terça-feira, 7 de agosto de 2012

'Contas da Zona Euro no seu conjunto são invejáveis'

Economista e investigador do Centro de Estudos Sociais, José Maria Castro Caldas defende a criação de eurobonds e a compra directa de dívida aos Estados pelo BCE.

Há um debate em torno do crescimento na Europa, mas há falta de liquidez. Como se pode financiar o crescimento?

A proposta de emissão de dívida conjunta da União Europeia…

Os eurobonds?

Sim. Uma emissão de eurobonds permitiria mutualizar parte da dívida dos países da Zona Euro e proporcionar meios para financiar o crescimento.

Mas os alemães não querem.

Não querem com o argumento de que isso faria subir as taxas de juro. Mas isso está por demonstrar. Os eurobonds poderiam tornar-se um activo de refúgio. As contas da Zona Euro no seu conjunto são invejáveis, em comparação com os EUA e o Japão. Isso permitiria financiar um programa de crescimento.

Podemos confiar que dois gigantes como Itália e Espanha não vão cair?

Não podemos estar nada confiantes, o cenário em Espanha é de perda de controlo da situação. Parece mesmo estar a faltar o apoio italiano e francês na aplicação do que foi decidido no último conselho europeu. Em Itália não estão no mesmo nível de aflição.

Mas já estiveram.

E podem voltar a estar. A liderança na Europa está a perder o controlo dos acontecimentos.

Os eurobonds seriam suficientes para travar a onda que tem vindo a derrubar país atrás de país?

Provavelmente não, haveria que acrescentar a isso uma entidade que intervenha no mercado primário da dívida, que seria o Banco Central Europeu. Tal obrigaria a uma alteração dos estatutos, que pode ser feita, ou fazer intervir no mercado primário o novo fundo que estava para entrar em funcionamento em Julho. Isso estragaria o jogo aos vendedores a descoberto que estão a ganhar fortunas com estes problemas. Depois, como o orçamento comunitário que temos é muito difícil...

É 1% dos PIB da União Europeia.

É irrisório e teria de crescer...

Nos EUA ronda os 20%.

Tem de crescer ao ponto de fazer a redistribuição, por exemplo, garantindo o acesso à saúde e à educação independentemente do sítio onde se vive. Isso exige uma união não apenas monetária, mas uma união política.

Os super-ricos guardam 17 biliões de euros em paraísos fiscais...

Bastaria que se decidisse que não haveria transferências entre bancos da Zona Euro e paraísos fiscais para que estes entrassem em colapso. Isso seria suficiente para desencadear uma atitude semelhante em outros países, nomeadamente emergentes que têm tanto a perder. Falta é vontade.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.