na apresentação do plano estratégico.
Além disso, disse ainda Manso Neto, “a parceria [da EDP]com a China Three Gorges [no âmbito da privatização] ajudará a abrir portas junto dos fornecedores” porque “neste tipo de projectos solares, o mercado preferencial é a China”.
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