quarta-feira, 27 de junho de 2012

Portugal voltará a financiar-se sozinho em 2015

As reformas estruturais em Portugal surtem efeito e o país deverá sustentar a sua dívida sem ajuda externa a partir de 2015, refere um estudo publicado esta quarta-feira pelo Instituto de Política Europeia de Friburgo (CEP), na Alemanha, noticia a agência Lusa.

O índice CEP das dívidas nacionais coloca Portugal ainda em terreno negativo, com menos 5,3 pontos, mas a subir em relação ao ano anterior, ao contrário do que sucede com a Grécia, a Espanha e mesmo com a Itália.

«Há provas substanciais de que as reformas estruturais em Portugal resultam», disse Lüder Gerken, um dos autores do estudo, ao jornal «Frankfurter Allgemeine», que publica a propósito um artigo no suplemento de economia intitulado «Uma Luz Positiva em Portugal».

Embora a sustentabilidade da dívida portuguesa tenha diminuído a partir de 2003, conheceu um ponto de viragem já em 2009, depois de ter atingido os oito pontos negativos, como revela o gráfico publicado pelo CEP.

A situação portuguesa é considerada, no entanto, um bom exemplo para o resto da Zona Euro pelos especialistas do CEP, devido à evolução que tem tido ultimamente.

«Portugal fez reformas como cortes salariais para os trabalhadores do setor público e nas pensões de reformas, e privatizações, e embora não deva conseguir sanear as contas públicas até 2014, como está previsto, a partir de 2015 não deverá necessitar de mais ajuda externa, se os investidores particulares acreditarem que o seu desenvolvimento é sustentável», afirma-se no estudo do CEP.

O índice CEP, que é publicado desde 2011, tem em conta a dívida pública e a dívida privada de cada país, apura o chamado saldo de financiamento, ou seja, as necessidades de crédito face ao estrangeiro, e o nível dos investimentos que aumentam a sua capacidade produtiva.

Assim, um país que importa capital do estrangeiro deve aumentar a sua capacidade produtiva com esse mesmo capital, para poder colmatar as dívidas com as receitas obtidas.

Se o índice CEP cair abaixo de zero, significa que o capital líquido importado excede os investimentos capazes de produzirem riqueza equivalente, o que acontece na Grécia, em Itália e em Portugal.

A Espanha ainda tem um saldo positivo de 0,3 pontos, mas em 1999 esse saldo era de sete pontos positivos.

Em declarações ao «Frankfurter Allgemeine», Gerker apelou aos políticos que prosseguiam a política de austeridade no Conselho Europeu de quinta e sexta-feira, em Bruxelas, advertindo contra uma inversão desta estratégia.

«O sul da Europa não pode parar com as reformas estruturais, a Espanha e a Itália têm de seguir o caminho de Portugal», disse o economista alemão.

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