terça-feira, 2 de outubro de 2012

CIP escreve a Passos, não quer TSU fechada

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, escreveu uma carta ao primeiro-ministro, acusando-o de desgastar a concertação social. A propósito da Taxa Social Única (TSU), o patrão dos patrões disse à TSF que espera que o assunto não esteja fechado.

Isto depois de ter sido conhecido, na segunda-feira, que Bruxelas aprovou, ainda na semana passa, as alternativas à TSU, o que causou surpresa ao líder do PS e aos parceiros sociais, que não foram consultados para a proposta final do Executivo.

António Saraiva quer acreditar que o que está em causa é uma validação prévia, não factos consumados. E espera que o Governo partilhe essas propostas e negoceie ainda com os parceiros para se encontrar um consenso final sobre esta matéria. 

«Não tenho conhecimento. Penso que o que o Governo fez foi uma pré-consulta» para perceber se esse poderia ser o caminho, afirmou, em declarações à TSF.

Agora, se o Governo apresentar aos parceiros um pacote fechado, o cenário é outro. «O Governo comprometeu-se a discutir um novo figurino de redução da TSU. Ainda não nos comunicou». «Não seria a primeira vez» que parceiros sociais seriam confrontados factos consumados, lembrou Saraiva, mas espera que não seja esse o caso, porque, caso contrário, merecerá reflexão. 

Já na carta que enviou a Passos Coelho, e que é citada pelo «Diário Económico», António Saraiva disse que o chefe de Governo revela uma leitura «pouco atenta» da vida das empresas, «desgasta» e não dá o valor devido à concertação social.

A forma como o aumento da TSU para os trabalhadores foi comunicada é criticada pelo líder da CIP, já que o primeiro-ministro disse que a contrapartida da descida dos descontos das empresas era essa.

«Resultou claro que os impactos deste anúncio, feito desta maneira, seriam muito sensíveis no domínio dos equilíbrios sociais que há que, a todo o custo, preservar, sob pena de, não o conseguindo, comprometer seriamente o processo de ajustamento».

A surpresa do primeiro-ministro quanto à reacção dos empresários à medida preocupa António Saraiva: «Essa surpresa advém de uma leitura pouco atenta da realidade empresarial». 

A CIP exige, na mesma carta, que a redução da TSU para as empresas vá avante e quer que Passos Coelho explique as contrapartidas.

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