A empresa portuguesa está atenta a novas oportunidades em África e na América do Sul.
Angola foi o mercado de estreia na internacionalização da Conduril, empresa portuguesa especializada em obras públicas e engenharia civil. Passaram-se mais de vinte anos desde a primeira incursão além-fronteiras e, actualmente, a Conduril marca presença em mercados como Moçambique, Cabo Verde, Botswana e Espanha. E na mira estão já outros países de África e da América do Sul.
A aposta em Angola deveu-se à "vantagem da língua" e também às "oportunidades que estavam a aparecer" no início da década de 90 do século passado, justifica Benedita Martins, presidente executiva da Conduril. E o tiro foi na ‘mouche'. Angola representou, no ano passado, 54% do volume de negócios consolidado da Conduril, que ultrapassou os 238 milhões de euros. Como frisou a presidente da empresa, "Angola é desde há quatro ou cinco anos o principal mercado da Conduril em termos de facturação".
As previsões de Benedita Martins apontam para um aumento da importância deste mercado na actividade da Conduril, muito pelo efeito da recessão em Portugal, onde este ano se regista uma queda abrupta nas obras públicas. Como adianta Benedita Martins, a carteira de obras da Conduril ascende actualmente a 380 milhões de euros e apenas 100 milhões estão afectos a actividades a desenvolver no mercado nacional.
Em Angola, a Conduril está também a reforçar a sua presença, estando em processo de finalização a constituição da Urano, empresa metalúrgica que irá apoiar inicialmente as actividades da Conduril naquele mercado, mas com o objectivo de vir a trabalhar também para fora do universo do grupo português.
No país liderado por José Eduardo dos Santos, a Conduril é responsável por 1.420 trabalhadores, 90% dos quais angolanos. E foram esses trabalhadores que construíram a nova ponte sobre o rio Cavaco, em Benguela, a primeira ponte a ser construída depois do fim do conflito armado.
Conquistar mais mercados
A expansão internacional da Conduril tem vindo a fortalecer-se nos últimos anos. Por terras espanholas e em consórcio com um parceiro de longa data - a FCC - a Conduril está a construir um troço do TGV espanhol, que integra a edificação de uma ponte formada por um arco com tabuleiro superior de 384 metros. A obra vale 81 milhões de euros.
Com a crise que se vive em Portugal, a Conduril aponta agora as baterias para países como a Colômbia, Brasil, Congo, Serra Leoa, Malawi e Senegal. De acordo com Benedita Martins, a empresa está a apresentar propostas a concursos internacionais nestes países. O caminho é reforçar a presença no exterior, estratégia alavancada no facto de 67% do seu volume de negócios ser já garantido com as actividades nos mercados externos.
Este ano, Angola deverá compensar "a quebra no mercado interno", que valeu 33% da facturação em 2011. Mas Benedita Martins antevê um "2013 ainda pior". Por isso, para uma empresa que emprega um total de 2.225 pessoas, o caminho passa pelo exterior.
Benedita Martins não necessitou ainda de recorrer ao regime de ‘lay-off' ou de avançar com despedimentos no País, devido à quase paragem do sector das obras públicas. "Até agora temos conseguido transferir os trabalhadores para outros sectores ou até para outros mercados", adianta.
Mas a crise que grassa no mercado interno impede estimativas de crescimento. A gestora prevê para este ano um volume de negócios idêntico ao registado no ano passado.
Conduril Academy em Angola
A Conduril - empresa Top Exporta do Santander Totta - tem um centro de formação profissional em Angola desde 2009. A Conduril Academy tem sede em Benguela, mas ministra formação em todo o território angolano onde estejam a decorrer obras da empresa. Em pouco mais de dois anos, a Conduril Academy já deu mais de dez mil horas de formação, salienta Benedita Martins, presidente executiva da Conduril. A Academy Conduril está creditada pelo instituto que tutela a formação profissional em Angola. Neste mercado, a empresa portuguesa emprega mais de 1400 pessoas.
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