O endividamento das empresas portuguesas, cujo peso no PIB atingiu os 139% no ano passado – um dos valores mais elevados da Europa – continuou a aumentar em 2011. Dados revelados ontem pelo Banco de Portugal dão conta de um início de desalavancagem mais rápido nas famílias do que nas empresas, e evidencia que a fase mais dura da redução do endividamento para o sector empresarial só está a começar este ano.
Segundo os números divulgados ontem pelo banco central no seu Relatório sobre Estabilidade Financeira, o valor do endividamento das empresas aumentou ligeiramente em 2011: 0,2%. No entanto, como a economia contraiu, o peso desta dívida no PIB cresceu de forma mais expressiva, atingindo 139,1% do PIB, um máximo desde, pelo menos, 2000.
Este valor permitirá a Portugal manter-se, lado a lado com Espanha, como a terceira economia da Zona Euro com maior peso da dívida empresarial, conclui-se da compilação de dados apresentada pelo banco central na qual faltam, contudo, valores referentes a 2011 para vários países.
Segundo o banco central, o crédito bancário concedido a empresas abrandou, especialmente na segunda metade do ano, mas foi só de facto em 2012 que entrou em terreno negativo. No caso das empresas exportadoras, a taxa de crescimento do crédito mantém-se ainda positiva nos primeiros meses deste ano, salienta o banco central.
Perante a recessão e as perspectivas, a menor procura de crédito deverá manter-se. "As necessidades de financiamento para investimento deverão continuar a contrair-se prevendo-se que prossiga o processo gradual e ordenado de desalavancagem das sociedades não financeiras", lê-se no relatório, onde se acrescenta: "O maior desafio será permitir que as empresas mais dinâmicas e produtivas consigam obter financiamento para superarem eventuais problemas de liquidez temporários".
Famílias ajustam mais depressa
Ao contrário do que se passou com as empresas, o endividamento das famílias reduziu-se tanto em valor como em peso no PIB. Segundo as contas do banco central, a dívida das famílias caiu 2,7% em 2011, o que garantiu uma redução do seu peso no PIB dos 94,3% de 2010 para 92,4%, um valor próximo da marca de 2008.
O peso da dívida no rendimento disponível também caiu pelo segundo ano disponível (126%), interrompendo "a tendência de aumento observada de forma sustentada ao longo de mais de duas décadas".
O banco central interpreta esta evolução como uma alteração significativa no comportamento das famílias que, perante o choque recessivo – mais impostos, menos salários e empregos – terão interiorizado a ideia de que perderão rendimento de forma permanente. A alteração traduz-se na redução do endividamento e numa queda da taxa de poupança inferior à esperada (e é estimada pelos modelos do banco central) dada a queda do rendimento disponível que sofreram.
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