No espaço de uma semana, a probabilidade de bancarrota, num horizonte de cinco anos, aumentou mais de três pontos percentuais, de 31,58% para 35,06%, hoje na abertura, segundo dados da CMA DataVision. O preço dos credit default swaps (derivados financeiros que funcionam como seguros contra o risco de incumprimento, acrónimo cds) ainda não regressou ao nível crítico de 500 pontos base, mas subiram de 447,46 pontos base, no fecho de 14 de setembro, para 478,83 na abertura de hoje.
O prémio de risco subiu de 6,38 pontos percentuais, no fecho há uma semana, para 7, hoje na abertura, segundo dados da Bloomberg. O prémio de risco mede o diferencial entre o custo do financiamento a dez anos para Portugal e para a Alemanha, cujos títulos do Tesouro, conhecidos pela designação de Bunds, servem de referência na zona euro.
As yields das obrigações do Tesouro subiram em todos os prazos no mesmo período no mercado secundário. No prazos mais curtos - que estão sob a mira de uma potencial intervenção futura do Banco Central Europeu através do seu programa de compras de títulos no mercado secundário designado por OMT - subiram do patamar dos 4% para os 5%. No prazo a dez anos, subiram de 8,085% para 8,601%.
Apesar de, nesta semana, a operação de emissão - no mercado primário - de bilhetes do Tesouro a 18 meses (a segunda do género) ter corrido bem, com o Tesouro português a pagar aos investidores uma taxa de remuneração inferior àquela que o Tesouro espanhol pagou em emissão similar, os sinais de alerta permaneciam no mercado secundário e no mercado dos cds.
De aluno exemplar a perigo?
No dia em que se reúne o Conselho de Estado convocado pelo Presidente da República, a revista britânica "The Economist" publica um artigo na sua edição impressa intitulado com uma interrogação sugestiva: "The tipping point: How much austerity is too much? " -- "O ponto de inflexão: quanta austeridade passa a ser demasiada?". A tese da revista é que o governo português exagerou a dose - o nível de austeridade foi excessivo, e seria contraproducente, politica e economicamente. Em apenas duas semanas, diz a revista, "Portugal teria passado de um aluno exemplar" para um "exemplo que nos avisa dos perigos que enfrentam os governos que tentam impor a austeridade para além da tolerância admitida por eleitores sofredores". O que outros têm chamado de "fadiga" face à austeridade.
Ainda, recentemente, o Fundo Monetário Internacional , num balanço realizado à sua intervenção em planos de ajustamento desde 2002, chamava a atenção para o que se estava a passar na sua participação no âmbito da troika na zona euro, apontando, diplomaticamente, para pontos fracos que podem gerar problemas graves.
Os acontecimentos em Portugal sucedem quando em Espanha se desenvolve uma crise institucional jamais vista entre Madrid e Barcelona (onde manifestações reclamam independência e o jornal mais influente de Espanha, o "El País", sugere em editorial a transformação do reino numa federação), em Itália se revêm as previsões económicas apontando para dois anos de recessão consecutivos, e na Alemanha se faz tudo para evitar que temas como Espanha (resgate total ou linha de crédito "preventiva") e Grécia (uma segunda reestruturação da dívida) venham ao Bundestag (Parlamento) dar dores de cabeça à chanceler Merkel e aumentar o clima de euroceticismo e a vaga contra os "países do Sul".
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