terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Os objetivos da viagem de Portas

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas, chega hoje a Luanda para uma visita oficial de 48 horas. Do programa fazem parte um encontro com o ministro angolano da mesma pasta, Georges Chicoti, e uma audiência com o presidente José Eduardo dos Santos.

Segundo o porta-voz do MNE, Miguel Guedes, Paulo Portas "deverá reunir-se com as autoridades angolanas para contactos no âmbito político e económico", tendo por objetivo "dar seguimento às relações bilaterais entre os dois países". De acordo com a informação do gabinete do MNE, no segundo dia da visita Paulo Portas visitará as instalações do Consulado-Geral de Portugal, e o centro cultural, onde está patente uma exposição do pintor português Miguel Barros. Da agenda fazem ainda parte encontros com editores portugueses e com o cardeal Alexandre do Nascimento, bem como uma visita à empresa portuguesa Mota-Engil.

Paulo Portas esteve em Luanda em julho, numa curta deslocação de 24 horas, durante a qual participou na cerimónia de inauguração da 29ª edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA). Numa anterior deslocação, em junho, o ministro dos Negócios Estrangeiros português reuniu-se, durante mais de uma hora, com o Presidente de Angola. Esse encontro foi dominado pela situação na Guiné-Bissau e pelas relações económicas luso-angolanas.

Desta vez, porém, a visita será dominada pelas relações económicas entre Portugal e Angola.

Com a crise a apertar a Europa, Angola abre-se com o um destino privilegiado para as empresas portuguesas - seja através da presença naquele país africano seja enquanto destino de exportações ou mesmo saída profissional para muitos portugueses especializados que não encontram trabalho aqui.

Em paz e em plena expansão, a crescer acima dos 6% ao ano e com a inflação a cair (9,02% em 2012, o valor mais baixo desde o fim da guerra civil), Angola é vista como um parceiro cada vez mais importante para Portugal.

São já 120 mil os portugueses a trabalhar no país liderado por José Eduardo dos Santos e cerca de oito mil empresas portuguesas a exportar para Angola, que se tornou no "principal mercado não europeu para a nossa economia", conforme afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros, no ano passado. 

"Ao mesmo tempo, inúmeros interesses e investimentos angolanos fizeram o seu caminho e ganharam um espaço muito relevante em Portugal. Como é evidente, tudo isto é tão importante para os dois países que o Governo português fará tudo o que está ao seu alcance para melhorar ainda mais as relações com Angola e não deixar que nada as prejudique."

Para o ministro, as relações entre Angola e Portugal são, e vão continuar a ser, uma "prioridade da máxima importância da política externa portuguesa".

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